Isabella respirou fundo, tentando se recompor. Marina, ao perceber o turbilhão de emoções no rosto da amiga, colocou a mão em seu ombro e sorriu de forma tranquilizadora.
— Eu fico com Safira, não se preocupe. Vá resolver isso, Isa.
Isabella assentiu, agradecida, e se virou para Gabriel, que aguardava a poucos metros. Ele parecia inquieto, mas esperava pacientemente.
— Vamos — ela disse, sua voz firme, mas seus olhos entregando a confusão interna.
Eles saíram juntos pelos corredores do hospital e encontraram um pequeno jardim ao lado. Era silencioso, e a brisa da noite trazia uma sensação de alívio, mas Isabella sabia que o peso da conversa seria enorme.
— Pode começar —Gabriel disse, quebrando o silêncio. Sua voz era calma, mas havia um misto de dor e expectativa em suas palavras.
Isabella passou as mãos pelo rosto, organizando seus pensamentos.
— Eu não sei nem por onde começar, Gabriel... mas acho que preciso ser honesta com você, mesmo que seja difícil.
Ele não respondeu, apenas cruzou os braços, esperando.
— Sei que você lembra da nossa última briga,depois daquela noite... na casa dos meus pais, quando discutimos, eu passei muito mal,eu já estava grávida, Gabriel, Grávida da Safira.— Ela o olhou, mas ele continuava imóvel, então prosseguiu. — Por pouco, eu não perdi ela naquela noite. Fui para o hospital, e o médico disse que o estresse tinha causado complicações e que se eu quisesse continuar com a gravidez eu precisava de paz e repouso.
Ele ainda estava quieto, mas a tensão em seu rosto era palpável. Isabella continuou.
— Minha mãe, tomou uma decisão disse que eu precisava ir embora, começar de novo, longe de toda a confusão e das pessoas que poderiam tornar tudo mais difícil para mim e para minha filha. Ela queria que eu tivesse paz para seguir com a gravidez e criar minha filha sem julgamentos ou interferências. Foi ideia dela que eu dissesse a todos que tinha perdido o bebê,para nossa segurança e eu não me opus pois você mesmo já tinha terminado então ali não tinha mais nada pra gente.
Ela fez uma pausa, buscando fôlego.
— Eu concordei, Gabriel. Não porque queria te afastar, mas porque achei que era o melhor para Safira. Eu vim para Madri e comecei tudo do zero. Lutei muito para estudar, trabalhar, e criar minha filha. Ela é tudo para mim.
Gabriel finalmente quebrou o silêncio.
— Então, todos esses anos... você nunca pensou em me contar? Nunca achou que eu merecia saber?
Isabella engoliu em seco.
— Eu pensei, muitas vezes. Mas você disse coisas terríveis naquela noite não acertou em mim e ainda disse que o filho podia ser de qualquer um. Como eu poderia acreditar que você me ajudaria, que seria o pai que Safira precisava? Eu fiz o que achei certo para protegê-la.
Gabriel abaixou o olhar, as palavras dela o atingindo como um golpe.
— Eu estava errado, Isabella. Eu era jovem, estúpido e arrogante e acreditei em uma mentira feita para nós separar,eu não tinha ideia do que estava perdendo.—Ele a encarou, os olhos cheios de dor. — Mas nada disso muda o fato de que você tomou essa decisão por nós dois. Você tirou minha chance de conhecer minha filha.
Isabella sentiu as lágrimas rolarem pelo rosto.
— E você acha que foi fácil para mim? Acha que eu não chorei noites pensando em como isso afetaria Safira? Eu carreguei esse peso sozinha, Gabriel.
O silêncio caiu entre eles novamente, até que Gabriel falou, a voz mais suave.
— Eu quero conhecê-la, Isabella. Quero fazer parte da vida dela. Não importa como você se sinta em relação a mim, mas eu quero ser o pai que ela merece e que você não me deu a chance de ser durante seis anos.
Isabella respirou fundo, processando as palavras dele.
— Ela está no hospital agora, e o mais importante é salvar a vida dela. Depois disso... veremos como lidar com tudo isso.
Gabriel assentiu.
— Por ela, eu faço o que for preciso.
Eles voltaram para o hospital lado a lado, ambos sabendo que a partir daquele momento, nada mais seria como antes.
O médico os encontrou no corredor, com uma expressão tranquila, mas séria.
— Temos boas notícias. O senhor Gabriel é compatível com Safira, e já estamos preparando tudo para a cirurgia. Agora precisamos que aguardem por notícias.
Isabella soltou um suspiro de alívio, mas seu coração ainda estava acelerado. Marina, que estava ao lado dela, imediatamente a puxou para um abraço apertado.
— Vai dar tudo certo, Isa. Ela é forte, como você. Estamos aqui por vocês.
Isabella assentiu, as lágrimas escorrendo silenciosamente. Apoiou-se na amiga, buscando forças para lidar com aquela montanha de emoções.
Enquanto isso, Gabriel ficou um pouco afastado, observando tudo. Ele não sabia como agir naquele momento. Sentiu-se um intruso, mesmo com o peso da paternidade pairando sobre ele. Finalmente, ele se sentou em uma das cadeiras da sala de espera, apoiando os cotovelos nos joelhos e encarando o chão.
O silêncio reinou por um tempo até que Gabriel ergueu os olhos e falou, a voz baixa, mas firme.
— Eu sei que isso não é fácil para você, Isabella. Nem para mim. Mas... eu estou aqui, e não vou a lugar nenhum. Quando você estiver pronta, quando for o momento certo, eu quero que Safira saiba quem eu sou. Quero ser parte da vida dela, mas no seu tempo.
Isabella se virou para ele, surpresa com a sinceridade em sua voz. Havia algo diferente em Gabriel, algo mais maduro e responsável. Ela limpou o rosto com as costas da mão e respondeu, ainda com a voz embargada.
— Vamos dar um passo de cada vez, Gabriel. Agora, o mais importante é que ela fique bem.
Ele assentiu lentamente, respeitando o espaço que Isabella precisava. A sala de espera voltou a mergulhar no silêncio, com todos aguardando ansiosamente por notícias da pequena Safira. Cada um perdido em seus próprios pensamentos e orações, mas unidos por um único desejo: a recuperação dela.
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Atualizado até capítulo 46
Comments
rafamendes
olha como ela poderia dizer para ele sobre a filha.me poupe o cara a humilhou e tudo,foi agredida verbalmente e física pelo próprio pai.e o cara de acha o certo a vá
2025-02-22
3
Luzia Silva
ele é muito cara de pau mesmo, deixou a namorada duas vezes despejou um monte de palavras horríveis na cara da coitada disse que ela tinha vários homens que era uma qualquer e ainda diz que ela ta errada de não falar pra ele da filha?
2024-11-29
1
Andréa Debossan
Ela tem que jogar na cara dele o que ele falou com todas as letras ele não quis s própria filha e agora fica dando uma de gostoso! Eu sei que ele a ama e se arrependeumais tem que escutar na cara pra aprender
2025-01-21
1