O Legado dos Clark's
— Elicy? Você está bem? — A voz de Mathias ecoou suavemente no ambiente silencioso, quebrando a tensão do escritório mal iluminado. Ele hesitou por um momento, apoiado na porta. — Desculpe, foi uma pergunta idiota. — Ele sabia que o pai dela não era o homem mais gentil do mundo, mas ainda assim, era seu pai.
Sentada na cadeira de couro, Elicy moveu-se levemente, desviando os olhos da enorme foto de família pendurada na parede. O peso do dia ainda recaía sobre seus ombros. Enterrar seu pai havia sido exaustivo, mas o que a deixava verdadeiramente esgotada era a constante presença de homens velhos, arrogantes, que mal esperaram a cerimônia terminar antes de bombardeá-la com perguntas sobre o futuro da empresa. “Seu pai faleceu em pleno inverno,” pensava ela, “como se o frio gélido e implacável combinasse perfeitamente com ele.” Assistiu sua mãe chorar como se Thomas tivesse sido um bom homem, um bom marido. Mas Elicy sabia a verdade. E, por pensar assim, sentia-se ainda mais fria, como se estivesse se tornando uma versão sombria do próprio pai.
— Então, veio saber o que vou fazer agora? — Elicy perguntou com uma amargura na voz, sem sequer olhar para Mathias. — Se vou vender ou nomear um novo presidente? — Antes que ele pudesse responder, ela cortou com outra pergunta. — Ou quer saber se já aceitei me casar com você?
Mathias deu um passo à frente, seu rosto uma mistura de dor e amor. — Você sabe que o que mais quero é me casar com você, Elicy. Mas isso… isso não tem nada a ver com o acordo dos nossos pais. Não tem nada a ver com a empresa. Eu te amo. Sempre te amei, e sempre amarei.
Um sorriso irônico se formou nos lábios dela, enquanto girava lentamente na cadeira que fora de seu pai, como costumava fazer quando criança. — Sabe o que o seu querido pai me disse hoje, enquanto baixavam o caixão?
Mathias suspirou, antecipando o que estava por vir. — Elicy, por favor… você sabe que ele é um babaca. Não pode me culpar pelo que ele faz.
Ela nem piscou. — Ele olhou nos meus olhos e disse que uma mulher frágil como eu deveria deixar os negócios para homens de verdade, aqueles que podem lidar com os terremotos e tempestades sem fraquejar.
— Elicy… — Mathias tentou intervir, mas ela o interrompeu novamente.
— Ele trouxe o maldito contrato para o velório! — A voz dela subiu. — O contrato! Para o velório, Mathias! Ele exigiu que eu assinasse antes do fim do dia, como se a morte do meu pai fosse apenas mais uma transação comercial.
Mathias apertou os punhos, visivelmente irritado com o comportamento de seu pai, mas tentando manter a calma. — Eu juro, eu não sabia que ele faria isso. Ele deve estar desesperado, os investidores estão pressionando. Mas você não precisa assinar nada, Elicy. Você ainda tem dois anos para decidir. Eu só quero que, quando tomar sua decisão, seja por mim… não pela empresa. — Ele pegou a mão dela, segurando-a com ternura.
Elicy puxou a mão de volta lentamente, o olhar distante. — Estou exausta, Mathias. Eu não consigo sair desse escritório sem esbarrar em um desses abutres engravatados. — Ela suspirou, a voz carregada de frustração. — E você sabe que não há mais decisão a ser tomada. Quero que continuemos como amigos. Porque como casal… somos um desastre.
Mathias sentiu uma pontada no peito, mas lutou para manter o controle. — Eu já te pedi perdão. Quantas vezes mais, Elicy? — Sua paciência estava se esgotando, e ele se levantou abruptamente. — Desculpe, eu só… — Ele se interrompeu, fechando os olhos por um momento, tentando acalmar a raiva crescente. — Também estou exausto. Isso tudo me deixa louco.
