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O CEO E A PROFESSORA

capítulo 1

Capítulo 1

Preciso de um herdeiro! - disse Matew a si mesmo, enquanto estava sentado na

sua cadeira no seu escritório.

Ele estava impossibilitado disso, visto que sua esposa Madson, tinha sofrido um

acidente de carro a um ano atrás e tinha ficado em estado vegetativo. Assim ele não

podia pedir divórcio e também havia uma clausula milionária caso ele tivesse uma

amante para tentar ter um filho. Fora que a ela era sócia de Matew na empresa de

tecnologia, podia fazer com que eles falissem apenas por vingança, caso ele

pedisse divórcio. Agora ele se via sentado na sua cadeira, naquele escritório

enorme, com mais dinheiro do que poderia gastar, sem nenhum herdeiro em vista.

− Senhor? - chamou seu advogado Mark, ao entrar na sua sala e o tirar

dos seus pensamentos

− Entre Mark, descobriu alguma clínica que faça isso? - perguntou ele e

apontou a cadeira a sua frente

− Infelizmente não senhor Matew. Todas elas disseram a mesma coisa,

que a pessoa deve conhecer alguém, ter um contrato e então fazer a fertilização.

Eles não possuem nenhum programa de garotas que façam isso.

− pois deveriam! - Matew falou irritado e olhou para a sua janela que

dava para a rua movimentada da frente do prédio.

− Posso... perguntar por que quer tanto ter um filho senhor? - perguntou

Mark

− Porque não tenho herdeiro nenhum para deixar todo o meu dinheiro e

império, porque sempre quis uma família e filhos fazem parte disso – falou Matew

exasperado com a situação.

− Entendo... não conhece ninguém disposta a ser sua barriga de

aluguel? - perguntou Mark

− Não... passei anos dentro desta empresa, apenas focando em

construir tudo isso, mal saio ou sequer tenho amigos... - disse ele e pensou que

muito disso também era culpa de Madson, visto que no começo do casamento, ela

não o deixava sair ou fazer qualquer coisa, além de ficar em casa com ela.

− Vou vou o que mais posso fazer, se existe alguma clínica fora do país

que faça isso, que tenha pessoas disponíveis, qualquer resposta que eu tiver, venho

aqui avisar

− Claro, obrigado Mark – disse Matew e apertou a mão do seu

advogado, que se retirou, deixando-o com seus pensamentos fervilhando.

O dia passou num piscar de olhos. No fim do dia ele resolveu ir até o bar, onde

sempre tomava drinks com seus investidores e colegas do trabalho. E muitas vezes

sozinho, desde que Madson tinha ficado em coma.

O lugar estava cheio como sempre, ele escolheu uma mesa pequena e redonda

com vista para a rua, a noite estava bonita e o céu estava bem estrelado. Matew

sentou-se na banqueta alta e esperou. Logo foi atendido pela garçonete de sempre.

− Boa noite, o que vai ser hoje senhor Donavan? - perguntou Nicole

− Boa noite, whisky duplo, puro e sem gelo Nicole! - disse ele

Ela o encarou por alguns segundos, guardou seu pequeno tablet no bolso da frente

do avental e perguntou:

− - O que aconteceu? posso ajudar com algo? - Nicole viu que ele não

estava bem e como Matew sempre era gentil com ela, decidiu ao menos perguntar

− Infelizmente não pode - ele falou e riu

− Bom, se quiser pode desabafar comigo! - ela falou e ele chegou a

pensar em contar tudo a ela, mas achou melhor não

− Obrigado Nicole, mas por enquanto quero apenas o whisky!

− o senhor que manda, já trago o seu whisky! - ela disse e se

encaminhou para as bebidas.

Matew ficou ali algumas horas, pensando e pensando, enquanto bebia, ele

precisava de uma saída, mas qual? Ele não conhecia ninguém, não poderia pedir

simplesmente a uma estranha passando na rua, para dar a luz a um filho seu.

Já era bem tarde e o bar estava fechando, notou Matew.

− Senhor Donavan, estamos fechando. O senhor gostaria de algo mais?

perguntou Nicole, ela já estava com suas roupas casuais, jeans e camiseta branca.

− é... não! estou indo! boa noite! - ele disse ficando de pé, Nicole sorriu

para ele e Matew deixou o dinheiro em cima da mesa, com uma gorjeta bem

generosa para ela.

Ele foi para casa, com seu motorista dirigindo o carro e assim que chegou, foi ver

sua esposa, no quarto dela, na pequena UTI que tinha sido montada ali.

