Tatiane…
As horas passaram rápido demais, quando me dei conta já estava tarde e havia passado do meu horário.
Fiquei com medo de ficar no ponto de ônibus sozinha a essas horas, foi quando João Pedro chegou e me ofereceu carona. A princípio eu não queria, mas acabei aceitando, quando disse que me deixaria longe da barreira.
Fui o caminho toda apreensiva, não por mim, mas por João Pedro. Se o Greco encanar com ele, não sei o que pode acontecer.
Apertei tanto uma mão na outra que, quando chegamos, meus dedos estavam doendo.
Não sei se esse é o único motivo do meu nervosismo, ou se a presença desse homem me desestrutura.
Acredito que ninguém desconfiou que o carro que estava era de um policial. Perguntaram na barreira se era um Uber e eu apenas concordei. Um dos moleques me acompanhou até em casa. Antes que eu entrasse, Greco apareceu na sua moto e mandou o vapor vazar dali.
— O que você quer, Greco?
— Qual é a fita, mano? Meu vapor disse que fugiu dele, fiquei mó preocupado!
— Não tem que se preocupar comigo, já sou bem grandinha e sei me cuidar! Estava trabalhando e não vagabundando por aí, como as suas marmitas!
— Já te ofereci trabalho aqui…
— Não, obrigada! Já acabou?
— Quem te trouxe?
— Uber!
— Não mente pra mim, Tati!
— Não tenho por que mentir, nem te dar satisfação da minha vida, vê se me erra, Greco!
Viro as costas e entro em casa.
Minha mãe estava em tempo de ter um treco de preocupação pela minha demora. Ela me deu um sermão daqueles, sentei e ouvi tudo caladinha. Uma vez, respondi, Dona Malu me deu um tapa na boca que arrancou sangue. Achei até que havia quebrado os meus dentes, mas por sorte, só cortou. Não tiro a sua razão, porque o que saiu da minha boca foi pesado. Adolescente, achamos que somos donos do mundo, que mandamos no nosso próprio nariz, mas aprendi a lição e nunca mais respondi.
Após o longo sermão da minha mãe, subi até o quarto e fui tomar um banho.
Enquanto a água quente caía sobre o meu corpo, aquela adrenalina saía do meu corpo e aquele homem invadiu os meus pensamentos, de uma maneira surpreendente. Me lembrei dele de toalha, cabelos molhados e senti meu corpo quente.
Encerrei aquele banho, me troquei e desci para jantar.
Jantamos conversando sobre o nosso dia de trabalho, minha mãe disse que estou com um brilho diferente no olhar, mas pra mim, está normal.
Ela subiu para descansar, enquanto eu e Anaju lavamos a louça.
Enquanto ela lavava, eu secava.
— Diz aí, amiga, seu chefe é gato?
— Gato é apelido para aquele homem! — digo em tom baixo.
Conto-lhe o que aconteceu de manhã e ela gargalhada com a situação.
— Ri mesmo, porque não foi você que pagou mico!
Ela ri mais ainda.
— Estranho a Lia não ter vindo hoje! — digo olhando a hora, na tela do meu celular.
— A tia ligou para ela, disse que tinha um compromisso, mas que amanhã ela estará por aqui!
Fico pensativa…
— Será que ela descobriu algo?
Comentei com Ana Júlia, sobre as desconfianças de Lia.
— Escuta, amiga, não tem uma pulseirinha que a sua mãe deu para cada uma de vocês? — pergunta, secandobas mãos.
— Sim!
— Por que não coloca na internet? Se elas estiverem vivas e com a pulseirinha, pode chegar até elas!
— Sabe que é uma boa ideia! Vou fazer isso agora mesmo, você me ajuda?
— Claro que sim!
Fomos para o nosso quarto.
Anaju pegou o seu notebook, enquanto peguei a minha pulseirinha.
Entramos em vários sites de desaparecidos, postando aquela foto e contando a história de que minhas irmãs foram sequestradas quando nasceram.
Exageramos um pouquinho na história, porque queríamos resultados rápidos. Apesar de que, ao que tudo indica, foi isso que realmente aconteceu.
Fiz minha amiga prometer que não contaria nada para minha mãe, para que não sofresse mais e concordou.
Exaustas, cada uma foi para a sua cama e dormimos.
No outro dia…
Acordamos com meu despertador tocando.
Fiz a minha higiene pessoal, tomei um banho e desci com a minha amiga que também já estava pronta. Cumprimentamos a minha mãe com um beijo, tomamos um café rápido na sua companhia, em seguida, descemos rápido o morro para pegar o ônibus.
Desci no mesmo bairro que Anaju, para despistar o vapor. Entrei com ela na farmácia, saí pelos fundos e, para não chegar atrasada, peguei um Uber e fui até a casa de João Pedro.
Cheguei na casa e ouvi barulho vindo do seu quarto. Pelo menos sei que está lá e não subirei.
Me troco e vou até a cozinha preparar o seu café da manhã.
Logo que terminei de organizar a mesa, ele entra na sala de estar.
— Bom dia! — diz seco, sem me olhar nos olhos.
— Bom dia, senhor!
Ele nem se incomodou de chamá-lo de senhor.
Fui para a cozinha organizar as coisas.
— Tatiane, vou indo para a corporação, não venho almoçar em casa! Não quero que fique até mais tarde no trabalho, faça o que der e vá embora mais cedo!
— Sim, senhor!
Confesso que fiquei chateada com como ele me tratou. Foi tão frio e arrogante, que me senti no Polo Norte.
Passei o dia trabalhando e ouvindo música.
Terminei mais cedo hoje e aproveitei para fazer um bolo de cenoura, com cobertura de chocolate. Dona Márcia, disse ser o preferido de seu filho.
No meu horário, me troco e volto para o morro de ônibus.
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Atualizado até capítulo 129
Comments
Patrícia Bungenstab
É tão bom quando a mãe consegue educar só com um tapa certeiro, aqui meu filho adolescente não me respeita, uns vez ele me xingou fui pra dar um tapa deste nele o pai dele brigou comigo, a partir deste dia nunca mais consegui fazer com que ele me respeitasse mesmo, posso morrer de falar com ele, ele só me responde com rispidez e não faz o que peço.
2025-03-29
2
Josigg Gomes Galdino
Estão procurando problemas.
Acho que a polícia, também ver esses sites, para encontrar pessoas desaparecidas,ou eles mesmos fazem parte, para encontrar essas pessoas e suas famílias
2025-03-13
1
Josigg Gomes Galdino
Seria uma boa ideia,se não fosse arriscada,vai atrair muitos problemas com isso, devia falar com a Lia antes
2025-03-13
1