Capítulo 04 - Um despertar nada agradável

Alex Stella acordou com a cabeça latejando e a sensação incômoda de que o teto do quarto girava sem parar. Um único pensamento martelava em sua mente, como um mantra torturante:

Onde diabos eu estava com a cabeça para beber daquele jeito?

A lembrança mais vívida era a voz irritada de Dominic, despejando um rosário de palavrões enquanto ele vomitava o resto da tequila no banco do carona do carro dela. Allan os seguia de motocicleta até o apartamento, onde, com a ajuda de Dominic, o arrastaram para dentro e o jogaram no chuveiro, tudo ao som dos resmungos furiosos da irmã, que parecia determinada a amaldiçoar sua existência.

Minutos antes daquele vexame humilhante, algo o deixou surpreso: a maneira como Ashley lidou com aqueles dois idiotas no estacionamento.

Ele estava distraído com Melanie, aproveitando os últimos momentos antes de terminar com ela, quando notou a pequena loira descendo de uma Ranger. No início, não a reconheceu. Então, mesmo sob a penumbra, algo brilhou sob a luz da lua e dos postes ao redor. Uma marca em seu ombro.

Aquela marca.

A mesma que nunca saiu de sua mente.

A mesma que, por quase três anos, ainda o assombrava nos pesadelos.

Ashley estava diferente. Mais confiante. Mais forte. E, para seu desconforto, muito mais bonita do que ele se lembrava.

Foi impossível não reparar nela quando desceu da caminhonete.

— Será que ela sempre foi assim e eu nunca percebi? — murmurou Alex, ainda confuso pela dor pulsante na cabeça. – Merda!

Vinte copos de tequila.

Seu ego gritava que ele deveria ter vencido aquela disputa estúpida. Mas, de alguma forma, Ashley, com aquele sorriso angelical e provocador, ainda estava de pé.

Como diabos ela conseguiu beber tanto sem sequer cambalear?

Agora, pensando melhor, sugerir aquela aposta havia sido, sem dúvida, a maior burrice da noite. Ainda assim, nada o convencia do contrário: ela trapaceou.

Alex não sabia como, mas tinha certeza de que Ashley dera um jeito de burlar o jogo. Talvez tivesse descartado alguns shots. Mas quando? Onde? Como? Tudo seguia um mistério.

— Maldita trapaceira! — resmungou, tentando se levantar.

Péssima ideia.

O quarto rodopiou, e uma dor aguda explodiu em suas têmporas, descendo até a nuca. Foi como se sua cabeça tivesse sido jogada em um redemoinho e girasse sem parar. O impacto da tontura o obrigou a se sentar novamente na beira da cama.

— Merda! — murmurou, levando a mão à testa. O inchaço denunciava a pancada da noite anterior.

A aspereza da madeira do balcão ainda parecia marcada em sua pele. Ele se lembrava do golpe seco, do desmaio ridículo e da queda desajeitada no chão. E, pior, lembrava do som das risadas, de Dominic e seu humor ácido, e Allan, arrastando-o para casa enquanto zombava dele.

E o pior ainda estava por vir. Seus irmãos fariam questão de transformar seu vexame em um espetáculo. Ele podia imaginar a cena com clareza:

Alec lançando um sermão sobre irresponsabilidade; Dominic gargalhando sem piedade; Allan disparando farpas afiadas contra sua arrogância… Como se nenhum deles tivesse bebido até cair antes.

— Bando de hipócritas idiotas! — resmungou, irritado.

Cada mínimo movimento fazia sua cabeça soar como uma sineta desafinada, enquanto uma nova onda de dor latejava no fundo do cérebro.

— Mas que droga! — resmungou novamente, afundando o rosto nos travesseiros, tentando ignorar o caos que ele próprio havia causado.

Alex se virou na cama e, no mesmo instante, seu corpo congelou.

Havia alguém deitado ao seu lado.

Um corpo feminino que não deveria estar ali.

Melanie Carmichael.

— Essa não! — ele resmungou, levando a mão à testa. — Ainda mais essa!

Com um grunhido de frustração, estendeu a mão e balançou Melanie levemente pelo ombro.

— O que você está fazendo aqui?

Melanie se mexeu preguiçosamente, virando a cabeça em sua direção. Os cabelos loiros estavam espalhados pelo travesseiro, e a máscara de dormir vermelha, de um tom tão intenso que parecia sangue, cobria seus olhos. Ela balbuciou algo incompreensível antes de erguer a máscara com uma das mãos, piscando sonolenta.

— O que aconteceu? — murmurou, a voz rouca de sono. — Que horas são?

— Hora de você dar o fora da minha casa! — Alex retrucou, saindo da cama com um salto, deixando claro seu desagrado. — Aliás, como diabos você entrou aqui?

