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Despertar Do Amanhã

Fugindo do destino

Estou a horas esperando o trem chegar, preciso sair da cidade urgentemente. Estou como uma peça sendo vendida por minha madrasta para um casamento sem futuro.

Trago comigo apenas uma bolsa de mão com poucas roupas pois não tive tempo para pegar minhas coisas, contei apena para minha irmã Carmem, ela é mais velha que eu e sabe como agir quando estamos em situações extremas.

Tenho como saída para esse infortúnio fugir com meu namorado e amigo, eu gosto muito dele e ele parece gostar muito de mim. Ele se propôs a me ajudar, pediu que o esperasse nessa estação.

Estou ficando aflita, está na hora do trem partir e ele ainda não chegou.

Meu coração está aflito e sinto um mal presságio, estou com medo de algo que desconheço. Pode ser por eu nunca ter saído da minha cidade e não conhecer o mundo lá fora.

Ouço o apito do trem, duas soadas e ele começa a funcionar. Meu coração dispara ao ouvir meu nome:

__ Laura!

__ Patrick.

Corro em sua direção tamanho meu desespero ele me abraça forte e sinto que estou segura, de repente alguma coisa tampa meu nariz e não dou mais por mim.

Acordo com um enjôo forte e muita dor de cabeça. Não sei onde estou e nem o que faço aqui nesse quarto, com esse vestido branco e um véu. Devo estar vivendo um pesadelo, isso não pode estar acontecendo comigo.

Minha lembrança é de estar na estação e me encontrar com Patrick para sairmos da cidade.

Ando pelo quarto ainda desnorteada pois não sei quem me vestiu desse jeito e o que esperam de mim.

Olho no espelho e vejo que estou vestida de noiva, estou irreconhecível, não pareço em nada com a moça da estação. Sou apenas sombra do que fui.

Depois de muito chorar e me desesperar pensei em fugir pela janela mas está trancada, a porta também está. Sinto uma angústia em meu peito e sem entender o que aconteceu com Patrick que estava comigo.

Será que alguém o pegou por me ajudar? Não posso acreditar no que está acontecendo.

Ouço passos atrás da porta, parece um longo corredor, algumas pessoas conversam e ouço a voz de Carmem e Patrick.

Encho meu peito de esperança pois eles devem estar vindo para me ajudar a sair desse inferno.

Fico de pé encostada na parede na apreensão de que a porta vai se abrir e vou ser resgatada desse lugar horrível.

A porta se abre e Carmem entra com um sorriso sínico e um ar debochado, eu não consigo distinguir o que está acontecendo.

Vejo Patrick de terno e muito bem arrumado, ele está lindo. Corro e o abraço, por um instante penso ser ele o meu noivo. Ele me abraça e sinto a força dos seus braços. Carmem me puxa pelo braço me jogando no chão.

__ Larga ele agora! Chega dessa agarração.

Estou sem entender o que está acontecendo, ela é minha irmã e sabe que somos namorados.

__ Não faça isso, Carmem! Você pode machucá-la e a madrinha não vai gostar nada de saber que você fez isso.

__ Do que vocês estão falando? Eu não estou entendendo!

__ Você irá se casar agora, é um acordo feito entre as nossas famílias. Você não tem para onde fugir.

__ Patrick, você disse que me ajudaria. Por quê está permitindo que façam isso comigo?

Ele não me diz nada, somente me olha com piedade e está me confundindo. Não consigo discernir seu comportamento.

Carmem caminha até ele e o beija na boca em minha frente.

Fico estática e decepcionada, o que eles estão fazendo?

__ O que significa isso?

__ O que você está vendo, não é óbvio? Eu e Patrick somos amantes, bem antes de você o conhecer. Ele só se aproximou de você para te atrair para esse momento.

O desespero e a raiva me dominam, como pode ser tão baixa e fazer isso com a própria irmã.

__ É verdade Patrick? Você é culpado por eu estar aqui vivendo esse pesadelo de me casar com alguém que não conheço?

__ Sinto muito, Laura! Mas foi a única maneira que encontramos para salvarmos nossos negócios.

__ Vocês não pensaram em mim, só pensaram em vocês? Pois eu não vou me casar com quem não conheço. Ele também não vai querer se casar comigo, verá que sou muito nova e que não serei uma boa esposa.

__ Você não tem escolha, nosso pai está no hospital e precisa pagar as despesas do tratamento do coração. Ele vai perder a empresa se não levantarmos o dinheiro para pagarmos as dividas com os credores. E essa oportunidade do seu casamento irá salvar não só o nosso patrimônio mas também a do seu futuro marido.

