"Qualquer coisa poderia acontecer, sobre isso não há dúvidas"
O sol já aparecera mas ainda estava longe do meio-dia, os comerciantes começavam a armar as suas barracas, e os homens a gritar pelas ruas "Temperos de melhores qualidades, venham ver, são os melhores da região norte!", o barulho das ruas aumentava com o ritmo que a cidade se enchia cada vez mais,e as bolsas de dinheiro se esvaziavam. E então uma corrida, "peguem ela!!!", vários soldados corriam atrás de uma moça, as pessoas eram empurradas, produtos eram derrubados por todo o calçamento e soldados se espalhavam pelas ruas para deter a tal moça que corria como uma gazela. Ela tinha algo que não a pertencia, era isso que diziam.
Enquanto aquilo acontecia no centro da cidade em meio a feira dos comerciantes. A moça acabou por esbarrar em alguém bem peculiar enquanto tentava se esconder dos soldados:
— Aí...!!— E os dois caem no chão em meio a um beco de um metro e meio, que aparentemente não deixaria que eles fossem vistos por mais ninguém. Enquanto a pessoa tenta tirá-la de cima ela tampa a sua boca e o empurra contra o chão para não dizer uma só palavra ou se mexer enquanto os soldados correm pra outra direção. Ele retira a mão dela da sua boca:
— Mais o que é isso?!! Ficou maluca? Só pode estar brincado. Sai de cima de mim sua louca.
— Me perdoe senhor, eu não tive escolha, caso de vida ou morte, entende?
— Que entender o quê! você literalmente ficou em cima de mim, pensei que moças desses lados eram mais educadas.— Ele acabou por irritar a ela que não conseguiria ficar calada :
— Ei como assim? Não cai em cima de você de propósito, foi um acidente. Não devia sair a falar assim das pessoas.
— E quer que eu fale como? Se não foi de propósito então por que continuou em cima de mim? Hora, para mim tudo isso é desculpa, se estar em alguma confusão não me meta no meio dela. Assuma os seus problemas sozinha entendeu!?.
— Olha aqui... eu já disse que não foi de propósito e me respeite por favor, não sou esse tipo de mulher, posso muito bem me cuidar sozinha.
O senhor ia saindo do beco quando viu os soldados voltando, e o mais estranho foi como ele deu meia volta para trás e acabou esbarrando de novo na moça, e os dois voltaram para chão.
— O que houve agora? - ele tampa a boca dela e espera passarem. Então ele sente algo:
— aargg, o que você fez, voc..você mordeu.
— Quem mandou cair em cima de mim, faz o que quer, tem o que não quer.
— o quê? Mas eu não fiz de propósito.
— Ah é — ela solta uma risada de deboche — Claro que não né, um cavaleiro não faria isso.
Depois de tudo aquilo, ela saiu plena do local e o senhor ficou sem nenhuma palavra após aquilo tudo, depois que as coisas realmente pareciam ter se acalmado, ele saiu dali e não avistou mais a moça.
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— Não acredito nisso — ela solta um rosnado —Aquele homem é mesmo um desaforado — Ela esmurra no tronco de um macieira — como que ele pode falar tal coisa de mim, eu não fiz nada para ele, foi um acidente.— Um chute — Pelo menos conseguir sair de lá, se eles me pegam já era. Nossa, ainda bem que consegui pegar isso, vai me ajudar muito com alguns medicamentos e agora posso voltar pra casa.
A jovem ladra voltou para casa em segurança, e o que ela mais se sentia incomodada era o fato de que não conseguia parar de pensar naquele homem alto, de olhos caramelados, cabelos pretos ondulados, e pardo, e o quanto ele não parecia tão forte mas era bem atraente.
Pensar nisso a deixava enojada, ela não queria pensar que estava atraída pelo homem que a insultou.
— Até que fim voltou, pensei que havia encontrado alguém para dar o golpe e ficar por lá mesmo.
