Ao sair da casa dos pais, Gabriel entrou no carro e encostou a cabeça no volante por alguns segundos,ele respirou fundo, tentando organizar seus pensamentos. Ter revelado a existência de Safira para seus pais foi um alívio, mas o verdadeiro desafio ainda estava por vir: conquistar o espaço que tanto queria na vida de sua filha e, quem sabe, reconstruir o que havia perdido com Isabella.
Decidido a saber como Safira estava, ele pegou o celular e procurou o número de Isabella. A ligação demorou alguns segundos para ser atendida, e ele quase desistiu, mas, finalmente, ouviu a voz dela do outro lado.
—Gabriel?— perguntou Isabella, parecendo surpresa.
—Oi, Isabella. Desculpe ligar assim de repente. Eu só... queria saber como Safira está. Ela dormiu bem? Alguma novidade?
Houve uma pausa, e Gabriel quase podia ouvir Isabella pensar antes de responder:
—Ela está bem. A febre passou, e o médico disse que a recuperação está indo conforme o esperado. Agora ela está descansando no quarto.
—Fico aliviado em saber disso— disse Gabriel, sua voz genuína. —Eu estava preocupado.
Isabella soltou um suspiro, tentando manter a conversa neutra.
—Obrigada por perguntar. E obrigada... por tudo ontem.
—Não precisa agradecer, Isabella. Eu faria qualquer coisa por ela. E por você também.— respondeu ele, a sinceridade evidente em seu tom.
Isabella hesitou.
—Gabriel, eu... ainda estou processando tudo. Não é fácil para mim lidar com isso depois de tanto tempo.
—Eu entendo,—ele disse, tentando acalmá-la. —Não quero te pressionar, Isabella. Só quero estar por perto, tanto para você quanto para Safira. Quando você estiver pronta, me avise. Eu só quero ser o pai que ela merece.
O silêncio do outro lado da linha fez Gabriel pensar que talvez tivesse falado demais. Mas, para sua surpresa, Isabella finalmente respondeu, com a voz mais suave:
—Eu vou pensar em tudo isso, Gabriel. Mas agora preciso cuidar dela e tentar organizar as coisas. A gente conversa outra hora, está bem?
—Claro. Só quero que saiba que estou aqui, Isabella. Sempre estarei não vou abandona-las de novo eu juro.
—Obrigada. Até mais, Gabriel.
—Até mais.
Quando a ligação terminou, Gabriel encostou-se ao banco do carro, sentindo uma mistura de alívio e frustração. Ele sabia que seria um longo caminho, mas, pela primeira vez em anos, sentiu que havia uma chance de reparar seus erros.
Enquanto dirigia de volta para casa, ele só tinha um pensamento em mente: faria de tudo para estar presente na vida de Safira e, se Isabella permitisse, na dela também.
Gabriel ficou pensando em cada palavra que Isabella havia dito. Ele entendia que ela precisava de espaço e tempo, mas seu desejo de estar presente na vida de Safira só crescia. A imagem da menina, tão pequena e vulnerável, o preenchia com um sentimento que ele nunca havia experimentado antes: o amor incondicional de um pai.
No dia seguinte, Gabriel decidiu começar a agir. Ele procurou um presente que pudesse simbolizar o começo de algo novo com Safira, algo significativo, mas que não parecesse invasivo. Depois de horas de busca, encontrou um colar delicado com um pingente em forma de estrela. Para ele, Safira era uma estrela que ele finalmente havia descoberto no céu de sua vida.
Com o presente em mãos, ele foi até o hospital no fim da tarde. Antes de entrar, ele hesitou. E se Isabella ainda não estivesse pronta para que ele se aproximasse? E se Safira não o aceitasse? Mas, antes que pudesse desistir, ele se lembrou do que havia prometido a si mesmo: faria qualquer coisa por sua filha.
No quarto, Isabella estava sentada ao lado de Safira, que parecia mais corada e bem-disposta. Marina também estava lá, distraída com alguns papéis, mas foi a primeira a notar a presença de Gabriel.
—Oi, Gabriel,—disse Marina, com um tom amigável, mas cauteloso. —Você veio ver a Safira?
Isabella levantou os olhos, surpresa ao vê-lo ali.
—Gabriel... eu não sabia que você vinha.
Ele deu um passo à frente, segurando o pequeno embrulho.
—Eu queria ver como ela está e... trazer isso para ela.
Safira, curiosa, olhou para o embrulho nas mãos dele. Isabella observou a cena, visivelmente tensa, mas deu um pequeno aceno para que ele se aproximasse.
—Oi, Safira,— disse Gabriel, abaixando-se na altura dela. —Eu sou Gabriel. É um prazer te conhecer.
A menina o olhou com seus olhos curiosos e disse, baixinho:
—Você trouxe um presente?
Gabriel sorriu, tentando conter a emoção.
—Sim, eu trouxe. Espero que você goste.— Ele entregou o embrulho, e Safira, com a ajuda de Isabella, abriu o pacote.
—É lindo!—exclamou a menina ao ver o colar. —É uma estrela!
—Porque você é uma estrela,—disse Gabriel suavemente. —Brilha muito e ilumina tudo ao seu redor.
Isabella observava a interação em silêncio, com um misto de emoções. Safira, empolgada, pediu para que a mãe colocasse o colar nela.
—Obrigada, Gabriel.— disse Safira, sorrindo.
—De nada, pequena.—respondeu ele, com um brilho nos olhos.
Marina, percebendo o clima delicado, se levantou.
—Vou buscar um café. Vocês precisam de um tempo.—disse, saindo discretamente.
Isabella suspirou e, após alguns segundos, falou:
—Gabriel, eu não esperava que você viesse hoje.
—Eu sei,—ele respondeu—mas eu precisava. Depois de tanto tempo, Isabella, eu não quero mais perder momentos importantes. E sei que temos muito para conversar, mas... obrigado por me permitir conhecê-la.
Isabella olhou para Safira, que brincava com o pingente.
—Ela merece conhecer o pai. Mas, Gabriel, isso não vai ser fácil.
—Eu sei,—ele disse, determinado.—Mas estou disposto a fazer o que for preciso. Por ela. E por você também, se ainda houver uma chance.
Isabella desviou o olhar, sentindo o peso de suas palavras. Ela sabia que não seria simples, mas parte dela ainda acreditava que talvez pudesse existir um futuro diferente para todos eles.
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Atualizado até capítulo 46
Comments
Andréa Debossan
tbm acho que ela deve dar uma chance a ele! Outra coisa, cadê a Elena mae da Mmarina? A mulher sumiu e a mãe dela tbm
2025-01-22
1
Cristina Santos
Acredito que a Safira será a responsável por juntar o Gabriel a Isabela de novo 🥰🥰🥰
2025-03-31
1
Rayla Maura
Quanta emoção, juntos vão vencer
2025-02-26
1