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O Orfanato Sombrio

Capítulo 1: "Um novo lar"

Essa história se inicia quando Mick foi levado a um orfanato um pouco diferente dos outros dos que já tinha fugido, era afastado das cidades, ficava em um lugar remoto no meio de uma floresta sinistra. Provavelmente fora criado para conter crianças problemáticas iguais ao Mick, e ele percebeu isso.

Mas em sua mente era só mais um orfanato que iria fugir, só iria ser um pouco mais difícil do que os outros, por causa da grande distância das cidades. Mick era muito esperto e inteligente, durante todo o caminho veio memorizando alguns pontos principais para não se perder quando conseguisse fugir. Dentro do ônibus também vinham outras crianças, contando com Mick, ao todo tinha 10 órfãos com ele, 5 meninos e 5 meninas, todos pareciam estar com medo.

Por tanta coisa já vivida, apesar de ter apenas 12 anos, Mick não temia mais nada, sempre confiante, ria das outras crianças. Todos estavam sentados separados, cada um em cadeiras intercaladas, para que não tivessem nenhum contato uma com a outra. Mick achou isso muito estranho, sempre que o capturavam de alguma de suas fugas, ele era colocado junto das outras crianças.

E não era só isso que era estranho, além do motorista, havia mais quatro homens com eles, dois na parte da frente do ônibus e os outros dois mais atrás, observando tudo o que eles faziam. Mick imaginou que toda aquela segurança era apenas proteção, já que provavelmente eram todas crianças problemáticas iguais a ele. Então Mick memorizou o rosto de todas as crianças que ali estavam, caso precisasse de ajuda, aquelas seriam as melhores opções, visto que estavam sendo levadas junto com ele, talvez também seriam inteligentes, ou só poderiam ser usadas em seus planos.

Uma das crianças o chamou a atenção, era uma moreninha com cabelo Black Power, que não olhava muito para os lados e sempre com a face fechada, com cara de poucos amigos, com certeza planejava algo, e ali Mick viu uma grande oportunidade de se aproximar e tentar fugir junto ou sozinho mesmo, sempre foi assim para ele mesmo, desde que nasceu nunca teve uma família de verdade, o mais próximo que teve de uma família foi seu pai adotivo, que o deixou novamente no orfanato para poder ir lutar na guerra.

Mick foi abandonado por sua ainda recém nascido, sua mãe não tinha condições de criá-lo sozinha, por isso o deixou em um lar para crianças, imaginando que ali seria melhor para seu filho. Mick não conheceu sua mãe, ela nunca o foi visitar, nem quando era um bebê, por isso ele não se importava com ela e nem ao menos queria saber de sua existência.

Para Mick sua única família era o o seu pai que o adotou, que nunca deixou faltar nada para ele e fazia de tudo pelo Mick, até mesmo ir lutar em uma guerra que não era sua. Walter, esse era o nome de seu pai, era um homem forte, barbudo, robusto e que amava muito ele. Os dois se conheceram por acaso, em uma das fugas de Mick de um dos orfanatos.

Depois que Mick fugiu de um dos seus últimos lares, um orfanato muito grande e conhecido na sua cidade, ele tentou se esconder na garagem de Walter, e seus professores e até a polícia o procuravam, mas sem sucesso. Mick conseguiu se esconder por 3 dias na casa de Walter, mas por estar pegando as comidas escondido na geladeira, enquanto Walter ia para o trabalho, ele começou a desconfiar da sua comida sumir diariamente.

- Que coisa estranha, tenho certeza que tinha deixado algumas frutas e queijo aqui ontem. - Disse Walter ao abrir a geladeira depois de chegar do trabalho.

Walter mal desconfiava que tinha um inquilino escondido na sua garagem, que toda vez que ia pegar seu carro, se escondia detrás das caixas e o esperava sair e ia atacar a senhora sua geladeira e também a sua dispensa. Mas no terceiro dia em que Mick estava escondido em sua casa, a polícia estava fazendo rondas e perguntas pela lá redondezas do seu bairro. Era um domingo, e Walter estava de folga, quando de repente ouviu batidas na porta.

