Meu nome é Camila Rios, sou tradutora e redatora de um canal do YouTube.
Tenho 30 anos, 1,60 e sou gordinha, mas meus amigos dizem que sou bonita que meus olhos azuis e os cabelos negros e cacheados me dão uma aura enigmática, mas até hoje só achei problemas com meu enigma.
Gosto do que faço, mesmo meus amigos me dizendo que sou reclusa.
Tive algumas desilusões amorosas e jurei não me envolver mais, fechei meu coração.
No momento estou fazendo a tradução de uma novela turca, aqui posso me apaixonar e viver o amor, porque nunca encontrarei a pessoa a quem dedico minha atenção.
Tenho um gato e dei o nome de (Meu bebê), este não vai me abandonar, e não está preocupado se sou gorda ou não.
Se eu der carinho e comida, viverá a eternidade comigo.
Estou em minha cozinha preparando meu café da manhã e meu celular começa a vibrar.
_ Nossa(Meu bebê) quando o celular chama cedo assim, vem problemas.
Olhei a tela e Melissa.
-Alô, Melissa, bom dia! Aconteceu algo?
Melissa Duarte, minha chefe e amiga de longa data, ela e seu marido Osvaldo são donos do canal para o qual eu trabalho.
-Preciso te pedir um favor, mas antes de recusar lembra de nossa amizade. Chegará uma pessoa ao Brasil, vinda da Turquia, e nós estaremos com ele durante sua estadia no país. Nosso tradutor pegou COVID e não poderá acompanhá-lo. Preciso que você faça isso.
-Você não tem outra pessoa para fazer isso Melissa, você sabe que não sou boa com pessoas.
-Você é a única que fala turco fluente Can, ele não fala nossa língua por favor me ajuda, senão terei que cancelar.
Minha amiga não me pediria se não estivesse precisando muito, ela sabe que não gosto do contato direto com ninguém, ainda mais com os turcos que não respeitam as mulheres.
-Ok, vou tentar Melissa, você já avisou a ele que é uma mulher que estará com ele esses dias? Você sabe que eles não gostam de depender de uma mulher, que para eles somos só adornos. Outra coisa, meu trabalho vai atrasar. Vou ficar de babá de turco, não vou conseguir fazer ambos.
-Can muito obrigado, sei que você vai dar conta, é só uma semana, leva seu laptop junto e se der você faz a tradução. E na semana que vem te libero para você ir visitar sua família no interior, com custo zero.
- Combinado Melissa. Me manda o horário do voo, e o nome dele, para eu poder identificá-lo no aeroporto.
- Fica em paz, tudo já foi programado, o motorista passa aí te pegar às 14:00, e ele te passa todas as informações necessárias. Tchau, te amo, tenta se lembrar disso amanhã, tá?
Falei com meu gato:
-Sabe "meu bebê" acho que entrei em uma fria, Melissa estava muito estranha, mas qualquer coisa volto correndo para você
Dou um sorriso.
Não fica triste, é só uma semana, e semana que vem vamos para o interior e nos divertiremos muito, sei que você gosta da liberdade que você tem lá no pesqueiro.
Trabalhei na tradução do capítulo até às 11:30, almocei, tratei o "meu bebê" e pedi para o zelador do prédio cuidar dele durante a semana.
Arrumei uma mala pequena e meu laptop. 13:30 estou pronta e começando a ter uma crise de ansiedade.
Estou a ponto de ligar para a Melissa e desistir.
Olhei no espelho e tentei me acalmar:
"Você prometeu, toma jeito! É só uma semana, o que pode dar errado?"
O interfone toca, é o zelador avisando que a minha limosine chegou. Achei engraçado, porque viria uma limosine para buscar um turco?
-Tchau "meu bebê" não faz arte, logo estarei de volta.
Saí, fechei a porta.
Moro no terceiro andar, desci de elevador, quando cheguei na portaria tinha um homem de terno me esperando e lá fora uma limusine.
Pensei:
Meu Deus! Acho que ao invés de ser um ator é o presidente da Turquia que descerá do avião, dei uma risada.
Ele deve ser conhecido, será que é Can Yaman, se for ele eu vou ter um infarto, ele era o ator da primeira novela turca que traduzi.
