...Renata...
Renata Fontes, tem 28 anos. Mora no Rio de Janeiro em um apartamento luxuoso. É a caçula de três irmãos e cresceu rodeada de muito amor e carinho. Foi modelo para ajudar nos gastos da faculdade de Direito. Hoje tem o seu próprio escritório de advocacia, além de prestar serviços comunitários a orfanatos.
Renata é extrovertida e carismática. Com um olhar empático para com as pessoas, apesar de ser impulsiva e muitas vezes sem filtro. A sua criação foi diferente da maioria das pessoas ao seu redor, ela teve a sorte de ter tido pais presentes e liberais. Nunca lhe foi colocado barreiras para que ela fizesse o que quisesse.
A advogada já teve a sua cota de relacionamentos, para ela, nunca foi um problema conquistar uma pessoa. O difícil era sempre manter, ninguém teve o seu coração ou despertou sentimentos mais profundo, por isso era mais conveniente manter tudo no casual.
Mas não se enganem, Renata não é uma típica mulher superficial e mimada, mesmo que sempre a julguem pela capa. Quem a conhece sabe que seus gostos não se encaixam nos padrões que a sociedade espera dela.
...Flávia...
Flávia tem 25 anos, mora no Rio de Janeiro numa casa simples e humilde. Deixada na porta de um orfanato quando era recém-nascida, ela já sofreu mais do que a maioria das pessoas. Como assistente de fotógrafa conseguiu pagar a faculdade de jornalismo. Hoje realiza viagens a trabalho e recebeu uma promoção no trabalho. Finalmente as coisas começaram a melhorar para ela.
Flávia, para a maioria das pessoas, é uma pessoa doce e paciente. Mas essa personalidade esconde a parte em que poucas pessoas conhecem. Se você ultrapassar mais do que ela pode te oferecer, talvez nunca mais a tenha. Com dificuldade para confiar e o hábito de fugir dos seus sentimentos, Flávia se convence de que é melhor viver sozinha. Ninguém pode acessar a sua vida ao ponto de enxergar os seus maiores medos. Qualquer pessoa que tente, é duramente rejeitada. Por conta disso, ela nunca se permitiu ter uma relação amorosa que fosse além de uma noite.
A jornalista é cheia de camadas e coitado daquele que tenta descobrir o que está em baixo da superfície.
...****************...
Renata foi a primeira pessoa com quem Flávia se abriu, um pouco. Porque foi natural e fácil, mas ao notar que estava muito exposta, ela recuou e se trancou. A mais velha não sabendo o que fazer para recuperar a atenção da jornalista, se ateve a uma estratégia arriscada, que se mostrou um tiro no pé. Ela perdeu toda a confiança de Flávia e só o que lhe restou foi o desprezo da morena.
Este livro vai retratar os acontecimentos após o Livro A Hora Certa Para Amar. Por isso, recomendo que faça a leitura do mesmo, antes de embarcar nessa jornada.
As postagens dos capítulos começarão no dia 01 de Outubro de 2024. Sempre as 20hs, horário de Brasília.
Para aqueles que estão ansiosos, eu também estou 😁. Espero que gostem.
Tudo para os meus queridos leitores.
RENATA FONTES
— E você, irmãzinha. Quando pretende dar uma chance ao amor? — Gustavo, meu irmão mais velho, perguntou enquanto acariciava a barriga da esposa. Ela estava grávida.
Todos na família estavam muito empolgados com o mais novo membro do Clã Fontes. Talvez, eu fosse a mais ansiosa. Não era à toa que minha sobrinha já ganhou vários presentes, mesmo antes de nascer. Não era novidade, que eu sempre me empolgava ao lado de crianças, mas agora seria diferente. Nunca fui tia, e aquilo estava me deixando muito animada talvez fosse o que mais me empolgou nos últimos meses.
O que o meu irmão tinha me perguntado? Forcei a mente para lembrar. Minha família e sua mania de querer encontrar alguém pra mim.
— Adoro ver vocês apaixonados e com as suas esposas. — Olhei para os meus dois irmãos e para suas companheiras. — Mas, não esperem que eu vá encontrar o meu final feliz. Nem todo mundo tem essa sorte.
Os jantares em família, sempre terminavam em interrogatório sobre a minha vida amorosa, já estava acostumada. Mas confesso, que já estava ficando chateada com aquela insistência.
— Você só não encontrou a garota certa. — Pedro, que era um pouco mais jovem que Gustavo, concluiu. Ele tinha Rute ao seu lado, os dois chegaram há poucos dias da sua lua de mel.
— Não é sobre encontrar a garota certa, eu só não quero me envolver com ninguém a ponto de me machucar, caso tudo dê errado. — Estava tentando convencer a mim mesma que aquilo era a verdade.
— Mas isso é normal, filha. Ou você pensa que relacionamentos são apenas flores? Seu pai e eu tivemos nossa cota de erros antes das coisas começarem a se encaixar.