Elicy encolheu-se um pouco na cadeira enorme. Não era só cansaço. Ela estava à beira de um colapso emocional, lutando para manter as paredes que a cercavam intactas. Mathias percebeu isso e se ajoelhou ao lado dela.
— Desde pequena, meu destino foi traçado, Mathias — disse ela, a voz mais baixa, quase um sussurro. — Meu pai sempre deixou claro que eu o sucederia, mesmo quando eu sonhava com outros caminhos. Agora que ele se foi, não posso simplesmente abandonar tudo. Tenho que lutar pelo que ele construiu… por mais que me doa. Assumirei a RealFort. É o que me resta.
Mathias ficou de pé, andando de um lado para o outro, suas emoções oscilando entre o desespero e a raiva. — Você vai voltar para Nova Aurora? — perguntou, a voz tremendo. — Não acha que é cedo demais? Você e sua mãe continuam vulneráveis, Elicy. E a empresa pode desmoronar ao menor sinal de fraqueza.
— Minha mãe é mais forte do que você pensa, Mathias. — Elicy levantou-se, com determinação nos olhos. — Meu pai a subestimou, mas ela é muito mais capaz do que ele jamais foi. E quanto a mim… deixarei bem claro para todos que sou a única herdeira legítima desta empresa. — Ela se aproximou de Mathias, firme e decidida. — E eu vou destruir aquele maldito contrato, custe o que custar.
Mathias recuou um passo, chocado com a intensidade nas palavras dela. — E quanto a mim, Elicy? — Ele perguntou, desesperado. — Se você destruir esse contrato, eu também vou me despedaçar! Isso não é só sobre você! Meu futuro também está ligado a isso!
A máscara de calma que Mathias sempre usava começou a rachar, revelando o homem inseguro que Elicy, por muito tempo, fingiu não ver. Ela o olhou, seus olhos cheios de decepção.
— Vou te proteger, Mathias. — Elicy respondeu, a voz firme. — Mas saiba que eu não serei uma marionete nas mãos do seu pai. Nem um troféu. — Ela atirou os papéis no chão, o som seco ecoando pela sala.
Mathias olhou para os documentos caídos, como se sua própria dignidade estivesse ali, despedaçada. — Você ainda o ama, não é? — Ele murmurou, a voz embargada. — Mesmo depois de tudo… você ainda tem esperança.
Elicy não respondeu. O silêncio que se seguiu era pesado, cheio de significados não ditos.
— Não me trate como uma de suas amantes, Mathias. — Elicy finalmente falou, sua voz carregada de desdém. — Estou cansada desses joguinhos. Não vou mais tolerar seus acessos de ciúme. Entre nós dois, acabou.
Mathias, tomado pela raiva, pegou um jarro de flores e o lançou contra a parede. O som do vidro quebrando fez Elicy recuar, o coração disparado, sua mente sendo arrastada para uma lembrança do passado, quando o caos e a violência faziam parte de sua vida. Ela se encolheu no chão, como fazia quando criança, tentando se proteger do que viria a seguir.
Mathias, agora arrependido, tentou ajudá-la, mas foi interrompido pela chegada repentina de Amélia, que, ao ver a cena, correu para amparar a filha.
— Elicy, querida, estou aqui. Você está segura. — Amélia sussurrou suavemente, abraçando-a com força.
Mathias, impotente, observava. Ele sabia que, naquele momento, algo entre ele e Elicy havia mudado para sempre.
A Distância Necessária
— O que é isso? — Elicy perguntou, curiosa, ao ver a mãe entrar com mais um buquê de flores.
— Mathias enviou como pedido de desculpas — respondeu Amélia, suspirando. — Ele tem ligado sem parar nos últimos cinco dias.
Ela colocou o enorme buquê junto com os outros cinco já amontoados no canto do apartamento, formando uma pequena floresta de desculpas floridas.
— Você tem certeza disso? — Amélia perguntou, parando ao lado de Elicy para puxar uma das malas até a porta.
— E você? Tem certeza de que consegue tomar conta de tudo sozinha? — Elicy retrucou, ignorando as flores e a pergunta da mãe, focada no que realmente importava.
