Capítulo 1: O Começo de Uma Nova Jornada
Anny estava sentada no chão frio do pequeno apartamento, as costas apoiadas na parede desgastada e o notebook equilibrado sobre as pernas. A tela iluminava seu rosto cansado, refletindo a página de um site de empregos. Ela olhou o relógio na barra inferior: 2h34 da manhã. O número “53” brilhava no canto direito do navegador, contabilizando os currículos enviados em três meses.
Suspirando, ela fechou os olhos e massageou as têmporas. O cansaço era inevitável, mas o medo de não conseguir pagar o aluguel na próxima semana era maior.
— Só mais um... — murmurou, tentando se motivar.
Anny clicou na aba de novas oportunidades e começou a rolar a página. Sua lista de “preferências” já não existia mais: havia passado da fase de procurar algo que combinasse com suas habilidades. Precisava de um trabalho — qualquer trabalho.
Foi então que viu o anúncio:
> "Procura-se babá para três crianças. Trabalho em período integral. Acomodação e alimentação inclusas. Salário competitivo."
Ela inclinou a cabeça e mordeu o lábio. Babá? Nunca tinha trabalhado formalmente com isso, mas lembrava bem dos anos cuidando dos sobrinhos no Brasil enquanto a irmã trabalhava. Não podia dizer que era inexperiente.
— Três crianças... parece desafiador — sussurrou para si mesma, com um sorriso cansado.
Apesar das dúvidas, clicou no botão de candidatura e começou a preencher o formulário. Nome, telefone, habilidades... Quando chegou ao campo “Experiências”, hesitou por alguns segundos. Inspirando fundo, escreveu:
"Embora não tenha experiência profissional como babá, sempre cuidei dos meus sobrinhos. Sou responsável, paciente e adoro crianças. Tenho disposição para aprender e ajudar no que for necessário."
Anny revisou o currículo uma última vez antes de apertar o botão “Enviar”. O coração bateu forte quando a notificação “Candidatura enviada com sucesso” apareceu.
— Que seja... — sussurrou, fechando o notebook.
Ela se levantou lentamente e foi até a janela. Lá fora, as luzes de Nova York ainda brilhavam intensas, mesmo durante a madrugada. O frio de dezembro fazia as ruas parecerem ainda mais silenciosas.
— As coisas vão melhorar. Têm que melhorar — murmurou para si mesma, como uma promessa.
Mansão Cavalcanti - Algumas horas depois
O som do relógio ecoava pelo escritório amplo e silencioso. Mateus Cavalcanti estava sentado atrás de uma mesa de madeira escura, empilhando papéis e revisando relatórios financeiros. Seu rosto sério e impecável refletia a frieza com que costumava tratar tudo em sua vida. Para ele, trabalho era o único refúgio possível.
A porta se abriu após uma batida leve.
— Senhor Cavalcanti — chamou Sarah, sua assistente pessoal. — Chegou uma nova candidatura para a vaga de babá.
Mateus nem levantou os olhos.
— Alguma coisa relevante? — perguntou com a voz firme.
— Bem... Ela é brasileira. Se chama Anny Rodrigues. Não tem experiência formal, mas parece disposta.
Por um momento, Mateus parou de escrever. Brasileiros eram raros naquela região, e a informação despertou uma fagulha de curiosidade. Ele apoiou a caneta sobre a mesa e olhou para Sarah.
— Agende uma entrevista. Hoje à tarde.
— Claro, senhor — respondeu Sarah, saindo em seguida.
Mateus ficou sozinho no silêncio do escritório. Ele desviou o olhar para o retrato em cima da estante: sua esposa sorrindo ao lado de Malu, Alice e Gabriel, as crianças que agora pareciam tão distantes dele.
— Uma babá brasileira... veremos — murmurou para si mesmo, voltando ao trabalho.
Apartamento de Anny - O Dia da Entrevista
O despertador tocou às 7h em ponto. Anny pulou da cama, sentindo o coração acelerado. Ela não dormira bem, repetindo mentalmente todas as perguntas possíveis da entrevista.
Vestiu a melhor roupa que tinha: uma blusa branca simples e uma calça preta. Prendeu os cabelos em um coque baixo e encarou seu reflexo no espelho.
— Vai dar certo — disse para si mesma, tentando se convencer.
O frio de Nova York cortou seu rosto assim que saiu do prédio. Anny caminhou rapidamente até o ponto de ônibus, segurando a pasta com seu currículo quase amarrotado. Ela havia pesquisado o endereço da mansão Cavalcanti na noite anterior: ficava em uma área nobre, longe de onde morava.
Após quase uma hora de viagem, ela desceu do ônibus em frente a um portão enorme de ferro. As letras douradas gravadas na estrutura indicavam: Residência Cavalcanti.
