— Tenho que admitir, você beija muito bem. – disse Alex, entregando a Ashley uma caneca de café. Seu olhar carregava um brilho travesso. – Quando Cordélia sugeriu aquele beijo, achei que você fosse hesitar, mas… você foi simplesmente sensacional.
Ashley soprou o café antes de levar a caneca aos lábios.
— Confesso que não estava nos meus planos beijar você, mas sabia que, se não cedesse, Cordélia não nos deixaria em paz. – Ela deu de ombros, como se não fosse grande coisa. – Foi um meio para justificar um fim. Pelo menos você ganhou tempo.
Alex franziu a testa, desconfiado.
— Espera… Como assim, não estava nos seus planos? Por acaso sou tão repulsivo assim?
Ashley arqueou uma sobrancelha e sorriu de canto.
— Você quer mesmo que eu responda?
Alex revirou os olhos, mas acabou rindo.
— Você é cheia de surpresas. Primeiro usa um truque barato para vencer uma aposta, depois me dá um beijo de tirar o fôlego… – Ele se inclinou sobre a mesa, aproximando-se um pouco mais. – Quais outros segredos você esconde?
Ashley soltou uma risada leve, sem desviar o olhar.
— Segredos são segredos, Alex. E segredos não devem ser revelados.
Ele riu, balançando a cabeça. A naturalidade com que Ashley lidava com suas provocações o impressionava. Definitivamente, ele a havia subestimado.
— Como descobriu o truque da garrafa? – perguntou ela, tomando mais um gole do café.
— Allan me contou. Disse que notou você cuspindo parte da bebida na garrafa de cerveja. – Alex cruzou os braços, analisando-a com curiosidade. – Onde aprendeu isso?
Ashley sorriu, divertindo-se com a reação dele.
— Foi uma das primeiras coisas que Sophie, melhor amiga da Kye, nos ensinou. – Ela apoiou o cotovelo na mesa. – Durante o trabalho como garçonete, muitos clientes insistem em pagar rodadas de bebida. Sophie nos orientou a sempre manter uma garrafa por perto para cuspir o líquido dentro. Assim, evitamos ficar bêbadas.
Alex franziu a testa.
— E por que simplesmente não recusam?
— Política do estabelecimento. – Ashley respondeu com naturalidade. – Lugares como o Mambo Five priorizam o consumo. Não podemos recusar bebidas que os clientes nos oferecem, porque isso os incentiva a continuar gastando.
Ela terminou de falar e viu Alex fazer uma careta de puro desgosto.
— Isso deve ser ilegal! Obrigar funcionários a beber para aumentar o lucro?
— No começo, eu também achei um absurdo. Mas, sendo sincera, acaba sendo até divertido. – Ela sorriu. – É uma prática bem comum em boates de Nova York.
Alex cruzou os braços, lançando-lhe um olhar carregado de intenção.
— A conversa está ótima, mas estou curioso sobre as tais condições que você mencionou.
Ashley respirou fundo, assumindo um tom mais sério.
— Bem… Como ficou claro, aceito sua proposta. E me desculpe por demorar tanto para responder, mas, confesso, eu estava me divertindo em torturá-lo.
Alex arregalou os olhos em fingida indignação.
— Isso não teve a menor graça! Estive a ponto de ir até sua casa e arrancar a resposta à força. – Ele estreitou os olhos, pensativo. – Mas tudo bem… Vou pensar em uma vingança criativa depois. Agora, quais são as suas condições?
Ashley repousou a caneca na mesa e ergueu o olhar.
— Além da reforma das lojas, que você já prometeu… quero deixar algo bem claro. – Ela o fitou intensamente. – Aquele beijo que aconteceu hoje… não vai se repetir. A menos que seja extremamente necessário.
A declaração pegou Alex de surpresa. Ele ainda sentia os ecos daquele beijo, a sensação vívida dos lábios dela nos seus. Engoliu seco, sentindo uma pontada de frustração no peito.
— Tudo bem, eu concordo. – Forçou um sorriso, mas, internamente, já tramava uma maneira de reviver aquele momento. – O que mais?
— Enquanto estivermos fingindo esse noivado, você vai manter distância da Melanie e de qualquer outra mulher. Se queremos que isso pareça real, nada de escândalos que me façam parecer uma idiota.
— O mesmo vale para você. – Ele rebateu no mesmo tom. – Não pretendo andar pela cidade sendo chamado de corno… não pela segunda vez.
Ashley soltou uma risada divertida, fazendo Alex bufar, sem disfarçar a irritação.
— Também precisamos de uma boa história para contar a quem perguntar. – Ela acrescentou, pensativa. – Sua ideia de dizer que esteve em Nova York algumas vezes para justificar nosso envolvimento discreto parece funcionar.
— E quanto à nossa pequena… brincadeira daquela noite? Você tem algo em mente?
— Podemos dizer que foi resultado de uma briga, culpa sua, obviamente, e que minha atitude foi apenas uma vingança.
— Justo. – Alex riu, aprovando o plano com um aceno de cabeça. – Mais alguma exigência, senhorita?
— Não. Estou satisfeita com essas regras.
