De Terno Ao Trator
Ladeira a baixo
Capítulo 1 – A Herança Que Veio Com Lama
[ – Escritório Lancaster & Associates]
Oliver
Se for pra levar bronca, manda por e-mail.
Estou de ressaca e com zero paciência pra drama familiar hoje.
Arthur
Isso não é exagero — é o fim da linha. Você não apenas cometeu um erro...
Arthur
Você afundou a empresa. Enterrou anos de trabalho com uma decisão impensada. E agora quer chamar isso de acidente?
Oliver
Que exagero. Foi só um pequeno escândalo com um contrato milionário…
E um eventinho de relações públicas mal interpretado.
Arthur
Você não apareceu nas últimas cinco reuniões. Comprou um iate em pleno corte de orçamento. E teve a audácia de chamar um investidor-chave de:
Arthur
'senhor bigode esquisito' — na frente dele.
Arthur
Isso não é só irresponsabilidade, Oliver. É autossabotagem com assinatura dourada.
Oliver
O bigode era esquisito.
[respondeu Oliver, cruzando os braços com o típico desdém de quem não vê problema em dizer a verdade.]
Oliver
Ninguém vai investir em alguém que parece um vilão de novela mexicana. Eu fiz a empresa um favor.
[A sala teve um breve silêncio. Tenso. Quase audível.]
Arthur
Você perdeu o direito de rir.
A Lancaster Tech vai falir.
E você vai perder tudo.
[Arthur repousou o envelope sobre a mesa com um movimento lento e calculado, empurrando-o na direção de Oliver com a ponta dos dedos.]
[O papel deslizou suavemente pela superfície envernizada, emitindo um som quase imperceptível — mas carregado de significado.]
Arthur
Contrato de cessão.
Você vai passar uma temporada longe... numa fazenda.
Oliver
Contrato de cessão temporária de ativos?!
Você está me tirando da empresa?!
Arthur
Estou te dando uma última chance.
Você vai ajudar Ethan McAlister a modernizar o negócio dele.
Oliver
Eu mal sei fritar ovo, quanto mais lidar com uma vaca!
E quem é esse tal de Ethan?
Arthur
Ele é atualmente Nosso principal credor. Está disposto a manter o investimento, desde que possamos oferecer alguém capacitado para auxiliá-lo na modernização da gestão da fazenda.
Arthur
Não se trata apenas de salvar as finanças, mas de reposicionar toda a operação.
Arthur
Eu sugeri você.
Se ele pular fora, a empresa afunda de vez. Não tem plano B, nem tempo pra orgulho. Você vai aprender a trabalhar... ou vai assistir tudo que herdou escorrer pelos dedos.
Oliver
Isso é uma punição.
Você quer me transformar num fazendeiro!
Arthur
Não. Quero que você salve o que ainda pode ser salvo.
Arthur
E antes que torça o nariz — sim, ele é da roça. Mas não se engane: Ethan McAlister é CEO de uma das propriedades rurais mais lucrativas do estado.
Arthur
Comanda mais de cem funcionários, negocia direto com exportadores e tem números que fariam muito executivo da capital suar frio.
Arthur
Ele não precisa da nossa ajuda. Mas está aceitando — por enquanto. O próximo passo depende de você.
Arthur
Amanhã de manhã. Sem atrasos.
Oliver
chama isso de proposta? Pois soa mais como uma armadilha de seda — bela à vista, mas cruel ao toque.
Oliver
Não é afeto,E se o que me oferece é amor... então é um amor que morde antes de acariciar.
Oliver
Isso que você está fazendo... tem nome. Sequestro emocional.
[A voz saiu baixa, controlada, mas com veneno na entonação.]
Oliver
Você não está me dando escolhas. Está me empurrando contra a parede com uma proposta que nem deveria estar na mesa.
Arthur
Chame como quiser.
O que importa é que seu voo sai às 6h.
[ Oliver saiu do escritório de Arthur como se o ar lá dentro tivesse se tornado tóxico. ]
[ Caminhou até o carro com passos duros, a mandíbula cerrada e os olhos úmidos de raiva. ]
[ O som da porta batendo reverberou pelo interior do carro, um eco de sua frustração. Oliver segurou o volante com força, seus dedos crispados contra o couro macio. ]
Oliver
VELHO MALUCO.
