Já no carro, Isabella e Marina voltavam em silêncio após a reunião. A tensão do encontro ainda pairava no ar, mas Marina não era do tipo que deixava as coisas sem serem ditas.
— Ok, Isa,— Marina começou, olhando de relance para a amiga. — Agora que já saímos de lá, posso perguntar algo?
Isabella suspirou, sabendo que Marina não se seguraria por muito tempo.
— Pode, mas não prometo responder.
Marina sorriu levemente.
— Você ainda ama o Gabriel?
A pergunta pairou no ar como uma bomba. Isabella demorou alguns segundos antes de responder, olhando pela janela.
— Não sei, Marina. Talvez uma parte de mim ainda sinta algo... mas não é o mesmo que antes. Ele me machucou muito, e não sei se consigo confiar nele de novo.
Marina assentiu, mas continuou.
— Olha, Isa, eu entendo que você queira proteger o que construiu, especialmente a Safira. Mas você também merece ser feliz. Se há algum resquício de sentimento aí, talvez valha a pena encarar isso de frente.
Isabella virou-se para encará-la, firme.
— Minha prioridade é a Safira. Não vou arriscar a estabilidade dela por causa de sentimentos que nem sei se são reais. Gabriel faz parte de um passado que eu preferia esquecer.
— Entendo,— Marina respondeu com suavidade. — Mas, Isa, às vezes, o passado tem uma forma estranha de nos alcançar. E, pelo que vi hoje, ele está disposto a se redimir. Ele parecia sincero.
Isabella riu sem humor.
— Ele pode parecer o que quiser, Marina. Eu não sou mais a mesma garota que ele abandonou. E ele não tem ideia da responsabilidade que carrego agora.
O carro parou em frente à casa de Isabella, encerrando a conversa. Marina olhou para a amiga com um sorriso reconfortante.
— Só lembre-se, seja o que for, você não está sozinha.
Isabella assentiu, apertando a mão da amiga antes de sair do carro.
— Obrigada, Marina. Eu sei disso.
Ao entrar em casa, Isabella foi direto para o quarto de Safira, onde a encontrou dormindo tranquilamente. Sentou-se na beira da cama, observando o rosto sereno da filha.
— Você é tudo o que importa para mim, minha pequena,— ela sussurrou, ajeitando o cobertor sobre Safira.
Naquele momento, Isabella decidiu que, por mais que o reencontro com Gabriel a tivesse abalado, sua prioridade seria proteger sua filha e a vida que construiu. Nada e ninguém mudaria isso.
Naquela madrugada Isabella acordou ouvindo gemidos abafados da filha e quando levantou da cama e foi vê-la ela estava encolhida na cama choramingando e suando muito.
— filha o que foi?
A pequena mal abriu os olhos.
— mamãe minha barriga está doendo muito.
Isabella sem pensar duas vezes trocou de roupa e pegou os documentos levando a pequena para o hospital.
Isabella entrou apressada no hospital, segurando Safira nos braços, que estava pálida e choramingando de dor. O coração de Isabella parecia estar sendo esmagado a cada gemido da filha. Assim que chegou à recepção, pediu atendimento imediato.
— Minha filha está muito mal, por favor, alguém nos ajude!
Em poucos minutos, uma equipe de enfermeiros a levou para a sala de emergência. Enquanto Safira era examinada, Isabella ligou para Marina, tentando conter as lágrimas.
— Marina, é a Safira... ela está muito mal. Estou no hospital agora.
— Calma, Isa. Estou indo para aí. Não faça nada sozinha, ok? Fique firme! — Marina respondeu, tentando tranquilizá-la.
Pouco tempo depois, o médico apareceu, com um semblante sério.
— Senhora Isabella, precisamos conversar. Sua filha tem uma pequena ruptura no intestino. Isso explica as dores que ela estava sentindo. Vamos precisar operá-la o quanto antes para evitar complicações.
Isabella sentiu as pernas ficarem fracas, mas se manteve firme por Safira.
— Tudo bem, doutor. Façam o que for necessário. Só quero que ela fique bem.
— Há mais uma questão,— o médico continuou. — Antes da cirurgia, precisaremos de doações de sangue, caso ela precise de uma transfusão. O tipo sanguíneo de Safira é raro, a senhora ou o pai podem doar?
Isabella sentiu seu coração afundar. Ela sabia que não poderia.
— Não posso. Meu sangue não é compatível... Mas por favor, procurem por doadores no banco de sangue. Façam o que for preciso!