Meide Yilmaz
Turco, ator de séries, popular entre as mulheres.
1,90, corpo de atleta, olhos e cabelos negros, uma cultura onde tocar uma mulher ou simplesmente falar com uma a sós é complicado, da parte antiga da Turquia, respeita as tradições e diz que só tocará uma mulher se for para ser esposa dele.
“Yaman, o agente”
— Meidi você é o ator principal da série, você precisa ir.
— Você sabe que não falo outra língua Yamam. Como farei? Logo no Brasil! Você já ouviu falar na criminalidade de lá? E as mulheres de lá então? São liberais demais, não sei se consigo lidar com elas.
— Meide você está acostumado aqui na Turquia que também tem muitos problemas, não estou te entendendo, você consegue lidar com os nossos problemas aqui e está com medo do Brasil? Agora, se o problema for suas fãs. Você estará com o tradutor de lá e mais dois seguranças.
— Yamam elas me seguem nas redes sociais e parecem bem loucas, você sabe que não gosto muito de contato, que respeito nossas tradições, elas só pensam em uma coisa. Me veem como um pedaço de carne, vão querer me devorar.
— Para de ser dramático, Meide, é só uma semana, você voltará com a sua honra intacta.
Dá uma risada
-- Não sei se vou conseguir controlar meu gênio e não explodir com elas. Mas pensando bem, não falar português é uma boa, coloco meu intérprete para lidar com elas. Não fale para eles que entendo o que eles falam, só não sei falar ainda. Assim saberei o que estão falando de mim.
— Mesmo achando errado, não falo nada, Meide. E vê se não volta casado.
— Você ficou louco, quero uma mulher que respeite as nossas tradições e não uma brasileira que só enxerga o meu corpo, sou muito mais que isso.
— Sei Meide, a sua família vai te achar a esposa certa logo, você verá. Mas vou te dizer uma coisa, tem algumas coisas que só as brasileiras sabem fazer, você ia adorar.
— Quero escolher a minha esposa a dedo, tem que saber cozinhar, gostar das mesmas comidas que eu e sim se vestir como manda a nossa religião.
Vejo meu agente dar uma risada e ficar me olhando porque ele é casado com uma brasileira, e sabe que nem vou na casa dele, porque não aprovo este tipo de mistura.
“Can”
Estamos no aeroporto esperando o avião pousar, não sei quem é o turco que acompanharei, mas pela pompa deve ser um famoso, qual série será que ele está fazendo? Resolvi perguntar para o motorista, que está comigo.
--Qual o nome do nosso amigo, por favor, Melissa não me falou.
-- Meide Yilmaz.
Parece que meu cérebro acaba de pregar uma peça em mim.
Não pode ser, Meide é o ator da série que estou traduzindo. Não dá para correr, o avião já pousou. Olhei para o desembarque e lá vem ele, magnífico, maravilhoso, imponente.
Preciso me controlar para não bancar a fã surtada.
Meide vem até onde estamos e começa a falar, em turco:
— Boa tarde! Podemos ir, estou cansado da viagem e queria descansar um pouco.
Pensei:
Ele parece bem educado, só tem um problema, ele está falando com o motorista, é como se eu não existisse.
— Boa tarde!
respondi para ele.
Ele me olha como se tivesse vendo uma aberração, vira de novo para o motorista e continua falando:
--Senhor Can esta é sua assistente?
Por favor, fale para ela ir pegar as nossas malas, que estou cansado e quero ir para o hotel descansar.
O motorista olha para mim sem entender nada.
Com um sorriso no rosto, falei para o Rick, em português.
— Vai Rick pegar as malas da estrela, esclarecerei as dúvidas dele.
Virei para Meide e falei em turco:
--Senhor Meide, eu sou sua intérprete e a sua acompanhante para esta semana, aquele rapaz com quem o senhor estava falando é nosso motorista e não fala turco.
— Não pode ser, eu deixei bem claro que queria um homem. Resolverei isso agora, falacom o meu meu agente.
Vejo Meide pegar o celular e ligar para o agente, achei uma cadeira e me sentei para esperar ele resolver o problema complicado da vida dele.
-Alô, Yamam, a intérprete, é uma mulher.
-Como assim, ela se chama Can? Achei que era nome de um homem.
