O dia finalmente chegou, e lá estava eu, vestida de noiva. Mas não era a visão que eu sempre sonhei. Ao invés de um sonho mágico, meus pensamentos estavam envoltos em uma tempestade de emoções confusas, um turbilhão de ansiedade e tristeza que não conseguia disfarçar. A cerimônia, digna de um conto de fadas, era na verdade uma criação meticulosamente planejada pelas nossas famílias, um evento destinado a manter as aparências, mas o vazio entre Lucas e eu era tão gritante que quase podia ouvir seu eco.
A ideia do casamento religioso foi proposta por Dona Ester e a mãe de Lucas, e pela minha própria mãe. Ambas insistiram para que fosse realizado, como se isso pudesse consertar o que estava quebrado entre nós. Desde o início, senti que tudo aquilo era mais uma obrigação do que uma celebração genuína. Elas haviam organizado todos os detalhes: a igreja estava adornada com flores exuberantes, a recepção prometia ser deslumbrante e o buffet selecionado com muito cuidado. Até mesmo a viagem de lua de mel já estava programada com entusiasmo contagiante. Mas o vestido... ah, o vestido! Esse detalhe foi deixado para eu escolher junto com elas, como se isso pudesse fazer diferença em um dia que já parecia perdido.
Lucas, no entanto, não estava presente durante os preparativos. Ele passava cada vez mais tempo fora, mergulhado nas chantagens emocionais de Francine — a mulher que parecia ter se tornado uma sombra constante em nossa vida. As mensagens e fotos que ela me enviava eram claras e cruéis: ela usava todas as armas disponíveis para manter Lucas por perto. E ele, mesmo relutante em alguns momentos, parecia ceder cada vez mais às pressões dela. Mas eu não ia confrontá-lo estava exausta de lutar por algo que ele parecia não querer.
Naquela noite fatídica, enquanto preparava um jantar simples para me distrair dos meus pensamentos tristes, ouvi a campainha tocar. Ao abrir a porta, encontrei Dona Ester e a mãe de Lucas ali, com sorrisos forçados nos rostos.
— Que surpresa! Por favor, entrem — convidei-as, tentando manter um sorriso educado apesar da tempestade interna.
Logo depois, Lucas desceu as escadas. Ele estava arrumado demais para aquele horário casual; algo em sua postura exibia uma tensão palpável. Sua mãe e avó o observaram com curiosidade.
— Vai sair? — Dona Ester perguntou, seu tom revelando desconfiança.
— Preciso resolver algumas coisas rápidas — ele respondeu apressadamente, tentando se esquivar da conversa.
— Sente-se, Lucas. Precisamos conversar sobre o casamento — ordenou Dona Ester com firmeza.
Ele obedeceu relutantemente e se acomodou no sofá. Eu permaneci de pé, senti-me como um espectador involuntário daquela cena desconfortável.
— Lívia, você não acompanhou nada dos preparativos; não deu sua opinião nem parece interessada. Isso não é comportamento de uma noiva — ela reclamou incisivamente, olhando para mim como se eu fosse a culpada por toda essa situação.
— Estou apenas deixando que vocês façam o que acham melhor, Dona Ester. Não tenho muita tempo nesse momento e o casamento vocês já escolheram tudo — respondi com um tom neutro.
Lucas me lançou um olhar estranho; talvez estivesse tentando decifrar minhas palavras ou imaginando a imagem distorcida que Francine havia criado sobre mim: uma mulher interesseira e exigente.
— O jantar está quase pronto. Vocês aceitam ficar? — perguntei na tentativa de mudar de assunto.
— Pelo cheiro delicioso vindo da cozinha seria impossível recusar — respondeu a mãe de Lucas com um sorriso leve. Jamais imaginei que você cozinha, sua mãe disse que você sempre fez de tudo e nunca sobrecarregou os empregados. Lucas ouviu em silêncio.
Enquanto eu servia o jantar à mesa da sala da nossa casa, Lucas aproveitou a oportunidade para sair rapidamente; sua ausência só reforçou o quanto nosso casamento parecia ser uma formalidade sem qualquer significado profundo.