— Estamos verificando o banco agora,— o médico assegurou. — Mas esse tipo sanguíneo é bastante raro. Vamos precisar agir rápido.
Marina chegou logo em seguida e encontrou Isabella na sala de espera, visivelmente abalada.
— Isa, o que aconteceu? Ela vai ficar bem?
Isabella explicou rapidamente a situação, a urgência da cirurgia e a questão do sangue. Marina segurou as mãos da amiga, tentando passar segurança.
— Vamos encontrar um doador. Não se preocupe. Ela é forte, como você.
Enquanto esperavam, Isabella rezava silenciosamente, suplicando para que tudo desse certo. O médico voltou após alguns minutos.
— Infelizmente, não encontramos doadores compatíveis no banco de sangue local. Vamos expandir nossa busca, mas precisaremos do máximo de ajuda possível.
Marina olhou para Isabella, já pensando em quem poderiam procurar. Mas Isabella só conseguia pensar em uma pessoa que talvez pudesse ajudar.
Gabriel.
Isabella tremia enquanto segurava o celular nas mãos, encarando o número de Gabriel na tela. Ela sabia que aquela ligação mudaria tudo, mas não tinha escolha. A vida de Safira dependia disso.
Respirando fundo, ela apertou o botão de chamada. O telefone tocou várias vezes antes de ele atender, e cada segundo parecia uma eternidade.
—:Isabella?— A voz de Gabriel soou surpresa e um pouco hesitante do outro lado da linha.
— Gabriel, eu... preciso da sua ajuda.— A voz dela estava embargada, mas ela tentou se manter firme.
— Ajuda? O que aconteceu?— Ele parecia alarmado.
— É uma situação urgente. Você pode vir ao hospital? Por favor, eu explico tudo quando chegar.
Houve uma pausa do outro lado da linha, e por um momento Isabella achou que ele recusaria. Mas então ele respondeu, decidido:
— Estou a caminho.
Assim que a ligação terminou, Isabella soltou o ar que nem percebeu estar segurando. Seu coração batia acelerado. Ela sabia que, assim que Gabriel chegasse, não haveria mais como esconder a verdade.
Marina, que estava ao lado dela, colocou a mão em seu ombro.
— Você fez a coisa certa, Isa. Ele merece saber, e Safira merece a chance de viver. Vai dar tudo certo.
Isabella apenas assentiu, embora as lágrimas ameaçassem cair. Não era o reencontro que ela queria, mas a única coisa que importava agora era salvar sua filha.
Poucos minutos depois, Gabriel apareceu no corredor do hospital. Ele estava claramente preocupado, os olhos varrendo o lugar até encontrá-la. Quando seus olhares se cruzaram, ele foi direto até ela.
— Isabella, o que está acontecendo? Você está bem?— Ele parecia genuinamente preocupado, mas ela podia ver o misto de confusão e expectativa em seu rosto.
Ela respirou fundo.
— Não é sobre mim... é sobre minha filha. Safira.
O nome fez Gabriel franzir a testa. Antes que ele pudesse perguntar, Isabella continuou, a voz tremendo.
— Ela está doente e precisa de uma cirurgia urgente. O problema é que o tipo sanguíneo dela é muito raro, e não conseguimos doadores. Gabriel, por favor... precisamos saber se você é compatível.
Gabriel parecia paralisado, absorvendo as palavras. Ele olhou para ela, a confusão em seus olhos dando lugar a algo mais profundo, uma suspeita.
— Minha filha?—Ele repetiu, quase em um sussurro.
Isabella desviou o olhar, as lágrimas finalmente escorrendo.
— Eu te explico tudo, Gabriel. Só... por favor, primeiro precisamos saber se você pode ajudá-la.
Ele ficou em silêncio por um momento, mas depois assentiu.
— Claro,me mostre o que eu preciso fazer.
Sem mais palavras, Isabella o levou até a sala onde o médico o aguardava para colher uma amostra de sangue. Enquanto ele fazia o procedimento, Isabella sentia o peso de tudo o que estava prestes a desmoronar.
Quando Gabriel saiu da sala, ele olhou diretamente para ela, sua voz baixa, mas carregada de emoção.
— Isabella... Safira é minha filha, não é?
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Atualizado até capítulo 46
Comments
Lucinéia Lucizano
não adianta esconder a vdd sempre aparece e bom que ele já estava no lugar certo
2025-01-23
1
Natalicia Coto
Essa estoria vai pegar fogo parabéns escritora
2025-01-29
1
Marisa Sampaio
Não há nada escondido que não venha ser revelado!
2024-11-27
1