— Uau... — murmurou, impressionada com a imponência do lugar.
Com os dedos trêmulos, apertou o interfone.
— Quem é? — respondeu uma voz feminina, firme.
— Sou Anny Rodrigues. Estou aqui para a entrevista de babá.
O portão se abriu lentamente com um rangido, e Anny entrou, sentindo-se pequena diante da grande mansão branca à sua frente. O jardim perfeitamente aparado, a fonte de mármore no centro... tudo parecia saído de um filme.
Uma mulher elegante, de meia-idade, esperava na porta.
— Senhorita Rodrigues? Sou Sarah. Por aqui, por favor — disse com um sorriso leve.
Anny seguiu a mulher pelos corredores amplos e silenciosos. O som dos saltos de Sarah ecoava, e Anny sentia que estava indo para um tribunal. Quando pararam em frente a uma porta dupla, Sarah bateu duas vezes.
— Senhor Cavalcanti, a candidata chegou.
— Entre — respondeu uma voz grave.
Sarah abriu a porta e deu passagem para Anny. Ela respirou fundo antes de cruzar o limiar. Dentro do escritório, um homem alto, de terno escuro e cabelos perfeitamente penteados, a encarava atrás de uma enorme mesa. Os olhos de Mateus Cavalcanti eram frios, como se avaliassem cada detalhe dela.
— Sente-se — ele ordenou.
Anny obedeceu, mantendo as mãos firmes no colo para disfarçar o nervosismo. Ela podia sentir o peso daquele olhar, mas não desviou o próprio.
— Então, senhorita Rodrigues — começou Mateus, com a voz firme. — Por que acha que está qualificada para esse trabalho?
Anny respirou fundo, forçando-se a sorrir.
— Eu posso não ter experiência formal, senhor, mas sei lidar com crianças.
Mateus arqueou uma sobrancelha, interessado.
Capítulo 2: Primeiras Impressões
O silêncio no escritório parecia ensurdecedor. Anny estava sentada diante de Mateus Cavalcanti, cujos olhos frios e atentos examinavam cada detalhe dela. Ele parecia medir não apenas suas palavras, mas também sua postura, suas roupas e até mesmo a maneira como respirava.
— Eu perguntei — Mateus repetiu, com um tom firme — por que acha que está qualificada para este trabalho?
Anny, apesar do nervosismo, endireitou-se na cadeira e manteve o olhar fixo no homem à sua frente.
— Como eu disse, senhor Cavalcanti, eu cuidei dos meus sobrinhos no Brasil por anos. Sei o que crianças precisam: paciência, atenção e alguém que realmente as escute. Não sou babá profissional, mas sou dedicada e aprendo rápido.
Mateus estreitou os olhos, claramente tentando encontrar alguma falha em suas palavras. Ele se levantou da cadeira, caminhando lentamente até a janela do escritório. Com as mãos nos bolsos, olhou para o lado de fora, onde o jardim estava coberto por uma fina camada de neve.
— Eu preciso de alguém que aguente a pressão, senhorita Rodrigues — ele disse, sem virar-se. — Minhas crianças... não são fáceis. A última babá saiu em menos de duas semanas.
Anny sentiu um nó no estômago, mas não se deixou abater. Inspirou fundo e respondeu com firmeza:
— Eu entendo, senhor. Mas acho que a dificuldade não é motivo para desistir. Eu posso lidar com isso, se me der uma chance.
Mateus finalmente se virou para encará-la. Houve um momento de silêncio enquanto ele a observava novamente, como se procurasse alguma mentira em suas palavras. Depois de um longo minuto, ele assentiu, quase relutante.
— Está bem. O trabalho é seu, em caráter de teste.
O coração de Anny disparou, e ela quase soltou um suspiro de alívio.
— Obrigada, senhor Cavalcanti. Prometo que darei o meu melhor.
— Não se apresse em me agradecer — ele respondeu friamente. — Acomodação e alimentação estão incluídas, como dizia o anúncio. Você começará amanhã de manhã. Sarah mostrará seus aposentos e explicará suas funções. E mais uma coisa...
Ele se inclinou levemente para a frente, seus olhos penetrantes fixos nos dela.
— Não interfira no que não é da sua conta. Faça o seu trabalho, e tudo ficará bem.
O aviso era claro. Anny engoliu em seco, mas assentiu.
— Entendido.
Mateus fez um gesto para que Sarah a acompanhasse para fora. Enquanto caminhava pelo longo corredor, Anny tentou ignorar as dúvidas que começavam a se formar em sua mente. Ela havia conseguido o emprego, mas a impressão de que estava entrando em um lugar cheio de segredos era inegável.
