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Casamento Arranjado

Gina

“Gina”

_ Pai, você não pode me obrigar casar, sou adulta e dona do meu destino, não quero me casar.

_ Não vou te obrigar, você vai fazer de livre e espontânea vontade, você me deve isso eu e sua mãe te criamos e pagamos seus estudos, se você tem sua profissão e se diz dona do meu destino, é porque nós nos sacrificamos por você.

Fico ali em pé, olhando meu pai eu sei que se não fosse ele e minha mãe terem me adotado e criado como filha eu não seria o que sou, mas mesmo assim o que estão me pedindo é muito para mim, casar sem nem conhecer o noivo, sem sentimento nenhum, só para salvar a empresa dele.

_ Como o senhor pode me vender desse jeito? 

_ Eu já acertei tudo com o pai dele, a única coisa que você tem que fazer é assinar o documento no cartório, nem estou te obrigando a ficar casada para sempre.

_ Claro que não, são só três meses, não é?

_ Sim, se daqui a três meses você quiser o divórcio ele assina e não vai se negar e ainda você sai com uma pensão bem gorda.

_ O senhor só pensa em dinheiro, eu preciso ir trabalhar agora, mas minha resposta é não.

_ Você vai matar sua mãe de desgosto se não aceitar o acordo.

Fui embora e ainda escutei os gritos dele ao longe, sei que devo muito a eles mas me vender assim, me deixou muito magoada.

Sou Regina Santoro, tenho 23 anos, enfermeira, todas minhas amigas dizem que perco tempo no hospital, porque tenho 1,90, olhos verdes e um corpo escultural, não tenho namorado e não me faz falta, trabalho em um grande hospital e está começando meu plantão, aqui me desligo do mundo e foco meus pacientes que dependem da minha tranquilidade para viver.

# O noivo

_ Pai, como assim vou me casar? O senhor enlouqueceu? Sou seu filho e não seu escravo, o senhor não pode me obrigar a casar.

_ Você é o presidente da minha empresa, e se quer continuar sendo vai aceitar este casamento sem questionar.

_ O senhor está me ameaçando?

_ Não, estou te dando um ultimato, ou você se casa ou vai perder a presidência.

_ O senhor sabe que dei minha vida para esta empresa ser o que é, como o senhor pode fazer isso comigo 

_ Eu estou te fazendo um favor, sua noiva é muito bonita, trabalhadora, e inteligente.

_ Inteligente eu tenho certeza pai, com este contrato de casamento nunca mais ela vai precisar trabalhar, e vai viver bem às minhas custas.

_ São só três meses, vai servir para a mídia parar de falar da sua vida promíscua, cada dia com uma mulher diferente, ou bêbado fazendo loucuras.

_ Sou solteiro e gosto de mulheres, qual é o problema?

_ O problema é que eu quero um herdeiro, e desse jeito só vou conseguir algum bastardo.

**Anderson Venturelli CEO, 34 anos, corpo de dar inveja para qualquer um, tem a mulher que quer nos pés e só pensa em diversão, não quer compromisso, viver a vida intensamente é seu lema.**

Nossa, dessa vez meu pai pegou pesado, vai me casar com uma caça fortunas, ela deve estar nas nuvens achando que vai ter uma vida boa, mas eu vou fazer da vida dela um inferno, espera só para ver, vai querer me deixar na primeira semana.

_ Tudo bem eu caso pai, não vou perder minha empresa por causa desta mulher.

_ Assim que se fala filho, vou avisar o pai dela e já marco a data.

_ O senhor não vai me deixar ver a noiva antes do casamento? De repente eu me apaixono por ela.

_ Para de ser engraçadinho, vocês vão se ver no cartório na hora de assinar os papéis do casamento.

_ O senhor está me mandando para o abatedouro sem ter chance de me defender.

O que eu fiz para meu pai ficar tão bravo, só sai com algumas mulheres, coisa de homem, sei que aparecer só de cuecas nas redes sociais foi um momento degradante e destruir três carros esporte foi quase uma afronta, mas ele está exagerando na punição.

# Os pais 

_ Lucas meu amigo, falei com meu filho e já resolvi.

_ Eu também falei com minha filha, ela é difícil mas vai fazer o que eu mando.

_ Você está salvando a reputação da minha família, meu filho é um bom garoto, mas acha que pode fazer o que quiser com a vida dele e não pode, o nome da família é tudo, não vou permitir que ele estrague.

_ Eu que tenho que te agradecer, você está salvando minha empresa da falência.

_ Você falou para ela que são só três meses como a gente combinou?

_ Sim falei, só contaremos a outra parte se eles não resolverem ficar juntos no final.