— Ótimo! Agora que chegamos a um acordo, vou providenciar uma conta na loja de materiais de construção da Lone Ridge Store. – Ele entregou um cartão de visitas a ela. – Compramos muita coisa lá. Basta mostrar esse cartão e eles vão ajudar no que for necessário. Também vou contratar um perito para avaliar os imóveis e ver o que pode ser restaurado.
— Já tenho um avalista. Se precisar, posso passar o contato dele.
— Claro! Quero ouvir a opinião dele também.
— Ótimo! – Ashley sorriu de canto. – Da minha parte, prometo ser a melhor noiva de mentira que você já teve.
Ela estendeu a mão para ele.
— Temos um acordo?
Alex segurou a mão dela e a apertou com um sorriso satisfeito.
— Temos um acordo.
— Perfeito! – Ashley se levantou. – Agora preciso ir.
— Claro. Eu te acompanho até o carro.
Alex a guiou pelo corredor até a saída do casarão. Com um gesto prestativo, ajudou-a a subir na caminhonete. Antes de dar a partida, Ashley abaixou o vidro e lançou-lhe um olhar afiado.
— E não se esqueça de manter seu pau dentro das calças. Ou, pelo menos, seja discreto, caso não consiga se controlar.
Alex arregalou os olhos, pego totalmente desprevenido. Antes que conseguisse formular uma resposta, ouviu um engasgo ao lado.
Allan, que havia acabado de surgir com uma garrafa de água, engoliu errado e cuspiu tudo, tossindo violentamente.
— Eu não sou nenhum tarado! – protestou Alex, ainda processando o que havia acabado de ouvir.
Ashley apenas sorriu, acenou para ambos e arrancou com a caminhonete, desaparecendo pela estrada.
Alex permaneceu parado por um instante, olhando para a poeira levantada pelo veículo, ainda tentando assimilar a audácia daquela mulher. Balançou a cabeça e soltou uma risada seca, passando a mão pelos cabelos.
Ao seu lado, Allan se recuperava do pequeno incidente com a água, ainda rindo.
— Sabe, Alex… acho que você encontrou sua alma gêmea.
O comentário veio acompanhado de um sorriso divertido, enquanto Allan secava a boca com a manga da camisa.
— Alma gêmea? – Alex bufou, mas o sorriso discreto no canto dos lábios o traiu. – Aquela garota é um terremoto ambulante.
— Exatamente! Você precisa de alguém que balance seu mundo. – Allan deu um tapinha nas costas do irmão. – E, pelo jeito, ela já está fazendo um ótimo trabalho.
Alex soltou uma risada baixa, lançando a Allan um olhar que mesclava ceticismo e diversão.
— Se ela continuar agindo como fez esta manhã, acho que nosso plano tem grandes chances de dar certo.
Allan cruzou os braços e inclinou a cabeça, pensativo.
— Bem, se depender da química explosiva entre vocês dois, eu diria que será mais convincente do que imagina. – Ele piscou, provocando. – Eu vi o beijo que vocês trocaram, e, meu irmão... você está perdido.
Alex franziu a testa.
— Ah, cala a boca!
— Estou falando sério. – Agora o tom de Allan era mais firme. – Ashley não é como as outras. Ela é esperta, tem iniciativa e, acima de tudo, não tem medo de você. Isso é raro.
Alex ficou em silêncio por um momento, absorvendo as palavras do irmão. Ele sabia que Allan tinha razão, mas não estava pronto para admitir.
— Tanto faz. – Respondeu por fim, balançando a cabeça. – Isso é só um acordo. Quando tudo acabar, ela segue o caminho dela, e eu o meu.
Allan ergueu uma sobrancelha, o sorriso de quem sabia mais do que dizia, brincando em seus lábios.
— Uma coisa me preocupa… e não é Cordélia. – A expressão dele se tornou séria. – Se ela sabe de alguns dos seus passos dentro e fora da cidade, quem garante que não tem mais alguém à espreita?
Alex estreitou os olhos, captando o peso nas palavras do irmão.
— Está falando de alguém em particular?
Allan esboçou um meio sorriso, mas sem qualquer humor, apenas tensão.
— Sim. Acho melhor aumentarmos a segurança.
— Não creio que seja necessário. – Alex deu de ombros. – Além disso, chamaria muita atenção.
Allan assentiu, mas seu olhar permaneceu carregado de preocupação.
— E quanto à Ashley? – Perguntou, hesitante. – Você pretende contar a ela?
Alex suspirou, cruzando os braços.
— Allan, não contamos nem para a mamãe ou para Dominic. Por que eu contaria a uma pessoa que mal conheço? – Ele fez uma pausa e expirou devagar. – Quanto menos ela souber, mais segura estará. Assim como todos os outros.
Allan assentiu lentamente.
— Nisso, você tem razão. A última coisa que precisamos é de mais complicações do que as que já temos.
Alex não respondeu. Apenas observou a estrada por onde Ashley havia partido, seus pensamentos vagando para perigos que não podia compartilhar. No fim das contas, o jogo que ele e Allan jogavam era muito mais arriscado do que qualquer um ali imaginava.
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Atualizado até capítulo 40
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