Me mandar pra uma fazenda?!
Uma. FAZENDA.
[ Ele olhou para o para-brisa à frente, mas não realmente para a rua; seus olhos estavam perdidos, focados no nada. ]
[ A raiva borbulhava, misturada com uma pontada de impotência. ]
[ Era como se cada batida do coração trouxesse mais um punhado de emoções confusas. Finalmente, ele fechou os olhos, apoiou a testa no volante e murmurou, como se fosse um mantra: ]
Oliver
Pensamento: 💭
( Eu sou rico, bonito, e essa fazenda não vai me vencer! )
[ Dirigiu em silêncio absoluto. Ao chegar na entrada da mansão, os sensores acenderam a iluminação automática: ]
[ Em seguida, ele desligou o motor e desceu.]
[ Sem hesitar, atravessou a entrada principal, sendo engolido pelo silêncio refinado da propriedade. ]
[A mansão à sua frente impunha presença — uma construção luxuosa de linhas elegantes, com colunas imponentes e portas de madeira maciça que se abriam para um interior amplo e meticulosamente decorado. ]
[ Ele sobe às escadas, e entra no quarto.]
Oliver
Eu não vou. Ele vai desistir. Vai mudar de ideia. Vai perceber que—
[Oliver senta no sofá. Depois no chão. Depois se joga na cama.]
Oliver
Nada.
Nenhum plano brilhante. Nenhuma desculpa plausível.
Eu estou realmente indo pra um campo cheio de mosquitos?
[Oliver pegou o smartphone e abriu o grupo “Elite Suprema”.]
Oliver
📱Oliver:
Gente… preciso desabafar.
[🤑Grupo: Elite Suprema.]
Membros: Oliver, Nina, Caio, Sabrina.
Oliver
📱Oliver:
Meu avô surtou.
Tá me mandando pra uma FAZENDA.
Tipo, terra, lama, galinha e gente que acorda antes das 10.
SOS.
caio
📱Caio:
Ele finalmente fez isso, hein?
Nina
📱Nina:
Demorou até. Achei que ele já tinha desistido de você.
Isadora
📱Isadora:
Oliver… você tem vinte e três anos. Já passou da hora de virar adulto, amor.
Oliver
📱Oliver:
A GENTE SEMPRE FOI UM TIME!
Cadê o apoio emocional? Cadê o “ele não pode fazer isso com você”?
caio
📱 Caio:
A gente te ama.
Mas tu precisa crescer, cara.
A vida não é só champanhe e joguinho de tiro.
Nina
📱Nina:
E convenhamos… uma fazendinha pode te fazer bem.
Quem sabe você aprende a fritar um ovo?
Oliver
📱Oliver:
VOCÊS ESTÃO DO LADO DELE?!
MEU AVÔ LAVOU O CÉREBRO DE VOCÊS?
Isadora
📱Isadora:
Não, a vida lavou. A gente cresceu.
Você só ficou aí… esperando tudo se resolver.
[📱Oliver entrou novamente.]
Oliver
📱Oliver:
Desculpa. Fiquei emocional.
Mas ainda tô puto.
Oliver Desligou o smartphone.
Oliver
( Pensamento) 💭
Eles não entendem. Eu não sou o problema… o mundo que é difícil.
Talvez eu precise mostrar que consigo sim... sobreviver lá.
Oliver
Ou talvez eu só compre uma passagem pra Ibiza.
[Oliver se virou na cama, encarando o teto como se ele tivesse as respostas.]
Perdido no fim do mundo.
Capítulo 2- De cama para a roça.
[Oliver está dormindo profundamente...]
[O som de uma maçaneta sendo girada com violência ecoou pelo ambiente, seguido pelo estalo firme da porta se abrindo de súbito, rompendo o silêncio com uma presença abrupta.]
Arthur
A primavera não espera preguiçosos Vamos, rapaz. A estação mudou, e você também precisa mudar: levanta.
Oliver
Só mais dez minutinhos, por favor…
Oliver
Ainda não estou pronto pra abandonar o travesseiro e enfrentar o campo...
Arthur
Seu voo parte às seis. Já são três da madrugada.
Arthur
E se eu não tivesse vindo, você ainda estaria afundado nesses lençóis, como se o mundo lá fora não estivesse te esperando.