O ódio pela voz e pelos fatos apresentados por eles só aumenta a cada palavra. Tenho vontade de matá-los com minhas próprias mãos. Mas sou fraca e desprovida de forças.

Patrick fica me olhando e vejo o ciúme corroer o rosto de Carmem que inveja tudo em mim, pois sou mais nova e mais bonita e sempre fui a preferida do meu pai, se ele estivesse bem de saúde jamais consentiria nessa atrocidade.

Já sem forças para lutar contra o que me espera dois homens entram no quarto e sou levada a uma grande sala onde uma mulher muito bonita e já madura em idade me espera.

__ Não se preocupe, nada de mau vai te acontecer. Ele não vai nem saber que você existe.

Fico sem entender mais uma vez. Olho para o escrivão a minha frente e a seu lado um homem deitado em uma cama hospitalar.

Fico em choque ao ver um homem tão moço em um estado vegetativo.

A mulher pega em minha mão e as lágrimas rolam meu rosto:

__ Venha comigo, meu nome é Madalena e esse é meu filho Alonso.

Me aproximo lentamente da cama fria e olho seu rosto pálido e quase sem vida.

Patrick e Carmen entram na sala e os olho com ódio mortal.

Meu choro é constante e ininterrupto, sou amparada pela senhora que gentilmente me conduz até o escrivão que lê o documento do casamento e pede que eu assine.

Olho nos olhos dos meus algoz e por um grande desprezo e rancor assino o meu destino inevitável.

selando o pacto

Após a cerimônia sou levada para um quarto no final de um longo corredor, dois seguranças ficam na porta para que eu não fuja e para que ninguém sem a permissão de dona Madalena entre nos aposentos.

Deito na cama e choro copiosamente, estou machucada e ferida por dentro, não tenho vontade de viver e não consigo me controlar.

Penso no dia em que por acaso conheci Patrick na saída da empresa do meu pai, tinha ido buscar algumas amostras de tecidos para entregar a alguns vendedores, eu sempre ajudei meu pai na empresa e ele sempre confiou em mim para estar a par dos negócios, não consigo entender porque Carmem disse que temos dívidas se as empresa estavam bem no mercado.

Esbarrei em Patrick na saída do elevador e ele me ajudou com as amostras que ficaram espalhadas pelo saguão de entrada. Ele me acompanhou até ao carro e em pouco tempo ficamos amigos. Ele é muito sedutor e gentil não foi difícil me encantar por ele. Um mês depois e já estávamos namorando.

Sei muito pouco da sua vida, somente que ele trabalha numa empresa de cosméticos e que seu primo é o dono. Ele é apenas um funcionário, pois seu primo nunca deu condições para ele crescer dentro do patrimônio da família. Seu tio morreu há alguns anos e seu primo foi o único herdeiro.

Até agora não sei qual o vínculo dele com essa família e porque Carmem está envolvida.

Retiro o vestido de noiva e visto um vestido simples que está na mala no canto do quarto, é a bagagem que preparei para começar uma nova vida longe daqui.

Tomo um banho e me sinto melhor, saio do banheiro e tem um prato de sopa na mesa no outro canto do quarto.

Estou sendo tratada como uma prisioneira, gostaria que alguém me explicasse o porquê de tudo isso. Mas pelo visto não será hoje que descobrirei os motivos desse casamento forçado.

Depois que minhas forças se esvaíram eu dormi um sono pesado e conturbado por pesadelos, um homem muito forte e bonito com seus cabelos negros na altura dos ombros me perseguia e me maltratava, eu fugia de casas e locais diferentes. Era uma perseguição sem fim. Eu tinha que passar por becos e vielas e parecia um labirinto.

Acordo suada e com a luz refletindo pela janela e o sol de outono queimando meu rosto.

Abro meus olhos e vejo dona Madalena abrindo as cortinas, o quarto já não parece mais uma prisão, tem um lindo vaso de flores na mesa e uma bandeja de café da manhã, com frutas, pães e geleias.

__ Bom dia! Você dormiu bem?

Ela me pergunta tentando ser simpática.

__ Sim, só tive um pesadelo.

__ Toma seu café, depois vamos fazer uma caminhada para você pegar um pouco de ar fresco.

Vou ao banheiro e faço minha higiene, tomo o café e me alimento, estou com fome depois de apenas um prato de sopa a noite.

Saímos por entre um lindo jardim acompanhadas por um segurança. Fico com medo do que me espera e qual é o motivo pelo qual esse guarda-roupa ambulante fica atrás de mim o tempo todo.