-Não sairei deste aeroporto com esta mulher, e se ela me agarrar, o que faço? Te falei que isso não ia dar certo.
-Fala com ela, Meide, para de exagerar, ela está aí a trabalho, ela não deve ser uma louca depravada.
“Can”
O motorista se aproxima de mim e fala:
-Can, as malas já estão no carro.
-Aguarda um pouco Rick, o senhor Meide está tentando resolver um problema importante.
-Que tipo de problema, Can?
— Se sou uma louca que vai agarrar ele a qualquer momento ou não.
"dou risada da cara que o motorista faz."
Vi Meide me dar um olhar torto e continua no celular, de onde estou não consigo ouvir o que ele fala para seu agente, mas quando falei com o motorista, tive a impressão que me entendeu, deve ser loucura da minha cabeça.
-Yamam, ela está brincando comigo, acha que não estou entendendo o que ela está falando.
-Fica calmo Meide e fala com ela, depois você me liga e tentamos resolver seu problema.
Fico olhando para o celular, meu agente desligou na minha cara, e me mandou falar com ela?
Vejo ela vindo até onde estou, o que será que ela quer agora?
--Senhor Meide, o senhor esteve em um voo por 13 h, deve estar cansado, vamos para o hotel e de lá o senhor resolve seu problema importante. Prometo falar com o senhor só o necessário. E pode ficar tranquilo que não tenho intenção de te agarrar.
“Meide”
Pensando bem, estou sendo chato, meus guardas também estão cansados, ela nem olhou para mim, só usarei a voz dela ocasionalmente, e chegando no hotel vai cada um para seu quarto, e só nos veremos nos eventos.
Falei
-Ok, vamos para o hotel. A senhorita tem razão, estamos cansados.
“Can”
Subimos na limousine, Meide e seus seguranças atrás e eu fui com o Rick na frente.
Rick é ótimo de conversa, fomos tagarelando até o hotel, nenhum assunto importante, mas adorei o papo dele, fazia tempo que não ria tanto.
“Meide”
Vim naquela limousine ouvindo ambos tagarelando sobre comida, e outros assuntos aleatórios, ela sorri para ele o tempo todo, e que sorriso bonito ela tem, e os cabelos cacheados e negros parece os cabelos das turcas, não é uma beldade, mas terei que me controlar, é bem meu tipo de mulher, gostosa nos lugares certos.
A voz parece que tem um veludo, achei que estava falando comigo assim controlada, mas com o motorista é o mesmo tom de voz só mais alegre, e os olhos azuis, parecem brilhar cada vez que ela sorri, eu nunca tinha visto uma figura tão exótica.
“Can”
Fui à frente confirmar o check-in dos quartos. Mas, nada está tão ruim que não pode piorar.
Como o intérprete era homem, foram reservados dois quartos, um para os seguranças e um para ele e o intérprete.
Como digo para Meide que nós dois ficaremos no mesmo quarto?
Se eu estou surtando, imagina ele como vai ficar, vai achar que armei para ficar sozinha com ele.
Cheguei perto dele e dei a notícia de uma vez, esperando uma explosão machista.
-Senhor Meide foi reservado só dois quartos. Um para seus seguranças e um para o senhor e seu intérprete.
-O que isto significa senhorita Can?
Pensei:
Se você acha que vai me enganar e ficará no mesmo quarto que eu, está muito errada, ela continua falando:
— Estou tão desolada quanto o senhor, mas não tem outro jeito, o hotel está lotado. Também não quero ficar olhando para sua cara o tempo todo, mas farei isso pelo meu serviço, que é só o que o senhor é para mim.
**Um serviço.**
-Estou cansada e subirei, fique a vontade para ficar aqui, já liberei o quarto de seus seguranças.
Me dá as costas e vai em direção ao elevador, virou e me falou:
-Se o senhor resolver subir, estamos no sexto andar, quarto 320.
Mulher insolente, mas fazer o quê? Vou ter que subir com ela, sou o trabalho dela e devo me comportar como tal. falei:
-Vou com você, mas fique bem claro que não gosto desta situação. E vou reclamar para meu agente.
-Já esperava por isso senhor Meide, também viu falar com minha contratante para resolver o seu problema, vamos?
