Meses depois, Gabriel finalmente decidiu procurar Fernanda, a mãe de Isabela, para tentar resolver a dúvida que o atormentava desde a conversa com o pai dela. A possibilidade de Isabela estar grávida e o filho ser dele o fazia questionar tudo o que acreditava sobre o término. A ideia de que ela poderia ter ocultado um filho seu ou, pior, perdido o bebê por sua causa, o deixava inquieto.
Ele bateu à porta da casa de Isabela com o coração pesado. Fernanda abriu e, ao ver Gabriel, soube imediatamente o motivo de sua visita. Ela havia preparado o que diria, sabendo que, acima de tudo, precisava proteger Isabela, agora longe e tentando recomeçar sua vida.
— Gabriel… — Fernanda o cumprimentou com um tom misto de seriedade e compaixão.
— Dona Fernanda, eu preciso saber — ele foi direto, a voz baixa e carregada de tensão. — A Isabela… ela estava realmente grávida? E o bebê era meu?
Fernanda suspirou, sentindo o peso das palavras que prestes estava a dizer. Decidida a proteger o novo início de Isabela e garantir que a filha não fosse assombrada pelo passado, respondeu com firmeza.
— Sim, Gabriel, ela estava grávida… mas perdeu o bebê,e como tenho certeza de que minha filha jamais lhe traiu o filho era sim seu.
Essas palavras o atingiram como um golpe. Ele recuou um passo, assimilando a dor que sentia pela perda de algo que ele nem mesmo sabia com certeza se existia. Fernanda percebeu a reação dele e, por um momento, quase sentiu pena, mas sabia que não poderia ceder.
— Isabela passou muito mal depois do término e a briga de vocês aqui em casa — Fernanda continuou, mantendo o tom firme. — Foi um momento muito difícil para ela. Ela tomou a decisão de ir embora porque precisava se afastar de tudo isso, recomeçar,onde ninguém a julgaria e nem a acusaria sem provas.
Gabriel abaixou a cabeça, sentindo o peso da culpa o consumir. Ele se lembrava das palavras duras que dissera a Isabela, da maneira como a acusara injustamente. Agora, o arrependimento parecia insuportável.
— Eu… sinto muito — ele murmurou, tentando encontrar algo que pudesse dizer para consertar o que parecia irreparável. — Eu nunca quis… isso,eu não sabia eu fui burro em acreditar na Larissa deixei meu ciúme falar mais alto que meu amor por ela.
Fernanda respirou fundo, mantendo a postura firme. Sua prioridade agora era garantir que Gabriel não tentasse mais procurar Isabela, para que ela pudesse encontrar paz e seguir adiante.
— O que importa agora, Gabriel, é que ambos sigam suas vidas — disse ela, olhando-o com um misto de firmeza e compaixão. — Você precisa entender que, para Isabela, o melhor foi ir embora e eu peço que respeite a decisão dela e não a procure.
Gabriel assentiu, embora o peso em seu peito fosse difícil de suportar,ele percebeu que, naquela casa, não restava mais nada para ele, apenas as lembranças do que ele e Isabela haviam sido. Fernanda o observou partir, sentindo que havia protegido a filha de uma dor maior,pois ela precisava de paz para o bem dela e do bebê.
Ao ver Gabriel afastar-se pela rua, Fernanda respirou fundo. Sabia que aquela era uma mentira necessária, que daria a Isabela a chance de viver em paz, ao menos até que ela estivesse pronta para enfrentar tudo aquilo, do jeito dela e no tempo dela.
Gabriel saiu da casa de Fernanda completamente devastado. A notícia de que Isabela havia perdido o bebê o despedaçou, mas o que mais doía era o peso do arrependimento. Ele se lembrou de cada palavra dura que havia dito, de cada acusação infundada. A culpa agora o corroía por dentro, e ele sabia que, por mais que desejasse, não havia como desfazer o passado.
Os dias seguintes foram difíceis para Gabriel. Ele tentava se concentrar no trabalho, mas o rosto de Isabela e a lembrança do que eles haviam vivido juntos o assombravam constantemente. Sentia-se sozinho e, por mais que tentasse, não conseguia apagar a sensação de que havia perdido algo precioso para sempre. Mesmo assim, ele sabia que precisava seguir em frente. Não adiantava alimentar esperanças ou se prender ao que não podia mudar.
Decidido a transformar sua dor em determinação, Gabriel mergulhou de cabeça na gestão das empresas da família. Assumir essa responsabilidade foi uma forma de se redimir, de mostrar a si mesmo que poderia crescer e amadurecer, mesmo que fosse tarde demais para reconquistar Isabela. Cada reunião, cada decisão difícil, era uma oportunidade de se redescobrir e de construir algo que pudesse, ao menos, aliviar a culpa.