— Você sabe do que sou capaz! — Amélia respondeu com firmeza, sem hesitação, enquanto puxava outra mala até a porta. Entre elas, não havia espaço para dúvidas; cada uma conhecia a força da outra.
Elicy puxou a última mala e interfonou para o motorista, avisando que estava pronta. Em seguida, virou-se para a mãe, envolvendo-a em um abraço apertado, carregado de sentimentos que as palavras não poderiam expressar completamente.
— Eu te amo, mamãe — disse Elicy, a voz embargada pela mistura de determinação e medo. — Prometa que vai me manter informada, e se algo estranho acontecer, garanta que nenhum daqueles urubus velhos saia da linha. — Seus olhos buscaram a segurança que sempre encontrava nos da mãe. — Eu só preciso de um tempo para encontrar as provas que preciso e acabar com toda essa merda.
Amélia retribuiu o abraço com a mesma intensidade, transmitindo toda sua força através daquele gesto. — Eu prometo, querida. Manterei tudo sob controle, e quando você voltar, tudo estará como deve ser. Cuide-se e não se deixe abalar. Estamos juntas nessa.
As duas foram interrompidas pela campainha. Amélia deu um último beijo na testa de Elicy, o carinho e a preocupação estampados em seu rosto. — Chegou a hora, querida. Não se preocupe comigo. Eu te amo, minha estrelinha!
Ela abriu a porta, esperando encontrar o motorista, mas ficou surpresa ao ver Mathias ali, a expressão marcada por uma mistura de ansiedade e determinação.
— Mathias, o que faz aqui? — Amélia perguntou, surpresa e um pouco preocupada.
Mathias murmurou, seus olhos fixos nos de Elicy, que o observava por cima do ombro de Amélia. — Vou com você. — Sua voz estava carregada de sinceridade e arrependimento. — Me desculpe pelo que aconteceu. Eu realmente sinto muito! Por favor, Elicy, você não pode fazer isso sozinha, e você sabe disso. Sabe que precisa de mim.
Elicy permaneceu em silêncio por um momento, seus pensamentos rodopiando, revisitando antigas memórias. Ele tinha razão. A cidade havia mudado tanto nos últimos oito anos. Novas pessoas, novas estruturas. A sede da empresa era agora um lugar diferente, quase irreconhecível. Mathias era a única pessoa que ainda tinha acesso regular àquele mundo, a única pessoa que podia guiá-la por ele.
Ela suspirou, sua mente finalmente se acalmando. — Não vamos começar isso outra vez, Mathias — respondeu com um tom que misturava firmeza e resignação. — Mas você tem razão. Preciso de você lá. — Ela fez uma pausa, olhando diretamente para ele. — Mas preciso de você como sócio, não como algo mais. Organize-se para me encontrar na empresa na terça pela manhã.
Mathias não queria aceitar essa distância que Elicy estava impondo entre eles. Em um movimento impulsivo, ele segurou seu braço, tentando impedir que ela se afastasse mais. — Por favor, Elicy, não precisa ser assim! — Sua voz falhou enquanto ele buscava as palavras certas. — Me perdoe, Elicy. Por favor, me perdoe.
Desesperado, ele encostou sua testa na dela, buscando, naquele gesto, um último laço entre eles. — Eu sempre vou estar com você e ser seus olhos por trás, como prometemos um ao outro. — Sua voz era um sussurro, carregada de emoção.
Elicy sentiu a tensão no ar, o conflito interno travando dentro dela. Por um momento, ela fechou os olhos, permitindo-se sentir a conexão que ainda existia entre eles, mas que agora estava encoberta por camadas de dor e desconfiança.
— Mathias — ela sussurrou de volta, sem se afastar, mas também sem ceder completamente. — Eu preciso de tempo. Tempo para processar tudo, para entender o que realmente importa agora. E, se você realmente se importa comigo, vai me dar esse tempo.
Ela se afastou suavemente, mantendo o olhar firme no dele. — Te espero na terça. E juntos, como sócios, resolveremos isso.
