Casada com o CEO Cruel

Casada com o CEO Cruel

Capítulo 1

Meu nome é Daniela Stevens e, aos meus dezoito anos, tornei-me uma especialista na arte da invisibilidade. Tenho a pele pálida, os olhos negros como carvão e uma estatura que jamais se destaca nas fotografias familiares; embora, para ser honesta, faz muito tempo que não apareço em nenhuma.

Sou a filha mais nova dos Stevens. Ou, melhor dizendo, a filha da mulher que meu pai decidiu apagar de sua vida.

Tudo mudou quando completei dez anos. Minha mãe doente não foi apenas uma tragédia pessoal; foi o início do fim do meu mundo. Após dois anos de uma luta feroz contra uma doença que terminou por vencê-la, ela caiu em coma profundo. Os médicos, com seus jalecos brancos e vozes carentes de esperança, disseram que ela não acordaria. Para meu pai, isso foi uma sentença de liberdade.

Sem esperar por um milagre, ele se divorciou de uma mulher que já não podia sustentar-lhe o olhar, graças ao seu dinheiro e influências deixou minha mãe no esquecimento e se refugiou nos braços de Elena Marín.

Elena não chegou sozinha à mansão. Trouxe consigo sua ambição desmedida e um desprezo absoluto por mim. Mas o golpe final não foi sua chegada, mas sim a de Erika, sua filha. Não demorei muito para descobrir a verdade que meu pai havia ocultado por anos: Erika não era apenas a filha de sua nova esposa, era seu próprio sangue. Minha meia-irmã biológica.

Desde que essas duas mulheres cruzaram o umbral da mansão Stevens, minha realidade se fraturou. Erika se tornou o sol ao redor do qual orbitava o orgulho do meu pai, ganhando sua graça com uma facilidade insultante. Enquanto isso, eu fui lançada aos cantos, afastada como um móvel velho e empoeirado que apenas atrapalha na decoração de sua nova e "perfeita" vida familiar.

— Você é tão patética. Olha para você, parece uma indigente.

As palavras de Erika, carregadas de um desprezo asfixiante, ressoaram em cada canto do meu quarto. Me virei para encontrar seu olhar altivo.

— Não estou com humor para suas zombarias. Deixe-me passar ou vou me atrasar para minhas aulas — respondi, com a voz esgotada de tanto suportar seus ataques.

— Como se atreve a falar comigo assim? Você, uma simples... — Erika percorreu meu corpo de cima a baixo com nojo —. Uma decoração de sarjeta — cuspiu com ódio.

— Diga o que quiser — devolvi o golpe, mantendo o olhar —. Mas aqui, a única que não é mais do que uma bastarda é você. Pelo menos eu nasci em um casamento consolidado; algo que você, por mais que se esforce, nunca poderá dizer.

O silêncio que se seguiu foi tenso. Tentei contorná-la para sair do quarto, mas Erika reagiu com uma violência animal. Segurou-me pelos cabelos e me lançou com força para o centro do quarto. Meus joelhos impactaram contra o chão enquanto ela me observava com os olhos injetados em raiva. Então, o som de passos no corredor mudou o jogo.

Sua expressão de fúria se transformou em um sorriso perverso antes de explodir em um choro dilacerante e gritos de auxílio.

Meu pai e sua esposa irromperam no quarto, encontrando sua "filha perfeita" aparentemente arrasada.

— O que está acontecendo aqui? — rugiu Guillermo Stevens, meu pai, fulminando-me com o olhar.

— Papai! Que bom que chegou — soluçou Erika, lançando-se em seus braços —. Daniela me disse que sou uma bastarda... Que minha mãe é uma qualquer que destruiu sua família...

Erika havia distorcido minhas palavras, acrescentando veneno a uma verdade que, embora não tivesse pronunciado por completo, era exatamente o que pensava.

Guillermo a afastou com suavidade e caminhou em minha direção com passos pesados. Sem dizer uma palavra, descarregou sua mão contra minha bochecha. O golpe seco ressoou no quarto. Não era a primeira vez que ocorria; a dor física já nem sequer me surpreendia, mas suas palavras desta vez se cravaram como adagas envenenadas.

— Você não é mais do que um estorvo nesta casa. Deveria ter adoecido junto com sua mãe e morrido ao lado dela — sentenciou com uma frieza desumana —. Já não te suporto mais. Vou procurar uma maneira de me livrar de você. Você é mais inútil do que o lixo, e o que fazemos com o lixo é jogá-lo na rua.

Meus olhos se embaçaram e uma dor lancinante me oprimiu o peito, mas me neguei a dar-lhes o prazer de me ver destruída. Engoli o nó na garganta e apertei os punhos. Ao levantar a vista, vi Erika e Elena; seus olhos brilhavam com um sorriso triunfal.

A elas eu odiava com toda a minha alma, mas ao meu progenitor... a ele eu tinha pena.

Recolhi minhas coisas do chão e saí daquela casa sem olhar para trás. Tinha uma meta: me formar, conseguir um emprego e tirar minha mãe desse hospital. Precisava que sua vida deixasse de depender do dinheiro sujo dos Stevens.

Cheguei à universidade, meu refúgio. Estudava lá graças a uma bolsa que ganhei com meu próprio esforço; ninguém relacionava meu nome com o dos Stevens. Embora compartilhássemos o sobrenome, ninguém imaginava que uma bolsista pudesse ser a filha da família mais poderosa do país. Para o mundo, eu era uma desconhecida; para os Stevens, um segredo que preferiam não mencionar.

Ao cruzar o campus, avistei minha melhor amiga, Victoria, conversando com Alan Villegas. Alan não era apenas o garoto mais atraente da faculdade e herdeiro de uma fortuna considerável, mas também era meu namorado. Tínhamos apenas um mês de namoro, mas sua presença era o único bálsamo em minha vida.

— Dani, finalmente chegou. O que aconteceu com o seu rosto? — perguntou Victoria, fixando seu olhar preocupado no rastro avermelhado que a mão do meu pai havia deixado em minha bochecha.

— Sabe que sou um pouco desastrada — menti, desviando o olhar para Alan para evitar o interrogatório da minha amiga —. Bati em uma porta esta manhã.

Alan se aproximou e, com uma suavidade que me fez estremecer, acariciou meu rosto com o polegar.

— Deve ter mais cuidado, linda — murmurou com voz aveludada —. Não queremos que esse rosto lindo acabe arruinado.

Retribui um sorriso hesitante, agarrando-me à ideia de que suas palavras nasciam de uma preocupação genuína. Pegou minha mão e me guiou para minha sala de aula. Ele continuou seu caminho para a ala dos graus superiores; apesar de sua idade, Alan continuava na universidade, arrastando uma carreira que, por seu status, deveria ter terminado há muito tempo.

Naquele momento, vê-lo se afastar me deu paz, sem saber que o "inferno" que meu pai prometeu já estava começando a ser tecido atrás de mim.

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Comments

luciane souza

luciane souza

Começando hoje 18/06/26 e primeira vez com essa autora, e pela sinopse vai ser muito boa

2026-06-19

0

Rejane Azambuja

Rejane Azambuja

07/05/26😕 iniciando amanhã 08/05/26 no momento chove e venta muito no extremo Sul do Brasil 😕🙏

2026-05-08

0

Maria Silva

Maria Silva

autora não deixe ele fazer mal a ela e que ela saia de casa e vá viver a vida dela e não caia nas garras da cobra e do pai maldito 😭😭

2026-05-01

7

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