Lia…
Após tomar um banho rápido e me arrumar, segui para o cemitério de táxi.
Aguardei a chegada delas e como sempre, a minha tia me recebe com tapas, fazendo aqueles dramas de mãe ciumenta e manhosa.
Após matar um pouco das saudades que estava delas, entramos no local. Confesso, que odeio entrar em cemitérios e só faço isso, por consideração e amor a minha tia Malú.
Ficamos em choque, quando o caixão foi aberto e não havia nada lá dentro. Não argumentei, pois, Tati fez sinal, para eu não dizer nada. No entanto, eu investigarei essa história, tudo isso é muito estranho.
Como policial, sempre estou atenta a tudo e com o passar dos anos, meu instinto passou a ser mais aguçado que antes.
Do lado de fora do cemitério, minha tia tem uma fraqueza e quase desmaia. Quase tive um treco a vendo passar mal, me recordo do dia que minha vó faleceu.
— Mãe!
— Tia!
— Não se preocupem… eu só preciso ir para casa!
Peço um táxi e levamos tia Malú de volta para a favela.
Caramba, faz tanto tempo que não apareço por aqui, que havia até me esquecido de como tudo funciona. Greco e todo o comando sabem que sou cabo da polícia militar em São Paulo e temos um acordo, para poder continuar visitando a minha família.
Assim que chegamos, discuto com os vapores na barreira, que não querem deixar o táxi subir.
Até que Greco chega em sua moto, com sua Glock na cintura.
— O que tá pegando aqui? — indaga ele grosseiramente.
— Esse, seus vapores de merda, não deixam o táxi entrar…
— Tu tá pensando o que, mina? Que pode chegar aqui com essa marra toda, achando que é dona do morro… aqui temos regras!
— Eu sei, Greco! Se não fosse urgente, acredita mesmo que eu estaria gastando saliva com esses seus vapores de quinta!
— Fica ligada, mina! Respeita os moleques…
— Minha mãe está passando mal, Greco, por isso queremos passar! — exclama Tatiane, descendo do carro.
Ele olha para a minha irmã, como se fosse um prêmio e ela fecha a cara.
Ele não diz nada, apenas faz sinal permitindo a nossa passagem.
Entro no carro, ele abaixa no vidro, do lado de Tati…
— Fica ligada, minha linda, eu mando nessa porr@ toda aqui, manda a sua irmã ficar longe de problemas!
— Estou aqui, Greco, pode falar para mim mesmo! — exclamo.
— Pega a visão, Lia, aqui na quebrada quem manda sou eu… manda quem pode, obedece quem tem juízo, temos um trato e espero que não queira conhecer o meu lado demônio! TÁ LIGADA, MANO?
Antes que pudesse lhe dar uma resposta à altura, sou interrompida por Tatiane.
— Ela já entendeu, Greco! Agora podemos ir? — indaga impaciente.
Ele apenas se afasta do carro e faz sinal para o taxista, que está se cagando de medo, passar.
Chegamos em casa… Descemos do táxi, pago a corrida e o homem pega o dinheiro tremendo igual vara verde.
Agradeço e ele rapidamente vai embora, esse nunca mais volta aqui.
Enquanto Tatiane e Anaju entram com a minha tia, as vizinhas estão todas olhando com curiosidade.
— O que, que é? O que estão olhando bando de urubus? Vão cuidar da vida de vocês! Aff, bando de velhas fofoqueiras, eu hein!
Entro em casa irritada, já tive muitos problemas com essas velhas, que inventam histórias da gente.
Ana Júlia leva tia Malú para o quarto.
— Ainda acho, que o melhor, seria levar a tia para o médico!
— A mamãe está se recuperando da pneumonia que teve…
— Como assim? Por que não me avisaram, Tati?
— A mamãe não quis te preocupar!
— Não podiam ter feito isso!
— Eu sei, mas sabe como ela é... nos proibiu de comentar qualquer coisa com você!
Sento no sofá, soltando todo o ar de frustração pela boca.
— Lia, agora que estamos aqui sozinhas… acredita que eles roubaram o corpo das minhas irmãs?
— Passaram muitas coisas pela minha cabeça, Tati…, acho melhor eu investigar, para depois te dar alguma certeza!
— Estamos falando das minhas irmãs, cara! Quero saber o que pensou!
— Realmente alguém pode ter roubado os corpos ou… à história que a tia nos contou, pode ser mentira!
— Minha mãe não é mentirosa!
— Não, mas pode ter sido enganada!
Arqueio uma das sobrancelhas.
— Na polícia, vemos cada caso, que ficamos chocados e tudo é possível!
Os olhos dela marejam…
— Acredita que elas possam estar vivas… é isso?
— Não foi isso que eu disse, mas tudo o que contaram para a tia, pode ser mentira… tem muitos casos de tráfico de crianças no mundo! Da mesma forma que vendem crianças para famílias que pagam muito bem e não podem ter filhos, como tem casos de tráfico de órgãos…
— Nem termina! Já ouvi falar sobre isso e é repugnante!
— Sim, mas infelizmente existe! Investigarei a fundo toda essa história, pensando bem em tudo o que a tia contou, tem coisas que não se encaixam!
— Quero ajudar a descobrir, Lia!
— Melhor ficar fora disso!
— Nem pensar! Estamos falando das minhas irmãs e se tiver uma pontinha de possibilidade de estarem vivas, quero saber!
— Só não pode contar para a tia…
— Nem pensei nisso! Só contaremos, se por um acaso elas estiverem vivas e quererem conhecer a minha mãe!
Concordamos.
Enquanto minha prima prepara o almoço, pego o meu celular, subo na laje e ligo para JP. Ele morou fora por anos, talvez esteja mais por dentro desses assuntos.
— Bem, Lia… em uma das missões em que estive envolvido nos Estados Unidos, participei da captura de uma máfia envolvida com tráfico humano. O tráfico de crianças e bebês é uma modalidade específica de tráfico de pessoas, que inclui a exploração e o comércio de menores. Trata-se de um problema mundial que demanda atenção imediata. Por que o interesse?
Conto-lhe a história da minha tia.
— Precisa de mais provas para afirmar isso, mas saiba que entrar num caso como esse, coloca você, sua família e todos seus entes queridos em risco!
Com isso eu não me preocupo, porque, pelo menos essa obsessão idiota de Greco pela minha prima, faz com que ela sempre esteja protegida.
— Posso contar com a sua ajuda? Afinal, eu não tenho como fazer nada aqui, porque trabalho em São Paulo!
— Claro, mas primeiro, precisa ter provas de que elas podem ter sido roubadas!
— Pode deixar!
Encerro a chamada e volto para dentro de casa, com minha cabeça agitada por inúmeras ideias.
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Atualizado até capítulo 129
Comments
Josigg Gomes Galdino
JP será o policial,por quem Tati,vai se apaixonar, vai ficar com o ex caso da prima,o que transa sem compromisso
2025-03-12
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Daniela Ferreira
acho que o marido dela vendeu as meninas
2025-03-18
0
Helena Barbosa
Acho q o marido dela se matou justamente por ter vendido as filhas, depois não conseguiu seguir por remorso.
2025-01-29
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