— Como poderia ? E deixá-la aqui sozinha. Não sou tão cruel assim minha madame — Ela se curva com reverência para a senhora.
— Astrity. Meu nome é Astrity, quando vem com esses jeitos de falar soa com muita falsidade.
— E quem disse que sou verdadeira?
— ESME!!!!!!— som de passos correndo e uma breve risada, Esme havia corrido da bronca, e Astrity correu atrás para dentro da cabana.
— Esme já te disse pra me respeitar,você me deve muito garota, se continuar assim te coloco pra fora desta casa.
A garota parece não dar ouvidos.
— O que é isso Astrity ? Esta cheirando tão bem... quero experimentar. Ah sim, deixe te mostrar o que eu trouxe.
— Não troque de assunto mocinha, ainda não terminei de f....
Esme espalha umas coisas sobre a mesa, brilhantes, era de arder os olhos, tão bela e cintilantes, Astrity fica maravilhada.
— Ma..mais o que é isso?
— Algumas joias que encontrei por aí,esmeraldas, diamantes. Huum, veja bem são tão pequenas que até confundo qual é qual, com isso podemos dar uma mudada no visual e comprar alguns alimentos, a cabana também precisa de uns reparos e posso comprar alguns medicamentos..
— Menina, aonde conseguiu isso?? tem noção o que fez? Você foi além do que eu imaginei que iria, eu estou. Estou..m
— O que foi Astrity ? não gostou? posso conseguir outra coisa se quiser, que tal rubis?.
— Esme, como conseguiu tudo isso? estou falando sério, algumas moedas ainda é aceitável,mas isso é um Ultraje. Estou extremamente...— ela soltou um suspiro, e Esme ficou preocupada, pensou que ela teria que se render depois de tudo que tinha passado, por aquelas maravilhosas pedrinhas.
— Realmente não gostou Astrity?— desconsolada com aquilo, ela olha para o rosto da senhora pra ter certeza daquilo, por que apesar de tudo, a palavra daquela senhora era a primeira que ela ouviria.
— Não Esme, não gostei — Ela encara a moça com severidade e então seu rosto relaxa rapidamente para um breve sorriso malicioso — Eu adorei!!! — gargalhadas altas saem daquela garganta que as vezes parece uma caverna fazia que nem faz ecos — Garota esperta, foi assim que te ensinei, aprendeu direitinho em. Estou gostando do que tô vendo, mas pensa bem garota, sei que está sendo procurada, o melhor a se fazer é usamos só uma parte disso para não morrermos de fome. O restante nós guardamos.
Ela recolhe todas aquelas joias e guarda num pequeno baú que fica no canto direito da sala abaixo do madeiro do chão. Abre e coloca com todo o cuidado que ela pode ter com aquelas mãos enrugadas,e fecha sobre sete cadeados e o cobre com uma velha tapeçaria.
— Já que resolvemos isso por agora, me serve um prato bem grande daquilo dali.
— Se sirva sozinha eu não sou sua empregada, você que está de favor na minha casa a doze anos.
— Vai Astrity, não custa nada.
— Não.
— Por favor...— ela implora com um bico, e força os olhos para que lacrimejem.
— hmm.
"Está Bem"
Do outro lado da campina de onde Esme e Astrity moravam, se encontrava residindo uma família de uma mulher viúva.
Enquanto para Astrity só se mantinha a ganância, para essa mulher mantinha-se o acolhimento.
O dia começava a entardecer, e a essa mulher que se dizia Donadeth chamou seu filho Mike para colher seus legumes. E uma figura surgiu no meio das árvores e veio em direção deles.
— Olha mãe, Jack está de volta.— Um sorriso surgi no rosto do jovem, ao ver sua mãe e seu irmão.