Passei por ela e subi no elevador, junto entraram os meninos do hotel com minhas malas.
“Can”
Como levei só uma mala de mão eu mesma carrego.
Mas a "estrela" parecia que veio de mudança, seis malas, precisaram de dois meninos para levar para cima.
Assim que passamos a porta, falei em português para os meninos que estavam com as malas:
-Deixa as malas da "estrela" aí, muito obrigado pela ajuda.
Dei uma gorjeta para os meninos, virei e ele estava me olhando com uma cara de poucos amigos. Falei em turco:
-Seu quarto é este logo a frente, fique a vontade para levar suas malas para lá, vou pedir alguma coisa para comer, o senhor está com fome? Quer que eu peça algo?
Ele ali parado me encarando, sem nem dar um passo.
Resolveu falar:
-Por favor, peça alguma coisa para mim também, estou faminto, senhorita Can.
-Ok, já vou fazer o pedido.
Liguei na cozinha, esse hotel é especializado em receber pessoas de outros países, por isso tem um cardápio variado.
-Me manda uma refeição turca e um BK bem carregado na carne e no queijo. E por favor manda duas refeições turcas no quarto 319, manda um garçom.
-Ok, já conhecemos os costumes, em meia hora chega, senhorita.
Virei para Meide, e avisei:
-A refeição chega em meia hora, já pedi para levarem duas para seus seguranças, se o senhor quiser se refrescar fique a vontade.
Passei por ele e fui para meu quarto tomar um banho e relaxar um pouco, como se eu fosse conseguir relaxar com Meide Ilmaz aqui ao lado.
“Meide”
Ouvi ela pedindo uma refeição turca e um BK? O que será isso? E foi muito gentil da parte dela pensar nos meus seguranças, talvez ela não seja tão ruim assim.
Peguei minhas malas que a insolente deixou no meio da sala e levei para meu quarto, achei melhor esperar no quarto, me sinto mais seguro ainda não confio nessa mulher.
“Can”
Coloquei um short e uma camiseta larga, voltei para a sala.
Tudo quieto, acho que ele passará o resto da semana trancado no quarto.
Com medo que eu tire sua virgindade, como posso gostar tanto do seu personagem e você ser tão grosso, chato.
Toca a campainha, abri a porta, o serviço de quarto com nossa refeição, não sei se é a fome, mas meu lanche está cheirando bem demais.
Fui à porta do quarto, bati e chamei Meide:
-Senhor Meide, a refeição chegou.
-Já vou, vem a resposta de dentro do quarto.
Sentei e comecei a comer meu BK, não sei se é a fome ou se realmente está bom. Fechei os olhos para saborear, na hora que abri lá está Meide me encarando.
-O que é isso que você está comendo?
-É um lanche, mas para o senhor pedi alguns pratos de seu país, para o senhor não estranhar tanto. Lá na Turquia não tem lanches?
Ele continua me olhando, fala:
-Parece nojento, acho que você deveria parar de comer isso pode te matar
“Meide”
Falei isso só para irritar ela, na hora que cheguei e ela estava com os olhos fechados comendo, não consegui tirar os olhos da boca dela, não é a mulher mais linda que já vi, mas de alguma forma me tira do sério.
Vestida naquele short curto e com aquela camiseta que se duvidar cabe em mim.
Estou enlouquecendo ou o quê?
Terei que tomar cuidado senão farei bobagens, sou fiel a minha doutrina.
Ela fala com aquela voz que parece me penetrar na alma.
- Ainda bem que você não tem que comer da minha comida nojenta, não é senhor Meide, porque esta sua no puro pimentão deve ser bem digesta.
Não me dá tempo para retrucar, troca de assunto, porque a minha comida não é digesta mas não tem gordura como aquilo que ela está comendo.
-Senhor Meide estava olhando sua agenda de entrevistas, a primeira é amanhã cedo, então o resto do dia de hoje é seu. Se o senhor não precisar de mim, vou fazer meu serviço.
Achei engraçado o jeito dela e resolvi alfinetar.
-Mas senhorita, seu trabalho desta semana não sou eu? Ou entendi mal?
-O senhor é um favor para uma amiga, mas tenho meu trabalho.
