Tatiane…
Desci até a sala com os olhos fixos na tela do celular, tentando falar com Lia, mas a mesma não atende o telefone.
Ela sabe que hoje é um dia importante e, logo de manhã mamãe gosta de ir até o cemitério, levar flores no túmulo das minhas irmãs.
Quando chego na cozinha, sou surpreendida com um pequeno bolo, mamãe e Anaju cantam parabéns e fico toda emocionada.
— Vocês não existem!
Elas se aproximam e me abraçam forte, desejando muitas felicidades.
Minha mãe me deu um lindo vestido casual sem mangas, justo ao corpo com plissado na cor preta. Sabendo que amo pulseiras, Anaju me deu um lindo bracelete delicado prego.
Tomamos café conversando e rindo.
Todos os anos, a minha mãe tenta fazer desse dia o mais feliz possível, sei que ela é grata por me ter, mas imagino a dor em relembrar a morte de duas de suas filhas.
— Falou com a Lia? Já era pra estar aqui! — exclama mamãe.
— Com certeza deve estar com algum crush!
— Provavelmente! — afirma, mamãe, revirando os olhos.
Ela discorda que Lia não leve os homens a sério e desaprova que ela passe a noite com alguém casualmente. Eu não me pronuncio, cada um tem o direito de viver como deseja. Admiro a coragem da minha prima em fazer o que quer, sem se preocupar com as opiniões alheias. É uma verdadeira afronta a esta sociedade que julga as mulheres, mas poupa os homens.
Meu celular toca, na tela aparece o nome da Lia.
— Bom dia, minha flor! Me desculpe não ter atendido! — diz animada.
— Bom dia, priminha! Mamãe está uma fera, que ainda não esteja aqui!
— Diz pra ela, que vou puxar a orelha dessa ingrata! — diz mamãe dramática.
— Ela está fazendo aquela carinha de brava, mais fofa desse mundo? — indaga Lia, em tom divertido.
— Sim!
— Diz pra ela que eu também a amo muito! — exclama.
Dou o recado para a mamãe e ela dá de ombros.
Combinamos de nos encontrar em frente ao cemitério. Me despeço, encerro a chamada e me sento na cadeira, para tomarmos o café da manhã.
Tomamos o café da manhã, compartilhando risos e conversas animadas. Após o café, eu e Anaju, subimos para o quarto, para nos trocar.
Opto por uma calça jeans rasgada na perna, uma camiseta, t-shirt e amarro ela na barriga, um tênis e prendo o meu cabelo num rabo de cavalo.
Assim que terminamos de nos arrumar, descemos o morro.
Um dos braços direitos de Greco, passa por nós numa moto carregando sua arma no cós da calça. Ana Júlia, como sempre, suspira e olha para ele toda apaixonada. Pois é, Ana Júlia é completamente apaixonada pelo irmão de Greco, conhecido como Terror.
Minha amiga é toda meiga, doce e depois de tudo o que passou, se esconde atrás de uns óculos de grau e roupas largas, que escondem o mulherão da porr@ que ela é.
Descemos conversando, passamos pela barreira e seguimos para o ponto de ônibus mais próximo.
Um carro de polícia passa lentamente por nós, e um dos homens sentados ao lado do motorista é incrivelmente bonito. Com pele clara, olhos verdes brilhantes, lábios carnudos e rosados, e uma barba por fazer, ele tem um olhar intenso e misterioso.
Minha mãe e Ana Júlia estão absortas em sua conversa, enquanto o tempo parece desacelerar para mim. Sinto um calor incomum no peito, como se uma chama tivesse sido acesa dentro de mim, e tudo ao meu redor se torna um borrão. Ele olha para trás, com o rosto para fora da janela, seu olhar confuso e uma sobrancelha levantada.
Sou tirada dos meus devaneios pela minha mãe, que me chama para ouvir algo engraçado que Ana Júlia disse. O carro desaparece das minhas vista e eu balanço a cabeça, dispersando os pensamentos tolos.
Chegamos ao ponto de ônibus e, assim que ele chega, rapidamente entramos e partimos para nosso destino.
Vinte minutos depois, chegamos…
Lia já nos aguardava, assim que nos aproximamos, minha mãe a recebe com leves tapas no braço.
— Aí tia!
— Aí tia… aí digo eu! Disse que chegaria ontem, não ligou e não deu nenhuma satisfação, sua ingrata!
Lia a puxa para um forte abraço e logo o drama dela é tomado pela emoção e saudades que estava da sua filha do coração.
Em seguida, ela nos cumprimenta com um forte abraço.
— Estava morrendo de saudades de vocês, mas cheguei tarde e preferi ir encontrar com alguns colegas de trabalho, ao invés de subir o morro, altas horas!
Entramos no cemitério e a minha mãe fica tensa, toda vez ela fica assim, é como se todos os anos nessa data, revivesse a perda das minhas irmãs.
Devido à perda do local onde nossos familiares estão enterrados, foi pedido a exumação do corpo das bebês e posso imaginar como isso doerá.
Chegamos no túmulo e os homens faziam a retirada dos dois caixõezinhos. Lia segura num braço e eu no outro da nossa mãe, enquanto Anaju, está ao meu lado me dando apoio moral com uma das mãos pousadas em meu ombro, fazendo movimentos circulares.
Enquanto eles abriam os caixões, algumas lágrimas caiam dos nossos olhos, minha mãe prendia a respiração, segurando o choro.
Ao abrirem, não havia nada no objeto…
— O quê? Como assim? — pergunta ela espantada.
— Havia algum objeto valioso com os corpos? — pergunta um dos homens.
— Sim, cada uma delas tinha uma pulseirinha banhada a ouro… mesmo não podendo ver o corpo, por terem uma enfermidade contagiosa, pedi para que não tirassem delas!
— Tem pessoas maldosas no mundo, moça… podem ter roubado, os corpos, devido às pulseiras!
Isso não fazia sentido, eu e Lia nos entreolhamos e minha mãe só sabia chorar.
Abracei a minha mãezinha.
— Como podem existir pessoas tão maldosas… — lamenta ela.
— Calma, mãe!
— Pra mim essa história está muito mal contada, tia!
— Não diga bobagens, Lia! Só eu sei o quanto sofri, o quanto demorou para sair do luto!
Nego com a cabeça, para não dizer mais nada, é inútil mexer na ferida, agora que está cicatrizada.
Saímos de lá o mais rápido que conseguimos e só do lado de fora, a minha mãe soltou todo o ar que prendia em seus pulmões.
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Atualizado até capítulo 129
Comments
Josigg Gomes Galdino
Será que você vai pensar assim, quando conhecer o seu policial,e ele ser o mesmo que transa, com a sua prima
2025-03-12
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Josigg Gomes Galdino
Acho que esse policial é o JP,e deve conhecer, uma das irmãs gêmeas da Tati
2025-03-12
1
Nivia Mendes
com certeza as meninas não morreram, e o pai delas deve estar envolvido no desaparecimento delas
2025-01-18
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