— Olá… de novo, belezinha! Que tal a gente tentar de novo? – disse ele, com um tom ainda mais embriagado. – Eu me chamo Rick. E você, princesa, qual é o seu nome?
— Eu já disse que não estou interessada! – Ashley respondeu, tentando se afastar.
Ele segurou seu pulso com força, os olhos brilhando com um olhar perigoso.
— Não seja assim! Vai, é só uma cerveja! – insistiu ele, tentando arrastar Ashley para o outro lado da rua. – Prometo que você não vai se arrepender de nos fazer companhia.
— Me larga, idiota! – Ashley protestou, lutando para se soltar.
O aperto dele só aumentou, e o coração de Ashley acelerou, tomado pelo medo. O homem parou por um momento e se inclinou para mais perto, seu hálito quente e carregado de álcool invadindo seu rosto como um golpe.
— Adoro mulheres difíceis. Me excita demais, me faz querer domá-las como um garanhão selvagem.
— Eu não sou um garanhão, seu bêbado nojento! – ela retrucou, esbofeteando-o com força.
O homem grunhiu, surpreso, mas não soltou Ashley. Pelo contrário, apertou ainda mais seu pulso, fazendo Ashley soltar um grito de dor.
— Vou te ensinar a nunca mais tocar no rosto de um homem! – rosnou ele, tentando puxá-la para longe. – Vou fazer você gritar tanto que até o inferno vai ouvir.
Ashley pensou em gritar por socorro, mas foi interrompida pelo som de um gatilho sendo acionado atrás dela. Ela reconheceu aquele som instantaneamente e sabia exatamente quem estava por trás dele.
Ashley abriu a boca para pedir socorro, mas antes que pudesse emitir um som, ouviu um clique seco atrás de si. O som metálico de um gatilho sendo puxado. Ela reconhecia aquele som. E sabia exatamente quem estava por trás dele.
— Solta a garota – a voz de Alex soou baixa, ameaçadora, carregada de uma calma perigosa. – Ou eu te mando direto para o inferno e apresento o demônio pessoalmente.
O sorriso de Rick desapareceu no mesmo instante. Seu rosto perdeu a cor quando ele girou a cabeça para encarar Alex. O olhar avaliativo percorreu o porte atlético, a expressão sombria e a firmeza com que segurava a arma. Ele sabia quando estava lidando com alguém que cumpriria uma ameaça sem pestanejar.
O aperto ao redor do pulso de Ashley afrouxou, e, por fim, o homem a soltou completamente. Alex se aproximou dela, colocando o braço livre ao redor de sua cintura e a puxando contra seu peito com um gesto protetor.
— Agora desapareça! – murmurou Alex, sua voz baixa e cortante como o rosnado de um lobo à espreita. – Antes que eu faça da sua cara um maldito queijo suíço.
O motoqueiro vacilou, os olhos arregalados e soltou um grunhido antes de recuar. Ele atravessou a rua apressado e disse algo aos amigos, que trocaram olhares desconfiados com Alex antes de subirem em suas motos. O ronco dos motores desapareceu rapidamente, deixando a rua silenciosa.
Ashley ficou parada, com o coração batendo forte, ainda processando o que acabara de acontecer. Ela se virou devagar e viu a arma de Alex, que ele segurava com a firmeza de quem estava acostumado a isso. Ela sabia que o senhor Stella havia ensinado aos filhos a atirar, e lembrou-se de como Alex, com frieza, derrubou Bryan com um único tiro. Do mesmo jeito, ele evitara um assalto, enquanto mantinha um refém. Com a mesma habilidade, Alex pediu ao rapaz para fechar os olhos antes de atirar, pegando de raspão no braço dele e atingindo o ombro do assaltante.
— Você está bem? – Alex perguntou, os olhos percorrendo-a com preocupação. – Aquele imbecil machucou você?
— Não… Graças a você.
Alex relaxou e assentiu, soltando um sorriso discreto. Ele guardou a arma na cintura enquanto Ashley soltava um suspiro de alívio. Apesar de confiar nas habilidades de Alex, ela ainda não superara o trauma do sequestro, e a memória daquilo ainda a assombrava.