-Ok, senhorita, pode fazer seu trabalho, descansarei um pouco o fuso horário está me deixando cansado.
-Certo, bom descanso.
Esperei ele acabar de comer, juntei tudo, coloquei de volta no carrinho e deixei no jeito para o pessoal da cozinha.
Falei:
-Vou fazer um café, o senhor quer?
- Só tomo café turco, o outro parece mijo de égua.
Ela está me encarando, tentando conter o riso, só falei uma verdade, porque será que ela achou graça?
-Farei o café turco.
Ele tentou fazer uma piada ou falou sério? Quase não consegui me conter. Se destampo rir, será que ele ia ficar bravo? Falei:
-O café está pronto, espero que o senhor goste.
Peguei a xícara da mão da Can, olhei naqueles olhos azuis e ainda consigo ver o riso por detrás da seriedade dela. Não sei o que falei de tão engraçado, mas gostei do efeito.
Hoje não estou normal, acho melhor ir para o quarto, deve ser o fuso horário, o café dela é perfeito.
“Can”
Peguei meu laptop, coloquei meu fone e entrei no episódio que tenho que traduzir.
Não pode ser! É o episódio do pedido de casamento, podia pelo menos ser eles brigando, ou Meide bravo sendo mal, pelo menos eu não ia querer ser a mocinha sendo pedida em casamento por ele.
Vamos lá me concentrei e comecei, adoro as olhadas de amor que ambos trocam, passei quase três horas concentrada, como sempre saí do transe e me sinto flutuar igual a personagem, com o pedido e os preparativos para o casamento.
Enviei a tradução para Melissa e fui para a cozinha fazer um chá de ervas igual ao da personagem, só para me sentir fazendo parte da cena.
Ouvi um barulho atrás de mim, por um momento esqueci que tem mais alguém em casa.
Aliás, que não estou em casa, virei e dei de cara com Meide, mas ainda não saí da série, então não vejo ele e sim o personagem por quem estou apaixonada.
Como ele pode ser tão bonito, o cheiro do perfume dele me inebria a mente, fechei os olhos um momento e falei para mim mesmo:
Se controla Can, ele não é o Firat. Ele é Meide, o turco chato que não te quer por perto.
“Meide”
Fiquei no quarto duas horas, mas o silêncio me angustiou. Sai do quarto e lá estava ela, sentada na mesa, com o laptop na frente e o fone no ouvido.
Fiquei uma hora observando ela fazer sei lá o que, só sei que olhar ela mudar o olhar e a feição, hora sorrindo, na outra nervosa, e na outra como se fosse ser beijada pelo laptop me deixou encantado.
Fiquei ali assistindo sem entender o que ela fazia, de repente ela parou, tirou os fones, mas não fechou o laptop.
A curiosidade foi maior, fui até lá e qual não foi minha surpresa a hora que me vi na tela.
Ela parou a cena bem na hora que eu estava olhando com amor minha parceira de cena.
Abaixo o texto sendo enviado para o canal, ela é a tradutora da minha série.
Nossa que loucura, entendi cada gesto dela, ela vive a cena enquanto traduz.
Agora estou na porta da cozinha, não sei se falo com ela ou se vou embora, me olha como a personagem olhou para mim na cena.
Sei exatamente o que acontece depois, mas não estou atuando, devo cortar o clima, mas gosto tanto do que vejo que fiquei parado sem reação.
De repente, como na série, o celular toca, e o clima se esvai.
Ela atende e fala em português, achando que eu não estou entendendo nada.
-Oi! Melissa, recebeu o trabalho?
Você me colocou em um problema. Por que você não me disse que era ele?
Estou fazendo um esforço sobre-humano para separar a série da realidade, mas com ele aqui tão perto fica difícil.
-Se eu te contasse você iria Can?
-Não, né? você sabe que me envolvo na série que estou traduzindo e agora estou com ele aqui bem na minha frente.
-Você dá conta, ele não é tão chato assim Can?
-Não disse que ele é chato, só disse que eu não sei se consigo separar, você sabe que me envolvo emocionalmente com meus personagens, mas farei o possível para não estragar tudo e ser exatamente a louça depravada que ele acha que sou.
-Mais tarde te ligo Can, agora preciso atender outra ligação.