A minha mãe tocou na minha mão e começou a contar sobre como odiava o meu pai antes de se apaixonar perdidamente por ele. Já ouvimos aquela história um milhão de vezes, mas ninguém ousava interrompê-la, inclusive o meu pai, que apenas observava a cena se desenrolar. Ele sempre foi um homem de poucas palavras, apesar de saber sempre o que dizer e a hora exata para falar.
Fiquei satisfeita que o falatório sem freio da minha mãe desviou a atenção de todos da minha vida amorosa, que atualmente, era inexistente.
Júlia, a minha cunhada que estava grávida, se aproximou de mim e sentou ao meu lado.
— Às vezes, eles podem ser um pouco insistentes. — Ela comentou.
— Nem me fale, é difícil ser a caçula. Todos querem saber da minha vida ou dar opinião no que eles acham que está faltando. — Júlia, sorriu levemente. Ela já estava acostumada com o meu jeito direto de falar.
— Vamos esquecer essa história toda de par perfeito. Fale sobre o seu trabalho. Fiquei sabendo que ganhou um caso muito difícil. — Amava que Júlia sabia como me deixar confortável, ela seria uma ótima mãe para a minha sobrinha.
Passamos o resto do jantar conversando. Aproveitei para me atualizar sobre a previsão do nascimento da pequena Esther. Por sorte, a minha família não tocou mais no assunto de amor e felizes para sempre.
...ΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩ...
Quando cheguei no meu apartamento, fui recepcionada por um alegre e bagunceiro labrador. Groot, era meu fiel companheiro e sim, eu era fã de Guardiões da Galáxia. Sei que minha cara de patricinha mimada e superficial enganava muita gente. Mas a verdade, era que habitava uma Geek dentro de mim. Esse era um lado meu que poucas pessoas conheciam.
Groot quase me derrubou quando se jogou no meu colo. Não adiantava repreendê-lo, pois ele adorava fazer aquilo. Deixei minha bolsa de lado e sentei no sofá com cachorro danado no meu encalço. Ele colocou suas enormes patas em meu colo e descansou a sua cabeça na minha barriga.
— Quem disse que preciso de um amor para toda a vida? — Falei enquanto fazia carinho em Groot. Aparentemente entendendo, ele começou a balançar o seu rabo.
— Sim, eles não sabem de nada. Tenho tudo que preciso bem aqui. — Descansei a minha cabeça no encosto do sofá, enquanto olhava para o teto. O meu labrador acomodou-se no espaço ao meu lado, que ele jurava ser o suficiente para comportar o seu corpo todo.
Por alguns momentos, deixei a minha mente vagar por pensamentos que jurei jamais voltar a pensar.
Flávia estava fora do País há um pouco mais de um ano. Tentava não pensar nela com frequência, mas era impossível quando tudo estava tão fresco na minha mente. Odiava como tudo terminou entre a gente. E para completar, amanhã começaria a maratona de compromissos para preparar o casamento de Elisa e Sophie, minhas amigas que marcaram a data do seu tão sonhado dia para daqui dois meses. Eu, como madrinha e amiga de Elisa, tinha a obrigação de comparecer e participar da maioria das decisões como, comida, lugar, decoração e um monte de outros detalhes. Segundo as noivas, era inadmissível que eu ficasse de fora. Sophie, apesar de me detestar quando nos conhecemos, agora até que me tolera. Por isso, não consegui escapar da prova de vestidos que seria amanhã em uma das lojas de Elisa. Ela era uma estilista famosa e decidiu criar todos os trajes do casamento.
Não é que eu não gostasse de ajudar minha amiga com os preparativos do seu casamento. Só não queria ter que revisitar o passado. Sabia que Flávia estava com raiva de mim, talvez até me odiasse pelo que fiz.
Obviamente, estive presente na vida dos meus amigos nos últimos meses. Saímos muitas vezes, mas Flávia não estava aqui. Sabia que agora, ela não perderia esse momento tão importante para a sua melhor amiga, que era Sophie. Assim como eu, ela era uma madrinha.
Era tão claro quanto água que ela não queria me ver, nem mesmo pintada de ouro. As suas últimas palavras para mim, deixaram bem claro o seu desprezo e falta de consideração. Eu sei que merecia tudo aquilo, mas uma parte de mim ainda nutria esperanças e eu odiava que ainda fosse apaixonada por aquela mulher.
Adormeci torcendo para que na manhã seguinte acordasse gripada, simplesmente me desculparia e não apareceria na prova do vestido.
Flávia Ribeiro
— Vai dar tempo, Soph. Prometo que não vou me atrasar. — A minha melhor amiga parecia preocupada ao telefone.
— O voo atrasou, mas apenas alguns minutos. Já vou embarcar. — Peguei a minha bagagem de mão e caminhei até a entrada do avião.
— Tudo bem, amanhã vou com o Rick para a loja da Elisa. Não se preocupe, vai dar tudo certo. Beijos.
Desliguei a chamada e me acomodei no assento indicado na minha passagem. Seria uma longa viagem da África do Sul até o Brasil. Teria bastante tempo para descansar, o que não seria ruim já que era a primeira vez que tinha uma folga em muitos meses. Era jornalista e passei o último ano gravando um documentário em alguns orfanatos da cidade do Cabo, Joanesburgo, Durban, Bloemfontein e Pretória. Foi uma loucura tudo que vivenciei nesses lugares. Nunca esqueceria da cultura e das novas experiências, foi muito enriquecedor.