Mathias assentiu lentamente, compreendendo a necessidade de espaço e tempo. Ele sabia que, se forçasse qualquer coisa agora, só a empurraria para mais longe. — Estarei lá — respondeu, com uma determinação calma.
Amélia, que observava silenciosamente a troca, sentiu a tensão diminuir ligeiramente. Ela sabia que o caminho à frente seria difícil, mas havia esperança de que, com tempo e paciência, as feridas poderiam começar a cicatrizar.
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Mathias era dois anos mais velho que Elicy, e os dois se conheceram quando ela tinha apenas cinco anos. Foi em um evento beneficente, patrocinado pela igreja principal de Nova Aurora, que seus destinos se cruzaram pela primeira vez. Mathias chamava a atenção de imediato com seus olhos verdes brilhantes, sempre curiosos, e os cabelos vermelhos acobreados que teimavam em se erguer desordenados, como se o tempo para os pentear fosse sempre insuficiente. Ele era pouco mais alto que ela, magrelo, e quando sorria, suas covinhas se aprofundavam nas bochechas, pontilhadas por pequenas sardas.
Desde então, Mathias se tornou uma presença constante ao lado de Elicy, acompanhando-a com uma vigilância cuidadosa. Ele parecia sempre preocupado em protegê-la, evitando que ela se machucasse ou que algum adulto desconhecido se aproximasse demais. Para Mathias, Elicy era como uma pequena boneca de porcelana, frágil e adorável. Ela nunca reclamava, nunca chorava e nunca estava triste. As pessoas que passavam por ela não resistiam ao impulso de parar para admirar sua beleza singular. Sem pedir permissão, tocavam em seus cabelos negros e lisos, apertavam suas bochechas fofinhas e só a soltavam após exaltar seus grandes olhos azuis, que pareciam capturar toda a luz ao redor. E como estavam certos! Até mesmo para um garoto de 7 anos, ela era encantadora.
Por mais que o peso dessa vigilância lhe cansasse, ela ainda amava Mathias. Ele era seu melhor amigo de infância, seu primeiro e último namorado. E, embora o relacionamento entre eles pudesse às vezes ser desgastante, ela não estava pronta para renunciar a isso. Mathias sempre esteve ao seu lado, tanto nos momentos mais sombrios quanto nos mais felizes. A ideia de viver sem ele lhe causava uma dor profunda, porque ele não era apenas parte do seu passado, mas uma parte essencial da sua vida e de quem ela era.
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— Obrigada, senhor Hugo! — Elicy agradeceu ao motorista ao pegar a última mala. Ela entrou no carro sem olhar para Mathias, resistindo à tentação de ceder a ele mais uma vez. Já no carro, a alguns minutos de distância do prédio, o motorista a observou pelo espelho retrovisor, hesitando por um instante antes de pegar um envelope grande e preto, com o símbolo da RealFort Holdings gravado na capa. Ele o entregou a Elicy com cuidado, sem desviar os olhos da estrada à frente.
— Desculpe, senhor Hugo, mas não posso renunciar a você agora. Não pode me abandonar justo agora que meu pai se foi… — Ela disse ao idoso, pegando o envelope das mãos dele, sentindo o peso das responsabilidades.
— Não é o que está pensando, senhorita. Prometi que cuidaria de você até o meu último dia. — Ele disse com um sorriso suave, batendo os dedos no pingente cheio de bolinhas coloridas que balançava pendurado no retrovisor interno. Lembrou-se com carinho da criança de doze anos que o fizera prometer aquilo anos atrás, aos prantos durante o caminho do internato em que passaria parte de sua vida.
— Como você pôde cair tão facilmente naquele suborno? Ela sorriu, olhando para as bolinhas que se chocavam suavemente umas contra as outras. — Vou cumprir minha parte da promessa, mas receio que possa demorar um pouco mais do que planejamos.