_ Vamos torcer para que eles se apaixonem, senão nós revelaremos o resto do acordo, que eles vão assinar e nem vão se dar conta.

_ Seu filho está acostumado a fazer negócios, como você vai fazer para ele assinar sem ler?

_ Fica tranquilo, eu conheço meu filho, ele vai estar tão bravo comigo no dia que não vai nem ler.

_ E minha filha muito menos.

_ Então vamos agitar os papéis no cartório e avisaremos para eles só assim que a data estiver marcada.

_ Combinado.

um plantão diferente

“Gina”

Passaram duas semanas, achei que meu pai havia desistido da loucura de me casar, mas vou saindo do meu plantão e lá está o meu pai me esperando. Vamos ter esperança, de repente ele só veio me avisar que mudou idéia.

— Bom dia! pai.

— Bom dia! filha.

— Vim te avisar que o seu casamento é sexta-feira.

— Pai, eu disse que não vou me casar, e ponto final.

— Venho te pegar aqui, não adianta teimar, já está tudo arranjado.

— Vou falar com a minha mãe, o senhor não pode fazer isso comigo. 

— a sua mãe está muito sensível, cuidado para não prejudicar a saúde dela ainda mais. 

Ele fala e vai embora, eu vou falar com a minha mãe, ela não pode concordar com esta loucura.

Cheguei à casa dos meus pais e a minha mãe me recebe com um abraço.

— a minha filha querida, como você está?

— Mãe, a senhora está sabendo que o papai vai me casar?

— Sim, estou muito feliz porque você aceitou nos ajudar, você sempre foi a luz da minha vida.

— Não aceitei, achei que a senhora ia me apoiar, como a senhora pode deixar o papai me casar com um estranho e se ele for um agressor de mulheres?

— Filha, se você não se casar, perderemos tudo e seu pai me disse que ele é um homem bom.

_ Mas mãe, como posso me casar sem nem conhecer o noivo?

_ Por favor filha aceita, se não for pelo seu pai faz por mim.

_ Não posso, não vai ter jeito, eu sonho em casar por amor com um homem que vai viver comigo e não com um cara que sei lá por que quer comprar uma mulher.

Parei de falar quando vejo a minha mãe colocar a mão no peito e se encolher, corro até ela a tempo de não a deixar cair e se machucar.

— Meu Deus, que dor no peito, me ajude. Deitei minha mãe no chão, já desmaiada, chamei a ambulância e fui com ela para o hospital, rezei.

“Senhor, se a minha mãe voltar, eu me caso, por favor, não deixe nada acontecer a ela”.

Fiquei um tempo na emergência esperando o médico vir me dar o diagnóstico, já era quase hora do almoço quando ele veio falar comigo.

— Dr. Mário, como ela está?

— Ela está estável, mas não deve sofrer emoções fortes, vamos transferi-la para o quarto e vamos fazer alguns exames para confirmar o diagnóstico.

— Qual o problema dela?

— Ela está com uma veia do coração quase entupida, vamos controlar a pressão dela e fazer um cateterismo para ver se ajuda, se não resolver, vamos pensar numa cirurgia de ponte safena.

— Posso ver a minha mãe, doutor?

— Pode, mas não vai estressar a paciente, você conhece os riscos, né?

— Sim, Dr. Mario, conheço. Entrei para ver a minha mãe, cheguei perto da cama. Ela abriu os olhos e pegou a minha mão.

— Mãe, você me deu um susto.

— Estou bem agora, minha filha querida, você avisou seu pai que estou aqui?

— Vou me casar, pode ficar tranquila e sim avisei meu pai.

— Graças a Deus! minha filha, sabia que você não ia nos abandonar.

Olhei para minha mãe e sinto que selei meu destino naquele momento, como será o homem com quem vou me casar? Preciso ir, descansar, meu plantão foi cansativo, acho que ainda dá tempo de dormir um pouco.

Ia saindo do quarto e já vi a emergência agitada, logo minha gestora me liga pedindo para eu voltar, porque aconteceu um acidente e sobrecarregou o hospital.

Já estava no hospital, só assumi meu plantão até fora de mim, vou me casar, nem conheço o cara, espero que meu pai não tenha me vendido para um pervertido qualquer.

Respirei, me controlei, agora preciso me concentrar nos pacientes.

# plantão diferente.

Como minha gestora havia me avisado, aconteceu um acidente entre um ônibus e um carro de um, riquinho deve ser daqueles que se acha o dono da rua, muitos pacientes chegaram de uma vez, muita correria para entender a todos, ainda bem que não houve mortes.

São quase três da manhã quando começou a acalmar e eu consegui ir fazer meu descanso de meia hora.

**Não muito longe dali**

— Dr. Não lembro direito o que aconteceu, mas preciso sair daqui.

