Horas se passaram, cada minuto parecendo uma eternidade. Isabella não conseguia ficar sentada, andando de um lado para o outro enquanto Marina tentava acalmá-la. Gabriel, mais contido, permanecia em silêncio, com o olhar fixo na porta por onde o médico havia saído.
Finalmente, a porta se abriu, e o médico surgiu com um sorriso tranquilizador.
— A cirurgia foi um sucesso— anunciou ele, fazendo os três soltarem um suspiro de alívio quase simultâneo. — Safira está se recuperando bem. Ela ainda está sedada, mas vocês poderão vê-la em breve.
Isabella sentiu as pernas fraquejarem, e Marina rapidamente a segurou.
— Eu disse que ela é forte, Isa — sussurrou Marina com um sorriso, tentando conter a própria emoção.
Gabriel, que até então estava em silêncio, passou as mãos pelo rosto, aliviado.
— Obrigado, doutor — disse ele, a voz rouca de emoção.
O médico assentiu e continuou.
— Ela precisará de repouso e de cuidados especiais nos próximos dias, mas tudo indica que não teremos complicações. Um de vocês pode entrar primeiro para vê-la, mas apenas por alguns minutos.
Isabella imediatamente deu um passo à frente.
— Eu vou— disse ela sem hesitar. Gabriel e Marina assentiram, compreendendo que aquele momento era dela.
Quando Isabella entrou no quarto, viu Safira deitada na cama, ainda com os olhos fechados, mas com a respiração tranquila. Lágrimas escorreram pelo seu rosto enquanto ela se aproximava, segurando a pequena mão da filha.
— Você é tão forte, minha princesa— sussurrou. —Mamãe está aqui, e eu nunca vou deixar nada de ruim te acontecer.
Alguns minutos depois, Isabella saiu do quarto, e Marina foi até ela, abraçando-a.
—Ela vai ficar bem, Isa. Você também.
Gabriel, mantendo uma distância respeitosa, esperou até que Isabella estivesse pronta para olhar para ele. Quando seus olhos se encontraram, ele deu um passo à frente.
—Obrigado por me deixar ajudar. Eu só quero que ela tenha tudo o que precisa. Se houver qualquer coisa...
Isabella assentiu, ainda emocionada.
— Eu sei, Gabriel. E nós vamos conversar... mas, por enquanto, o mais importante é Safira.
Ele concordou em silêncio. O momento era delicado, mas pela primeira vez em anos, havia uma esperança, um fio que os conectava novamente. Eles sabiam que ainda tinham muito a resolver, mas naquele instante, o mais importante era a recuperação de Safira.
Gabriel já estava se preparando para sair, sentindo que sua presença não era mais necessária. Ele deu um último olhar para Isabella e Marina, acenando discretamente com a cabeça.
—Eu vou indo, mas... se precisarem de algo, me avisem.—disse ele com a voz baixa, contendo a mistura de emoções que o dominava.
Antes que ele alcançasse a porta, a voz de Isabella o chamou, suave, mas firme:
—Gabriel, espera.
Ele parou e virou-se, confuso. Isabella respirou fundo, como se estivesse se preparando para algo muito maior do que apenas palavras.
—Você... salvou a vida da nossa filha. Acho que é justo que você a veja.
Gabriel ficou imóvel por um momento, as palavras dela ecoando em sua mente. "Nossa filha." Era a primeira vez que ouvia isso de forma tão clara. Ele piscou, tentando processar, e assentiu devagar.
— Eu... adoraria vê-la.
Isabella indicou com um gesto para que ele a seguisse. Os dois caminharam em silêncio pelos corredores do hospital, cada passo carregado de significados não ditos. Quando chegaram ao quarto, Isabella parou na porta, olhando para Safira deitada, ainda sonolenta, mas tranquila.
—Ela está descansando.— murmurou Isabella, quase como se não quisesse quebrar o silêncio sereno do momento.
Gabriel deu alguns passos para dentro do quarto, aproximando-se da pequena cama. Quando seus olhos pousaram em Safira, ele sentiu algo profundo dentro de si, um turbilhão de emoções que ele não conseguia descrever. Ela era tão pequena, tão frágil, e, ao mesmo tempo, tão cheia de vida.