Matew sempre fazia isso, passava no quarto dela e conversava um pouco, sobre

como tinha sido seu dia, se tinha feito contratos novos, qualquer coisa de diferente,

ele sempre contava a ela. Matew se sentou na cadeira ao lado da cama de Madson

e disse:

− Como você está hoje? Espero que bem e sem dores, pelo menos é o

que seu médico sempre diz. O dia foi bem tranquilo no escritório, entediante na

verdade. Passei no bar ali perto e bebi um pouco, espero que não se importe – ele

disse tocando a mão dela, Madson estava com uma roupa fina em tom de azul, com

um lençol a cobrindo, na cor branca

Ele continuou:

− Eu ando pensando muito em ter filhos Madson, estou na verdade

desesperado, fiz trinta anos esses dias, você sabe bem o quanto eu quero uma

família. Por isso, peço que se ainda está aí, se está me ouvindo, tente voltar, vamos

construir uma família, deixar nosso legado para alguém! Construímos um império,

não podemos deixar nas mãos de desconhecidos... - Matew falou e ainda segurava

a mão dela, ele queria nem que fosse um movimento dela demonstrando que o

ouvia, que ainda estava ali, mas nada aconteceu...

− Boa noite Madson, nos vemos amanhã, durma bem! - ele disse e saiu

dali, ainda mais triste do que tinha entrado.

Ele passou a noite toda se revirando, tentando achar uma solução, mas nada lhe

vinha a mente, quando o sol começou a entrar nas frestas da sua janela, ele

levantou e foi fazer sua rotina matinal, banho, exercícios, banho de novo e depois foi falar novamente com Madson, antes de ir trabalhar.

Enquanto falava com ela, desta vez, ele teve a impressão de que ela o ouvia, achou até que ela tinha se movido e feito uma expressão com seu rosto.

capítulo 2

Capítulo 2

Nicole chegou em casa, depois de um dia cansativo de trabalho, ainda lembrando

aquele seu cliente que sempre ia lá beber com seus colegas de trabalho e as vezes

sozinho.

Ela não viu seu pai na sala nem na cozinha, então decidiu ir até o escritório dele.

Ela bateu e entrou, seu pai Carlos estava sentado em sua cadeira, de frente para a

mesa cheia de papéis e dois notebooks ligados.

− Oi pai – ela falou fechando a porta e caminhando até ele

− Oi filha – ele disse erguendo seu olhar para ela

Nicole fez a volta em sua mesa e deu um beijo no rosto do pai.

− Já está tarde! Por que não vai descansar? Está aí desde que eu

acordei, já fiz várias coisas e você no mesmo lugar! Precisa dormir papai! - Nicole

disse e tocou o ombro dele

− Não posso filha... minha empresa está indo para o buraco! Estou

prestes a declarar falência - ele disse e esfregou suas mãos em seus olhos

− Há algo que eu possa fazer? - perguntou ela triste de ver a situação de

seu pai, ele provavelmente tinha feito maus investimentos novamente, mas dessa

vez parecia mais sério do que nunca.

− Se poder me arranjar dois milhões de dólares! - ele falou e riu de

nervoso

− Sinto muito pai... - falou ela se lembrando que também tinha suas

dívidas com a faculdade de pedagogia que ela estava cursando

− Vá descansar querida! Logo eu vou, prometo!

− Vou... boa noite – falou Nicole e deu mais um beijo nele, depois se

encaminhou para porta, antes de sair ouviu ele suspirar pesadamente.

Ela foi para o seu quarto, já eram quase duas da manhã, Nicole tomou banho e

colocou seu pijama. Era mesmo tão grave assim a situação do pai a ponto de ter

que declara falência na sua empresa têxtil? Se perguntou Nicole, virando de um

lado para o outro na cama.

Ela levantou quase seis da manhã e foi até o escritório, como imaginou, seu pai

ainda estava ali, porém dormindo. Nicole tirou algumas folhas de baixo do rosto dele

e fechou as cortinas do escritório e saiu de fininho, achou melhor não o acordar,

pelo menos ele estava dormindo, afinal faziam dias que ela o via naquele escritório

trabalhando sem parar, no meio daquela papelada.

Ela tomou seu café e colocou suas roupas de sempre, jeans e camiseta preta com

um tênis branco simples e foi para a faculdade. Nicole estava com muito sono,

devido ao seu turno que foi até mais tarde ontem.

No meio da manhã, na hora do intervalo das aulas, ela foi chamada até a sala do

reitor para conversar.

− Bom dia Nicole, como vai? - perguntou ele e apontou a cadeira a sua

frente.

