Isabella respirou fundo, sentindo o peso da situação. Depois de alguns instantes de silêncio, ela olhou diretamente para Gabriel, sua expressão séria e firme.
—Gabriel",— começou ela, com a voz controlada. —Você pode ser o pai de Safira pois é um direito seu mas nada mais que isso.
Ele a encarou, surpreso, mas não disse nada. Apenas esperou que ela continuasse.
— Sei que você quer fazer parte da vida dela, e eu não vou impedir isso. Ela merece conhecer o pai, merece ter você por perto, mas... entre nós, não há mais nada. Aquilo que tivemos ficou no passado. Eu segui em frente. A única coisa que importa agora é o bem-estar da Safira.
Gabriel passou a mão pelos cabelos, tentando absorver aquelas palavras.
—Eu entendo que as coisas não serão fáceis, Isabella. E respeito o que você está dizendo, mas não posso ignorar o que sinto. Ver você novamente trouxe à tona tudo o que eu tentei esquecer por anos eu errei no passado, sei disso, mas não vou desistir tão fácil.
—Gabriel, isso não é sobre você ou o que você sente,— ela retrucou, sua voz ficando mais firme. —É sobre a Safira. É sobre o que ela precisa, o que é melhor para ela. E o melhor para ela agora é ter estabilidade. Então, por favor, se você realmente quer fazer parte da vida dela, faça como pai. Só isso.
Ele suspirou, visivelmente abalado.
—Tudo bem, Isabella. Se isso é o que você quer, vou respeitar. Mas vou provar, com o tempo, que posso ser mais do que apenas o pai dela. Não por mim, mas por nós três.
Ela balançou a cabeça, cansada.
— Não prometa algo que não pode cumprir, Gabriel. Não complique ainda mais as coisas.
Os dois ficaram em silêncio por alguns momentos, ambos perdidos em seus próprios pensamentos. Safira, alheia à tensão entre os dois, brincava com o pingente do colar.
—Eu preciso ir agora,—disse ele, finalmente. —Mas vou voltar amanhã para ver como ela está.
Isabella assentiu.
—Tudo bem. Eu estarei aqui.
Ele deu uma última olhada em Safira antes de sair, seu coração dividido entre a felicidade de conhecê-la e a frustração de não conseguir se reaproximar de Isabella. Enquanto caminhava pelo corredor do hospital, ele prometeu a si mesmo que faria o possível para construir um vínculo verdadeiro com sua filha e, quem sabe, conquistar de volta o coração da mulher que ele nunca conseguiu esquecer.
Marina entrou no quarto com dois copos de café nas mãos, entregando um deles a Isabella, que parecia perdida em pensamentos enquanto observava Safira dormir tranquilamente.
— Você parece que viu um fantasma,— comentou Marina, sentando-se ao lado da amiga. —O que foi que aconteceu?
Isabella suspirou e tomou um gole do café antes de começar a falar.
—Gabriel,Eu deixei ele ver Safira. Ele... ele disse que quer dar o nome dele a ela, e que não vai desistir de estar presente.
Marina arqueou as sobrancelhas, surpresa.
—Uau... E o que você disse a ele?
—Disse que ele podia ser o pai dela e nada mais.—respondeu Isabella, com a voz firme, mas Marina percebeu a hesitação por trás das palavras.
—Você tem certeza disso?— Marina perguntou suavemente.
—Tenho, —disse Isabella rapidamente, mas desviou o olhar. —Quer dizer, eu acho que tenho. É complicado, Marina. Ver ele aqui, disposto a fazer algo por Safira... trouxe lembranças. Boas e ruins. Mas não posso simplesmente esquecer tudo o que aconteceu.
Marina a encarou por alguns instantes antes de falar.
— Isa, escuta... você ainda ama o Gabriel?
Isabella hesitou, tentando organizar seus pensamentos.
—Não sei, —admitiu finalmente. —Talvez uma parte de mim ainda sinta algo, mas também sinto raiva. Ele me machucou, Marina. Me abandonou quando eu mais precisava. Não posso simplesmente ignorar isso.
Marina assentiu, pensativa.
—Eu entendo, amiga, mas também acho que você merece ser feliz. Olha, se você ainda sente algo, talvez valha a pena dar uma chance. Não estou dizendo para facilitar as coisas para ele, de jeito nenhum. Deixe ele lutar por você, sem saber que você está observando. Assim, você pode descobrir se ele realmente mudou e se vale a pena tentar.
Isabella balançou a cabeça, um pouco relutante.
—E se eu me magoar de novo? E se ele não for quem ele está tentando parecer ser?
—Você nunca vai saber se não tentar,— respondeu Marina com um sorriso encorajador. —Você é uma mulher incrível, Isa. Forte, independente. Você não precisa dele para ser feliz, mas talvez ele possa ser uma parte dessa felicidade, se ele realmente tiver mudado.
Isabella ficou em silêncio, refletindo sobre as palavras da amiga enquanto olhava para Safira, que dormia tranquilamente. Talvez Marina estivesse certa. Talvez fosse hora de parar de fugir do passado e encarar o que ainda restava entre ela e Gabriel, mesmo que isso significasse arriscar seu coração novamente.
A noite caiu lentamente, trazendo uma tranquilidade aparente ao hospital. Marina, depois de passar o dia ao lado de Isabella, decidiu ir embora para que a amiga pudesse descansar.
—Se precisar de qualquer coisa, me liga, tá?— disse Marina, com um sorriso carinhoso, enquanto pegava sua bolsa.
—Obrigada, Marina. Por tudo.— respondeu Isabella, dando um abraço apertado na amiga.
Depois que Marina saiu, o silêncio tomou conta do quarto. Isabella olhou para Safira, que dormia serenamente na cama ao lado, ainda ligada a alguns aparelhos de monitoramento. Com cuidado, Isabella subiu na cama e puxou Safira para seus braços, aconchegando-se junto a ela.
—Minha pequena guerreira.—sussurrou, acariciando suavemente os cabelos da filha. Apesar de todo o turbilhão de emoções que estava vivendo, aquele momento com Safira lhe trazia paz.
Com o cansaço do dia finalmente a dominando, Isabella fechou os olhos e adormeceu. Mas, mesmo em seus sonhos, sua mente não a deixava em paz.
Ela se viu de volta ao passado, no tempo em que tudo parecia perfeito entre ela e Gabriel. O sorriso dele, os momentos felizes que compartilhavam... tudo parecia tão real. De repente, o sonho mudou. Ela o via agora como no hospital, olhando para Safira com uma mistura de surpresa e emoção. A cena se desdobrou, e ela o viu segurando a pequena nos braços, como se nunca a tivesse deixado.
Mas algo a perturbava nesse sonho. Era como se ela estivesse dividida entre a alegria de vê-lo com Safira e o medo de que ele pudesse magoá-las novamente.
Isabella acordou com um sobressalto, o coração acelerado. O quarto estava escuro, iluminado apenas pela luz suave dos monitores. Safira continuava dormindo profundamente em seus braços, alheia às angústias da mãe.
Ela respirou fundo, tentando acalmar o coração. "Foi só um sonho", murmurou para si mesma. Mas, mesmo assim, ela não conseguia ignorar a sensação de que Gabriel estava cada vez mais presente em sua vida, tanto na realidade quanto em seus pensamentos.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 46
Comments
Rayla Maura
Deixa Isa ele entrar na vida de vcs duas
2025-02-26
1
Maria Carmelita Albuquerque
É difícil tomar uma decisão quando ainda existe mágoa e um sentimento de medo dentro da gente que impede de enxergar e agir com clareza.
2025-01-21
3