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Apenas Minha

A noiva vendida

O silêncio na mansão era pesado como chumbo, interrompido apenas pelo som firme dos passos de Elena enquanto cruzava o corredor. Ela sabia que algo estava errado. Desde a noite anterior, o pai evitava olhar para ela, e os empregados sussurravam às suas costas. Quando entrou no escritório dele, encontrou-o sentado à mesa, uma garrafa de uísque quase vazia ao lado.

Pai:Elena, sente-se (ele disse, sem levantar os olhos)

Elena:Não. O que está acontecendo? (ela respondeu, cruzando os braços)

Ele suspirou profundamente, passando a mão pelos cabelos grisalhos, como se as palavras que estava prestes a dizer o envelhecessem ainda mais.

Pai:É sobre o futuro da nossa família

Elena bufou, já cansada do tom melodramático.

Elena:Desde quando você se importa com a família? Tudo o que você faz é jogar e acumular dívidas!

E são essas dívidas que estamos discutindo!

Ele se levantou de repente, os olhos vermelhos de cansaço e

culpa

Pai: Eu consegui uma solução

Ela sentiu o coração acelerar.

Elena:O que você fez?

Pai:Você vai se casar!

As palavras caíram como uma sentença de morte. Por um momento, Elena achou que não tinha ouvido direito.

Elena:O quê?

Pai:Rafael D'Amato. Ele propôs um acordo. Eu entrego você como esposa, e ele cobre todas as nossas dívidas

Elena:Luca D'Amato? O mafioso?

A incredulidade misturava-se ao pavor em sua voz

Elena:Você vendeu sua própria filha para um criminoso?

Pai:Você acha que eu tinha escolha?

O tom de seu pai era de desespero, mas Elena não se comoveu

Pai:Se eu não fizesse isso, eles nos matariam! Ele nos daria proteção e poder! Esse casamento é bom para todos

Elena:Para todos, menos para mim! (ela gritou, a voz trêmula de raiva e mágoa) Você sequer pensou no que isso significa para mim? Você decidiu minha vida como se eu fosse um pedaço de terra!

Pai:Elena, você precisa entender que Rafael é um homem perigoso, mas é também... um homem de palavra. ele garantiu que você será tratada como uma rainha.

Ela soltou uma risada amarga

Elena:Rainha ou prisioneira? Não importa. Eu sou sua filha, não sua moeda de troca!

Pai:Elena, é tarde demais

Ele se aproximou, tentando tocar o braço dela, mas ela recuou.

Pai:Ele já assinou o contrato. Rafael virá buscá-la amanhã

Ela sentiu as pernas fraquejarem, como se o mundo

Elena:Amanhã?

Tudo estava acontecendo rápido demais.

Elena:O que você fez comigo? (Sua voz era um sussurro, repleto de dor e traição)

Pai:Elena…

Elena:Não diga mais nada

Ela deu um passo para trás, afastando-se dele.

Elena:Você destruiu minha vida não há nada que você possa dizer que conserte isso

Ela saiu do escritório sem olhar para trás, as lágrimas escorrendo silenciosamente pelo rosto.

Naquela noite, Elena ficou acordada, encarando o teto do quarto. O nome de Rafael D’Amato ecoava em sua mente. Ela sabia o suficiente sobre ele para temer o que estava por vir. Ele era implacável, calculista, e controlava metade da cidade com mãos de ferro. Mas havia algo dentro dela que recusava se render.

Se Rafael achava que ela seria uma esposa submissa, ele estava enganado. Se seu pai achava que podia vendê-la sem consequências, ele também pagaria por isso.

Quando os primeiros raios de sol surgiram, Elena fez uma promessa a si mesma: ela enfrentaria Rafael D’Amato de cabeça erguida, mesmo que isso significasse se tornar sua pior inimiga.

O encontro

O sol mal tinha aparecido quando Elena se levantou. O silêncio da manhã contrastava com o turbilhão que se passava em sua mente. Ela caminhou até a janela e olhou para o jardim, onde o orvalho ainda brilhava sobre as folhas. Mas mesmo aquela cena pacífica não conseguia acalmar seu coração. O que ela faria agora? Fugir? Desafiar seu pai? A ideia de escapar parecia improvável, mas sua indignação crescia a cada minuto.

O som de uma porta se abrindo a tirou de seus pensamentos. Sua mãe entrou, os olhos ainda inchados de uma noite sem sono. Ela se aproximou e sentou-se ao lado de Elena na cama, tentando não olhar para o rosto da filha, mas a dor estava estampada ali, clara como o dia.

Mãe: Eu sei que você está furiosa, mas ele… ele não sabia o que fazer

Elena não respondeu de imediato. A raiva borbulhava dentro dela, mas ela sabia que sua mãe não tinha culpa. Ainda assim, a dor era tão grande que as palavras ficaram presas em sua garganta.