-Tchau! Melissa.
-Tchau! Can.
Dei uma respirada e falei em turco.
-O senhor conseguiu descansar? Estou fazendo um chá, o senhor quer?
Ele continua em pé na porta, me olhando sem dizer nada, estou ficando incomodada.
Coloquei duas taças e coloquei o chá.
-O meu, gosto doce, o seu você resolve se coloca açúcar ou não.
-Gosto sem açúcar, Can e sim, descansei bem estou pronto para começar as entrevistas. Com quem você estava falando?
-Com minha chefe, mandei o serviço de hoje para ela poder avaliar.
-Ouvi meu nome na sua conversa, falavam de mim?
-Ela perguntou se estou me dando bem com o senhor.
-E você disse que não, é claro.
-Disse que continuo decidindo se estou me dando bem ou não. O senhor se sente pronto para as entrevistas?
-Sim, o que pode dar errado? Sou um ator experiente, vou me sair bem.
Olhando para ele, falei em português:
— Veremos amanhã depois que você passar horas respondendo perguntas idiotas de suas fãs.
Falei mais para mim do que para ele.
-Por favor, Can fale na minha língua, senão não te entendo. E pode me chamar pelo nome, não precisa me chamar de senhor, me sinto um velho.
-Desculpa Meide, tem hora que eu esqueço. São quase 20:00, o senhor quer jantar?
-Por favor, pede uma sopa para mim?
-Ok Meide, vou pedir.
-Você não vai jantar Can?
-Não…, Vou tomar um banho e descansar, mas vou esperar entregarem sua sopa. Liga para seus seguranças e veja se querem jantar, assim faço um pedido só.
Meu celular toca de novo, é o porteiro do meu prédio.
-Alô Lúcio, aconteceu alguma coisa? O bebê está bem?
-Está tudo bem com ele, só te liguei para dar notícias.
-Graças a Deus, achei que ele estava doente. Fala para ele que faltam só 4 dias, logo estarei de volta e a gente vai viajar.
-Falo sim, Can, até mais então.
-Tchau, Lúcio.
Muito bem, ela tem um namorado "bebê" que apelido ridículo e ainda fala para o porteiro avisar que ela volta logo, vou perguntar o que aconteceu, vejamos a mentira.
-Aconteceu alguma coisa, Can? Você ficou tensa.
-Não, Meide, está tudo bem, é só meu porteiro me dizendo que está tudo bem, com o bebê.
A campainha tocou, a comida chegou. Fui lá abrir a porta, mandei colocar na mesa.
Ainda bem que não tive que dar muita explicação para Meide.
-Meide, seu jantar chegou, vou me recolher, boa noite. A propósito, amanhã temos que sair por volta das 07:30.
-Fique tranquila, estarei acordado e pronto, Camila.
Cada vez que ele fala meu nome tenho um treco, parece que me acaricia.
-Camila, vai me deixar jantar sozinho?
-Hoje vou, estou muito cansada, não consigo ser uma boa companhia, boa noite.
Virei e fui quase correndo para o quarto antes que a tentação de ficar com ele me dominasse.
Amanheceu, às 05:00 como todo dia estou de pé, me arrumei e saí do quarto e o silêncio me atingiu.
Será que Meide perdeu hora? Esperarei mais meia hora, aí não dá mais, vou chamá-lo.
Farei um café enquanto espero.
A porta abre e Meide entra já pronto e com o café da manhã em mãos.
-Bom dia! Can.
-Bom dia! Meide, está conseguindo se comunicar, não precisa mais de mim?
-Fui na mesa e peguei as coisas e subi, acho que não conta como comunicação.
Olhei para ele e o clima parecia mais leve, tomamos o café da manhã e partimos para o shopping, local da primeira entrevista. Mesmo esquema ele e seus seguranças no banco de trás e eu na frente com o motorista.
Chegamos no shopping, estava uma loucura, mulheres por todo lado.
Ainda bem que o carro tem os vidros escuros, então elas não nos viram chegando.
Falei para o Rick:
-Faremos o seguinte: Entraremos com Meide pela porta dos fundos, e assim evitamos todas elas.
Ele ficou com medo de mim, agora sim ele vai ver o que são mulheres loucas.
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