Lia…
Logo que o taxista deixou a minha irmã na casa onde faria a entrevista, pedi para que me deixasse no hospital, onde a minha tia deu à luz. Já se passaram muitos anos, mas tenho certeza de que eles devem ter algo no sistema sobre a médica que fez aquele parto, ou até mesmo alguém que esteve presente no local.
Aproveitei que dormi ontem à noite no quarto com tia Malu e, enquanto ela dormia, mexi na sua caixa de documentos pessoais. Encontrei a declaração de óbito assinada pela médica, aproveitei e também peguei alguns documentos relacionados, com o falecido marido da minha tia. Ontem ela andou contando algumas coisas, que me fizeram ter fortes suspeitas.
Guardei os documentos na bolsa e voltei a caixa para dentro do guarda-roupa.
Paguei o taxista e entrei no hospital.
— Bom dia! — digo, me aproximando da recepcionista.
— Bom dia! — sorri gentilmente.
— Poderia me dar uma informação?
— Sim!
— A doutora Vilma ainda trabalha aqui?
— Trabalho aqui há dois anos e não conheço nenhuma médica com esse nome!
— Entendo! Mas será que tem alguma enfermeira ou médico que trabalhe aqui há mais de vinte anos?
— Tem a dona Rosangela, ela é enfermeira aqui há mais de trinta anos! Só que hoje ela não está aqui e infelizmente não posso passar o endereço e nem telefone!
— Sem problemas, eu volto outra hora!
Agradeço à garota, me despeço e vou em direção à saída.
Olho para todos os lados, analisando cada detalhe, uma brecha por onde eu possa entrar, mas não encontro nada. Do lado de fora, vejo uma enfermeira entrando por uma porta nos fundos, exclusiva para funcionários.
Ela usou uma espécie de cartão para abrir a porta, a chamo com a desculpa de pedir uma informação, com sua distração consigo pegar o cartão que está no bolso do seu jaleco. Agradeço e finjo que estou indo para o lado que me indicou. Assim que entra e não tem ninguém por ali, vou até a porta.
Utilizando o cartão, entro no hospital por aquela porta.
Entro num vestiário, pego um jaleco, solto o meu cabelo para esconder o meu rosto. Num dos corredores, disfarço e pergunto onde fica o SAME (Serviço de Arquivo Médico e Estatística). Com um pouco de dificuldade e evitando contato com todos, consigo chegar onde queria.
Assim que entro no local, para a minha sorte, não havia ninguém, porém, para o meu azar, havia inúmeras prateleiras e armários com documentos. Vejo um computador e peço internamente para ter algo nele que me ajude a encontrar o que procuro. Alguns minutos invadindo o sistema, encontro em qual corredor se encontram todos os prontuários daquela data.
O cheiro de mofo invadia o local, as prateleiras com quilos de poeira e as teias de aranhas indicavam que o local não era frequentado por ninguém há tempos.
Encontro o prontuário da tia e fico em choque. Não há nada sobre a gestação das trigêmeas, no sistema consta apenas a gestação de uma criança. Se não tivesse visto a foto tirada na hora do nascimento por uma das enfermeiras, não acreditaria na tia Malu.
Tem muitas coisas nisso e descobrirei.
Pego o prontuário, coloco na minha bolsa e saio o mais rápido e discreto possível do local.
Quando saio do hospital, solto todo o ar que segurava em meus pulmões. Descarto o jaleco jogando numa lixeira qualquer, pego um táxi e sigo para o hotel, onde estou hospedada.
Toda essa história não saiu da minha cabeça.
Logo que chego no hotel, ligo para JP e marcamos dele vir aqui hoje à noite.
Sento-me na cama e espalho todos os documentos que tenho em mãos e observo atentamente cada um deles, passando as mãos por meus cabelos, decidindo por onde começar.
Pego o meu notebook e faço algo que pode me trazer problemas, mas eu não ligo, quando coloco algo na cabeça, enquanto eu não descubro, não me aquieto.
Almocei aqui no quarto mesmo, analisando papel por papel. Após o almoço, minha priminha querida faz uma chamada de vídeo, toda feliz, que conseguiu o emprego. Conto-lhe o que descobri e ela pede para que eu tome cuidado, porque se puderam fazer isso, podem fazer muito mais. Conversamos durante um bom tempo…
Quando me dou conta, já anoiteceu, então me despeço dela e encerro a chamada.
Tomo um banho demorado, me arrumo e, algum tempo depois, o tenente JP chega. Nos cumprimentamos como dois amigos, peço o jantar aqui no quarto e, durante o jantar, lhe conto tudo o que descobri.
— Tudo o que está me contando é estranho, mas não é o suficiente para abrir um caso!
— Como não?
— Eles podem alegar que a sua tia teve depressão, inventou toda essa história e a foto está muito velha, mal dá para ver direito! Não estou dizendo a história dela é mentira, mas que precisa de mais provas!
— Sei e vou conseguir!
— Tome cuidado, Lia! Se te pegarem vasculhando por aí, pode ter problemas!
João Pedro, me conta um pouco de como foi estar no FBI e como foram as missões contra máfias que traficam pessoas.
— Se eu conseguir mais provas, vou chamar a atenção do FBI para esse caso!
— E como fará isso? — pergunta, após dar um gole em sua bebida.
— Do único jeito que eu conheço! Invadindo o sistema deles!
João Pedro engasga com a bebida.
— Ficou maluca? Pode ir presa por isso!
— Eu te disse que vou até o final com essa história! Se as minhas primas foram sequestradas, esses malditos têm que pagar pelo que fizeram! A minha tia sofreu e ainda sofre horrores, JP!
— Posso imaginar!
— Não, você e nem ninguém pode imaginar! Só quem está com ela, pode imaginar e mesmo assim não podemos compreender a sua dor!
Conversamos mais um pouco, ele me dá alguns conselhos e vai embora.
Alguma coisa deve ter mordido esse homem, ele nem deu as suas investidas para transarmos. Mas, tudo bem, hoje não estou com cabeça para isso.
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Atualizado até capítulo 129
Comments
Rosangela Martins
eu acho que o pai de Tatiane tava envolvido sumiço das filhas, talvez ele esteja até vivo ainda, acho que foi só farsa da morte dele também, outro ele teve que dá as duas entrava de algum pagamento do que devia
2025-04-02
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Josigg Gomes Galdino
Ele deve estar pensando na mulher que viu passeando no morro, e pelo jeito, Lia ficou decepcionada com a falta de interesse do JP, já que ela queria transar com ele
2025-03-12
1
Josigg Gomes Galdino
Que milagre, não quis filar a bóia, deve estar muito cansado, ou não tirou a mulher que viu da cabeça 🗣️, e por isso não se animou
2025-03-12
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