Quando Walter abriu, era a polícia, queria dar uma vasculhada na casa e fazer algumas perguntas.

- Olá, bom dia. Gostaríamos de conversar um pouco com o senhor.

- Pois não, fiquem a vontade. - Falou Walter enquanto mandava os guardas entrarem.

- Desculpa atrapalhar o senhor, mas estamos procurando um garotinho que fugiu do orfanato, as últimas notícias que tivemos sobre ele foi nesse bairro. E provavelmente ele está ainda escondido pela região.

- Nossa, que estranho.

- Por que estranho? - Perguntou o guarda curioso.

- Por que uma pessoa fugir de um lugar onde tem de tudo e não precisa trabalhar é muito estranho. Não querem me levar no lugar dessa criança? - Perguntou Walter com um sorriso no rosto.

Os policiais sorriram e pediram permissão para olharem pela casa. Walter deu a permissão e foi com eles para mostrar tudo. Mick já sabia de presença da polícia na casa, o dia todo ele ficava sentado em cima de um armário velho perto de uma pequena janelinha que dava para ver a movimentação em frente da casa de Walter, e assim podia ver quase que toda a rua.

- Sem saber de nada, Walter mostrava toda a casa aos policiais, que não achavam nada de errado. Mick estava muito nervoso, não queria voltar de forma alguma, para o que ele era uma verdadeira tortura. O único problema, era que não dava para ver os lados e atrás da casa, por isso ele não sabia se tinha policiais em todos os lugares, então não podia arriscar correr e dar de cara com os agentes.

O plano de Mick era se esconder por ali mesmo, na casa, mas onde? A polícia já havia averiguado toda a casa, inclusive no porão e no sótão. Estavam indo olhar a garagem, o tempo se esgotava para Mick, ele se recusava a perder para pessoas que ele julgava ser inferior a ele em inteligência, mesmo que fosse muitas delas.

Ele então bolou um plano, sair pela porta e correr pelo lado da casa e ir se esconder no muro do vizinho sem que ninguém o vissem. Como já era de se esperar, Mick já havia decorado todas as chaves de cada porta da casa, ele fez isso durante as noites em que esteve lá, ele pensava em todas as opções de fuga, encontrar a chave não iria ser difícil.

Mas não iria ser tão fácil como ele imaginou, quando estava abrindo a porta, apareceu um policial com um cão farejador.

- Ótimo, melhorou mais ainda agora. - Disse Mick fechando novamente a porta.

Mick estava ficando sem tempo e sem idéias, caso ele se escondesse nas caixas, iriam achá-lo facilmente, pensou em se esconder no carro, era a melhor opção, mas o cachorro iria o achar. Mas não havia outro lugar, tinha que ser no carro e agora.

Quando Mick ia se aproximando da porta para pegar as chaves, o cachorro latiu e ele se assustou. Voltando correndo ele baixou e ia entrando debaixo do carro, não era de longe o melhor lugar para se esconder, mas era o único possível. Ao latir, o cachorro chamou a atenção dos policiais que estavam dentro da casa, que correram e foram até a porta de saída, pensavam que haviam encontrado o garoto fujão.

Isso deu um pouco mais de tempo ao Mick, que quando olhou para cima viu a pequena janela, não dava para ele passar por ela, a não ser que ele arrancasse ela. E sem pensar duas vezes pegou uma chave de fenda grande que Walter tinha e arrancou a janela fora. Foi uma grande sorte a janela estar quase solta, Walter fazia dias que prometia ajeitar e nunca tinha tempo. Para Mick foi de grande ajuda ainda não ter sido concertada.

