Cordélia entrou no hotel como um furacão, seus saltos estalando contra o mármore polido do saguão. O recepcionista ergueu os olhos num sobressalto, mas não ousou dizer uma palavra. Em pouco tempo, todos ali já haviam aprendido que ela não era o tipo de mulher que perdia tempo com empregados.
Subiu as escadas com passos firmes, ignorando o elevador, e empurrou a porta do quarto sem qualquer cerimônia.
Lá dentro, um homem a aguardava, recostado em uma poltrona de couro, o jornal aberto entre as mãos. Ao lado, sobre uma mesinha, um copo de uísque repousava, o gelo tilintando suavemente no líquido dourado. Ele baixou a folha do jornal, os olhos avaliando a tempestade que acabara de invadir o cômodo.
— Algo errado, darling? – Sua voz carregava um tom de divertimento preguiçoso. – Não me diga que o caipira se recusou a assinar o contrato?
Cordélia bufou, atirando a bolsa sobre a poltrona e arrancando os brincos com impaciência.
— Pior do que isso! – exclamou, os olhos faiscando. – Acabei de conhecer a noiva de Alex. Adivinha? É a minha prima! Aquela coisinha sem graça de quem ele vivia zombando na adolescência!
Ela jogou os brincos sobre a penteadeira e se voltou para ele, os braços cruzados.
— Você precisava ver a cena patética dos dois… aquele beijo ridículo!
O homem soltou um suspiro divertido e levou o copo de uísque aos lábios.
— E tem certeza de que é real? – perguntou, erguendo uma sobrancelha.
Cordélia revirou os olhos, impaciente.
— É óbvio que não! – resmungou. – Aquilo é uma encenação malfeita, e das piores. Embora eu deva admitir… os dois são convincentes. Se eu não conhecesse Alex tão bem, até acreditaria que ele está apaixonado. E Ashley… bem, até que a vadiazinha sabe fingir.
Ele sorriu, levantando-se devagar. Aproximou-se dela com a calma de quem desfruta de um espetáculo. Seus dedos deslizaram pelo braço nu de Cordélia.
— E por que isso te irrita tanto, minha querida? – sussurrou, com uma ponta de provocação. – Ciúmes?
Ela se afastou, olhando-o com desdém.
— Por favor! Ciúmes de Ashley? Nunca! O que me irrita é a audácia daquela menina em pensar que pode competir comigo. A petulância de me provocar…
Cordélia sorriu, um brilho gélido no olhar.
— Conheço Alex desde sempre. Sei exatamente o tipo de mulher que ele deseja. E posso garantir que minha prima ingênua não faz parte dessa lista.
O homem a observou por um instante, avaliando-a com olhos astutos. Depois, virou-se para a mesa, pegou a garrafa de uísque e serviu outro copo, estendendo-o a ela.
— Me conte mais sobre essa prima sua. – pediu ele, com um tom levemente entediado. – Quero entender com quem estamos lidando.
Cordélia revirou os olhos e bufou.
— Ashley sempre foi um zero à esquerda. Uma garota sem graça, tímida, daquelas que passam despercebidas em qualquer evento. Durante a adolescência, Alex zombava dela. Fazia questão de humilhá-la em público, apenas por divertimento. E agora, de repente, ele aparece com essa historinha de que a ama? Que vai se casar com ela, quando sei que, até ontem, ele tinha uma amante chamada Melanie? – Ela bateu o copo na mesa com força. – Isso não faz o menor sentido!
O homem arqueou uma sobrancelha e pegou a garrafa de uísque para encher seu próprio copo.
— Talvez ele tenha mudado de ideia. Homens são assim, imprevisíveis. Ou então…
— Ou então está jogando! – Cordélia interrompeu, seus olhos brilhando com determinação. – E eu vou descobrir o que está por trás dessa farsa. Se ele acha que pode me enganar, está muito enganado.
— Então… qual é o seu plano?
Cordélia pegou a bebida, girando o líquido âmbar no copo. Seu sorriso ganhou um tom de malícia.
— Ainda estou decidindo… Mas uma coisa é certa: preciso desmascarar essa farsa e fazer Alex assinar os documentos quanto antes.
Ela tomou um gole, saboreando a ardência do álcool antes de continuar:
— Minhas reservas estão acabando. Vender aquele apartamento é nossa única chance de evitar a ruína.
Ele se aproximou novamente, os lábios roçando de leve o ombro dela num gesto casual.
— Por que não tenta arrancar mais algum dinheiro do seu maridinho idiota?
Cordélia soltou uma risada sarcástica, batendo o indicador contra o peito dele.
— Ah, se fosse tão simples, querido! Mas desde que você teve a brilhante ideia de vazar aquele furo e expor nosso caso, Antony não quer me ver nem coberta de ouro. – Ela estreitou os olhos, inclinando-se ligeiramente para frente. – Se tivesse ficado quieto, a essa altura estaríamos brindando à vida em alguma praia paradisíaca, entre um gole de Margarita e outro, com o dinheiro que eu arrancaria no divórcio.
Ele sorriu, divertindo-se com a irritação dela, e deslizou as mãos pelo contorno da cintura de Cordélia.
— Ora, darling, não me culpe por sua falta de sorte. Achei que gostasse de um pouco de caos.
Ela se afastou, pegando o copo novamente, girando o líquido âmbar antes de beber. Seus olhos faiscavam determinação.
— Gosto quando sou eu quem controla o caos. Mas não se preocupe, ainda vou reverter essa situação.
Ele arqueou uma sobrancelha, curioso.
— E como pretende fazer isso? – murmurou. – Conhecendo seus truques, imagino que será algo memorável.
Cordélia sorriu, seus olhos fixos na cidade além da janela.
— Memorável é pouco. – Ela virou-se para encará-lo. – Vou destruir aquela sonsa e acabar com esse romance de fachada.
Ela ergueu o copo em um brinde silencioso.
— De quebra, ainda vou arrancar uma boa quantia de Alex. Ele vai aprender a nunca tentar me enganar.
O homem sorriu, erguendo o próprio copo antes de tomar um gole.
— Isso promete ser interessante.
Cordélia fechou os olhos por um instante, deixando o calor da bebida se espalhar por seu corpo.
— Sim… isso será muito interessante.
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Atualizado até capítulo 40
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