Nosso silêncio é interrompido quando dona Madalena me pergunta coisas triviais como:

__ O que você gosta de comer; de beber; Onde gosto de passear e vestir.

Farta de perguntas toscas e sem paciência para embromação eu a pergunto direto e sem rodeios:

__ Por quê a senhora consentiu com esse casamento se seu filho está naquela estado?

Ela respira fundo e seus olhos transbordam em lágrimas.

__ Fiz para proteger o patrimônio do meu filho. Ele sofreu um acidente de carro a quase dois anos está em coma, como você viu. A pancada na cabeça foi muito séria mas ele pode acordar algum dia, tenho esperança.

__ Mas porque um casamento nesse estado?

__ A empresa ficou como herança para ele e uma cláusula dessa herança consiste que em caso de morte ou impossibilidade de administrar a empresa, essa só ficará na administração da nossa família se ele tivesse filhos e fosse casado. Caso contrário a comissão de acionistas elegerá um novo CEO para administrar o que meu marido e eu construímos com muito esforço.

__ A senhora teme pela morte dele e ficar desamparada?

__ Sim, eu perderia tudo em poucos dias por causa do seu estado vegetativo e não teria mais recursos para mantê-lo vivo e com os tratamentos.

__ Mas porquê eu? Com tantas mulheres no mundo e fui eu a escolhida.

__ Seu pai nos devia uma quantia muito grande em dinheiro e ele me ofereceu você em troca da dívida.

Não posso acreditar, quem sempre me amparou e sempre esteve ao meu lado foram os que me jogaram aos leões.

__ Eu sinto muito, mas eu não tive opção. Sua irmã e Patrick me disseram que você aceitaria sem problemas.

__ Onde eles entram nessa história?

__ Sua irmã está dominada pela ganância da sua madrasta e querem assumir as empresas de seu pai e você seria um empecilho no seu caminho e Patrick é sobrinho do meu marido, sou sua madrinha e sei da sua ambição em ficar no lugar de Alonso, mas se os acionistas assumissem o boticário ele perderia sua mina de ouro. Pois sei que ele desvia fundos da empresa, ainda não o mandei embora porque preciso de provas concretas.

__ E o que aconteceu com senhor Alonso?

__ Não precisa chamá-la de senhor, ele é seu marido.

__ Não sei se ele concordaria com esse casamento.

__ Com certeza não, pois ele gosta de ser livre e ter várias mulheres e não gosta de crianças.

__ Por isso ele nunca se casou?

__ Sim, ele teve uma noiva mas são tão parecidos que ela retirou o útero para nunca ter filho.

O jeito como ela fala do filho e da ex noiva me assusta, nunca pensei que houvesse pessoas com essas mentalidades.

__ E o que a senhora espera de mim?

__ Que me ajude a cuidar dele, ajude com a empresa e lhe seja fiel até a morte.

Sinto meu peito apertado, não tenho escolha, não posso contar com ninguém para me ajudar e vejo sinceridade nas palavras de uma mãe desesperada.

__ Ficarei com a senhora até que o fim inevitável aconteça e depois irei embora e nunca mais volto nesse lugar.

Ela concorda e selamos nosso pacto pois pelo estado que ele se encontra não será por muito tempo.

Conhecendo o marido

Depois de caminharmos por horas e ficarmos conversando vi que dona Madalena é uma mulher forte e que ama o filho, entramos na enorme mansão e o almoço já estava servido a mesa. Sentamos e fizemos nossas refeições juntas.

Ela me contou a respeito do seu falecido esposo e que ele era um homem frio e sem afeto, ela se casou por um acordo entre famílias e que somente conseguiu viver vinte e cinco anos ao seu lado por amor ao seu filho. Foi para protegê-lo do pai tirano que ela aguentou as humilhações sofridas por anos a fio e não deixou que seu filho fosse deserdado com a morte do pai.

Agora mais uma vez ela tem que lutar bravamente para ele despertar desse sono profundo e não perder tudo o que eles tem.

__ Eu quero ajudar a cuidar dele, posso lhe fazer companhia e revezar com os enfermeiros.

__ Você quer ir vê-lo?

Ela me pergunta já mais animada, pois acha que se dedicarmos nosso tempo ele poderá vir a despertar os sentidos.

__ Quero muito.

Entramos no quarto e ele está na mesma posição, sua pele está muito branca por falta de sol. E coloco minhas mãos em seus pés que estão frios com o cair da tarde.

Coloco meias e esfrego seus pés para aquece-lo e sinto que seu corpo arrepiou. Ela me olha e dá um sorriso, tem esperança de que em breve ele desperte desse sono profundo.