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A Chegada à Mansão
Na manhã seguinte, Anny chegou à mansão Cavalcanti com duas malas surradas e um casaco que mal suportava o frio do inverno nova-iorquino. Sarah a recebeu na porta, com a mesma expressão neutra de sempre.
— Vou levá-la ao seu quarto — disse Sarah, pegando uma das malas.
Anny seguiu a assistente pelos corredores da casa, que parecia ainda maior agora que a explorava de perto. O piso de mármore reluzente, os lustres caros e os quadros de paisagens antigas nas paredes a fizeram se sentir fora de lugar.
O quarto que Sarah indicou ficava no segundo andar, próximo ao corredor das crianças. Era pequeno, mas aconchegante: uma cama, um armário e uma escrivaninha. A janela dava vista para o jardim, onde as árvores estavam cobertas de neve.
— Aqui está. O senhor Cavalcanti exige pontualidade e organização. As crianças devem estar prontas para o café da manhã às oito. Seus horários serão rígidos, mas recomendo que você conheça as crianças antes de qualquer coisa.
— Claro. Obrigada, Sarah — disse Anny, sorrindo gentilmente.
Sarah assentiu, mas não sorriu de volta.
— Boa sorte.
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O Primeiro Encontro
Anny não precisou ir longe para conhecer as crianças. Assim que saiu do quarto e entrou no corredor, ouviu o som de vozes e risadas vindo de um dos quartos. Ela bateu levemente na porta entreaberta e espiou.
Três crianças estavam sentadas no chão, cercadas por brinquedos espalhados. A mais velha, uma menina de cerca de 10 anos, tinha longos cabelos ruivos e um olhar sério demais para alguém de sua idade. Ao lado dela, uma garotinha ruiva, de olhos curiosos e expressão sapeca, parecia estar tentando convencer o irmão mais novo, um menino de uns 5 anos, a entregar um carrinho de brinquedo.
Malu filha mais velha
Alice
Gabriel 5 anos
Quando perceberam a presença de Anny, as risadas cessaram. Os três se viraram para ela, com expressões mistas de curiosidade e desconfiança.
— Olá! — disse Anny, sorrindo. — Eu sou a Anny. Vou cuidar de vocês a partir de hoje.
A menina mais velha se levantou primeiro, com postura firme.
— Eu sou a Malu — disse ela, com um tom quase defensivo. — Ela é a Alice, e ele é o Gabriel.
— Prazer em conhecê-los — respondeu Anny, tentando quebrar o gelo. — Vocês estavam brincando? Posso me juntar a vocês?
Alice, a garotinha loira, sorriu timidamente, mas Malu cruzou os braços.
— Não precisamos de uma babá.
Anny se ajoelhou na altura deles e olhou para Malu com suavidade.
— Talvez não. Mas que tal me dar uma chance? Prometo que não vou atrapalhar.
Gabriel olhou para ela, ainda segurando o carrinho com força, e depois sussurrou para Alice:
— Ela fala engraçado...
Alice riu, e até Malu não conseguiu esconder o pequeno sorriso.
— É porque sou brasileira — explicou Anny, sorrindo. — Mas não se preocupem, vamos nos entender muito bem.
Malu a encarou por mais alguns segundos, como se tentasse decidir se podia confiar nela. Por fim, ela suspirou.
— Tudo bem. Mas se você for igual às outras, não vai durar nem uma semana.
Anny riu suavemente.
— Desafio aceito.
Enquanto observava as crianças voltarem a brincar, Anny sentiu um calor no peito. Talvez, só talvez, aquele lugar não fosse tão assustador quanto parecia.
Anny, idade 24 anos
Mateus, idade 36 anos
Capítulo 3: Uma Rotina Desafiadora
O primeiro dia de trabalho de Anny começou antes do amanhecer. O despertador tocou às seis da manhã, e ela se levantou rapidamente, determinada a não cometer erros logo de cara. Vestiu um jeans simples, uma blusa confortável e prendeu os cabelos em um rabo de cavalo, prático o suficiente para o que viria pela frente.
anny
Ao descer para a cozinha, o silêncio na mansão parecia quase pesado. O ambiente era imenso e sofisticado, mas frio. Sarah estava lá, organizando o café da manhã sobre o balcão de mármore.
— Bom dia, Sarah — cumprimentou Anny com um sorriso, tentando quebrar o gelo.
— Bom dia — respondeu Sarah secamente, sem nem erguer os olhos. — As crianças tomam café às 8h, mas é melhor acordá-las meia hora antes. A senhorita tem coragem de enfrentar os três logo cedo?
Anny riu, tentando se manter positiva.
— Acho que sim. Vamos ver como eles reagem.
Sarah não respondeu, apenas deu de ombros enquanto saía da cozinha. Anny preparou o restante do café, garantindo que a mesa estivesse impecável: leite, frutas, pães e cereais. Quando tudo estava pronto, respirou fundo e subiu para o segundo andar.