Oliver
Você chegou três horas mais cedo do que deveria.
Oliver
É madrugada! O mundo nem acordou ainda… mas você já veio me arrancar dos braços do sono como se eu tivesse cometido um crime.
Arthur
Justamente.
Agora levanta.
Oliver
Não… o meu corpo ainda tá em modo noturno.
[Arthur Lancaster ergueu a mão sem aviso, e o som seco do cascudo ecoou como um trovão abafado no silêncio tenso do quarto.]
Oliver
AI!
VOCÊ É UM SENHOR IDOSO, ISSO É ABUSO!
[Não foi apenas um toque — foi um lembrete. Um gesto carregado de frustração, um castigo firme, mas controlado. A força foi medida, mas a mensagem, essa, veio como uma tempestade.]
Arthur
Isso é paciência no limite.
Levanta.
[Arthur puxou o edredom e arrancou Oliver da cama com um só puxão.]
Oliver
EU TÔ NU!
QUER DIZER… SEMINÚ!
Arthur
Você dorme de moletom.
isso não me engana.
[Oliver se arrasta até sentar na beirada da cama, com cara de derrota.]
Oliver
VOCÊ ARRUMOU as minhas COISAS?!
Arthur
Coloquei o necessário.
Oliver
Defina “necessário”.
Arthur
Roupas. Produtos de higiene. E um pouco de vergonha na cara, se tiver sorte.
Oliver
O senhor não é meu avô. O senhor é um vilão de novela mexicana.
Arthur
E você é o mocinho folgado. Agora anda.
Oliver
(Pensamento:) 💭
Isso está mesmo acontecendo.
estou indo pra fazenda.
Com uma mala montada por um inimigo aposentado da modernidade.
[📱Oliver Lancaster mudou o status para: “Indo direto pro meu fim. Desejem sorte.”]
Oliver entrou no carro como quem marcha para a própria execução. O som das portas se fechando ecoou como um suspiro final de liberdade.
Usava óculos escuros não por estilo, mas como uma armadura — uma tentativa inútil de esconder a tempestade que rugia por trás da lente fumê.
O maxilar travado, os ombros duros, e a aura de “ousa me dirigir a palavra e será o seu fim” preenchia o ar como fumaça densa.
Ele não precisava dizer nada. Sua presença era um aviso. Um grito silencioso. Algo dentro dele havia morrido — e o funeral começava agora.
Daniel
Bom dia, senhor Lancaster.
Oliver
"Bom? Que doce ironia carregas na língua! Pois se isto é o bom, então que nome darei ao inferno?"
O motorista, ainda parado na frente da mansão imponente, com uma sobrancelha arqueada e um sorriso de canto irônico, responde:
Daniel
Isso é Shakespeare ou crise existencial matinal, senhor Lancaster? Se a simples ideia de sair da sua fortaleza de travesseiros já é o inferno...
Daniel
[ Daniel pensa: 💭
Imagina quando o trator aparecer. ]
Ele ajeita a gravata, dá uma batidinha no uniforme, e continua:
Daniel
Vamos nessa, Vossa Dramaticidade. O campo não vai se escandalizar sozinho.
O motorista ri, depois que entra no carro. em seguida ele dá uma buzinadinha curta como quem aplaude com sarcasmo:
Daniel
Segura firme aí,poeta, que o “inferno” tem ar-condicionado.
Oliver revira os olhos, cruza os braços com toda a pose de um príncipe exilado no próprio reino, e rebate com a língua afiada:
Oliver
Ah, claro. Mal posso esperar pra trocar meu cappuccino por estrume e minhas noites em lençóis de cetim por um concerto de grilos e mosquitos.
Oliver
Um verdadeiro upgrade de vida, parabéns aos envolvidos.
Ele faz um gesto teatral com as mãos, como se apresentasse um espetáculo trágico:
Oliver
"Leve-me, então, bom cocheiro do apocalipse. Vamos rumo à minha ruína com estilo.
Oliver
Espero que pelo menos o Wi-Fi do campo seja decente..."
Daniel, o motorista, solta uma gargalhada tão sincera que chega a bater no volante com a mão, como se tivesse acabado de ouvir o melhor stand-up da semana.
Daniel
Céus, Oliver... você devia estar no teatro, não atrás de uma cadeia!