— Agora você me deve uma! – disse ele, com o tom arrogante voltando à sua voz, mas de maneira mais descontraída.
— Esqueça! Eu não vou fingir ser sua noiva, Alex! – Ashley respondeu com firmeza, bufando enquanto abaixava para pegar as coisas que haviam caído no chão.
— Ah, qual é, Ash? Acabei de salvar a sua vida! O mínimo que você poderia fazer em agradecimento é aceitar minha proposta. – Ele falou com um tom enfático. – E se aceitar fingir ser minha noiva, você só tem a ganhar.
— Mesmo? Como, por exemplo, sífilis e gonorreia? – ela desdenhou.
Alex fez uma careta de falso ofendido.
— Hei! Eu me cuido, sabia? Estou mais limpo que bumbum de bebê. – Ele respondeu, exasperado, mas logo seus lábios se curvaram em um sorriso divertido. – Além disso, não pensei em incluir sexo no acordo. Embora, se você quiser, eu posso cumprir com essa exigência sem problema nenhum.
Ashley ergueu uma sobrancelha, incrédula, e soltou uma risada sarcástica.
— Claro, como se eu estivesse desesperada para ir para a cama com o maior promiscuo de Lone Ridge. – Ela disse, abaixando para pegar a escada que estava caída. – Francamente, seu ego é algo impressionante.
— Pense assim então: além de ganhar um noivo bonito, você ainda leva um guarda-costas de brinde. – Alex sorriu, convencido, e Ashley revirou os olhos.
— Não? – Ele continuou, animado. – Que tal: você me ajuda, e eu arco com todas as despesas da reforma das lojas.
Ashley franziu a testa, surpresa.
— Como sabe que quero reformar as lojas?
— Allan me contou. – Ele respondeu, sorrindo. – Além disso, vi as plantas sobre as quais você estava debruçada na cafeteria. Aposto que estava analisando a estrutura, a rede elétrica, o encanamento…
Ashley estava prestes a retrucar, mas ele continuou antes que pudesse falar.
— Ouça, sei que você acha que o prejuízo é menor do que parece, porque você só viu as fachadas, mas posso garantir que aquele temporal causou muito mais estragos do que você imagina.
— E por que tem tanta certeza do que está falando? – Ela perguntou, desconfiada.
— Porque ajudei Nora a abrir as lojas na manhã seguinte e vi o estrago que ficou. – Alex disse, pegando Ashley completamente de surpresa. – Limpamos um pouco, mas boa parte do que está lá dentro não serve mais.
Ashley ficou muda por um instante, surpresa com a revelação. Nora nunca mencionou a presença de Alex em qualquer coisa nos dias em que conversaram, e para Ashley, apenas Alec e Kyera davam apoio, como combinado. Saber que Alex ajudou a tia dela em alguma coisa foi um choque real.
Ela estava tão desnorteada que deixou a escada escorregar das mãos, e seu dedo indicador ficou preso nas dobras de ferro.
— Puta merda! – gritou ela, sacudindo a mão enquanto a escada caía de volta ao chão com um estrondo.
Dando um passo à frente, Alex tomou a mão dela com delicadeza.
— Calma! Deixa eu ver.
Seus dedos firmes, mas surpreendentemente gentis, examinaram o machucado.
— Não parece nada sério, só um pequeno corte.
Antes que Ashley pudesse reagir, Alex levou o dedo dela aos lábios e o sugou suavemente. O toque inesperado da língua dele contra sua pele enviou um arrepio direto por sua espinha, e um calor repentino subiu até suas bochechas. O olhar intenso de Alex parecia atravessar cada barreira que ela mantinha erguida com tanto esforço.
Desconcertada, Ashley puxou a mão de volta, o rosto em chamas. Alex esboçou um meio sorriso, mas não disse nada, apenas a observou com um brilho divertido nos olhos.
— Estou bem! – murmurou ela, pegando a escada novamente, desta vez com mais cuidado. – Obrigada pela ajuda e por devolver minhas chaves, mas…
— Mas? – Alex ergueu uma sobrancelha, esperando.