Elena: Ele destruiu a minha vida, mãe. E você, o que vai fazer? Vai ficar em silêncio como sempre?

A mãe abaixou a cabeça, como se o peso da vergonha fosse demais para suportar.

Mãe: Eu… eu não posso impedir o que já está decidido. Mas você precisa entender que seu pai… ele ama você. Ele fez isso por amor

Elena sentiu um nó na garganta. Ela não queria ouvir aquilo. Amor? Era difícil acreditar que alguém que a amava pudesse fazer algo tão terrível. Levantou-se bruscamente, afastando-se da cama, e começou a andar pelo quarto, sem saber o que fazer com toda a dor e raiva que sentia.

Elena: Amor não se mede com sacrifícios como esse. Se ele realmente me amasse, não me venderia como se eu fosse uma mercadoria

O silêncio se estendeu entre elas, mas Elena sabia que não haveria palavras capazes de aliviar o que estava sentindo. Seu olhar se fixou no relógio na parede. Já era tarde. Rafael D’Amato viria buscá-la em poucas horas. O inevitável estava prestes a acontecer.

Sua mãe, com um suspiro, levantou-se da cama e a abraçou, tentando transmitir algum tipo de consolo. Elena sentiu o calor do corpo dela, mas isso não foi suficiente para apagar a amargura que tomava conta de seu peito.

Mãe: Prometa-me uma coisa, Elena. Seja forte.

Elena sentiu a emoção engolir suas palavras. Ela não sabia como seria forte. Como poderia ser forte quando tudo que ela amava estava sendo arrancado de suas mãos?

Elena: Eu vou ser… mas não por ele.

O restante da manhã passou em um turbilhão de preparações. Sua mãe cuidou para que ela estivesse impecável, como uma noiva destinada a um grande banquete, mas Elena sentia como se estivesse indo para sua própria execução. Cada peça de roupa, cada gesto, parecia uma sentença de morte mais próxima. Quando o carro chegou à mansão, ela olhou pela janela e viu a figura imponente de um homem à porta.

Rafael D’Amato. Ele estava ali, esperando, como um predador aguardando sua presa. Não era difícil perceber o poder que ele exalava, o jeito que a presença dele parecia dominar o ambiente. Seus olhos escuros estavam fixos na entrada, como se soubesse que a espera havia chegado ao fim.

Elena desceu do carro, suas pernas bambas, mas sua postura ereta. Ela se recusava a mostrar qualquer fraqueza, mas dentro de si, o medo se misturava com uma raiva crescente. Rafael D’Amato era um homem que nada temia. Mas ela não seria como as outras mulheres que ele havia conquistado. Ela faria questão de que ele soubesse o que custava subestimar uma mulher que já tinha perdido tudo.

Quando ela se aproximou, ele não sorriu. Seu olhar era frio, calculista, como se estivesse avaliando cada movimento dela.

Rafael: Elena, não é?(A voz dele tinha um tom baixo, mas carregado de autoridade)

Ela o encarou de volta, sem vacilar.

Elena: Sim, sou eu. Mas antes que você pense que vai me dominar, saiba que não será tão fácil quanto pensa

Rafael a observou por um momento, e por um instante, Elena achou que ele poderia rir. Mas ele não fez isso. Seu olhar apenas se tornou mais intenso, mais ameaçador.

Rafael: Você é mais corajosa do que eu imaginava. Isso vai tornar as coisas mais interessantes

Elena sentiu o frio na espinha, mas não se deixou abater. Ela não estava ali para ser uma mulher submissa, não importava o que ele pensasse ou fizesse. Seu objetivo estava claro: sobreviver a essa prisão que seu pai a forçara a entrar, e fazer Rafael pagar por tudo o que estava prestes a lhe tirar.

Sem dizer mais uma palavra, ele estendeu a mão para ela. Elena olhou para a mão dele, o toque frio e impessoal. E, mesmo sabendo que aquele era o primeiro passo para a prisão de sua vida, ela não hesitou em dar o próximo movimento.

Ela pegou a mão dele com força, seus olhos fixos nos dele, sem baixar a guarda.

Elena: Eu vou resistir, Rafael. E você vai me ver lutar até o fim

Rafael D’Amato sorriu, mas não era um sorriso amigável.

Rafael: Eu espero que sim, Elena. Eu realmente espero que sim

E com aquele sorriso enigmático, ele a conduziu para a escuridão que agora seria sua vida.

A tentativa de fuga

Elena sobe para arrumas as suas coisas e prepara se para despedir da sua casa onde havia passado a maioria da sua infância

Até que…

O relógio marcava a hora de sua prisão, mas Elena não estava disposta a se entregar, algo dentro dela se recusava a aceitar a realidade, algo ainda lutava pela sua liberdade.