Melanie franziu a testa, indignada.

— O que foi que você disse?

— Mandei você cair fora! Entendeu?

Alex respondeu com um sorriso debochado antes de enfatizar, em vários idiomas:

— Irse! Andarsene! Weggehen! S’en aller! Escolhe um e vaza.

Ele caminhou até a poltrona próxima à janela, onde sua calça de moletom estava pendurada. Queria manter a maior distância possível de Melanie. Enquanto vestia a peça, perguntou:

— Como você entrou no meu apartamento? Eu não deixei claro que queria distância?

Melanie cruzou os braços, encarando-o com irritação.

— Dominic me ligou e mandou que eu viesse.

Alex fechou os olhos, suspirando. Óbvio. Claro que Dominic tinha o dedo nisso.

— E você se aproveitou da minha bebedeira para reverter nossa situação?

— Na verdade, ela ameaçou me dar uma surra se eu não viesse cuidar de você. — respondeu Melanie, sarcástica. — Disse que era minha obrigação, já que sou sua namorada.

Ela enfatizou a última palavra com desprezo.

— Mas confesso que tive uma pontinha de esperança de que você repensasse o que me disse ontem à noite.

Alex bufou. Não restavam dúvidas: aquilo era pura vingança de Dominic por aquela brincadeira que ele fizera semanas antes, quando quase a levou a um infarto.

O sorriso de Melanie se alargou. Caminhou lentamente até ele, movendo-se com um misto de provocação e intenção. Antes que Alex pudesse reagir, ela deslizou os braços por suas costas, as mãos subindo pelo peito largo.

— Não me diga que não sentiu minha falta, Al… — sussurrou, os lábios perigosamente próximos aos dele.

Alex se virou de uma vez, afastando Melanie sem a menor gentileza.

— Olha, obrigado por ter ficado e cuidado de mim, mas já pode ir para casa.

Frio. Direto. Sem espaço para dúvidas.

O sorriso de Melanie desapareceu num instante.

Ela fixou nele aqueles olhos grandes e brilhantes de um verde intenso, um verde-esmeralda falso, óbvio, resultado das lentes de contato que usava. Mais uma das inúmeras intervenções para alcançar a perfeição artificial que tanto prezava. Da maquiagem permanente ao sorriso meticulosamente ensaiado, Melanie parecia mais uma escultura de cera do que uma mulher de verdade.

— Alex, por que está me tratando assim? — Sua voz carregava uma doçura forçada enquanto ela se aproximava. — Há dias você anda distante, me evitando… O que foi que fiz, hein, meu amor?

Ela pousou as mãos nos ombros dele, deslizando-as lentamente por seus braços. O olhar brilhava com luxúria, uma tentativa óbvia de reacender algo que, para Alex, já estava morto há tempos. Antes, aquele gesto seria um convite para mais. Hoje, era apenas cansativo.

Melanie havia cruzado um limite no momento em que decidiu transformar uma amizade casual em algo mais sério. E, para piorar, toda vez que dormiam juntos, ela usava aquela maldita camisola de seda vermelha que ele detestava.

— Não é o que você fez, Mel. É o que você está fazendo. — Ele segurou suas mãos com firmeza, o tom seco, sem espaço para interpretações erradas. — Você força uma situação que nunca vai acontecer. Pelo menos, não com você.

Ela piscou, confusa, tentando absorver as palavras, mas Alex não parou por aí.

— E ainda insiste em trazer essa camisola ridícula para a minha cama, sabendo que eu odeio.

Os olhos de Melanie se arregalaram em indignação. Ele tinha mesmo acabado de dizer isso?

Antes que Alex pudesse reagir, o estalo seco de um tapa ecoou pelo quarto.

— Seu cretino!

O golpe não o abalou.

Alex apenas arqueou uma sobrancelha, impassível.

— Como se você não soubesse disso.

Melanie soltou um rosnado frustrado, pegou as roupas espalhadas pelo chão e marchou até o banheiro. A porta bateu com tanta força que fez as paredes vibrarem.

Alex soltou um suspiro longo e arrastado.

Definitivamente, ele precisava parar de beber tanto.

A piada de mau gosto de Dominic, por mais irritante que fosse, ao menos serviu para uma coisa: colocou um ponto final naquele relacionamento tóxico que já o esgotava. Alex duvidava que veria Melanie novamente depois daquilo.

Desviou o olhar, voltando-se para o jardim do chalé atrás do seu apartamento—bem a tempo de ver uma pequena loira saindo em direção à rua principal.

— Ashley. — sussurrou.