—Ela é... linda.— disse ele, a voz embargada.
—Ela puxou muito a você.— Isabella comentou suavemente, observando a cena com atenção.
Gabriel se ajoelhou ao lado da cama, olhando para cada detalhe do rosto da menina.
—Eu... eu sinto muito, Isabella. Por tudo. Por não estar aqui antes. Por ter falhado com vocês.
Isabella sentiu o peso daquelas palavras, mas não respondeu imediatamente. Ela sabia que aquela conversa teria que acontecer em outro momento, quando as emoções não estivessem tão à flor da pele.
—Agora, o que importa é que ela está bem. E você teve um papel muito importante nisso.— respondeu finalmente.
Gabriel olhou para Safira novamente, e uma lágrima solitária escorreu por seu rosto.
—Eu só quero ser o pai que ela merece, se você permitir.
Isabella o observou em silêncio, o coração dividido entre o passado e o presente. Havia muito a ser resolvido, mas naquele momento, enquanto Gabriel olhava para a filha pela primeira vez, ela sentiu que talvez houvesse espaço para uma nova história entre eles.
Isabella suspirou profundamente, tentando organizar os pensamentos antes de responder. Olhando para Gabriel, ela percebeu o quão determinado ele parecia. Mesmo assim, a intensidade da situação a deixava insegura.
—Assim que Safira estiver completamente recuperada, eu vou conversar com ela e contar a verdade. Ela tem o direito de saber.— disse Isabella, mantendo o olhar fixo no dele.
Gabriel assentiu, aliviado, mas seu semblante continuava sério.
—Tudo bem, Isabella. Eu respeito o seu tempo com ela. Mas uma coisa é certa: eu quero dar meu nome a Safira. Quero que ela saiba que tem um pai e que faço parte da vida dela.
As palavras de Gabriel ecoaram no coração de Isabella. Durante tantos anos, ela havia lutado sozinha para criar Safira, protegendo-a de qualquer possibilidade de mágoa. Agora, ouvir aquela declaração tão direta mexia com suas emoções.
—Gabriel, isso não é uma decisão simples. Não quero que você entre na vida dela apenas por culpa ou arrependimento. Se for para você ser o pai dela, precisa ser de coração. E isso significa que não há espaço para erros ou arrependimentos, Safira é a minha vida inteira, e eu não vou arriscar o bem-estar dela.—respondeu Isabella, sua voz firme, mas carregada de emoção.
Ele assentiu novamente, inclinando-se levemente para frente.
—Eu entendo. E não estou pedindo isso por culpa ou para corrigir o passado. Estou pedindo porque eu quero ser o pai dela. Quero que ela tenha tudo que merece, inclusive o meu amor e proteção e quero que você saiba que não está nessa mais sozinha estarei aqui para o que precisar.
Isabella desviou o olhar por um momento, refletindo sobre tudo que havia acontecido desde o reencontro com Gabriel. Finalmente, voltou a encará-lo.
—Vamos dar um passo de cada vez. Primeiro, vou contar a ela. Depois, veremos como as coisas irão se desenrolar. Mas, Gabriel... não quero que você faça promessas que não pode cumprir.
—Eu não vou decepcionar vocês. Prometo.— disse ele com firmeza.
O silêncio que se seguiu foi pesado, mas também parecia cheio de possibilidades. Enquanto Safira dormia tranquila no quarto ao lado, ambos sabiam que o caminho para resolver o passado seria longo, mas aquele era um começo.
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Atualizado até capítulo 46
Comments
rafamendes
tem que ir com calma mesmo.o culpado disso tudo foi ele. e que fim levou a lambisgoia da larissa
2025-02-22
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Lucinéia Lucizano
espero que a ex amiga dela tenha casado com um homem ruim para pagar td que fez com o casal
2025-01-23
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Cléia Maria da Silva d Azevedo
Quê fim levou a lambisgoia? Será quê se casou ou vai voltar a perturbar?
2025-02-20
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