Capítulo 3

Enquanto Nolan e Erin estavam no quarto, Helena estava em seu quarto sem saber o que fazer pelo filho e Blake estava trancafiado no seu escritório, mesmo que houvesse um sistema único, ele ia conseguir encaixar o filho dele no topo, nem que isso lhe custasse todo o seu dinheiro.

Os dias se passavam, Nolan seguia com o tratamento, seis meses se passaram e tudo estava indo até que bem, até Nolan ter outro infarto, dessa vez foi pior, ele precisou ficar alguns dias sob observação, o grande Nolan estava ficando irreconhecível, após receberam alta, foram para casa já estavam no caminho quando o celular de Blake tocou.

Era o médico, Nolan precisava voltar, havia um doador compatível, o motorista deu a volta retornando para o hospital.

Após muitas horas, o médico retornou, a cirurgia havia sido um sucesso, mas precisariam continuar acompanhando, eles precisavam ver como o corpo dele reagiria ao novo órgão.

Dias depois Nolan recebeu alta, estava tudo aparentemente bem, fazia quatro meses desde a cirurgia, eles só não esperavam que o estado de Nolan teria um efeito borboleta.

O novo coração estava rejeitando o corpo dele o levando a internação sem previsão de alta, quando finalmente foi liberado, retornou para casa o seu pai já havia contratado enfermeiros para reversarem, o seu filho não ficaria sozinho, a sua noiva mal vinha vê-lo, mas era melhor assim, Nolan não queria ninguém vendo ele definhar. 

Dias se passaram e Blake trabalhou incansavelmente, o seu filho não ia perecer, e como um milagre um novo coração apareceu para Nolan.

Após horas de cirurgia mais uma vez, ocorreu tudo bem, Nolan retornou para o seu quarto e esperavam ter alta em breve.

Os dias passaram virando semanas, semanas viraram meses, e a cada consulta o medo de que algo desse errado tomava conta da família, mais cinco meses depois não havia nenhuma alteração, Nolan continuaria com as consultas, e ao invés de uma vez por semana, seria uma a cada quinze dias.

A família comemorou, e Nolan se preparava para voltar para o lugar que era seu por direito, enquanto caminhava pelo corredor feliz da vida a sua mão tocou a de uma mulher numa maca, ele parou e ficou olhando enquanto sumiam pelo corredor.

— Vamos. — Blake disse tirando Nolan do transe.

Com a ajuda de um nutricionista ele continuou cuidando da sua alimentação e tinha acompanhamento durante os seus exercícios, logo ele voltaria a ser o imbatível Nolan Brown.

Erin dessa vez voltou a frequentar a casa mais vezes, algo lhe dizia que dessa vez Nolan ia mesmo ficar bem, talvez a posição que ela queria ocupar, logo chegasse.

Ela chorou dizendo que não aguentava ver Nolan naquele estado, as suas lágrimas não comoveram a Nolan, mas, aquela mulher ainda era uma boa opção de esposa, um negócio.

...Alyssa Narrando...

Cinco meses haviam se passado, o enterro do Harry foi muito doloroso, a dor era insuportável, eu estava tentando, mais eu não conseguia me reerguer, a cama e a solidão eram as minhas amigas diárias, eu estava um trapo, não sentia forças para continuar.

Eu não havia retornado para a casa que vivia com Harry, desde que sai do hospital, aquele lugar estava repleto de lembranças e saudades, agora eu me encontrava no meu antigo quarto na casa dos meus pais, eu não comia, não bebia, não tomava banho, eu não tinha forças, eu não queria viver em um mundo em que Harry não estivesse, só queria morrer e me juntar a ele, eu sabia que eu estava sendo egoísta, mais nada disso me importava.

— Filha, por favor. — A minha mãe mais uma vez retornava ao meu quarto e via a bandeja de comida do mesmo jeito.

Olhei para ela e a minha vista escureceu, a única coisa que eu conseguia ouvir eram os gritos da minha mãe chamando o meu pai.

Eu abria e fechava os olhos, via luzes passando rápidos, estava tudo branco, demorou um tempo para eu entender que ali era um hospital, eu não conseguia manter os meus olhos abertos, e quando eu achei que finalmente eu iria me juntar a Harry, uma mão tocou a minha, senti uma corrente percorrer o meu corpo, mais eu estava fraca demais para olhar quem era.

— Harry. — Foi a última coisa que eu disse antes de cair num buraco negro.

Eu sentia tudo o que faziam comigo, ouvia as vozes, mais eu não queria voltar, eu queria o Harry, nada mais.

Eu me via em um campo, para onde eu olhasse via verde, será que eu havia falecido? Corri e gritei o nome do Harry, logo avistei um homem embaixo de uma grande árvore, eu corri o mais rápido que podia, um sorriso se alargou nos meus lábios.