− Bom dia senhor Twelv! Bem... - falou ela nervosa, já imaginando do

que se tratava a conversa

− O assunto é um pouco chato, mas é necessário. Faz um tempo que as

suas mensalidades da faculdade estão atrasadas, os juros estão correndo querida,

precisamos que pague pelo menos algumas, o conselho está me pressionando, não

sei até quando poderei enrolar ele – falou o reitor que era sempre muito gentil e

compreensivo com ela, ele já era um senhor

− Eu sei senhor, sinto muito, vou ver hoje o que consigo fazer... mas

meu pai não está mais pagando a minha faculdade, estou trabalhando num bar para

poder pagar, mas mal dá para a parcela do mês - disse Nicole, quase chorando

− Vou ver o que posso fazer, vou pedir mais um ou dois meses ao

conselho e você veja o que consegue querida, não poderei segurar sua vaga por

muito mais tempo, sem os pagamentos

− Claro senhor, vou ver o que posso fazer, obrigada pela ajuda! - disse

Nicole e ficou de pé, se despedindo do reitor

Ela saiu dali e foi até o banheiro correndo chorar, Nicole sentou na tampa do vaso e

apoiou os cotovelos nas pernas e caiu em lágrimas. Era o seu sonho ser professora,

era seu sonho fazer aquela faculdade, mas ela estava começando a achar que teria

que largar seus sonhos e ficar naquele bar para o resto da vida como garçonete.

Será que havia uma solução? Tinha que haver pensou ela.

O resto das aulas da manhã passaram lentamente. Quando acabou o turno, ela

pegou suas coisas e voltou para casa, quando desceu do ônibus e foi caminhando

até sua casa, da esquina se viam as viaturas.

Ela correu e foi até lá, disse que morava ali e a deixaram passar, assim que entrou,

encontrou seu pai em pé do lado de fora do escritório.

− O que houve papai? - ela perguntou e ele se virou e viu sua filha aflita

com a mochila em uma de suas mãos, quase arrastando no chão.

− Estão levando tudo filha... meus documentos e nossos bens, foram

confiscados até eu pagar a dívida da empresa – Seu pai disse em tom triste e

cabisbaixo

− Eles não podem fazer isso! - ela falou e jogou a mochila no chão,

depois o abraçou

− Eles podem filha...

**

Depois de duas horas depenando a casa deles, levando quase tudo os policias e a

receita federal foram embora, deixam poucas coisas sem valor, sua casa de dois

pisos, fazia até eco quando caminhavam.

− Não sabia que a situação estava nesse nível - falou Nicole sentando

ao lado do pai no último degrau da escada que dava para a sala

− Eu não quis preocupar você filha, fazem meses que estou com esses

problemas, eu apenas dizia a você que eram investimentos ruins, mas a verdade é

que foi apenas um e o rombo que causou na empresa e na minha conta pessoal, foi

estrondoso... posso até ser preso, caso não pague!

− Ah papai! - ela falou e escorou sua cabeça no ombro dele e chorou,

ouviu seu pai chorar também, coisa que Nicole nunca tinha visto antes.

**

Ela chegou no meio da tarde em seu trabalho e já foi encaminhada direto para a

sala do gerente.

− Por que chegou esta hora Nicole, o bar está cheio e precisávamos de

você aqui no horário! - falou o homem

− Sinto muito, tive problemas em casa – falou ela

− Problemas em casa? Todos temos! Na próxima ta na rua! Agora vai

pro salão e trabalhe, vai ficar até tarde! - disse ele, e ela lembrou que ontem ficou

até mais tarde também e nem tinha se atrasado.

**

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capítulo 3

Capítulo 3

Como andava fazendo todos os dias, Matew foi até o bar perto da sua empresa e

tomou vários drinks.

− Mais um senhor Donavan? - perguntou Nicole

− Sim, por favor – falou ele olhando a rua, na sua mesa de sempre

Um minuto depois, Nicole voltou com a bebida dele. Matew estava mais melancólico

do que nunca. Ele queria muito um filho, seu herdeiro... mas seu advogado não

achava uma solução e ele não conhecia ninguém que pudesse ajudar.

− Tudo bem senhor? Parece triste? - perguntou ela.

As garçonetes eram instruídas a perguntar aos clientes como tinha sido o dia, se

estavam bem, se queriam desabafar, isso fazia com que voltassem mais vezes,

falou certa vez o gerente da casa, para ela.

− E realmente estou – disse ele olhando nos olhos dela

− Posso ajudar em algo?

− preciso de um filho, pode me ajudar com isso? - ele falou e riu

− Ah... bom, isso não posso ajudar, mas se quiser pode desabafar

comigo! - ela falou e ele chegou a pensar em contar tudo a ela, mas achou melhor

não

− Obrigado Nicole, mas por enquanto quero apenas mais um whisky! -

ele falou e deu um último gole naquele que estava em sua mão.

− - o senhor que manda, já trago! - ela disse e se encaminhou para as

bebidas.

Matew ficou ali algumas horas pensando, enquanto bebia e olhava a rua. Já era

bem tarde e o bar estava fechando.