— Na verdade, me sinto aliviado em saber disso. Ele respondeu, ainda sorrindo. — Quando cheguei hoje para buscá-la, o porteiro me pediu para entregar isso à senhorita apenas quando estivéssemos longe o bastante. A única informação que me deram foi que encontraram esse envelope hoje de manhã, sem mais detalhes além das instruções cumpridas e do seu nome.
Elicy analisou o envelope com cuidado. Vinha de dentro da empresa e o selo oficial deixava isso claro. Ela o abriu com mãos trêmulas, puxando as folhas que estavam dentro. As dez primeiras páginas mostravam um extrato bancário geral de todas as empresas, e os números a deixaram assustada. A quantidade de pequenas e grandes propriedades que geravam lucros abundantes era impressionante: hotéis, prédios, casas, mercados, floriculturas, bancos, imobiliárias, empresas de construção, entre outros. Mas foi nas últimas cinco páginas que Elicy percebeu algo terrível. O faturamento dos últimos meses mostrava uma queda alarmante. Ela conferiu os números novamente, uma, duas, três vezes…
— O que está acontecendo? Droga! — Elicy murmurou, jogando os papéis de lado e pressionando as têmporas, tentando aliviar a dor de cabeça crescente. — Senhor Hugo, tem certeza de que não sabe de onde ou de quem vieram esses papéis?
— É tudo que sei, senhorita. Sinto muito.
Se os papéis estivessem corretos, mais de 60% das propriedades da empresa estavam sendo saqueadas, com cerca de 80% dos lucros desaparecendo. Se aquilo fosse uma prova de que seu pai estava sendo roubado… Por que alguém enviaria isso para ela? Por mais que detestasse admitir, todos os sócios estavam torcendo para que ela desistisse do cargo e entregasse a empresa nas mãos de Heimond Norghot, pelo menos até completar 23 anos. E, com o casamento, 100% da empresa passaria oficialmente para Mathias, o filho de Heimond. Ele assumiria os negócios, enquanto ela seria relegada ao papel de mãe de futuros herdeiros.
— Obrigada, senhor Hugo! Pode me chamar assim que estivermos chegando? — Elicy perguntou, tentando disfarçar a turbulência em seus pensamentos.
— Sim, senhora! — respondeu ele, voltando sua atenção para a estrada.
Elicy colocou os fones de ouvido, tentando bloquear o caos ao seu redor, e abriu o laptop com determinação. Pegou a caneta da bolsa e, após um suspiro profundo, recolheu os papéis que havia jogado de lado. Ela se perdeu em suas pesquisas, imersa em uma concentração quase obstinada. Durante quatro horas, seu foco inabalável resultou em uma série de planos meticulosos que precisariam ser implementados assim que ela obtivesse acesso total às documentações da empresa como herdeira. Cada detalhe era crucial, e ela sabia que não poderia haver margem para erros.
No entanto, sua imersão foi interrompida pela voz gentil do motorista — Senhorita, acredito que não queira perder a vista da entrada da cidade. Ele falou no momento exato, aproveitando a oportunidade perfeita para tirar Elicy de seu mundo de preocupações e lembrá-la da beleza ao seu redor.
Elicy retirou os fones de ouvido, guardou os papéis com cuidado e abriu a janela, como costumava fazer quando era criança. O vento fresco tocou seu rosto, e ela fechou os olhos, esperando o momento em que passariam pelos pinheiros. Quando finalmente sentiu o aroma familiar do ar puro, puxou-o profundamente para dentro dos pulmões.
— Senhor Hugo, ainda tem o mesmo cheiro… — Ela murmurou, uma mistura de nostalgia e alívio em sua voz.
— Certas coisas nunca mudam, não é mesmo? — respondeu ele, sorrindo ao vê-la assim, de olhos fechados, respirando aquele ar como se fosse uma menina novamente. — É uma pena que estamos aqui a trabalho. Ele acrescentou, trazendo-a de volta à realidade.
— É uma pena… Elicy murmurou, com uma leve tristeza no tom, enquanto o peso de suas responsabilidades voltava a se instalar em seu coração.
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