Mick não poderia arriscar sua fulga ajeitando novamente a janela e a deixou solta em cima do armário. Mick saltou e correu pulando o muro do vizinho, deixando o cachorro latindo desesperado no pé do portão da garagem. Os policiais correram para a garagem, suspeitaram que Mick estava ali. Vasculharam toda ela, por dentro e por por fora, e também dentro do carro e não encontraram mais nada.

- Droga, ele estava aqui e nós o perdemos por pouco. - Falou furioso o chefe da operação policial.

Mas o cachorro cheirava tudo, dando o sinal de que o menino realmente esteve ali. Tentaram localizar Mick mais uma vez, levando o cachorro para fora, e o cachorro farejou novamente o rastro do menino. Os policiais avisaram os outros e pediram para cercarem a casa do vizinho de Walter, a possibilidade do garoto ainda está lá era grande.

Os policiais cercaram a casa e entraram mesmo sem a permissão dos moradores. Todos estavam indo atrás do cachorro que tentava correr para onde o seu faro o levava, mas era impedido pelo policial que o segurava pela coleira. O cão então farejou até a piscina, depois sentiu um cheiro mais forte vindo da casinha do cachorro, ele parou, farejou novamente, sentou e latiu olhando para o policial, avisando que o que ele sentiu estava lá dentro.

A casinha do cachorro era um pouco grande, pois o vizinho criava um São Bernardo, mas no momento o seu dono estava passeando com ele e não tinha ninguém naquela casa no momento. O policial se abaixou e olhou dentro da casinha, mas não pôde ver o que dentro, pois Mick havia colocado vários brinquedos na entrada, impedido a visão. Mas os policiais já sabiam que ele estava lá dentro, o delegado então falou:

- Vamos rapaz, já está na hora de voltar. Você nos deu um trabalhão. - Falou o policial e deu uma gargalhada.

Mas não obteve nenhuma resposta. Então falou novamente:

- Pode sair, ninguém vai lhe fazer nenhum mal, sei que está cansado e com medo, mas não precisa se preocupar, ninguém vai te fazer mal, lhe garanto isso.

E mais uma vez nenhuma resposta por parte do garoto. O delegado então pediu para um dos policiais tirar os brinquedos da frente e pegar o menino. O policial retirou tudo que estava na porta da casinha e puderam ver o que havia lá dentro. E para surpresa de todos, não tinha ninguém naquele lugar, apenas a camisa de Mick estava lá, ele a usou para despistar o cachorro e fugir para o outro lado.

O menino era muito esperto, conseguiu despistar um monte de adultos e um cão farejador, todos treinados. O delegado sorriu e disse:

- Mas que menino levado. Quando o achar, vou pedir para quando crescer faça parte da polícia.

Já não podiam mais o achar, o menino com certeza estaria longe dali, iriam perguntar se alguém o tinha visto fugindo, mas por tamanha esperteza duvidavam muito que conseguiram o ver. Walter foi para a sua casa pensando em como alguém tão jovem conseguiu enganar ele e muitos outros. Mas naquele momento descobriu quem era o culpado de pegar as coisas em sua geladeira. E existia uma coisa o incomodando, por que ele não conseguiu dizer aos policiais que alguém estava roubando sua geladeira.

Ele sabia o porque. Walter era um homem forte e rigoroso, mas se alguém precisasse de ajuda, ele não negaria, ainda mais se essa pessoa estivesse com fome. A comida poderia comprar novamente, aquilo não o faria falta. Mick após despistar a polícia, saiu de dentro do seu esconderijo, que foi dentro da caixa d'água do vizinho do outro lado. Ninguém imaginaria que ele estaria escondido ali.

Mick esperou escurecer e todos irem dormir, e então desceu. Estava com fome e com sono, não poderia ficar à noite toda dentro da água. Ele foi para a casa de Walter, lá era mais fácil, pois conhecia tudo por dentro e por fora, e também porque ele antes de fugir havia pego a chave reserva.