— Senhor Anderson, o senhor tomou um tiro e continuou guiando, provocou um acidente com um ônibus, ninguém faleceu, mas tem muitos feridos, tivemos que chamar a polícia e o senhor vai precisar falar com eles.

— o meu pai vai surtar, vocês já ligaram para ele?

— O senhor sabe quem foi o atirador?

— Não, não sei.

— Certo, vou avisar o policial para vir tomar o seu depoimento.

Já dei os pontos, a enfermeira vem fazer o seu curativo daqui a pouco. O médico sai e os policiais entram falar comigo. Contei para o policial o que me lembro e ele vai embora, mas não contei que sei quem me deu o tiro e vai tentar de novo, me meti numa fria, ela tinha que ter me avisado que era casada, agora o marido dela quer me matar.

Estava com o pensamento tão longe que não vi a enfermeira entrar, mas na hora que ela chegou perto da cama e tocou no meu braço voltei a mim e olhei para ela. Não sei se é o remédio para dor ou se estou na frente de um anjo, que mulher linda, tem os olhos verdes mais lindos que já vi, a voz tão calma e eu fiquei ali meio bobo olhando para ela.

— Acho que te deram muito analgésico, fique calmo, vou fazer o seu curativo e chamaremos a sua família para te buscar.

Como você se chama? 

— Você é um anjo? O médico disse que estou bem, mas acho que morri e fui para o céu.

— Ok, se acha o garanhão.

— Que horas, acaba seu plantão?

— Senhor, estou trabalhando e não estou gostando do rumo desta conversa, fique quieto que é melhor.

— Vou falar para o Dr. que preciso ficar internado, só para você ficar comigo mais um pouco.

— Nossa! Você não escuta, acabei seu curativo, vou ver se tem alguma medicação prescrita.

— Acho que um beijo seu me faria ficar curado.

— Tem que ser o cara que provocou o acidente, imaturo e inconsequente.

“Anderson”

Acho que não aprendo, mas tenho um fraco por mulheres bonitas. Esta é maravilhosa, e com o uniforme de enfermagem, quase tive uma ereção, não gostei dela, me chamar de inconsequente, eu não sou inconsequente.

Só cometi um erro!

O casamento

Entrei no posto de enfermagem, carrancuda, o meu amigo percebeu e perguntou:

— O que aconteceu, Gina?

— O paciente do tiro me cantou, se acha o garanhão.

— Deixa ele para mim, fica com o outro quarto.

— Ok, Luiz, muito obrigado, senão quem vai dar um tiro nele serei eu.

— Pelo menos ele é bonito?

— Lindo de morrer, e a coxa que fiz o curativo, tão firme que não sei como a bala entrou.

Damos, risadas, Luiz assume meu lugar e eu o dele, não vou chegar perto daquele garanhão, já tenho problemas o suficiente, vou me casar de manhã, só espero que não seja um garanhão igual a esse.

“Anderson”

Ela não voltou mais, quem veio me dar o remédio foi um enfermeiro, fiquei chateado. O dia está quase amanhecendo e não consegui vê-la de novo, como vou fazer? Preciso saber pelo menos o nome dela. O enfermeiro volta.

— Como se chama a enfermeira que fez o meu curativo?

— Por que você quer saber?

— Porque gosto de saber o nome das pessoas que me tocam.

— O meu nome é Luiz, sou do signo de Áries, sou casado e tenho dois filhos.

— Ok, parabéns pela sua família e o nome dela, qual é?

— É Gina.

— Gina de quê?

— Somos profissionais, e a única coisa que você tem que saber é que ela se chama Gina, e fez o seu curativo.

— Você é durão, mas não adianta esconder ela de mim, eu vou achá-la.

— Boa sorte, senhor Anderson, age rápido, ela vai se casar de manhã, só para você saber.

A nossa, de manhã? Já é sexta-feira? Fiquei chateado, eu também me caso hoje, quer dizer, pelo horário daqui a pouco. Será que a minha esposa vai achar muito ruim se eu fizer a minha lua de mel com a enfermeira?

# Meu Casamento.

Estou muito cansada, o plantão foi difícil. Na hora em que cheguei à porta do hospital, lá está o meu pai. Nossa, ele não desistiu da ideia.

Me falou:

— Gina, você poderia pelo menos ter passado um batom, a sua roupa está toda amassada e você cheira a remédio.

— Pai, saí do plantão agora, estou cansada, vamos resolver isso logo, que preciso descansar?

— Vamos para o cartório, o meu amigo está nos esperando lá.

**Na parte particular do mesmo hospital.**

— Vamos, filho, a sua noiva já está no cartório lhe esperando.

— Estou ferido, não pode ficar para a semana que vem?

