DUAS PERSONALIDADES

Na quietude do quarto, Safira estava sozinha, a mente ainda fervilhando com a raiva e o desdém por tudo o que acabara de vivenciar. O casamento, o banquete, Hadrian... Ela se sentia sufocada, presa em uma realidade que parecia um pesadelo contínuo.

Foi então que a porta se abriu suavemente, e Laena entrou. Ela era uma mulher de postura firme, mas seu olhar trazia algo mais suave do que Safira estava acostumada a ver nas pessoas daquele castelo.

Laena aproximou-se com passos silenciosos, observando Safira por um momento antes de falar. — Eu sei que você não me quer aqui — começou ela, a voz serena, mas firme. — Mas é necessário. Sei que perdeu tudo, e sei que é difícil se ver em um lugar onde parece não haver espaço para você.

Safira a encarou com frieza, erguendo o queixo com orgulho. — Se está aqui para tentar me convencer de que essa “união” tem algum valor, está perdendo seu tempo.

Laena suspirou, mostrando paciência. — Não espero que aceite tudo de imediato. Mas quero que saiba que, por mais improvável que pareça, você tem aliados aqui. Eu sou uma delas, se você quiser.

Safira riu secamente, cruzando os braços. — Aliada? E o que me daria isso, exatamente? Submissão e obediência ao seu filho?

Laena manteve o tom calmo. — Não falo de submissão, Safira. Falo de apoio, de compreensão. Não sou cega à sua dor, tampouco ignoro o que passou. Só queria que soubesse que, se precisar de alguém, pode me procurar.

Houve um silêncio pesado entre as duas, até que a jovem, ainda que relutante, sentiu uma leve brecha em sua hostilidade. Talvez Laena não fosse sua inimiga direta. — Vou pensar sobre isso, mas não espere nada de mim — respondeu, mantendo a fachada de desdém, ainda que no fundo um resquício de dúvida a atingisse.

Laena assentiu, lançando um último olhar compreensivo à jovem antes de sair do quarto.

...----------------...

Mais tarde, o banquete no salão continuava, e Hadrian agora estava entre seu povo, os olhos um pouco mais relaxados, o corpo solto pela bebida. Ele bebia e ria ao lado de seus betas e amigos de longa data, sua presença intensa e inabalável transmitindo uma energia que contagia aqueles ao seu redor. Crianças da matilha se aproximavam, fascinadas pelo líder imponente, e ele se abaixava para falar com elas, fazendo-as rir com pequenas histórias e observações gentis, uma faceta suave e paternal que poucos conheciam.

Um garoto pequeno puxou sua mão, perguntando com olhos curiosos sobre as batalhas que ele havia vencido, e o alfa sorriu, bagunçando os cabelos da criança. — As maiores batalhas, pequeno, são aquelas que ainda não travamos.

Embora temido por muitos, Hadrian mostrava a eles que sua força e crueldade tinham camadas e que, na intimidade de seu povo, existia um homem que também conhecia a gentileza.

...----------------...

Na cabana onde Elara estava mantida, Daemon entrou silenciosamente. Ele observou a jovem dormindo, notando as linhas de cansaço em seu rosto. Havia algo nela que o prendia, uma fragilidade misturada à ferocidade. Seus olhos traçaram o contorno de seu rosto, a respiração leve que movia seu peito enquanto dormia, e, por um momento, ele sentiu um inexplicável desejo de protegê-la.

Porém, tão rápido quanto veio, ele afastou o pensamento, reprimindo aquele impulso estranho.

...----------------...

A noite chegou, e as preparações para o encontro no quarto de Hadrian foram feitas. Safira, em uma combinação de hesitação e raiva, foi banhada e vestida com uma roupa delicada e fina, destinada a agradar ao Alfa. O vestido era feito de seda leve, deslizando como uma segunda pele sobre seu corpo, um tecido que deixava pouco para a imaginação.

As mulheres que a preparavam eram discretas, mas trocavam olhares de curiosidade e tensão. Elas a guiavam pelo corredor que levava aos aposentos de Hadrian, cada passo ecoando pelo silêncio da noite.

Chegando em frente à porta do Alfa, Safira sentiu o estômago se contorcer. Estava sendo empurrada a um destino que ela nunca escolheria.

Mais populares

Comments

Renascida das cinzas

Renascida das cinzas

É complicado... pois agora, sua inimiga declarada é sua esposa. Muito difícil para ela superar. Ela pode amá-lo. Mas, aquele dia fatídico estará sempre lá. Não tem como esquecer que foi ele que dizimou a família dela...

2025-02-19

2

Lizbressan

Lizbressan

A minha expectativa é que ela tente arrancar as bolas dele. Sei que não será assim. mas continuarei na expectativa.

2025-02-16

0

Adriana Martins da Silva

Adriana Martins da Silva

eu tô gostando e ao mesmo tempo querendo fazer o Adrian pagar por tudo que ele fez com a família dela.

2025-02-12

0

Ver todos

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!