Ao entrar, Mick se certificou de não fazer barulho, pois agora o dono da casa estaria muito mais alerta. Olhou tudo na garagem e viu que não tinha ninguém lá, o proprietário já estaria dormindo, tinha que acordar cedo para trabalhar. Mick iria passar só mais uma noite ali, pela manhã iria fugir para outra cidade.

Quando Mick estava passando em frente do carro, as faróis foram ligados, o susto do garoto foi enorme. Todo o seu corpo paralisou, não conseguiu se mover, e por instante, por causa das luzes fortes, não conseguiu enxergar nada. Mesmo sem estar vendo direito, fez menção de correr até a porta e tentar fugir, mas ouviu alguém o perguntar:

- Por que está fugindo?

Mick não respondeu, apenas ficou tentando enxergar quem era. E aquela pessoa o perguntou novamente:

- O que está fazendo aqui?

Mick então decidiu responder.

- Não é da sua conta.

- Agora é sim, pois você está na minha casa e roubou minha comida.

Capítulo 2: Uma verdadeira amizade

O estranho tinha razão, não tinha nem como tentar suborná-lo, ele não iria acreditar que um garoto de 12 anos que fugiu de um orfanato teria algum dinheiro. Mick estava decidido a não voltar para o orfanato e começou a chorar. E pediu ao homem:

- Me desculpe por roubar sua comida e ficar escondido em sua casa sem sua permissão, mas eu não queria mais voltar para aquele lugar e não vai ser você que irá me levar. - Disse Mike com as lágrimas escorrendo pelo seu rosto.

Walter desligou os faróis do carro e devagar foi saindo de dentro, apertou o botão do interruptor da luz, depois começou a conversar com o garoto fujão.

- Não me importa se você pegou comida da minha geladeira ou se estava dormindo aqui escondido, o problema é que você fugiu do seu lar sem dizer a ninguém, correndo perigo de sofrer algum mal, e também por me fazer correr o risco de ser preso sem ao saber de nada.

- Me desculpe senhor, eu não sabia que isso poderia acontecer.

- Mas qual o motivo de não querer voltar para o orfanato?

- Não quero falar sobre isso. O senhor vai me pôr para fora ou vai me entregar?

- Hoje nenhum dos dois, entre, coma alguma coisa e amanhã conversamos.

O garoto não acreditou no que ouviu, aquele homem não iria entregá-lo? Mesmo que o colocando em risco de ser preso? Mick começou a desconfiar daquele homem, não existia ninguém que fizesse algo daquele tipo por alguém, ainda mais para um desconhecido. Walter mandou que Mick entrasse e se sentasse no sofá, que iria esquentar um pedaço de pizza, a qual havia sobrado de seu jantar.

Não dava para aguentar, sua fome era muito maior que sua desconfiança, e ainda mais por ser uma pizza, sua comida favorita. Mike só tinha comido isso uma única vez, quando foi para uma excursão com alguns de seus colegas em zoológico da cidade, e quando experimentou aquela comida pela primeira vez, logo se apaixonou por ela. Mas como não tinha condições, foi a primeira e última até aquele momento.

O homem ainda o deu um copo grande cheio de refrigerante, foi a melhor refeição que Mike já tinha comido em toda a sua vida. Comeu tudo, as vezes queria sorrir e outras chorar, por tamanha felicidade, mas se conteve, não queria demonstrar fraqueza na frente do estranho. Depois que comeu, Walter não o perguntou nada, sabia que aquele menino estava cansado e assustado, não iria deixá-lo ainda mais nervoso, então as perguntas iriam ser feitas no outro dia.

Walter trouxe um cobertor e um travesseiro e colocou no sofá e falou:

- Hoje se quiser pode dormir aí, não é muito confiável, mas dá para dormir.

- Não é confortável? É o melhor lugar que já dormi. - Respondeu Mick tentando conter sua alegria.

