Alex caminhava de um lado para o outro no estábulo, os passos rápidos e inquietos ecoando pelo espaço. A cada poucos segundos, ele conferia o celular, os dedos apertando a tela sem necessidade. Já era o terceiro dia desde que falara com Ashley, e ainda não havia recebido resposta. Seu prazo estava se esgotando, e ele quase podia sentir os dentes de Cordélia cravando-se em sua jugular.
— Alex, se acalme! – disse Allan, observando a inquietação do irmão. – Daqui a pouco, vai abrir um buraco no chão de tanto andar.
— Concordo com Allan. – acrescentou Kyera, sem tirar os olhos de Maverick, o cavalo de Alex, que examinava com atenção. – Se continuar nesse ritmo, vai acabar tendo um infarto.
— Ela já deveria ter respondido! – resmungou Alex, rangendo os dentes. – Por que não responde? É só ligar e dizer sim!
Seu desespero era, no mínimo, cômico.
Allan e Kyera trocaram olhares cúmplices antes de Allan dar um meio sorriso, cruzando os braços.
— Talvez ela esteja te ignorando de propósito – provocou, arqueando uma sobrancelha.
Alex parou de andar e lançou um olhar assassino para o irmão.
— Engraçadinho.
— Estou apenas considerando as possibilidades. – retrucou Allan, dando de ombros. – Talvez ela esteja te testando.
— Ou talvez esteja ocupada, organizando as peças do leilão. – sugeriu Kyera, voltando a se concentrar em Maverick.
Alex bufou, passando a mão pelos cabelos, cada vez mais frustrado.
— Se ela estivesse ocupada, teria ao menos avisado! Não é difícil mandar uma maldita mensagem!
— Você já tentou ligar no número que te dei? – questionou Allan, tentando segurar a risada.
— Claro que tentei! E caiu na caixa postal!
Kyera suspirou e finalmente se virou para ele.
— Se ela ainda não te respondeu, ficar se descabelando aqui não vai mudar nada. Por que não vai treinar com Maverick? Isso talvez te ajude a relaxar.
Alex olhou para o cavalo, que o observava com uma expressão quase zombeteira, como se também estivesse se divertindo com o desespero de seu dono.
— Ótima ideia. – disse Allan. – Isso se ele conseguir montar sem cair de nervoso.
Alex estreitou os olhos para o irmão, mas decidiu ignorá-lo.
— Quer saber? Vocês são um pé no saco.
— Mas somos os únicos dispostos a tolerar seu chilique. – rebateu Allan com um sorriso provocador.
Alex suspirou profundamente e, finalmente, guardou o celular no bolso. Talvez Kyera estivesse certa. Um pouco de treino não faria mal. E se Ashley não respondesse até o fim do dia… ele teria que pensar em um novo plano.
Alex mal conseguia se concentrar. Ele decidiu retornar ao estábulo e entregou Maverick ao cavalariço. Mais uma vez, ele pegou o celular e deu uma rápida olhada na esperança de haver alguma chamada ou mensagem.
— Aquela pequena insolente! – Alex grunhiu, ao constatar que não havia nenhum contato de Ashley. – Quer saber, eu vou até a casa dela e cobrar a resposta para a minha proposta.
Sem pensar, ele saiu batendo o pé em direção a entrada do haras onde sua Toyota estava estacionada embaixo de uma árvore em frente ao casarão. Allan, que vinha entrando no complexo de baias, franziu a testa.
— Aonde você vai com tanta pressa?
— Vou até a casa de Ashley! – disse ele, caminhando apressado. – Se Maomé não vem a montanha…
— Alex, deixe de ser estupido! – gritou Kyera, correndo atrás dele. – E se ela estiver dormindo? São nove horas da manhã.
— Eu a faço acordar! – disse ele, sem olhar para trás. – Ela me dará essa resposta nem que eu tenha que sacudi-la.