Ela observou pela janela o imponente homem à porta, seus guardas espalhados ao redor como sombras silenciosas. O coração batia forte. Então, uma ideia ousada surgiu em sua mente.

Elena virou-se para a porta dos fundos do quarto. A mansão, embora luxuosa, tinha seus pontos fracos.

Ela já conhecia cada canto daquele lugar. Com uma rapidez silenciosa, escorregou até a escada lateral, onde a porta se abria para o jardim. A brisa fria tocou seu rosto enquanto ela respirava fundo, tentando afastar o medo.

Ela não pensava em consequências, apenas em escapar. Desceu o mais rápido que pôde, correndo pelas sombras, tentando não fazer barulho. Mas antes que alcançasse a cerca do jardim, o som de passos apressados chegou até seus ouvidos. Rafael e seus homens a haviam visto.

"Ela está fugindo!" gritou um dos guardas

Elena aumentou o ritmo, sua respiração ofegante, mas sabia que não podia continuar correndo para sempre.

A cerca estava perto, e o medo de ser alcançada era cada vez mais forte. A liberdade parecia ao alcance das mãos, mas o som dos passos atrás dela ficava cada vez mais próximo.

O vento gelado cortava sua pele enquanto ela corria, cada passo ecoando como um tambor em seu peito. O jardim parecia mais vasto àquela hora, e ela correu entre as árvores, se movendo com a leveza de quem estava em sua própria terra. O medo a impulsionava, mas ela sabia que o tempo estava contra ela.

De repente, um grito de ordem. Um dos guardas havia avistado a movimentação.

— “Ela está indo para a cerca! Peguem-na!”

Mas Elena não iria se entregar sem mais nem menos. Ela correu até a cerca e, com uma força inesperada, pulou para o outro lado. A queda foi abrupta, mas ela conseguiu se levantar rapidamente, suas mãos sujas de terra. O lado de fora da mansão ainda era perigoso, mas oferecia alguma chance de escapar.

Porém, a perseguição não foi fácil. Ouviu os passos pesados dos homens de Rafael se aproximando, e seu instinto de sobrevivência se acendeu. Sem olhar para trás, ela mergulhou na escuridão, atravessando o campo que cercava a propriedade. O som dos guardas correndo ficou distante, mas ela sabia que não poderia parar. Cada grama de seu corpo gritava por descanso, mas ela se manteve firme.

Rafael, que estava à frente com outro guarda, avistou Elena através da cerca. Ele não estava disposto a deixá-la escapar tão facilmente.

Rafael:Ela é mais difícil do que eu imaginava.” Ele murmurou, com um tom calculista, mas a frustração evidente.

Os homens tentaram seguir por entre as árvores, mas a corrida de Elena foi mais astuta. Ela se escondeu entre arbustos e pedras, fazendo com que eles se perdessem atrás dela. Um guarda mais apressado quase a alcançou, mas ela correu para um pequeno galpão abandonado, onde se escondeu, ofegante, atrás de caixas empilhadas.

Os guardas passaram, sem perceber sua presença. Eles estavam tão próximos, mas Elena sabia que sua vantagem estava na escuridão e em sua habilidade de se mover sem ser vista. Esperou até que o som da perseguição diminuísse, e então, com passos cautelosos, ela se levantou e seguiu em direção ao caminho rural, onde um pequeno vilarejo se estendia à distância.

Mas, antes que ela pudesse se sentir completamente segura, uma sombra se ergueu diante dela. Rafael estava ali, seus olhos fixos, como se soubesse que ela não conseguiria fugir para sempre.

Rafael:Você realmente acha que pode me escapar? (Ele disse, sua voz baixa e quase desdenhosa)

Elena se virou para enfrentá-lo, ainda ofegante, mas com um desafio no olhar.

Elena:Você vai ter que me pegar primeiro

A luta estava longe de terminar, mas naquele momento, ela sabia, não seria fácil para ele. Ela não seria apenas mais uma peça em seu jogo

Mas, antes que ela pudesse ganhar uma vantagem, um dos guardas de Rafael, que havia se aproximado por trás, alcançou seu braço. Ele a agarrou com força, e Elena gritou, tentando se soltar.

Elena:Solta-me!"

ela gritou, se debatendo, mas o guarda não a soltava. Com um esforço desesperado, Elena tentou arrancar o braço dele de seu pulso, mas ele apertou ainda mais, seu aperto quase quebrando seus ossos.

Foi então que ela sentiu um forte puxão na perna. O guarda acabou atirando nela com um golpe certeiro, fazendo com que ela caísse de joelhos, o impacto sendo como um soco no estômago. Ela tentou se levantar, mas sentiu a dor irradiando da sua perna

O guarda sorriu satisfeito, mas antes que ele pudesse se vangloriar de sua vitória, uma voz cortante interrompeu.

Rafael:O que você está fazendo, idiota?!- gritou furioso

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