O homem quase que desaba ali mesmo, teve que conter também suas lágrimas na frente do garoto, sentiu que aquela criança que estava na sua frente já havia sofrido muito, ficou ainda mais curioso para saber o que estava ou já havia acontecido. Antes de sair Walter ainda falou:

- Hoje você pode dormir tranquilo, está seguro aqui.

Nem precisa dizer que foi à noite mais bem dormida que ele teve. Pela manhã Walter fez o café da manhã, comeu e deixou para o Mike em cima da mesa. E escreveu um recado: " "Tome banho quando acordar e escove os dentes, deixei uma escova limpa que comprei hoje na pia, pode usar o que quiser, só não estrague nada. Quando eu chegar do trabalho, se ainda estiver aqui, vamos conversar um pouco sobre a sua fulga. Tenha um bom dia".

Literalmente Mike não conseguia decifrar aquele homem, o deixou ficar em sua casa, deu comida, comprou algo para ele e tudo isso em troca de nada? Tinha alguma coisa errada para Mick. Ele não queria falar nada, já tinha passado tempo demais naquele lugar, era hora de ir embora.

Quando já estava próximo de sair Mike também escreveu um bilhete: "Obrigado por tudo, senhor, foi muito bom ter jantando e dormido em seu lar. Peço desculpas por todos os problemas que causei e também por pegar algumas frutas e biscoitos de sua geladeira, se eu tivesse dinheiro o deixaria para o senhor."

Então Mike partiu novamente. Ao chegar em casa pela noite, o sol já estava se escondendo por detrás das outras casas, Walter procurou pelo menino e não o achou. No momento em que entrou na cozinha para preparar se jantar, percebeu o pequeno bilhete que Mike havia deixado, enquanto lia suas lágrimas escorriam pelo rosto.

Aquele pobre menino novamente estava sozinho por aí, fugindo de algo pior do que ficar nas ruas com fome e frio. Walter sentiu um forte aperto no peito e decidiu o procurar, se levantou rápido da cadeira, pegou as chaves do carro e correu para a garagem. Ao chegar perto do carro viu o menino sentado no banco do passageiro e ele falou:

- Vamos para onde? - Perguntou Mike.

Walter chorou e abraçou o menino, parecia que era seu filho. Claro que Mick achou isso muito estranho, mas não fez nada, deixou que o homem se acalmasse. Então Walter falou:

- Você começa a falar, depois eu falo.

- Tudo bem - Respondeu Mike.

Após o jantar Mike começou a falar.

- Meu nome é Mike, morava no orfanato da igreja, mas tive que fugir, pois não aguentava mais morar lá. Todo dia me maltratavam por eu não ter pai e nem mãe, eu e meus dois amigos eram os únicos que realmente não tínhamos pais, eles ainda foram adotados por pessoas boas, mas como eu tinha fama de brigão, ninguém quis me adotar. Os outros meninos são filhos de papaizinhos que pagam para ficarem estudando lá. Muitos me maltratavam e eu sempre quem era castigado, não sei porque me querem de volta, acho que é porque ninguém gosta de lavar os banheiros e me mandavam fazer isso". Acho que é isso, senhor.

- Entendi, agora tudo faz sentido. Eu me chamo Walter, trabalho na fábrica autopeças, é um trabalho desgastante, mas ajuda a me sustentar. O motivo de eu ter te abraçado e chorado quando te vi, foi porque você me lembra muito o meu filho, que faleceu há alguns anos de câncer, na época ele tinha mais ou menos a sua idade.

- Faz sentido. Mesmo o senhor fazendo isso tudo por mim, não vou voltar para lá, e se me levar vou fugir de novo quantas vezes for preciso - Falou Mike.

- E para onde pretende ir? - Perguntou Walter.

- Não sei, mas para qualquer outro lugar, menos ali.

Walter naquele momento sentiu na obrigação de salvar aquele garoto, se ele não sofresse no orfanato, iria sofrer nas ruas, podendo até ser morto. Então Walter falou:

- Amanhã vou assinar os papéis de sua adoção.

