João Pedro…
Não sei o que deu em mim, mas quando fui até a sala de estar, não quis fazer a refeição sozinho. Olhei em direção ao andar de cima e resolvi ir atrás daquela loira gata e convidá-la para almoçar.
Quando entrei, ela cantava uma música e me arrepiei todo com a sua voz. Fui em passos lentos até o closet e permaneci um tempo encostado no portal, observando e admirando sua bela voz.
Essa mulher me surpreende a cada dia mais e não tenho palavras para explicar tudo o que ela me transmite.
Almoçamos juntos e foi muito agradável. Gostei de ter alguém para conversar, o que me preocupou um pouco, pois nunca me importei de estar só.
Ajudei-a a retirar a mesa e fiz questão de encostar o meu braço no dela, só para sentir o calor de sua pele e me surpreendi. Meu corpo foi acometido por reações surpreendentes e muito intensas.
Nos olhamos fixamente e, percebendo as dimensões do que poderia fazer, desviei o olhar e saí da cozinha em passos largos.
… Estou totalmente ferrado!…
Pego o meu notebook, celular e subo para o meu quarto.
Tento focar no trabalho, mas é em vão.
Meu celular toca, olho na tela e constatei ser Lia.
— Oi, gato! Tudo bem?
— Oi, Lia! Levando e você?
— O que aconteceu?
— Nada de mais!
— Qual é JP, somos amigos, pode me contar! Às vezes é bom conversar, desabafar…
— Estou ferrado!
— Conheci uma garota, muito mais jovem do que eu, o que tem de jovem tem de responsável, linda e...
— Se apaixonou?
— S... Não! Nada a ver! Eu não sei o que estou sentindo, eu a quero desesperadamente… é apenas uma forte atração, mas ela trabalha aqui em casa e não quero confundir as coisas!
— Só sexo? Sei… então essa é a mulher que ganhou o seu coração? Sortuda, ela!
— Ela não ganhou o meu coração…
— Pare de se enganar! Ninguém controla o corpo do outro, se não, tiver algo a mais do que uma simples atração!
— Não ligou para falar da minha vida sentimental, não é mesmo?
— Não, claro que não! Te liguei porque eu consegui invadir o sistema do FBI!
— Tá de gozação?
— Não!
— Se prepare, porque agora é questão de tempo para virem atrás de você!
— Eu sei, estou aguardando a chegada deles! Caso eu sumir, sabe o motivo! — diz divertida.
— Isso não é brincadeira, Lia!
— Eu sei, mas o que vi naquele sistema me deixou impactada e cheia de vontade de fazer justiça! Algumas das vítimas, eram conhecidas desde quando eu era criança…
— Como assim?
Ela hesita por alguns segundos, então diz:
— Garotas que conheci no tempo da escola! Eu só te liguei, porque queria te pedir algo importante! Se eu desaparecer, quero que cuide da minha família, é o único em quem confio e sei que fará tudo por elas! Sei que elas estarão em perigo, agora que estou mexendo nessa merda toda!
— Eu não conheço a sua família, como posso protegê-los? Nunca falou nada sobre as suas origens!
— Vou te falar tudo o que tem que saber, mas melhor pessoalmente!
— Quer sair para jantar hoje, daí conversamos!
— Hoje não, tenho algo muito importante para fazer, mas amanhã combinamos algo!
Conversamos mais um pouco, ela me conta todas as informações que descobriu e seu plano daqui para frente. Lia é uma mulher intensa, além de linda, sabe o que quer e não tem medo de enfrentar todos os obstáculos que surgirem para conquistar o que quer.
Me despeço, encerro a chamada e deito em minha cama.
A todo momento, Tatiane surge em meus pensamentos.
Um forte vento entra pela janela, jogando os papéis que estão sobre a minha mesa no chão.
Rapidamente me levanto, fecho a janela e recolho tudo.
Pelo visto, vem temporal hoje, preocupado com Tatiane, por estar no horário dela ir embora, desço para ver se continua aqui.
Ao chegar na cozinha, respiro aliviado ao ver que está ali secando a louça.
— Pelo visto, vem um temporal!
— Nem me fale! — diz ofegante.
— Está tudo bem? — pergunto, me aproximando.
— Eu… tenho pavor de raios e trovões!
Ela se vira de frente para mim, segurando um copo em suas mãos.
De repente, um alto estrondo do trovão ecoa, parecendo tremer até a casa e, automaticamente, Tatiane solta o copo no chão e cobre o seu ouvido.
Sua carinha de medo, fez meu coração acelerar, fez eu desejar acolhê-la em meus braços e protegê-la, confortá-la.
Desvio dos cacos no chão e a puxo para os meus braços, ela está trêmula.
— M... me desculpe!
— Está tudo bem, vem cá! — digo, apertando mais contra o meu corpo.
Ela segura na minha camisa com força.
A quentura de seu corpo no meu, fez meu coração errar as batidas, a minha respiração ficar desregulada e meu membro ficar mais duro que pedra.
— Por que tem tanto medo de chuva?
— Eu não sei… só tenho!
Mais alguns trovões, ela esconde seu rosto no meu peito, como se fosse uma criança assustada.
Começa a chover e os barulhos parecem cessar.
Sem graça, ela se afasta lentamente e seu olhar vem na minha direção.
— M... me desculpe, senhor! Eu… eu não…
— Pode me chamar de João Pedro, e esta tudo bem… vamos até a sala, seu expediente já terminou por hoje!
— Me deixe pegar os cacos de vidro…
— Eu pego, pode deixar!
Afasto, recolho os cacos de vidro e coloco num pote descartável, em seguida, numa sacola.
Pego um copo de água e lhe entrego.
Ela bebe tudo…
— Vamos ficar lá na sala, até essa chuva passar, depois eu te levo em casa!
— Obrigada, sen... João Pedro!
Não sei o que essa mulher causa em mim, mas estou muito preocupado.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 129
Comments
joana Almeida lima
Porque não fala que são do morro e qual morro?
2025-01-29
0
Maria Do Socorro Bezerra
Você está conversando com uma mulher agradável e inteligente.
2025-01-16
1
Lucia Helena
Que lindo 😍
2025-01-16
1