Daniel
Se eu ganhasse uma moeda cada vez que você dramatiza a ida pro mato, eu já teria comprado minha própria fazenda — e te mandado pra lá de helicóptero.
Ele engata a marcha, ainda rindo, e joga:
Daniel
Seu avô ordenou que o conduza ao terminal executivo. Um pássaro de ferro o Aguarda para levá-lo ao seu... exílio rural!
Oliver
Ah, que ótimo. Rumo ao mato — porque se for pra sofrer, que seja com elegância.
Daniel
Pode parecer castigo Agora, mas a vida no interior tem seu encanto. Às vezes, a gente só precisa olhar com outros olhos.
Oliver
Ah, “interior”... que palavra delicada pra descrever um lugar onde a vizinhança mais próxima tem quatro patas e muge.
Daniel
Se me permite, senhor… talvez seja uma oportunidade.
Oliver
Você é motorista ou terapeuta?
Daniel
Depende do passageiro.
[Aeroporto – Terminal VIP]
[Oliver embarcou com cara de nojo. O avião era luxuoso, mas nem isso suavizava a má vontade.]
Oliver
(pensando): 💭
Entre um jantar em Paris e um cafuné da Nina, escolheram me mandar pra um campo aberto pra cultivar hortaliças. Estou vivendo meu pior spin-off.
[ 🕜 Algumas horas depois…]
[Oliver desembarcou em um aeroporto pequeno e discreto.]
Oliver
Só de olhar, já deu vontade de desmaiar. E não é de emoção.
[ Ele adentrou a concessionária próxima dali, um espaço amplo e bem iluminado, com vitrines de vidro que refletiam o entardecer e carros reluzentes alinhados em perfeita simetria.]
Atendente
Bom dia! Como posso ajudar?
[ O som abafado dos passos sobre o piso encerado se misturava ao sutil aroma de couro novo e óleo limpo, compondo o cenário clássico de um negócio bem administrado.]
Oliver
Alugar um carro. Um com ar-condicionado.
E, se possível, com botão de “voltar no tempo”.
[ Alguns minutos depois, Oliver deixou a concessionária ao volante de uma caminhonete zero quilômetro, o motor ronronando com imponência. ]
[ O veículo, ainda com o brilho da cera recém-aplicada, cortava a luz do fim de tarde enquanto ele saía do estacionamento com um sorriso discreto e uma pitada de superioridade no olhar.]
Oliver
Ok, GPS… me leva até a fazenda do ogro McAlister.
Oliver
GPS IDIOTA!
Falei “fazenda rica”, não “acampamento de terror”!
[Ele passa por uma estrada de terra nada convidativa, cercada de mato alto e galinhas selvagens em modo ataque.]
Oliver
Isso tá errado. Isso tá MUITO errado.
[O camionete balança. Poeira entra pela janela. Um galho arranha a lataria.]
Oliver
EU VOU PROCESSAR A TECNOLOGIA!
E ESSE GALHO MALDITO!
[Finalmente, ele vê a entrada de madeira com a placa: “Fazenda McAlister”]
Oliver
Cheguei.
Destruído, perdido, emocionalmente instável…
Mas cheguei.
[Oliver estica o pescoço, ajeita os óculos e respira fundo.]
Oliver
Me segura, mundo rural.
Ou me devolve pra cidade.
Um Encontro nada cordial.
CAPÍTULO 2 – UM ENCONTRO NADA CORDIAL 🚜
A camionete sacoleja violentamente enquanto avança pela estrada esburacada.
(Oliver resmunga, irritado)
Oliver
Mas que droga de caminho é esse?! Isso aqui é uma estrada ou Mad Max?
Ele olha o celular. Sem sinal. Suspirando fundo, tenta se recompor.
O carro estaciona. e Oliver desce, ajeitando a jaqueta de grife e batendo a poeira (inexistente) da calça. Ele encara a cena com desgosto: vacas, celeiro e uma casa de madeira rústica.
Oliver
(murmurando)
Maravilha. O retiro espiritual do inferno.
Uma voz masculina, abafada pela distância, ecoa no ar carregado de tensão:
Oliver mal tem tempo de entender o que está acontecendo.
Um som abafado de cascos contra a terra quebra a calmaria do campo — e, quando ele vira o rosto, é tarde demais.