Mike mal podia conter sua alegria, ficou anestesiado, sem saber o que dizer e o que fazer, não conseguiu controlar suas lágrimas e chorou abraçando o que seria seu novo pai. Ele nunca tinha recebido afeto ou carinho, apenas a amizade de dois colegas seu, aquilo era muito estranho para ele. E ali começou uma grande amizade.

Capítulo 3: O sonho acaba

Mike não acredita no que estava acontecendo em sua vida, em um dia fugia da polícia e de quem o tratava mal e no outro encontrará um estranho com um bom coração que ia lhe adotar. Foi difícil dormir está noite, ele não sabia o que era maior, se a ansiedade ou a sua felicidade. Mas conseguiu dormir. Quando amanheceu, Walter o acordou, ligou para o trabalho pedindo um dia de folga para resolver uns problemas e depois acordou Mike.

Tomaram café e foram no carro de Walter até o orfanato fazer o pedido de adoção. Mike estava feliz, para ele aquilo era o melhor jeito de se vingar, ser adotado por alguém bom e sair daquele lugar terrível. Cada vez que se aproximava, mais ele ficava nervoso. Como Mike pensava em todas as possibilidades antes mesmas delas acontecerem, veio algo em sua mente que o fez duvidar de Walter e perguntou:

- Você não está tentando me enganar com a conversa de adoção apenas para poder me levar de volta ao orfanato não, né!?

Walter sorriu e respondeu:

- Claro que não garoto. Tu achas mesmo que eu iria faltar no trabalho e vir até aqui apenas para te enganar?

- Não sei, vai saber.

- Deixa de pensar bobagem. - Disse Walter.

Eles chegaram no orfanato e o coração de Mike quase saia pela boca, mas seu sofrimento iria acabar. Entraram, estacionaram o carro e foram até lá dentro. Walter podia sentir o nervosismo do menino, pegou e segurou sua mão, o que fez Mike se acalmar um pouco mais.

Como Mike já conhecia tudo ali, Walter o pediu para levá-lo até o escritório da pessoa que tomava de conta daquele lugar e assim ele fez. Quando chegaram, bateram na porta e quem estava lá dentro o mandou que entrassem. Quando entraram, o diretor teve uma grande surpresa, era o garoto que mais dava trabalho no seu orfanato.

- Então conseguiram te achar, seu pestinha!? Muito obrigado por trazê-lo de volta, já tinha desistido de procurá-lo.

- Por nada. Eu o trouxe, mas vou levá-lo comigo novamente. - Respondeu Walter.

- Como assim?

- Vim aqui somente com o intuito de adotá-lo.

- Você quer adotar a pior criança desse orfanato? Temos outras crianças maravilhosas aqui, vamos dar uma olhada.

- Não! Eu quero adotar ele. Vocês não sabem o quanto esse menino é inteligente e com um grande coração. Não deviam maltratá-lo por ele não ter pais que paguem para cuidar dele.

- Acho que o senhor está equivocado, nós não maltratamos nenhuma criança aqui. O que ele falou para o senhor é mentira. Esse daí faz de tudo para se dar bem.

- Cale-se! Não tente me enganar com fala manda e cheias de veneno. Só estou aqui para levá-lo para casa. Vá buscar os papéis para assinar.

De ante dessa situação o diretor do orfanato apenas baixou a cabeça e logo foi pegar os papéis da adoção. Walter assinava os papéis e Mike o olhava com admiração, nunca tinha visto ninguém confrontar o diretor do orfanato, e ainda mais por causa dele.

Após Walter assinar os documentos o diretor falou:

- Foi muito bom fazer negócio com o senhor. Agora essa dor de cabeça é sua.