— Olá meu filho,que bom que já está de volta, como foi lá na cidade. O que houve que demorou mais do que disse ? — Aquele belo sorriso se transformou rapidamente em uma carranca ranzinza até "espumar" de raiva. Ele respira fundo e vomita toda essa raiva:
— A culpa foi de uma mulher. Ela espalhou uma confusão por toda centro da cidade, e os guardas ficaram por todos os lados, e ainda se atreveu a esbarrar em mim — Seus olhos pareciam dois canhões prontos pra disparar no alvo — Se eu a encontrar de novo, não sei do que sou capaz de fazer pra tirá-lá do meu caminho.
— Ooooh, então você se esbarrou com uma mulher no centro? Era bonita ? Perguntou se era comprometida ? — Mike o irmão mais novo de Jack estava curioso sobre essas história de uma mulher no caminho de seu irmão, ele era fanático por romances.
— Não comece Mike, só vai irritar mais ainda seu irmão, e você Jack não fique assim, foi apenas um imprevisto, podia ter acontecido qualquer dia, sendo culpa dessa moça ou não. O importante é que está de volta para sua mãe — Donadeth limpa suas mãos, segura o rosto do filho com as mesmas e lhe dá um beijo.— E você deixe seu irmão se acalmar.
— Calma mãe , deixe ele responder minhas pergunt....
— Mike já chega.— O tom de seriedade na voz de sua mãe era suficiente pra que ele ficasse quieto. Porém dessa vez, ainda se atreveu a cochichar:
— Jack.
— Sim?
— Vamos fazer aquela batalha com espadas mais tarde, estou sentindo falta disso.
— Claro.
...****************...
Ao anoitecer o que foi combinado pelos rapazes, aconteceu, pois o jantar.
— Rá! Tome isso — espadas se cruzam, enquanto os dois se atacam.
— Parece que você ficou mole, o que aconteceu Jack ? Depois que voltou de viagem está tão distraído, já te acertei cinco vezes. O que há com você?
— Não há nada comigo, devo estar um pouco enferrujado já que faz 10 meses que não pego treino. — Respondeu Jack.
— Não, não. Para mim isso é desculpa, você sempre foi melhor do que eu em muitas coisas. — Mike adorava brincar e tirar Jack do sério e ele sabia que faltava pouco para ver aquela cara emburrada de mais cedo.
— Não é nada, é falta de treino... — Ele solta a espada e se senta no chão. E Mike fica mais curioso para saber o que se passava com o seu velho amigo, então ficou encarando-o para adquirir uma resposta.
— Não é nada Mike, estou normal. Pare de mim encarar desse jeito, está me assustando.
— Foi aquela mulher, não foi? Que te deixou assim, tão frágil, ao ponto de perder para mim. — O sorriso malicioso surgiu de maneira discreta no rosto de Mike mas a irritação de Jack transparência a uma distância de duas milhas dali.
— Já deu Mike, senão quer dormir com as galinhas hoje pare de zombar de mim. — Ele começa a rir de seu irmão como nunca antes — Me dê um tempo eu só preciso descansar, amanhã eu te derroto.
— Ah,isso eu duvido — As provocações não param — Do jeito que se encantou por ela, não sei se volta ao normal tão cedo.
— Como se espumar de raiva por alguém fosse está interessado — Mike concorda balançando a cabeça — Sim eu sei, mas já vi casos de ambos se odiarem e ficarem juntos no final.
— Tem que parar de ler esses romances, estão mexendo com a sua cabeça.— Eles se levantam e vão para o curral — Essas coisas não acontecem na vida real.
— Você é muito pessimista, meu caro, pense um pouco fora da caixa.Você tem que ser mais aberto ao romance e ao amor.
— Não sou pessimista, é sim realista. Escute: O amor é um grande abismo, não queira cair nele, caso contrário não vai se dar muito bem.Agora vamos deixar de falar bobagens e me acompanhe, preciso ver uma coisa.
— Tabom... aonde vamos?
— Ao velho riacho.
Os dois montam em seus cavalos e saem disparados para o campo aberto em direção às grandes árvores.
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