Um bode, olhos arregalados e espuma no canto da boca, vem disparado na direção dele como uma bala viva, bufando como se tivesse saído direto do inferno.
O animal parece possuído, os chifres baixos, apontados como uma ameaça mortal.
A voz rouca de Ethan rasga o ar como um trovão.
O mundo desacelera por um instante. O vento sopra forte. A terra treme sob seus pés. E o bode se aproxima como um furacão em miniatura.
Ethan vem logo atrás, correndo com a fúria de quem está prestes a cometer um assassinato — ou salvá-lo de um.
O bode acerta Oliver em cheio, que cai no chão e é arrastado pela jaqueta presa nos chifres.
Oliver grita, os braços se debatendo como um boneco de posto em dias de ventanias.
Oliver
SOCORRO! EU TÔ SENDO SEQUESTRADO POR UM BICHO!
a voz dele sai esganiçada, desesperada, como se estivesse sendo arrastado por um monstro mitológico e não por um bode de olhos esbugalhados.
O animal, firme na missão de destruir qualquer vestígio de dignidade no herdeiro mimado, não o larga.
As patas se apoiam nas pernas de Oliver com força, e ele, completamente fora de si, tenta chutá-lo, empurrá-lo, até subir num tronco que mais parece uma tábua da salvação.
Oliver chora. Literalmente. Uma lágrima escorre.
Oliver
Cadê os meu segurança? Cadê meu advogado? Daniel!
ele grita para o céu, como se esperasse um helicóptero da elite vir resgatá-lo do meio do pasto.
Ethan, chega esbaforido, quase tropeça de tanto rir, mas logo tenta separar a dupla — o homem e o bode, agora travando uma batalha épica de dignidade x caos.
Ele assobia. O bode para. E Oliver desce da árvore, ofegante e coberto de poeira.
Ele abre os olhos e encara Ethan pela primeira vez:
Seus pensamentos são interrompidos, pela presença do Bode.
Oliver
ELE ESTÁ SUBINDO EM MIM DE NOVO!
ele berra, com a voz quase falhando. Ele olha para Ethan como quem vê um salvador... ou um cúmplice.
Oliver
TIRA ESSE BICHO TARADO DE CIMA DE MIM!
Ethan
Ele só Está brincando…
Ele tenta explicar, ainda rindo, já se aproximando para agarrar o bode pelas patas.
Oliver
BRINCANDO?! EU ESTOU SENDO VIOLADO EMOCIONALMENTE!
Com um movimento rápido, Ethan segura o bode e o afasta, enquanto o animal resmunga e chuta o ar, indignado por ser interrompido no meio de sua "declaração de amor."
Oliver desaba na grama, com os braços abertos, ofegante, como se tivesse sobrevivido a um ataque de lobos.
Oliver
Eu quero ir pra casa…
ele diz, encarando o céu como quem questiona suas escolhas de vida.
Oliver
Pra minha cama com lençol de 1.200 fios. Pra minha privada automática. Pro meu chuveiro com oito saídas de jato...
Ethan ergue uma sobrancelha e cruza os braços.
Ethan
Bem-vindo ao Rancho do Mac, Lancaster. Aqui o único jato que você vai ver é o do bode te perseguindo de novo se continuar cheirando a perfume importado.
Oliver
Eu preferia ser atropelado por um trator.
Ethan
Não fala isso muito alto. Aqui a gente realiza desejos.
Ele abre a boca para retrucar, mas o bode ao lado de Ethan solta um bufido alto. Oliver se levanta no susto, ele dá um passo para trás...
Ele cai de bunda na lama.
Ethan
É... talvez você demore mais do que eu pensei.
Ele suspira fundo, encarando a fazenda como se fosse um campo minado. Sentimento mútuo: nem ele quer estar ali, nem o lugar quer ele.
Oliver ainda estava caído quando sentiu algo quente e úmido na bochecha.
Ele arregala os olhos e grita.
Oliver
AAAAAH! QUE DIABOS?!
Uma VACA está lambendo seu rosto com gosto. Ele se debate e Ethan assiste tudo com os braços ao redor da barriga, segurando o riso.
Ethan
Agora sim... tá começando a se misturar com o ambiente.
Oliver se levanta.