— Não brinca comigo, menino, você vai chegar naquele cartório e assinar os papéis sem reclamar, ouviu?

— Certo, pai, se a minha noiva for um canhão, o senhor fica na noite de núpcias.

— Você está horrível, precisava causar um acidente na véspera do seu casamento? E para de ser dramático, ela é linda, você que vai ter que rezar para ela não lhe achar um canhão.

— Quem sabe ela olha para mim e desiste!

— Se você fizer qualquer coisa para ela desistir, te deserdo, entendeu?

— Pode deixar, pai, não vou abrir a minha boca. Vou calado até o cartório, chegando lá, vou com o meu pai para dentro e vejo o amigo dele sentado sozinho. Será que ela desistiu? Se desistiu, vou achá-la e dar uma bonificação por ter me livrado desse destino cruel. Ele levanta e vem até nós, cumprimenta o meu pai.

— Bom dia! Lucas.

— Bom dia! George, cadê a sua filha?

— Foi ao banheiro, já volta. Olhei para a porta do banheiro e vi a minha linda enfermeira vindo na nossa direção. 

**O destino não podia ser pior, eu vou ter que ver ela casando com outro.**

Mas ela não passa direto, ela para com a cabeça baixa, sabe-se lá em que está pensando. Ouço aquela voz de anjo, falando:

— Pai, estou aqui, vamos logo com isso.

Continuo incrédulo, ela é minha noiva? Vai ser minha mulher daqui a pouco, ela é a caça fortunas? Não pode ser. Fiquei ali esperando ela levantar a cabeça e me encarar, agora ela está com os cabelos soltos, ainda com a roupa do hospital, mas parece a mulher mais linda que já vi. Quando me vê, fica tão incrédula quanto eu, e fala:

— Você? O que você está fazendo aqui? Está me seguindo? Nossos pais falam ao mesmo tempo:

— Vocês já se conhecem?

Falo:

— Pode se dizer que sim, pai, ela fez o meu curativo.

— Ele é meu noivo? Este sem vergonha sabia que ia casar hoje e deu em cima de mim descaradamente.

Me defendo, mesmo sabendo que ela tem razão.

— Eu estava sob efeito de analgésico, você mesma disse.

— Não acredito que vou casar com você?

— Nem imaginei isso, aliás, eu nem queria, mas agora estou começando a gostar.

— Pode tirar o seu cavalo da chuva, isto é só um contrato entre os nossos pais e vai acabar aqui. Os pais se metem na conversa:

— Vamos parar com isso e vamos assinar os papéis agora, deixa para brigar depois, vocês estão passando a carroça na frente dos bois. Paramos de falar e vamos ao balcão assinar. Olhei Anderson, assinando que mãos ele tem. Em poucos minutos estávamos casados, virei as costas e fui saindo. Anderson fala:

— Gina, minha esposa, acho que precisamos conversar.

— Anderson, já cumpri a minha parte neste acordo ridículo, vou para minha casa dormir. Nossos pais chegam perto e falam:

— Minha filha, já preparei tudo, consegui uma semana de folga para você do hospital, para que vocês se conheçam e se entendam. Anderson tem um apartamento num prédio no centro e nós o liberamos para vocês ficarem juntos.

— E já te dei folga também, meu filho, esta semana é de vocês, você conhece o prédio e o apartamento, então faça com que a sua esposa tenha uma semana perfeita.

Lucas fala:

— Vamos levar vocês até o apartamento e depois vamos embora. Outra coisa, queremos fotos todos os dias de vocês dois juntos, entenderam? Não podem sair do hotel, esta semana é vossa.

Olhei para meu pai e falei:

— Prometi para o senhor que me casaria com ele e não que ia me deitar com esta figura.

“Anderson”

Aponta para mim como se eu fosse um nada, tentei não me deixar afetar, mas já me senti abalado com a rejeição.

— Filha, não fale assim do seu marido, você vai com ele, e acabou a discussão. Anderson até então estava calado.

— Não preciso me humilhar para mulher nenhuma, não vou com ela para lugar nenhum. Nossos pais se metem na conversa e, com duas palavras, nos obrigam a ir para onde eles querem.

— Vocês vão!

Lucas fala:

— Faz parte do contrato, se vocês não passarem a semana juntos, não vão confirmar o casamento, e assim o contrato vai se cumprir.

“Gina”

Ficamos calados e fomos iguais a gado para o abatedouro, nos levaram até o hotel e nos deixaram lá.

Para Anderson é muito fácil, ele é acostumado a sair com várias mulheres, agora para mim, que nem namorado tive, está sendo horrível, não sei nem onde colocar as mãos. Não sei o que dizer, nem como reagir, o que eu faço? Meu Deus, me dá uma luz.

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