Sento ao seu lado o admirando e percebo o quanto ele é bonito mesmo estando acamado. Seus cabelos pretos fazem ondas e sua barba por fazer o deixa mais abatido.

Ela sai do quarto e nos deixa a sós, faço minhas preces para ter forças para vencer esse desafio e conquistar novamente minha liberdade.

No quarto o silêncio impera, como pode alguém acordar sem nenhum barulho, penso que posso mudar esse quadro, o deixo dormindo e vou a enorme biblioteca que tem na casa, escolho um livro, volto e me sento ao seu lado, começo a ler a primeira página. Estou entretida na leitura em voz alta e ouço a porta se abrir abruptamente:

__ O que você está fazendo?

Patrick entra me repreendendo e chamando minha atenção de forma alterada.

__ Estou lendo para meu esposo.

Ele nunca será seu esposo de verdade, ele é só um ser vegetando até a morte e depois você vai ficar comigo. Eu serei seu esposo e vamos administrar toda essa fortuna e seremos muito felizes.

__ Você acha mesmo isso?

__ Acho! Você gosta de mim e eu sei que podemos ser felizes juntos.

__ E o que você fará com a Carmem?

Pergunto lhe dando corda para ver até onde vai sua falta de caráter.

__ Eu não a amo, ela foi importante até te trazer aqui, agora não me serve para mais nada. Aos poucos vou fazê-la entender que não sou o homem para a sua vida e que meu coração tem dono.

Ele fala caminhando até a minha frente, meu estômago embrulha só de sentir seu cheiro.

__ Não se atreva a encostar em mim. Eu não quero contato com você e com a minha irmã, vocês formam um belíssimo casal, são iguais.

__ Não diga isso, eu não te deixarei e muito menos vou ficar com a louca da sua irmã.

__ Você me deixou no momento em que me trouxe para essa casa, agora quem não te quer sou eu.

Falo e o empurro, dona Madalena entra no quarto quando ouvi as vozes alteradas dentro do quarto, ele sai nervoso e eu fico abalada com a falta de caráter dele. Ele me colocou nessa história na esperança de que eu herde a fortuna de Alonso e depois me case com ele.

Falo o que aconteceu para dona Madalena, ela me ampara até meus aposentos e deixo o livro na escrivaninha do quarto de Alonso para continuar a leitura depois.

Novamente durmo aos prantos e me sinto perdida em meio a tantos sofrimentos.

Acordo com o sol no meu rosto, dessa vez estou sozinha no quarto, corro ao banheiro para um banho rápido, tenho o compromisso com meu esposo.

Saio pelo imenso corredor e entro em seu quarto. Ele está como eu o deixei ontem a noite.

Peço ajuda ao segurança e ao enfermeiro, quero que o seu banho seja na banheira.

Preparo a água, espumas e óleos aromáticos.

Eles o colocam na água quente e relaxante, vejo seu corpo nú lindo e escultural.

Lavo seus cabelos massageando, ao mesmo tempo

falo baixinho em seu ouvido:

__ Acorda príncipe! Chega de dormir. Você se casou e temos umas bodas para comemorar.

Em meio ao banho e esfregando seu corpo com uma esponja macia para não machucar, fico falando ao seu ouvido palavras de ânimo e pedindo que ele acorde.

Depois do banho demorado, peço que o coloquem sentado na cadeira onde ele possa pegar sol. Faço sua barba o deixando mais atraente, aparo os seus cabelos aos ombros e os deixo secar naturalmente.

Ele parece um boneco, sei que está vivo porque respira.

Sento ao seu lado e leio umas páginas para que o tempo passe rápido.

O levo novamente para a cama, não quero cansa-lo no primeiro dia de casados.

Dona Madalena entra no quarto e percebe a mudança no seu filho.

__ Ele está ótimo! Está com seu rosto lindo e corado.

Seus olhos lacrimejam e sinto que se não for bom para ele ao menos foi bom para ela.

__ Sim! Ele já tomou seu banho de banheira e tomou sol. Será sua rotina daqui para frente. Vou cuidar para que meu esposo se recupere.

__ Para isso você tem que se alimentar, não tomou nem o seu café até agora. Venha vou te servir um bolo e o enfermeiro vai cuidar dele agora.

Saímos até a imensa sala de refeições, toda sorte de comidas aprazíveis me esperam. Como uma fruta e uma fatia de bolo. Dona Madalena se sente feliz por ter companhia em sua dor e eu me sinto bem em poder ajudar, mas não espero muito do futuro em meio a tanta ganância e maldade.

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