Tenta limpar a lama da roupa de marca. Seu tênis branco? Agora marrom-cocô.
Ethan vira as costas, despreocupado.
Ethan
Vem logo, antes que o bode queira demonstrar novamente o seu amor.
Ele se apressa. Dá um passo... e para. Ele Olha pra baixo. E seu Olhar congela.
Oliver
...Isso é cocô, Não é?
Ethan se vira e vê o estrago.
Ethan
Cara... isso é muito azar.
Ele tenta se apressar, escorrega de novo,e Cai em um monte de feno. Uma galinha se revolta com a invasão e parte pra cima.
Oliver
TIRA ESSA GALINHA DE MIM! ELA TÁ POSSUÍDA!
ETHAN quase chora de rir.
Ethan
Esse verão... vai ser memorável.
Demorou, mas finalmente conseguiu conduzir o Lancaster para a casa principal.
Oliver sobe os degraus com cautela. A jaqueta de grife virou pano de chão. O cabelo tem palha. O cheiro? Péssimo.
Oliver
Tem mais algum animal selvagem aí dentro?
Diz, com um sorriso de canto... Brincalhão.
Ele finalmente sente algum alívio. O interior é rústico, espaçoso, cheira a café e madeira.
Ethan
O Banheiro fica no fim do corredor. Vai lá antes que até o sofá tente te atacar.
ele fumina o McAlister e sai sem dizer uma palavra.
Finalmente sozinho, ele decide tomar um banho.
A água quente cai, então ele apoia as costas na parede do banheiro. Suspirando
Oliver
(voz interna) *
Isso não está acontecendo. Não é real. É um pesadelo... rural.*
Minutos depois, ele veste algumas roupas emprestadas e encara o espelho. Cabelo molhado. Rosto limpo. Orgulho ferido.
Oliver
Eu vou embora. O mais rápido possível.
No dia seguinte.
O Sol mal nasceu ,Oliver ainda dormia, embrulhado no cobertor, quando Ethan entrou no quarto sorrateiramente.
Disse baixo, próximo a seu ouvido.
Oliver resmunga, enfiando a cara ainda mais no travesseiro.
Oliver
(sonolento)
Sai daqui… capeta de botas.
Ethan puxa o cobertor com tudo. E Oliver se encolhe com o frio.
Ele ergue a cabeça, cabelo bagunçado, olhos semicerrados.
Ethan
A fazenda não se cuida sozinha, príncipe. Levanta.
Disse com os braços cruzandos.
Oliver
Eu não assinei pra virar peão!
Ethan deixa escapar um sorriso sínico.
Ethan
Não? Achei que seu avô o enviou aqui pra aprender alguma coisa.
Ele revira os olhos, tentando se esconder no travesseiro.
Oliver
Mais cinco minutos. Ou seis meses.
Ethan nem hesita. Enfia os braços sob Oliver e o levanta da cama como uma noiva.
Oliver
VOCÊ ESTÁ TÁ MALUCO?!
Ele agarra o pescoço de Ethan por instinto.
Ethan
Relaxa. Você pesa menos que um saco de ração.
Oliver
VOCÊ ESTÁ ME CHAMANDO DE MAGRELO?!
Ethan
Estou dizendo que você precisa de proteína.
Oliver se debate. Ethan perde o equilíbrio e… ambos Caem na cama juntos.
Os rostos ficaram a milímetros. E um climão se fez presente no ar.
Ethan
Isso foi... inesperado.
Oliver
Sai de cima de mim, ogro!
Ele se levanta rápido... e escorrega.
E com as brincadeiras do destino, ele acaba caindo no colo de Ethan. Causando outro desastre...
Oliver congela. O olhar vai direto pro ponto de impacto.
Oliver
Meu Deus... EU NÃO—DESCULPA!
Ele pula pro lado, desajeitado. Ethan respira com dificuldade, e leva suas mão nas partes.
Ethan
Você precisa... aprender a andar.
Ele tentava suportar a dor.
Oliver
E você precisa... sair do meu quarto!
Ethan
Se eu não viesse, ia dormir até o Natal.
Oliver
E teria sido lindo!
Ethan
Te espero lá fora, bailarina.
Oliver fica ali, vermelho de vergonha. Encara o teto. E solta um único lamento.
Oliver
(murmurando)
Socorro. Me tira daqui.
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