O silêncio caiu sobre o ambiente como um peso. Um arrepio percorreu a espinha de Ashley, e ela se virou lentamente.
Ali estava ele. Postura confiante, olhar afiado, o corpo atlético sustentando uma arrogância quase ensaiada. Mesmo causando calafrios, a presença de Alex Stella só a fez se lembrar de como ele adorava zombar dela.
— Quem vai me deter? Você, Stella? – Eddy riu, cheio de escárnio. – Não precisamos brigar por causa dela. Podemos dividir.
Ashley arqueou uma sobrancelha, o estômago revirando de nojo.
— Você é um verme, sabia? – disse, a voz carregada de desprezo. – Eu não sou algo para ser dividido, e definitivamente não preciso que ninguém me defenda.
Eddy sorriu, presunçoso.
— Então vem comigo. Tenho certeza de que Alex já tem outra distração para esta noite.
Alex soltou uma risada baixa, carregada de desafio.
— E se ela não quiser ir com você?
— Ah, ela vai – garantiu Eddy, inflando o peito. – Você verá. Aliás, seu tempo nesta cidade está acabando, Stella. As mulheres estão ficando escassas para caírem na sua conversa fiada.
O ar ao redor pareceu carregar eletricidade. Alex cerrou os punhos e deu um passo à frente, os olhos faiscando.
— Acho melhor você calar essa sua boca de latrina – rosnou. – Posso não ser um santo, mas você… você é o lixo rastejante do qual até o inferno teria vergonha.
Ashley bufou.
Eles estavam falando dela como se ela não estivesse ali.
Inspirando fundo, avançou um passo e se enfiou entre os dois, com uma impaciência que beirava o cansaço.
— Ouçam bem, porque eu só vou dizer uma vez! – Sua voz cortou o ambiente como uma faca. – Eu não vou com nenhum de vocês para lugar nenhum. Sou uma mulher adulta, dona da minha própria vida, e não uma moeda para a disputa de quem tem mais testosterona.
O silêncio foi absoluto.
— E agora, se me dão licença, tenho coisas mais importantes para fazer do que assistir a essa competição ridícula.
Ashley virou as costas e caminhou decidida para o bar.
Atrás dela, Alex ainda parecia atônito, um misto de surpresa e admiração nos olhos. Eddy, por outro lado, não estava disposto a aceitar a derrota.
— Espere! Você não vai a lugar algum sem mim! – ele esbravejou, agarrando o pulso dela com força.
Alex deu um passo à frente, mas não teve tempo de agir.
Num piscar de olhos, Eddy estava no chão, o nariz sangrando.
Ashley sacudiu a mão e estreitou os olhos para ele.
— Avisei para não tocar em mim.
— Você quebrou o meu nariz, sua desgraçada!
Ashley cruzou os braços, impassível.
— Se continuar falando comigo desse jeito, vou quebrar os seus dentes também.
Eddy rosnou, tentando se erguer, mas teve que se apoiar no amigo, que se abaixou para ajudá-lo. Com a fúria estampada no rosto, fez menção de avançar contra Ashley, mas Alex se colocou no caminho. O olhar dele deixava claro: ou Eddy continuava no chão, ou dava o fora dali.
Frederick, percebendo que a situação poderia sair do controle, colocou as mãos no peito do amigo, impedindo-o de ir adiante.
— Relaxa, Eddy… – murmurou, desconfortável com a atenção que haviam atraído. – Vamos deixar isso para lá. Tem muitas outras garotas por aí.
Ashley ergueu uma sobrancelha e sorriu com ironia.
— Ouça seu amigo. Parece que pelo menos um de vocês tem um pingo de bom senso.
As palavras dela foram como um fósforo jogado em gasolina. Eddy tentou se desvencilhar de Frederick, mas foi contido de novo.
— Sua cadela insolente! Você vai pagar caro por isso!
Ashley suspirou teatralmente, sem se abalar.
— Sabe o que eu acho? – disse, inclinando a cabeça. – Que você é só mais um riquinho mimado que não sabe lidar com um “não”.
O rosto de Eddy ficou vermelho de fúria.
— Vou matar você, sua vadia!
Antes que ele pudesse dar um passo, Alex o agarrou pela gola da camisa e o puxou para perto, sua voz um rosnado baixo e ameaçador.
— Você não vai fazer nada. Ou prefere que eu refresque sua memória sobre o que aconteceu da última vez que resolveu agir como o idiota que é?
O silêncio que se seguiu foi quase ensurdecedor.
Ashley apenas observou, sem surpresa. Aquilo só confirmava o que ela já sabia: Eddy Thomas continuava sendo o mesmo imbecil de sempre.
Embora relutante, as palavras de Alex tiveram efeito. Eddy recuou, mas ainda lançou um olhar venenoso para Ashley.
— Isso não acaba aqui! Ninguém insulta Edward Thomas e sai impune!
— Ah, por favor… – Ashley revirou os olhos. – Você soa como um vilão barato de novela.
O sangue de Eddy ferveu.
— Você vai pagar por essa afronta, sua…
— Vai para o inferno, Eddy! – Ashley gritou antes que ele terminasse, enquanto Frederick o arrastava em direção ao outro lado da rua, onde um letreiro piscava sobre um clube de strip-tease.
— Idiota! – completou ela, sem o menor interesse em esconder o desprezo.
Ashley balançou a cabeça, ainda mais irritada. O silêncio que se seguiu foi pesado, preenchido apenas pelo eco distante da cidade.