Quando o avião decolou, aproveitei para adiantar o meu relatório pessoal da última semana. Mantinha um diário de registro das minhas viagens, onde colocava fotos, endereços, nomes de novos amigos e descrição de lugares que visitei. Me senti realizada pela conclusão desse projeto, que passei tanto tempo planejando. Foi a realização de um sonho. Agora estava pronta para ficar um tempo na minha cidade natal , o Rio de Janeiro, e focar na reforma da minha casa. Além de ajudar Soph e Elisa na preparação para o grande dia.
Uma sensação de nostalgia tomou conta de mim quando pensei nas minhas amigas. Principalmente na Soph, que era como uma irmã para mim. Ela era o mais próximo de uma família que eu já tive. Devia tanto a ela, que sempre me ajudou. Nos conhecemos quando eu tinha 19 anos, minha mãe adotiva tinha falecido há poucos meses e Soph foi o meu suporte emocional e financeiro. Trabalhei como sua assistente durante 4 anos, até concluir a minha faculdade.
E também tem o Henrique, para os mais íntimos, Rick. Nunca conheci ninguém com uma alma tão gentil e doce quanto a dele. O meu melhor amigo é o primeiro para quem quero contar alguma fofoca, porque ele escuta e transforma qualquer situação em piada. Com certeza, ele é a leveza do nosso trio. Rick e Soph eram amigos antes de me conhecerem, eles se tornaram vizinhos quando Soph se mudou para o apartamento ao lado. Eles são tudo o que eu tenho e estou morrendo de saudade.
...ΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩ...
Após um voo exaustivo, chamei um Uber para me deixar em casa. Henrique insistiu para me buscar no aeroporto, mas não deixei, pois era de madrugada e não queria incomodá-lo. Ele já tinha cuidado da minha casa durante o período em que estive fora, não deixaria que perdesse o sono por minha causa. Além disso, amanhã ele me daria uma carona até o local da prova de roupas para o casamento.
Não demorou até que o motorista estacionou em frente a minha pequena casa. Tirei minhas malas do bagageiro e paguei a corrida. Era reconfortante voltar para o meu lar, o único que tive durante toda a minha vida. Porque não posso chamar de lar os outros lugares que fiquei.
Tudo estava em seu devido lugar. Apenas alguns galhos que precisavam ser podados no meu jardim. Mas logo iria limpar tudo e cuidar das minhas flores, como sempre fiz. Entrei em casa e caminhei até o quarto, percebi que a fechadura, que antes estava quebrada, foi substituída por uma nova. Rick, sempre olhava para os detalhes. Talvez ele não tivesse suportado o quão deselegante era aquela fechadura antiga e quebrada. Como designer de interiores, meu amigo não relevava essas coisas.
Me joguei na cama e aproveitei para dormir mais um pouco antes do sol nascer, estava exausta.
...ΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩ...
Acordei com um barulho de buzina e me levantei assustada. Olhei para o celular e já passava das 09:00. Droga, estava atrasada! Respondi as mensagens de Henrique com um " Já estou quase pronta" e corri para o banheiro. Meu banho demorado, teria que ficar para mais tarde.
— Oi amiga, a Soph vai ficar uma fera com a gente. — Foi a primeira coisa que ele disse antes de me entregar um copo com café e beijar meu rosto.
— Foi mal, esqueci de programar o despertador. Não se preocupe que vou assumir toda a culpa.
Tomei um gole do café e suspirei em aprovação.
- É o mínimo que você pode fazer.
Rick me olhou dramático e caímos na risada. Estava morrendo de saudade daquele idiota.
— Vamos, quero saber de tudo até a gente chegar lá. — Henrique decretou.
Contei sobre algumas experiências que tive durante o último mês. Não tinha tantas novidades, já que atualizava os meus amigos todas as semanas, por mensagem.
— Você não tem noção de como estamos orgulhosos, Fla. Nem consigo acreditar que realizou o seu sonho e ainda foi promovida a repórter.
— Ainda estou em fase de aprovação.
— Não importa, você vai conseguir. - Ele sorriu para mim.
— Obrigada, amigo.
— Sabe, mudando de assunto. Depois de como as coisas terminaram no ano passado, achei que você iria procurar a sua mãe. Até porque a Renata te deu todas as informações.
— Podemos não falar sobre isso?
— Você não sente vontade de conhecer a sua mãe?
— Henrique!
— É sério, Fla. Eu e Soph estamos dispostos a ir com você... — Ele continuou falando mesmo após estacionar o carro.
— Por favor, não quero falar sobre isso agora. — Odiava aquele assunto.
— Tudo bem, não vamos falar por agora. Mas essa conversa não acabou. — Rick saiu do carro e eu o segui. Estava frustrada por ele ter feito com que eu pensasse em Renata e o pior é que sabia que ela estaria aqui.
Para mais, baixe o APP de MangaToon!