— Harry. — Disse lhe abraçando forte, ele me envolveu com os seus braços e eu me senti aliviada por estar com ele.

— Você precisava voltar pequena. — Harry disse

— Não, eu quero ficar com você.

— Eu sei, mais não é assim que funciona. — Ele disse me fazendo olhá-lo. — Eu sempre vou amá-la, mais precisa reagir, prometa que vai tentar?

— Eu prometo. — Respondi com lágrimas nos olhos. Eu não queria voltar.

— Agora você precisa voltar minha pequena. 

— Por favor, não.

— Precisa voltar agora. — Ele disse me dando um beijo na testa.

Vi ele se afastando e por mais que eu quisesse alcançá-lo não conseguia.

— Os batimentos voltaram, está estável. — O médico disse me trazendo de volta ao mundo que eu não queria estar.

Alguns dias se passaram e a mesma lembrança do sonho vinha na mente, todos os dias que fiquei hospitalizada uma psicóloga veio, sempre a mesma, eu até me perguntava se ela não tinha folga. Carmen ficava lá, sentada com as suas longas pernas cruzadas, os seus óculos de grau quadrado e uma prancheta nas mãos, apenas esperando, eu sabia que ela estava me analisando, mais eu não me importava.

No início eu só fiquei calada, ela disse que quando eu quisesse falar ela estaria ali, só era nós duas e mais ninguém, com uma semana ela começou a me fazer perguntas, tipo, que filme eu gostava, meu estilo musical, lugares que eu conhecia ou queria conhecer, meu prato preferido, eu só a respondia e em poucos dias estávamos tendo um diálogo, devo admitir, ela era uma ótima profissional.

— Oi Alyssa, bom dia. — Carmen disse entrando no meu quarto 

— Bom dia Carmen. 

— Soube que vai receber alta hoje, quis vir vê-la antes.

— Sim, mais três semanas aqui e eu com certeza enlouqueceria.

— Não acredita nisso não é? 

— Não, é uma piada para psicólogos.

— Então eu deveria rir. — Carmen fala e nós duas sorrimos. — Bem melhor assim. 

— Obrigada por me fazer companhia.

— Posso falar uma coisa? Não como psicóloga.

— Pode.

Carmen retira o seu crachá e coloca sobre a cadeira, e senta-se ao meu lado.

— Sei que a dor que sente ainda é muito grande, sei do vazio que o Harry deixou, e eu nunca pediria para você esquecê-lo, mas procure preencher esse vazio, procure fazer algo, seja um esporte, exercício, voltar a trabalhar, saia Alyssa, você ainda tem oportunidades.

— Eu vou tentar.

— Posso te levar a um lugar? 

— Pode.

— Vem comigo.

Andamos pelos corredores, e chegamos a uma ala afastada, as janelas de vidro dava visão dos vários quartos ocupados.

— Algumas dessas crianças nunca vão crescer, nem se apaixonar ou ter uma família, se eu pudesse fazer um desejo e ele se realizasse, eu pediria para que o câncer não existisse. — Carmen fala com os olhos marejados.

Eu continuei calada, observado com o coração apertado.

— Você é privilegiada Alyssa, coisas ruins acontecem todos os dias, eu entendo ser difícil para você, mais por favor, tente viver, faça o máximo de coisas que conseguir, eu não conheci o Harry, mais eu sei que se fosse ao contrário, você não iria gostar de vê-lo no estado que você se encontra, ou gostaria?

— Claro que não! 

— Então tente, eu sempre vou estar aqui para você, se quiser me ligar, sair para tomar um café ou almoçar, pode me chamar, não faço isso com os meus pacientes, mais eu quero mesmo ser sua amiga.

— Posso te dar um abraço? 

— Claro que pode.

Nós nos abraçamos por alguns segundos.

— Quer os conhecer? — Carmen pergunta 

— Quero. 

Passamos a manhã toda com as crianças, e eu pude ter a certeza, eu era mesmo muito egoísta, mesmo doentes e sabendo o que poderia acontecer elas não tiravam o sorriso do rosto, agradeciam por mais um dia e eu tinha a saúde que elas queriam ter e não estava dando o devido valor, isso era muito injusto.

Retornamos para o meu quarto e minutos depois já estava liberada, os meus pais vieram e logo eu estava em casa.

Entrei no meu quarto, e estava decidida a me reerguer, eu ia honrar a memória do Harry.

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Comments

Fatima Cavalcante

Fatima Cavalcante

também acho muito triste um amor tão lindo acabar assim

2025-03-17

1

Nubia Luciene

Nubia Luciene

início da história muito triste ☹️☹️☹️

2025-02-09

0

Rosilene Oliveira

Rosilene Oliveira

começando a ler e já estou gostando 😃🙂😃😃😃

2025-02-08

0

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