Walter olhou com ódio no olhar para o diretor, que ficou com tanto medo que pensou que ia ser espancado, mas Walter se conteve. O diretor escapou por pouco de levar uma surra. Ao saírem, Mike viu os garotos que sempre implicavam com ele e sorriu. Walter percebendo, pegou na mão do Mike e os dois se olharam com um grande amor fraterno.

Os meninos não acreditavam que Mike havia sido adotado, e ficaram com uma mistura de inveja e raiva, mesmo que eles não fossem órfãos. Ninguém sabia quem estava mais feliz, Walter ou Mike. Se existir destino, essa foi literalmente uma obra dele, unir duas pessoas da forma mais estranha dessa forma. Mas assim como o destino os uniu ele os separou.

Se passaram alguns meses, tudo ia perfeito para os dois, Walter trabalhava e quando chegava em casa tudo estava feito, tanto a comida, quanto os afazeres domésticos, Mike era muito inteligente e esforçado. E o menino estuda e só tirava notas excelentes, para retribuir pela comida e tudo que Walter lhe dava, Mike fazia tudo em casa para que, o seu amigo, e agora pai, descansasse ao chegar do trabalho.

Mas algo veio para destruir essa união e mudar totalmente a vida dos dois. Mike acabará de completar 12 anos, estavam pai e filho muito felizes e um dia chegou uma carta para Walter e o conteúdo dessa carta não era uma coisa boa nem para um e muito menos para o outro.

A carta era uma convocação do exército para quê Walter fosse lutar na guerra, o homem não sabia como falar para o Mike que havia sido convocado, escondeu isso por alguns dias, mas uma hora iria ter que contar. Mike não era bobo, percebeu a mudança de comportamento de seu pai, e numa noite em que estavam jantando, o garoto perguntou:

- Qual o problema? Está arrependido de ter me adotado?

- Claro que não, você é meu filho. Nunca mais fale asneiras. - Respondeu Walter.

- Então diga o que é. Percebi que o senhor está estranho faz alguns dias. É alguma garota? Por mim isso não é um problema.

- Quem dera que fosse isso.

- Então o que é? - Insistiu Mike.

- Não se preocupe com nada, vou resolver isso.

- Me diga o que é e vou ajudá-lo.

- Não pode me ajudar, não com relação a isso.

- Pois me diga, eu quero saber o que é.

- Pelo jeito não posso esconder nada de você.

- Não pode mesmo.

- Bom, então vou contar. Há alguns dias chegou uma carta para mim, e foi o exército que enviou, estão me convocando para a guerra que começou contra nosso país vizinho.

- O quê? Porque chamaram você?

- Por causa que já lutei em outras guerras e estão chamando os veteranos.

- O que podemos fazer?

- Eu mandei uma carta pedindo dispensa dessa vez, agora tenho um filho para criar e estou esperando a resposta deles.

- Se eles não aceitarem, podemos fugir, certo?

- Não podemos, caso eu fuja, vou ser considerado um traidor e um desertor, vão me prender pelo resto da minha vida e vou perder a sua guarda, e não quero te perder.

Os dois esperaram a reposta do governo ansiosos, mas a resposta não foi boa, Walter não foi dispensado. Os dois choraram muito abraçados, Mike ainda tentou convencer seu pai a fugir, mas ele não queria isso. Walter então pediu ao governo a indenizar seu filho, caso acontecesse algo de ruim com ele, pelo menos isso o governo aceitou.

Se Walter morresse nessa guerra, o governo iria arcar com todas as despesas de seu filho e ainda o colocaria em uma escola boa, pagando até sua faculdade. Walter deixou pelo menos uma vida melhor para seu filho, caso acontecesse uma fatalidade.

Chegou o tão difícil dia, Mike abraçou seu pai e não o queria lhe soltar, choravam iguais crianças, e um era. A despedida foi difícil, a vida os uniu e os separou da forma mais dramática possível. Mike apenas entrou no carro do exército e o Walter em outro, parecia que os dois sabiam que não se veriam nunca mais.

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