Cap. 14- Quanto tempo dura um Luto?

...Rebecca...

Eu tento me divertir e esquecer do que aconteceu, mas é tão difícil continuar a viver quando o nosso coração foi esmagado e a dor do luto nos consome de tal maneira que às vezes é difícil até para respirar.

Já faz três anos que o Sebastian se foi e me deixou assim, nós tivemos um namoro incrível, éramos inseparáveis, nunca na minha vida imaginei viver algo assim tão intenso e forte, ele tinha o espírito livre e era movido pela adrenalina, os esportes estavam impregnados em seu DNA, e amava aventura, esportes radicais, sempre brincalhão, charmoso e sorridente e isso chamava muito a atenção de todos, inclusive das mulheres, mas ele só tinha olhos para mim, como dizíamos um para o outro que a nossa conexão era além da vida.

Me lembro como se fosse hoje, fomos escalar no final de semana do seu aniversário , ele sempre me chamava e eu nunca ia, afinal não era a minha praia, mas quis fazer uma surpresa e até fiz umas aulas básicas para conseguir acompanhar ele nessa aventura.

Estava tudo correndo muito bem, e estávamos quase no topo, quando ele num vacilo bobo se desequilibrou e caiu, ficou preso pelas cordas mas bateu a cabeça no impacto, ainda estava consciente, foi tudo muito rápido que até hoje não me conformo com isso, eu consegui pedir socorro e a todo momento ele pedindo-me para ter cuidado, a sua preocupação era comigo, dizia que isso não poderia acontecer, ele tinha que fazer algo incrível, bom esse foi o pior dia da minha vida, quando ele foi finalmente resgatado, e chegou ao hospital já sem consciência, foi para cirurgia e saiu de lá com morte cerebral.

Eu perdi o meu amor no dia do aniversário dele e no dia em que ele me pediria em casamento, a família dele veio e doaram os seus órgãos, um mês depois os policiais que investigaram o acidente acharam o anel de noivado e a mãe dele me deu, ando com ele no meu pescoço para ter ao menos alguma coisa dele, ou que ele tenha tocado.

O sofrimento foi tanto que desisti da vida, de tudo, a depressão tomou conta do meu corpo, da minha alma e do meu coração, tudo era sem graça, sem vida, sem cor.

Me alimentar era difícil demais, levantar da cama então impossível, a morte era o meu pensamento mais constante, queria acabar com o meu sofrimento, um dia em uma crise eu simplesmente peguei vários comprimidos para dormir e ia tomar para que isso acabasse, mas um anjinho de dois aninhos me salvou, até hoje não sabemos como a porta do meu quarto se abriu ele veio até onde estava sentada no chão e me abraçou se encostou no meu peito e dormiu, eu me lembro de ficar muito tempo olhando ele tão perfeito, sereno, ressonando baixinho, não sei o que aconteceu, todos já tinham me implorado para me alimentar, para sair do quarto, me levaram no médico, me deram muito amor, muito carinho, mas aquele gesto do nosso Jonjon me tirou da escuridão que eu estava e a partir desse dia, eu quis viver, não vou dizer que foi fácil, estou fazendo terapia, trabalho e tento viver uma vida normal, mas ainda tenho crises, óbvio que com menos intensidade.

A saudade ainda me consome, ainda não me relacionei com ninguém depois dele, nem ao menos um beijo, brinco que vou arrumar um médico gato, mas acredito que ainda não esteja na hora, se Deus quiser que eu tenha uma família uma hora eu vou encontrar alguém que chame a minha atenção, não sei se podemos amar duas pessoas ao mesmo tempo, ou se só vou amar o Sebastian por toda a minha vida.

Me pergunto quanto tempo ainda vai durar esse sofrimento, o meu luto.

O trabalho é o meu maior aliado, e o meu objetivo é ser uma neurocirurgiã assim como o meu pai.

Cibelle: Você já conheceu o novo chefe da neuro?

Rebecca: Não, ele veio de Chicago não é, soube que foi ele quem ganhou o prêmio de cirurgia do ano.

Cibelle: Sim, o próprio, mas o que ele tem de lindo, tem de sério e competente na mesma proporção, ouvi dizer que não dá moleza para ninguém.

Rebecca: Então vamos lá, hoje eles vão escolher quem fica com quem.

E assim fomos para junto dos outros na sala dos médicos e o meu nome estava para iniciar na neuro, e o chefe é realmente lindo, e bem sério também.

Anthony: Vamos ao trabalho, para quem não me conhece, o meu nome é Anthony Greymon, não suporto atrasos, conversas paralelas, e o mais importante não destratar paciente nenhum, eles tem que ser tratados com total respeito, do mais o que não souberem pesquisem antes de fazer-me qualquer pergunta idiota, creio que todos que estão aqui tem capacidade de se tornar um ótimo profissional, com muita disciplina, estudo e muito esforço, quem sabe um dia sejam tão bons quanto a mim.

Eu falo mais para mim do que para qualquer pessoa ouvir, mas ele ouve.

Rebecca: E quem quer ser igual ao Senhor Arrogante.

Anthony: Você, qual o seu nome?

Eu e a minha boca grande.

Rebecca: Desculpe, meu nome é Rebecca Evans.

Anthony: Alguma relação com o falecido Dr. Evans?

Rebecca: Ele era o meu pai.

Anthony: Vejo que temos uma Pepita por aqui, o seu pai era um médico excepcional, se for um terço do profissional que ele era, tenho certeza que nos daremos bem, mas contenha as suas opiniões desnecessárias, e comigo não existe privilégio.

Ele fala e vira para começar a visita aos pacientes.

Eu fico com cara de tonta, idiota, arrogante, quem ele pensa que é? para falar comigo assim, que raiva.

Cibelle: Nossa, vejo que já impressionou o chefe hein kkkk

Ela fala e sai andando, eu vou atrás do Sr. Arrogante para começar a trabalhar, mas que raios é Pepita?

O dia inteiro ele me fez perguntas, até parecia que só tinha eu de residente ali, a minha sorte é que tenho boa memória e adoro ler, então consegui responder tudo sem hesitar.

Enfim, chegou a hora de ir embora, e mais uma vez nos encontramos no estacionamento, e por coincidência ele parou o carro dele ao lado do meu.

Anthony: Boa noite Senhorita Pepita, tenha um excelente descanso kkkk.

Ele fala dá risada e entra no carro dele me deixando mais uma vez com cara de idiota, como uma pessoa que acabei de conhecer consegue me tirar do sério assim tão rápido, AFF, entro no carro e vou para casa, hoje o dia foi bem cansativo, assim que vou chegando ao meu endereço tem um caminhão de mudanças praticamente fechando a rua, está bem em frente a minha casa, provavelmente alguém comprou a casa da frente que estava a venda, espero que os novos vizinhos sejam pessoas amigáveis.........

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Comments

Arilene Vicente

Arilene Vicente

Nao sabe ela que o novo vizinho é o médico bonitão kkk

2025-03-21

1

Cleide Almeida

Cleide Almeida

kkkkk agora ela arrumou um pra tirar um do sério kkk

2024-12-02

1

Arilene Vicente

Arilene Vicente

Mal sabe ela que o novo vizinho é o médico bonitão kkk

2025-03-21

2

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