Ela desviou o olhar, inquieta.
— Não acho que essa sua ideia seja tão boa assim. Além disso, existem milhares de garotas que topariam esse papel sem pestanejar.
— E você acha que eu não sei disso?
— Se sabe, por que não está atrás delas, em vez de me encher o saco?
— Porque elas me cobrariam um preço muito alto por essa farsa… e ainda confundiriam as coisas. – disse ele, passando as mãos pelos cabelos. – Já você, do jeito que eu te conheço, isso jamais aconteceria.
Ashley franziu a testa.
— Você está dizendo que me escolheu porque acha que não vou chantagear você? – ela riu, dando de ombros. – Não sei se fico brava ou lisonjeada.
Alex sorriu de lado.
— Escolhi você porque sei que é íntegra e jamais se voltaria contra mim. – Ele deu de ombros, com um sorriso de canto. – Além disso, você me odeia pelas vezes que zombei de você, o que certamente facilitaria não confundir as coisas entre nós.
— Quanto a isso, você está certo! – retrucou ela, sem hesitar. – Ainda assim, não acho que seja uma boa ideia.
— Por que não?
— Porque ninguém vai acreditar!
Alex suspirou, passando as mãos pelos cabelos. Estava exasperado, mas não parecia disposto a desistir. Ele sabia que não a convenceria ali, naquele momento, mas algo dentro dele dizia que Ashley mudaria de ideia. Era só uma questão de tempo.
— Ok! Façamos assim: você avalia como estão as lojas e pensa se quer aceitar minha oferta. – disse ele, puxando um cartão de visitas da carteira. – Quando decidir, me liga e conversamos novamente.
Antes que ela pudesse retrucar, Alex inclinou-se e depositou um beijo rápido em seu rosto. O gesto repentino a pegou de surpresa, e Ashley ficou boquiaberta, acompanhando com o olhar enquanto ele caminhava até sua Toyota preta.
— O que te faz pensar que vou ligar? – gritou ela, ainda sentindo a pele formigar onde os lábios dele tocaram.
— Uma palavra? Desespero! – Alex respondeu com um sorriso travesso, acenando antes de entrar no carro. Antes de partir, ainda piscou para uma garota que passava, provocando outra careta de Ashley.
— Idiota! – murmurou ela, enfiando o cartão no bolso com um suspiro irritado.
Após devolver a escada de ferro, Ashley caminhou até os estabelecimentos antigos. Com as chaves girando entre os dedos, parou diante de uma das portas de ferro enferrujadas. Inspirou fundo antes de empurrar a porta para cima.
— Seja o que Deus quiser…
Assim que entrou, congelou.
— Puta merda…
O lugar era um desastre. As paredes descascadas estavam cobertas por manchas escuras de umidade, e infiltrações escorriam pelo teto de gesso, formando poças no chão, onde o mofo se alastrava sem controle. O material estocado estava arruinado, inutilizado pela negligência da tia após a tempestade. O piso, inchado e rachado, precisava ser substituído. Prateleiras quebradas e balcões danificados jaziam sob os pontos do teto que haviam desabado. Como se tudo isso já não fosse suficiente, a fiação exposta denunciava um iminente curto-circuito.
A reforma seria gigantesca. E caríssima.
Ashley não tinha como bancar os reparos. Suas economias e o que restava da herança do pai haviam sido consumidos para quitar as dívidas da família. Agora, tudo o que lhe restava era o velho casarão e alguns objetos que planejava leiloar.
Seu sonho de transformar o casarão em uma pousada parecia ainda mais distante.
— Parece que meus planos acabam de descer pelo ralo… literalmente.
Suspirando, trancou a porta novamente e virou-se, apenas para avistar Cordélia em um conversível parado no sinal.
Ashley pegou o cartão que Alex lhe entregara e o observou por um momento. Um sorriso sombrio curvou seus lábios.
— Talvez uma vingança não seja uma ideia tão ruim…
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Atualizado até capítulo 40
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