Então, a voz de Alex rompeu a quietude, mais suave desta vez:
— Você está bem?
Ele ergueu as mangas da camisa negra, revelando os antebraços firmes. Sob a luz prateada da lua cheia, o anel prateado brilhou em seu dedo mindinho.
Ashley reconheceu aquele anel de imediato. Era de formatura, um presente do pai de Alex no dia em que ele se formou no colegial. Ela mal podia acreditar que ele ainda o usava. Seus olhos deslizaram instintivamente para o crucifixo, pendendo de um cordão fino ao redor do pescoço dele, contrastando com a pele morena e a parte do peito revelada pelos dois primeiros botões abertos da camisa.
O estalar dos dedos de Alex a trouxe de volta ao momento presente.
— O quê?
Alex sorriu de canto, divertido, mas com um olhar atento.
— Perguntei se você está bem.
Ashley piscou, ainda desconcertada.
— Sim… Claro que estou bem! – respondeu, tentando recuperar a compostura. Mas logo, um sorriso irônico surgiu em seus lábios. – Eles é que deveriam tomar cuidado com quem resolvem mexer.
Alex riu suavemente, admirado pela coragem dela.
— Você realmente tem coragem, sabia? Enfrentar Eddy e Freddy assim… Eles não costumam aceitar um não como resposta, sendo conhecidos por serem agressivos. – Ele fez uma pausa, lançando um olhar reprovador. – Eles têm fama de assediar mulheres nas saídas dos bares.
— Em resumo: continuam dois idiotas sem nenhuma noção. – Ashley o encarou, desafiadora, o brilho em seus olhos visível. – Eles deveriam ter mais cuidado comigo. Não sou mais aquela garota frágil do colegial que eles costumavam infernizar. Aliás, você também.
Alex arqueou uma sobrancelha, curioso.
— Isso foi uma ameaça, pequena?
— Um aviso!
Ele soltou uma risada baixa, sem deixar de observá-la atentamente. Então, seus olhos se fixaram no braço dela, na tatuagem que cobria uma cicatriz profunda.
— Vejo que você tem se reinventado. – Ele apontou para a tatuagem. – Quando saiu da cidade, isso não fazia parte de você.
Ashley olhou para o braço e sorriu, tocando a tatuagem com a ponta dos dedos.
— Lex me deixou uma lembrança, então achei que era hora de transformá-la em algo melhor.
— Escolheu bem. A fênix combina com você.
— É... Ela me representa de uma forma que palavras não conseguem.
Alex desviou o olhar, agora fixando-se no ombro dela, onde uma cicatriz ainda estava visível. Um suspiro pesado escapou de seus lábios.
— Por que não cobriu essa também?
Ashley olhou para ele, surpresa, mas não demonstrou raiva. Era como se uma memória dolorosa tivesse ressurgido, mas ela a encarou sem hesitação.
— Porque essa é a que tenho mais orgulho de carregar. Sei bem como foi feita.
Alex abaixou a cabeça, seu semblante carregado de arrependimento.
— Eu nunca consigo parar de pensar naquele dia. Se houvesse outra maneira…
— A culpa não foi sua! Fui eu quem mandou você atirar. Era o único jeito de salvar minha vida e deter Bryan.
— Mesmo assim, eu sinto muito. – Ele parecia genuinamente preocupado. – Ela ainda dói?
— Não tanto quanto antes, mas, às vezes, dá uma dorzinha. – Ashley tocou o local da cicatriz e sorriu suavemente. – Acho que o tempo tem esse poder, de curar algumas coisas.
Aquelas palavras fizeram Alex parar por um momento, pensativo, mas logo ele mudou de assunto.
— E então, como foi Nova York?
Ashley sorriu, recordando os desafios.
— Foi uma experiência única. No começo, foi difícil, mas muito proveitosa.
Alex assentiu, com uma expressão pensativa.
— Nova York pode ser assustadora no começo. Tudo é imenso, muito rápido… A cidade tem esse… poder, sabe? Ela te engole, mas te faz crescer.
Ashley franziu a testa, curiosa com as palavras dele.
— Você já esteve lá? Fala disso com tanta propriedade…
Alex olhou para ela com uma expressão enigmática, quase como se guardasse um segredo.
— Sim, mais do que você pode imaginar.
Ashley arqueou uma sobrancelha, intrigada, tentando decifrar o que ele queria dizer. Por um instante, seus olhares se encontraram e, naquele instante, um calor estranho tomou conta dela, como se algo os unisse sem palavras.
Alex abriu a boca para falar mais alguma coisa, mas a voz de Melanie Carmichael interrompeu a cena.
— Alex! Acho que ela não precisa mais de ajuda.
Ashley olhou na direção da voz, vendo Melanie parada com os braços cruzados, os olhos cheios de desprezo. A mulher estava claramente irritada, e Ashley não precisou de mais nada para perceber que, minutos antes, ela estava grudada em Alex na varanda.
Ashley soltou um suspiro, entendendo a situação. Sabia exatamente como a história ia terminar.
— Algumas coisas nunca mudam. – disse, com um tom de desdém. – Bem, eu preciso entregar as chaves da caminhonete para a Kyera. Você pode voltar para o que estava fazendo, Alex. E não se preocupe comigo, posso me virar sozinha.
Antes que ele pudesse responder, Ashley deu as costas e se afastou, indo em direção ao bar, deixando Alex ali, parado, assistindo à partida dela.
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Atualizado até capítulo 40
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