Ela vestia jeans justos e uma camiseta sem mangas, exalando autoconfiança a cada passo. Como se soubesse que estava sendo observada, ergueu o olhar para a janela onde Alex estava. Seu sorriso foi de pura indiferença. Então, com um aceno debochado, seguiu pela rua até desaparecer de vista, com uma mochila nas costas e um tubo longo de arquitetura cruzado no peito.

— Para onde será que ela vai? — murmurou Alex, intrigado.

Estava tão perdido nos próprios pensamentos que nem percebeu Melanie de volta ao quarto.

— Por que será que Ashley retornou?

— Você está me ouvindo, seu maldito filho da puta?!

A voz estridente de Melanie o trouxe de volta à realidade. Alex respirou fundo enquanto vestia a camisa.

— Você ainda está aqui? Pensei que já tivesse ido. — disse, sem paciência.

— Eu estava justamente me despedindo de você! — ela retrucou, indignada.

— Não seja por isso! — rebateu, com deboche. — Adeus, Mel!

— Você é um imbecil!

Melanie fez uma careta de desdém, deu de ombros e saiu rebolando.

— Até nunca mais, idiota!

O barulho da porta da frente sendo destrancada e, logo depois, batida com força, ecoou pelo apartamento.

Alex revirou os olhos e seguiu para a cozinha, sentindo uma necessidade urgente de água.

Seu apartamento era espaçoso, com uma suíte e um quarto de hóspedes, localizado no térreo de uma rua próxima à praça, no centro de Lone Ridge. Era vizinho de Alec, que morava a duas quadras dali. A cozinha americana era ampla e bem equipada, o lugar perfeito para clarear a mente.

Ao entrar, notou um bilhete preso na porta da geladeira com goma de mascar. Reconheceu a letra de Dominic na hora e praguejou baixinho.

"Alex, há uma seringa com um medicamento sobre a bancada. Ashley disse que fará a dor de cabeça passar mais rápido. Peça à sua namorada para fazer a aplicação ou faça você mesmo.

PS.: Eu também te odeio! Até mais!"

— Dominic! — Alex rosnou, amassando o papel e jogando-o na lixeira.

Pegou um copo d’água e foi até a bancada, onde encontrou um pequeno pacote com uma ampola e uma seringa. Balançou a ampola nas mãos e soltou um suspiro de alívio ao lembrar que Melanie já tinha ido embora.

Se pedisse a ela para aplicar a dose, tinha certeza de que ela enfiaria a agulha na sua jugular. Além disso, duvidava que soubesse sequer segurar uma seringa.

— Melhor pedir a Allan para fazer isso.

Alex teria que encontrá-lo de qualquer forma no haras. Além disso, Allan tinha prática com essas coisas. Alex também sabia, mas no seu estado, tonto demais para acertar uma veia, era mais seguro contar com a experiência do irmão.

Seguiu para o banheiro e tomou um longo banho frio. A dor de cabeça persistia, e seu estômago estava embrulhado. Tinha algumas aulas de equitação para ministrar e precisava melhorar rápido.

Talvez um café ajudasse.

Vestiu seu uniforme de equitação, colocou o relógio e pegou seus documentos.

Ao sair, entrou no jipe estacionado em frente, desejou um bom dia aos vizinhos que encontrou pelo caminho e seguiu para o único lugar na cidade com um café decente: o Dallas Café.

O aroma intenso de café fresco envolveu Alex assim que ele atravessou a porta do estabelecimento. Localizado no coração da cidade, o Dallas Café era famoso pela qualidade impecável do café e pelos bolinhos macios, que derretiam na boca. O ambiente, inspirado nas cafeterias dos anos cinquenta, contava com fileiras de poltronas duplas, mesas largas dispostas nas laterais e, ao fundo, um balcão de madeira repleto de vitrines exibindo tortas e doces tentadores.

Ele deu uma rápida varredura no salão quase vazio. Além de um casal sentado à esquerda, apenas uma figura solitária ocupava uma mesa ao fundo. Uma pequena loira, distraída, estava debruçada sobre a mesa, um lápis equilibrado entre os lábios enquanto rabiscava anotações em uma folha enorme.

Ashley.

Um sorriso divertido surgiu no rosto de Alex. Sem pensar duas vezes, caminhou até ela, determinado.

Ao chegar, simplesmente se jogou na poltrona à sua frente, o peso de seu corpo afundando o estofado com um barulho seco.

Ashley deu um pulo, assustada, levando a mão ao peito.

Alex apenas sorriu, divertido com a reação dela.

— Bom dia, pequena trapaceira! — saudou, com a voz carregada de deboche. — Então foi aqui que você veio se esconder?

Ele inclinou-se para frente, apoiando os cotovelos na mesa.

— Que pena… Mas eu a encontrei.