Os pais de Gabriel, que acompanharam de perto o quanto ele havia sofrido, ficaram aliviados ao ver o filho se dedicando ao trabalho com tanta seriedade. Eles sabiam que a dor ainda estava lá, mas, aos poucos, ele parecia reencontrar um propósito. A empresa prosperava sob sua liderança, e Gabriel, mesmo silenciosamente, sentia um orgulho tímido ao perceber os frutos de seu esforço.
Focando no futuro e tentando superar o passado,por mais que se dedicasse ao trabalho, Gabriel sabia que as feridas do passado ainda estavam ali, abertas. Algumas noites, ele ficava sozinho no escritório, folheando antigas fotos e relembrando os momentos felizes ao lado de Isabela. No fundo, ainda havia uma parte dele que guardava um pedaço daquele amor, mas agora ele se obrigava a seguir em frente, acreditando que era o melhor.
O trabalho se tornou sua única companhia, e ele se jogou de corpo e alma na expansão dos negócios da família. Decidido a construir um legado sólido, Gabriel fez cursos, participou de conferências e passou a liderar projetos de inovação que surpreendiam até mesmo os funcionários mais antigos.
Embora Gabriel tivesse dedicado todos os seus esforços ao trabalho, as noites ainda eram solitárias e preenchidas por lembranças. Ele tentava viver com a ideia de que estava fazendo o certo, de que, ao menos, estava honrando o que a vida lhe oferecia agora. A dor pelo que ele e Isabela tinham vivido continuava lá, mas ele aprendeu a conviver com ela, a transformá-la em uma força silenciosa que o impulsionava para frente.
Ao encarar o novo Gabriel que estava construindo, ele sabia que ainda havia um longo caminho a ser percorrido. Mesmo assim, ele aceitava que algumas feridas nunca se curam completamente.
Ao longo dos anos, Gabriel se dedicou incansavelmente à empresa. Sob sua liderança determinada e visionária, os negócios prosperaram como nunca antes, e ele conseguiu expandir a empresa para novas cidades e mercados. Ele era respeitado por seus funcionários e admirado pelos colegas, tornando-se uma figura reconhecida no setor. Mas, apesar de toda a sua realização profissional, uma lacuna permanecia em sua vida.
Gabriel tentou, em várias ocasiões, seguir em frente. Com o tempo, muitas mulheres tentaram se aproximar dele, encantadas por sua aparência, pelo sucesso que carregava e pelo dinheiro,no entanto, ele nunca conseguiu se permitir abrir o coração novamente,era sempre casos de uma noite e nada mais, a imagem de Isabela permanecia em sua mente e, por mais que tentasse, ele nunca conseguia apagar as lembranças do amor que viveram.
Para escapar dessas lembranças, Gabriel decidiu mudar-se de cidade, levando consigo apenas o essencial e as esperanças de que um novo lugar poderia finalmente ajudá-lo a deixar o passado para trás. Mas nem a mudança de ambiente parecia surtir efeito. As ruas desconhecidas de Madri, os novos rostos, a rotina diferente… Nada disso preenchia o vazio deixado por Isabela.
As lembranças eram constantes. Ele se pegava, muitas vezes, lembrando dos pequenos momentos que viveram juntos o riso fácil dela, o brilho nos olhos quando falavam de seus sonhos para o futuro. E, com essas lembranças, vinham as mesmas perguntas de sempre: como as coisas teriam sido se ele tivesse acreditado nela? Se não tivesse deixado o ciúme e a raiva tomarem conta?
Esses pensamentos o seguiam por onde quer que fosse. Ele chegou a considerar tentar retomar a vida amorosa, mas a cada tentativa, sentia que o que buscava em outras pessoas era a sombra do que havia perdido. Sem perceber, ele ainda comparava todas com Isabela, sem conseguir se libertar completamente do amor e da culpa que carregava.
Os anos passaram, mas, para Gabriel, parecia que aquele capítulo de sua vida jamais tinha realmente se fechado.
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Atualizado até capítulo 46
Comments
Cristina Santos
Todo esse sofrimento e isolamento emocional por culpa de uma pessoa maldosa e invejosa . 😡😡
2025-03-30
0
Elenilda Ferreira
As vezes o ciúme destrói família inteira.
2024-12-16
1
Maria Carmelita Albuquerque
O remorso não o deixa em paz. 😡
2025-01-20
1