No corredor das crianças, o som do silêncio deu lugar a pequenos ruídos. Anny parou em frente ao quarto de Malu e bateu de leve.
— Malu? Já está na hora de acordar — chamou com uma voz suave.
Nenhuma resposta. Hesitante, Anny empurrou a porta lentamente. Malu estava sentada na cama, já acordada, lendo um livro de capa dura. O olhar sério da menina pousou nela.
— Eu não preciso de ninguém para me acordar — disse Malu, fria.
— Tudo bem — respondeu Anny calmamente. — Mas o café está quase pronto. Se quiser comer algo quente, é melhor descer logo.
Malu ergueu uma sobrancelha, mas não disse nada. Anny percebeu que a menina era diferente das crianças que conhecera no passado: havia um ar de maturidade precoce nela.
— Vou chamar os outros — disse Anny, saindo antes que Malu tivesse tempo de retrucar.
No quarto ao lado, Alice e Gabriel estavam em um estado completamente diferente. O pequeno Gabriel estava enrolado nos cobertores, resmungando algo incompreensível, enquanto Alice pulava na cama dele, tentando acordá-lo.
— Vamos, Gabi! Já está na hora! — gritava Alice, rindo.
— Não quero! — resmungou Gabriel, puxando o travesseiro sobre a cabeça.
Anny sorriu, entrando no quarto.
— Bom dia, pessoal. Como foi a noite?
Alice parou de pular e olhou para ela com curiosidade.
— Você veio mesmo trabalhar aqui?
— Vim, e estou ansiosa para conhecer vocês melhor. Agora, que tal descermos para o café da manhã?
— O Gabi não quer sair da cama! — disse Alice, apontando para o irmão.
Anny se aproximou de Gabriel com um sorriso gentil.
— Ei, campeão. Aposto que tem algo muito gostoso na mesa. E eu ouvi dizer que crianças famintas viram monstrinhos — brincou ela.
Gabriel espiou por baixo do travesseiro, sorrindo levemente.
— Monstrinhos?
— Sim! Daqueles que fazem caretas e rosnados — respondeu Anny, fazendo uma careta engraçada.
Alice riu, e Gabriel finalmente desistiu da batalha contra o sono.
— Tá bom, tô indo... — murmurou ele, descendo da cama com passos pesados.
O Café da Manhã
Na cozinha, Anny ajudou as crianças a se sentarem à mesa. Malu chegou por último, com o livro ainda em mãos, e olhou para os irmãos com um leve ar de superioridade.
— Vocês são tão barulhentos — reclamou ela.
— E você é tão chata — retrucou Alice, colocando cereal no prato.
— Ei! — interveio Anny com uma voz calma, mas firme. — Que tal começarmos o dia sem brigas?
Malu lançou um olhar desafiador, mas ficou quieta. Anny aproveitou o silêncio momentâneo para servir o leite e cortar algumas frutas para Gabriel.
— Você não vai comer? — perguntou Alice, observando Anny.
— Não agora. Estou aqui para ajudar vocês primeiro — respondeu Anny.
Gabriel olhou para ela com os olhos curiosos e disse, quase inocentemente:
— Você fala engraçado.
— É porque sou brasileira — explicou Anny com um sorriso.
— Onde fica isso? — perguntou Alice.
— Bem longe daqui, do outro lado do oceano. Um lugar cheio de praias, calor e festas.
— Parece divertido — comentou Alice, pensativa.
Malu não disse nada, mas Anny notou que a menina parecia escutá-la com atenção. Ela decidiu não forçar uma aproximação. Conquistar a confiança de uma criança tão fechada levaria tempo.
Foi nesse momento que Mateus Cavalcanti entrou na cozinha. Seu terno impecável contrastava com o ambiente casual. Ele parou à porta, observando a cena com o rosto inexpressivo.
Mateus
— Vocês estão prontos para a escola? — perguntou ele, sua voz firme como de costume.
As crianças assentiram rapidamente, terminando suas refeições. Anny se virou para Mateus, um pouco surpresa com sua presença repentina.
— Bom dia, senhor Cavalcanti — disse ela educadamente.
Mateus olhou para ela por um breve momento e respondeu com um simples aceno.
— Sarah vai cuidar do transporte. Certifique-se de que eles não se atrasem amanhã.
— Claro, senhor.
Ele saiu da cozinha tão rapidamente quanto entrou, deixando um rastro de silêncio desconfortável. Anny percebeu como as crianças ficaram tensas na presença do pai. Ela suspirou, sentindo o peso daquela casa e de tudo que ainda tinha a descobrir.
oii gente, espero que vcs estejam gostando!!
teremos mais capítulos a mais tarde, então age jaja😘
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