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Comments

Lucimara Sousa santos

Lucimara Sousa santos

tô amando suas histórias pra ficar melhor só falta fotos essa é a segunda amei a primeira

2025-03-14

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Lucimara Sousa santos

Lucimara Sousa santos

eu acho que ela estava cuspindo a tequila na garrafa de cerveja kkkkk

2025-03-14

0

Ver todos
Capítulos
1 Capítulo 01 - A Volta da Garotinha Indefesa (Ou Não)
2 Capítulo 02 - Não Mexa com a Garota Errada
3 Capítulo 03 - Um retorno triunfal!
4 Capítulo 04 - Um despertar nada agradável
5 Capítulo 05 - Um Cretino Incorrigível
6 Capítulo 06 - Um encontro inesperado
7 Capítulo 07 - Sombra do Passado
8 Capítulo 08 - Destino ou Azar?
9 Capítulo 09 - Quem Rir Por Último… Casa?
10 Capítulo 10 - Uma Proposta Indecente
11 Capítulo 11 - O Preço de um Resgate
12 Capítulo 12 - Possibilidades
13 Capítulo 13 - O jogo do destino
14 Capítulo 14 - A Última Cartada
15 Capítulo 15 - Prova de Fogo
16 Capítulo 16 - Promessa de Vingança
17 Capítulo 17 - Que comecem os jogos…
18 Capítulo 18 - Coração Blindado… Ou quase.
19 Capítulo 19 - Lembranças de Vidro e Madeira
20 Capítulo 20 - Vulnerável Silêncio
21 Capítulo 21 - Desafios no Caminho
22 Capítulo 22 - Inimiga á vista
23 Capítulo 23 - Provocações Perigosas
24 Capítulo 24 - Mentiras Brilhantes
25 Capítulo 25 - Segurança ou Tentação?
26 Capítulo 26 - O Preço do Jogo
27 Capítulo 27 - Identidade Oculta
28 Capítulo 28 - Rock 'N' Rose
29 Capítulo 29 - Olhos Invisíveis
30 Capítulo 30 Proteção Proibida
31 ​​Capítulo 31 - Armadilha Silenciosa
32 Capítulo 32 - Um Lobo Entre Raposas
33 Capítulo 33 - A Vingança Tem Um Belo Sorriso
34 Capítulo 34 - Intriga e Desejo
35 Capítulo 35 - Jogos de Espiões
36 Capítulo 36 - Vigiada
37 Capítulo 37 - Pacto de Veneno
38 Capítulo 38 - Laços Invisíveis
39 Capítulo 39 - Entre a Raiva e o Desejo
40 Capítulo 40 - Entre Beijos e Espinhos
Capítulos

Atualizado até capítulo 40

1
Capítulo 01 - A Volta da Garotinha Indefesa (Ou Não)
2
Capítulo 02 - Não Mexa com a Garota Errada
3
Capítulo 03 - Um retorno triunfal!
4
Capítulo 04 - Um despertar nada agradável
5
Capítulo 05 - Um Cretino Incorrigível
6
Capítulo 06 - Um encontro inesperado
7
Capítulo 07 - Sombra do Passado
8
Capítulo 08 - Destino ou Azar?
9
Capítulo 09 - Quem Rir Por Último… Casa?
10
Capítulo 10 - Uma Proposta Indecente
11
Capítulo 11 - O Preço de um Resgate
12
Capítulo 12 - Possibilidades
13
Capítulo 13 - O jogo do destino
14
Capítulo 14 - A Última Cartada
15
Capítulo 15 - Prova de Fogo
16
Capítulo 16 - Promessa de Vingança
17
Capítulo 17 - Que comecem os jogos…
18
Capítulo 18 - Coração Blindado… Ou quase.
19
Capítulo 19 - Lembranças de Vidro e Madeira
20
Capítulo 20 - Vulnerável Silêncio
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Capítulo 21 - Desafios no Caminho
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Capítulo 22 - Inimiga á vista
23
Capítulo 23 - Provocações Perigosas
24
Capítulo 24 - Mentiras Brilhantes
25
Capítulo 25 - Segurança ou Tentação?
26
Capítulo 26 - O Preço do Jogo
27
Capítulo 27 - Identidade Oculta
28
Capítulo 28 - Rock 'N' Rose
29
Capítulo 29 - Olhos Invisíveis
30
Capítulo 30 Proteção Proibida
31
​​Capítulo 31 - Armadilha Silenciosa
32
Capítulo 32 - Um Lobo Entre Raposas
33
Capítulo 33 - A Vingança Tem Um Belo Sorriso
34
Capítulo 34 - Intriga e Desejo
35
Capítulo 35 - Jogos de Espiões
36
Capítulo 36 - Vigiada
37
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