Allan e Kyera trocaram olhares alarmados antes de saírem em disparada atrás de Alex.
— Alex, seja razoável! – insistiu Kyera, acelerando o passo para alcançá-lo. – Você vai até a casa dela às nove da manhã só para exigir uma resposta?
— Isso se chama determinação! – rebateu Alex, sem diminuir o ritmo.
— Isso se chama loucura! – retrucou Allan, agora ao lado da irmã. – Você vai chegar lá, bater na porta feito um lunático e, com sorte, não levar um balde de água fria na cara!
— Se for preciso, eu derrubo a porta. – murmurou Alex, destravando o carro.
— Ah, ótimo! Agora temos um cavaleiro medieval invadindo castelos por respostas – ironizou Allan, cruzando os braços.
Kyera revirou os olhos e se colocou entre Alex e a porta da Toyota.
— Alex, pare um segundo e pense. Você quer mesmo aparecer na casa de Ashley como um maluco obcecado? Isso vai melhorar sua situação?
Alex hesitou por um breve instante, mas logo bufou, impaciente.
— Ela já teve tempo suficiente para pensar.
— Sim, mas se ela ainda não respondeu, é porque precisa de mais tempo! – Kyera argumentou, mantendo a mão firme sobre a maçaneta do carro.
— O problema é que eu não tenho mais tempo! – esbravejou ele, erguendo as mãos em um gesto dramático. – A qualquer momento, Cordélia vai aparecer querendo conhecer minha noiva e, se Ashley não me der uma resposta positiva, eu estarei em sérios apuros.
Allan balançou a cabeça, divertido.
— Se você quer assustá-la até o ponto de mudar de país, vá em frente. Caso contrário, sugiro que volte para o estábulo e tente agir como um ser humano normal.
Alex apertou os punhos e olhou para os irmãos, claramente frustrado. Ele queria agir, queria uma resposta. Mas, no fundo, sabia que eles estavam certos.
Sem dizer nada, ele girou nos calcanhares e marchou de volta para o estábulo, enquanto Allan e Kyera se entreolhavam com um suspiro aliviado.
— Bem, isso foi mais fácil do que eu esperava. – comentou Allan, colocando as mãos nos bolsos.
— Só até ele encontrar outra ideia estúpida para colocar em prática. – respondeu Kyera, voltando para o estábulo atrás de Alex.
Alex retornou ao estábulo, chutando uma pedra no caminho, visivelmente irritado. Ele sabia que os irmãos estavam certos, mas isso não tornava a espera menos insuportável. Ele precisava de uma resposta. E precisava agora.
Ao entrar na baia de Maverick, Alex deslizou a mão pelo pescoço do cavalo, tentando acalmar a própria inquietação. O animal bufou suavemente, como se percebesse a impaciência do dono. Nem mesmo suas missões como agente do FBI eram tão estressantes quanto esperar por uma decisão de Ashley.
— Está vendo, garoto? – murmurou, afagando a crina de Maverick. – As pessoas podem ser cruéis. Até mesmo uma certa loirinha trapaceira…
Antes que pudesse decidir seu próximo passo, o som de um celular vibrando cortou o silêncio, fazendo seu coração disparar. Em um movimento rápido, ele puxou o aparelho do bolso.
Ashley!
— Finalmente! – exclamou, deslizando o dedo na tela para atender.
— Alex… – a voz dela soou hesitante, quase contida.
Ele estreitou os olhos.
— Achei que nunca mais fosse ligar – rebateu, forçando a frustração para longe. – Já tem uma resposta?
Do outro lado da linha, ouviu-se um suspiro.
— Sim, mas quero falar pessoalmente. Você está em casa?
— Estou no haras.
— Ótimo. Estou indo até aí.
Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, a ligação foi encerrada. Alex ficou imóvel por um instante, o telefone ainda preso entre os dedos.
Vinte minutos. Era tudo o que o separava de um sim ou um não.
