Tatiane…
Eu quase cometi o pior erro da minha vida…
Quase me entreguei aquele homem, quase deixei ele me possuir por completo.
Eu só posso ter ficado maluca!
Quando aquele telefone tocou, fui tirada dos meus devaneios, da bolha em que nos prendia e voltei a realidade.
Rapidamente desci daquele balcão, fui até o quartinho, me troquei e saí correndo daquela casa.
Peguei um táxi mesmo, porque não estava preparada para estar na frente daquele homem novamente e o encarar.
Estou morrendo de vergonha…
Ele pensará que sou uma oferecida, leviana…
Durante o caminho, encosto meu rosto no vidro e penso naquele beijo. Toco os meus lábios, minha pele se arrepia e meu coração acelera.
Meu celular tocou inúmeras vezes e não tive coragem de atender, pois era ele.
Estou com raiva de mim mesmo, por ter me deixado levar por aquele beijo, mas que homem é aquele.
O taxista me deixa na barreira, pago e subo o morro quase que correndo. Por sorte, a chuva havia cessado e só uma leve garoa caía do céu.
Entro em casa e Anaju está no sofá, na frente do seu notebook.
— Oi, amiga! — diz ela.
— Oi! — respondo, colocando a minha bolsa em cima do sofá.
— Está tudo bem, amiga? — pergunta ela, colocando seu notebook sobre a mesa de centro.
— Aconteceu uma coisa horrível! Onde está a minha mãe?
— Foi levar uma entrega de salgados para o bar do seu Régis!
Minha mãe tem feito salgadinhos para trazer renda para casa desde que perdi o emprego, pareceu gostar e continuou.
— Aí, amiga, fiz uma merda muito grande! — digo sentando-me ao seu lado.
— Caramba, está me assustando! — diz fechando seu notebook.
Então conto-lhe tudo o que ocorreu hoje.
— Ele beija tão ruim assim? — pergunta divertida.
— Não! Ele tem um beijo perfeito e único! Nunca fui beijada por alguém, como fui hoje! Ele é perfeito, tem uma pegada… eu quase me rendi a ele! Tem noção disso! Eu, que sempre me reservei para o homem certo, quase me entreguei a um estranho! — digo, jogando a cabeça para trás, apoiando no encosto do sofá.
— Talvez ele seja esse homem!
Sorrio de nervoso.
— Não é! Disso pode ter certeza… ele não acredita no amor e gosta só de curtir! Eu já te falei dele, suas camisas sempre estão sujas de batom!
— As pessoas mudam!
— Mas não ele! O pior de tudo é que terei que pedir demissão… como vou encará-lo depois disso… O pior de tudo é ele pensar que sou uma mulher fácil! Onde vou encontrar outro emprego? — lamento.
— Se acalme amiga! Pare de sofrer antecipadamente!
Minha mãe entra em casa e faço sinal para Anaju mudar de assunto.
— Oi, mãezinha! — digo, me colocando de pé.
Vou até ela e a abraço forte.
— Aconteceu algo, filha?
— Não, mãe! Por que a pergunta?
— Está com uma carinha diferente!
— Só estou cansada, mãe!
— Já almoçou?
— Já sim!
— Fiquei preocupada com você, sei o quanto tem medo de chuva! Tentei te ligar, mas o celular estava fora de área!
— Fiquei bem…
Mudo o assunto e ajudamos ela a preparar um bolo gelado.
No decorrer da receita, conversávamos.
— Mãe, posso te fazer uma pergunta? — pergunto mexendo a massa do bolo de baixo para cima lentamente.
— Claro, filha, quantas quiser! — responde, untando a forma.
— Como sabia que o papai era o homem certo?
— Eu não sabia, até o meu coração saltar do peito, minhas pernas falharem, minha boca ficar seca e ter um friozinho na barriga! — diz com um sorriso bobo nos lábios. — Vai me dizer que está apaixonada, filha?
— Não… claro que não! — digo com os olhos arregalados.
— Eu que queria saber, tia! — diz Anaju, me salvando. — Eu queria saber se o que sinto pelo Terror é amor!
— Sabe que sou contra o envolvimento de vocês com esses rapazes daqui do morro, que vivem essa vida no crime, mas como não mandamos no nosso coração, não posso obrigá-las a deixar de gostar!
Minha mãe é a melhor mãe do mundo todo, amo com todo o meu coração. Não é que eu não confie nela para contar o que aconteceu entre mim e o meu chefe, só não quero lhe trazer preocupações e nem mesmo que sinta vergonha de mim.
— Sou apaixonada pelo Terror, mas nunca servirei de marmita dele, nem de ninguém!
— Esta certíssima, temos que nos valorizar, coisa que esses homens daqui não fazem! — afirma mamãe.
— O Greco não parece ser assim, mãe! — provoco.
Minha mãe me olha em repreensão e eu gargalho.
— Pode ficar tranquila mãezinha, nunca tive interesse nele e não será agora que terei!
— Hunf... Assim espero!
Terminamos o bolo e após o jantar ele estava pronto para ser degustado. Minha prima veio passar a tarde conosco, e estava com alguns papos estranhos e não entendi o que queria dizer, mas fiquei preocupada.
Foi embora já era noite…
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Atualizado até capítulo 129
Comments
joana Almeida lima
A prima é da polícia de São Paulo mas não voltou mais, e agora que descobriu tanta coisa acho que não volta mais mesmo.
2025-01-29
1
Nandara Parronchee
que linda ela Tatiana 💗
2024-11-22
1
Wilma Lima dos Santos
Espero que ele não esteja envolvido
2024-11-17
3