− Senhor Donavan, estamos fechando. Posso ajudar com algo mais? -

perguntou Nicole

− é... não! estou indo! boa noite! - ele disse ficando de pé, Nicole sorriu

e deu boa noite. Matew como sempre, deixou o dinheiro em cima da mesa junto a

gorjeta e se virou para sair, porém parou e voltou a olhar para ela.

− Tudo... bem senhor Donavan? - perguntou ela confusa e o encarando,

quando viu um olhar estranho em seu rosto

− -Aquele desabafo ainda está disponível? - perguntou Matew

segurando seu paletó grafite no braço esquerdo

− Ela ficou em silêncio por alguns segundos, depois acenou com a

cabeça. Ela não sabia porque, mas aceitou, estava cheia de problemas, mas viu o

quanto ele estava triste e nervoso.

− Caminha comigo? - ele perguntou

Ela ficou bastante desconfiada, mas aceitou ir. Eles saíram para a rua e

caminharam, mas logo na primeira quadra, seu motorista apareceu.

− Posso levar você em casa e no caminho conto tudo a você? - pediu

ele

− Não sei, acho melhor não... - falou ela

− Sei que é estranho, mas gostaria de fazer uma proposta a você!

− Proposta de que?

− De emprego, pago muito bem!... - falou ele e não estava mentindo de

um todo... seria um emprego, teria contrato e tudo, por um segundo ele se achou

um maluco, por pensar em oferecer isso a uma estranha.

Mesmo receosa, Nicole aceitou a carona, ela precisava de qualquer dinheiro que

entrasse, ouvir a proposta não a mataria, pensou ela. Ele não parecia um homem

mau, na verdade era muito bonito e educado, ela decidiu arriscar. Entrou no carro

com ele e deu seu endereço.

No caminho ele contou a ela, que precisava ter um filho, que não tinha parentes

próximos e que queria que alguém que tivesse seu sangue herdasse sua empresa,

sua fortuna e seu legado.

− O carro parou em frente à casa dela e Nicole perguntou:

− Desculpe senhor Donavan, mas onde eu me encaixo nisto? você disse

que tinha uma proposta de emprego para mim!

Matew respirou fundo e tomou coragem, precisava tentar, o máximo que receberia

era um não, ou um tapa na cara, pensou ele.

− Nicole, antes de qualquer coisa, preciso que esteja com a mente

aberta - ele disse e ela acenou com a cabeça, então ele continuou - como já disse a

você preciso de um filho, eu pagarei muito bem, darei todo o suporte que você

precisar

− Do que está falando? - interrompeu ela - quer transar comigo para

termos um filho? - ela perguntou confusa e sua voz se alterou um pouco

− Não! nada físico! Você seria minha barriga de aluguel. Implantaríamos

um embrião em você! Faríamos um contrato, eu pagaria muito dinheiro por isso e ao

final da gravidez e do pós parto, você segue sua vida! E eu a minha com o bebê -

ele disse olhando em seus olhos, Nicole estava confusa e bastante surpresa com a

proposta dele.

− eu, eu, eu... não sei o que dizer...

− - Pense na minha proposta! Pode pedir algum valor, eu posso

oferecer... mas confesso que estou desesperado, tenho trinta anos, nenhuma

expectativa de ter filhos da maneira convencional... por favor, pense com carinho! -

pediu ele

Nicole acenou com a cabeça e disse:

− Me dê alguns dias...

− tome, este é meu cartão, pode ir até meu escritório quando quiser! Se

decidir aceitar, estarei esperando você! - falou ele

Nicole saiu dali nervosa e assustada.

Como poderia dar à luz a um filho e depois o deixar.... mas ao mesmo tempo, ela

lembrou que ele disse que pagaria bem, que ela poderia pedir um valor... Nicole

precisava de dinheiro para a sua faculdade, poderia ajudar seu pai a não ser preso

e quem sabe, até mesmo ficar com um dinheiro para comprar alguns móveis para

sua casa, que agora estava vazia e para se manterem por algum tempo até as

coisas se ajeitarem novamente...

Ela contou tudo ao seu pai quando chegou, ele ficou tão nervoso quanto ela e disse

que a decisão era sua. Mas que se caso aceitasse, deveria contratar um advogado

para a auxiliar. Mas a verdade era que ele queria muito que sua filha aceitasse, isso

os deixaria numa melhor situação.

Nicole foi dormir agoniada com tudo que estava acontecendo e tão rápido. Por um

lado, não queria aceitar... mas por outro, precisavam do dinheiro ou suas vidas iriam

para o ralo. Ela queria uma solução e aí estava a solução, mas aceitar isso, seria

difícil para Nicole.

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