Decidiu não perder tempo. Saiu do estábulo e cruzou o campo em direção à entrada de trás da casa principal, que levava à cozinha. Pegou um copo de água gelada e seguiu para a varanda, tentando manter a mente ocupada.
Mas, assim que chegou à entrada do haras, seu coração quase parou.
Cordélia.
Ela descia de um conversível esportivo, impecável como sempre. Os cabelos presos em um coque perfeito, os óculos escuros retirados com um gesto lento e calculado. Seu sorriso era puro veneno, carregado de arrogância e diversão maldosa.
Com passos deliberados, ela avançou alguns metros, parando bem diante da Toyota de Alex.
Ele fechou a mão ao redor do copo d'água, o gelo tilintando contra o vidro.
— Ora, ora… – Cordélia inclinou a cabeça, analisando-o como uma caçadora avalia sua presa. – Eu sabia que o encontraria aqui!
— O que diabos você está fazendo aqui? – Alex rosnou, a fúria evidente em sua voz enquanto avançava alguns passos na direção dela.
Cordélia sorriu, dissimulada, cruzando os braços com um ar despreocupado.
— Vim conhecer a felizarda! – Sua voz pingava veneno. – Então, qual das prostitutas desta cidade você escolheu para representar sua noiva?
A tensão no ar se tornou palpável. Alex cerrou os punhos.
— Ela não é nenhuma prostituta! – Sua voz saiu firme, carregada de irritação. – E, ainda que fosse, garanto que teria mais dignidade e moral do que você jamais terá.
Cordélia soltou uma gargalhada estridente, cheia de sarcasmo.
— Oh, é mesmo? – arqueou uma sobrancelha, ampliando o sorriso maldoso. – Esqueci o quanto você é... seletivo.
— Aprendi com a melhor. – rebateu Alex, o sarcasmo afiado como uma lâmina. – Agora, suma daqui! Ainda tenho até o fim do dia para provar que tenho uma noiva. Meu prazo não expirou.
Cordélia revirou os olhos e deu de ombros, a incredulidade estampada no rosto impecavelmente maquiado. Então, sem pressa, voltou ao carro e pegou uma pasta de documentos.
— Como sei que está mentindo, trouxe isso comigo. – Ela estendeu a pasta para ele, o sorriso triunfante, nunca deixando seus lábios.
Alex franziu a testa ao abrir a pasta.
— O que é isso?
— Os documentos de compra e venda do apartamento que meu advogado preparou. – respondeu ela, o tom carregado de deboche. – Não se lembra? Mencionei que tinha um comprador interessado.
Os olhos dele se estreitaram.
— Está louca se acha que assinarei isso! – Ele segurou firme no braço dela. – Tenho prioridade na compra. O apartamento precisa passar por um avalista.
Cordélia soltou uma risada seca, puxando o braço com um movimento brusco.
— Como eu disse, não tenho todo esse tempo. Preciso do dinheiro com urgência. – Seu sorriso se tornou ainda mais cínico. – Assine logo a venda e acabe com esse jogo ridículo.
Alex travou o maxilar.
— Você me deu três dias!
— Mudei de ideia. – Ela deu de ombros. – Todo mundo sabe que você não tem noiva coisa nenhuma. Você não passa de um promíscuo, viciado em sexo, incapaz de se interessar por alguém de verdade. Incapaz de entregar seu coração…
— Eu não apostaria nisso!
A voz cortou o ar como um golpe certeiro.
Ambos se viraram para a entrada.
Lá estava Ashley.
Seus olhos azuis brilhavam com desdém enquanto encarava Cordélia. O queixo erguido, os passos decididos, cada centímetro de sua postura exalava confiança.
Alex sentiu um misto de alívio e nervosismo ao vê-la.
Cordélia arregalou os olhos, a incredulidade estampada em seu rosto.
— Ashley? – Sua voz saiu num sussurro atordoado. – O que você está fazendo aqui?
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Atualizado até capítulo 40
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