Os dias que antecederam o casamento foram uma loucura absoluta. Entre meus plantões no hospital e as aulas na faculdade, mal tive tempo para pensar nos detalhes do grande dia. E Lucas? Ele continuava sumido da minha vida! Se ele não se importasse com o nosso futuro juntos, por que eu deveria me preocupar?
Na noite anterior ao casamento, decidi preparar um bolo de chocolate para me distrair da ansiedade crescente dentro de mim. Estava delicioso; cada garfada era como um pequeno abraço reconfortante em meio ao caos emocional. Mas exagerei na quantidade e meu estômago revirou como se quisesse protestar contra todo aquele estresse acumulado. Vomitei tudo e me senti tonta por alguns momentos; atribuí isso ao nervosismo excessivo antes do grande dia. Mas algo dentro de mim sussurrava que havia mais do que apenas estresse por trás daquela sensação enjoativa.
No dia seguinte, amanheci enjoada e mencionei os enjôos à minha mãe durante nosso café da manhã apressado; ela imediatamente sugeriu um exame médico. Prometi fazer isso em segredo no dia seguinte da cerimônia e assim seguimos rumo ao dia da noiva.
Finalmente chegou o dia do casamento! O ambiente no SPA estava agitado; todas as mulheres pareciam radiantes em seus preparativos frenéticos e cheios de expectativa pelo grande momento. Eu estava ali fisicamente presente mas me sentia completamente deslocada nesse cenário festivo. Quando chegou o momento crucial de vestir o traje nupcial escolhido pelas minhas mães ansiosas, pedi algo simples e natural; precisava sentir-me autêntica naquele momento tão simbólico.
O vestido era elegante sim; mas não tinha nada a ver com os sonhos coloridos que sempre tive na cabeça desde pequena. Ao me olhar no espelho pela primeira vez vestida como noiva - ou pelo menos tentando ser - senti um vazio profundo tomando conta do meu ser. Não era eu ali refletida naquela imagem; era apenas uma estranha vestida de branco em meio a toda aquela encenação dramática.
Quando permiti que as mulheres entrassem para ver meu visual final antes da cerimônia começar, todas analisaram minha figura em silêncio até que minha mãe finalmente rompeu aquele clima tenso:
— Você está linda, filha — disse ela com um sorriso caloroso nos lábios.
Dona Ester e a mãe de Lucas também elogiaram meu visual; embora parecessem surpresas com a simplicidade do vestido escolhido por mim; tudo isso apenas reforçou ainda mais minha sensação de inadequação naquele papel forçado.
— É adequado para a ocasião — respondi com um sorriso contido enquanto tentava esconder minha verdadeira emoção por trás daquela máscara social imposta pela situação.
Ao chegar à igreja decorada como se fosse um conto encantado - flores exuberantes adornando cada canto e um tapete vermelho luxuoso estendido sob meus pés - tudo parecia espetacular aos olhos dos convidados emocionados ao redor. No entanto, para mim aquilo era apenas mais uma peça teatral onde todos estavam interpretando suas partes sem saber das verdades ocultas por trás dos sorrisos ensaiados.
Lucas aguardava na entrada da igreja ansiosamente por sua mãe caminhar até o altar com ele; ele parecia nervoso também enquanto mantinha os olhos fixos à sua frente sem notar minha presença aproximando-se lentamente dele. Francine estava lá também - vestida de preto como uma lembrança sombria do caos emocional que ela representava na minha vida agora.
Quando chegou minha vez de entrar sob os olhares curiosos dos convidados ao som suave da Ave Maria tocando ao fundo... meu pai segurava meu braço firmemente enquanto caminhávamos juntos em direção ao altar sem conseguir olhar diretamente à frente pois minha mente estava completamente perdida em pensamentos confusos sobre nosso futuro incerto juntos como casal recém-formado.
No altar aguardando-me estava Lucas - ele cumprimentou meu pai educadamente antes da cerimônia ter início sob os olhares atentos dos convidados presentes ali naquela ocasião especial porém estranhamente desconfortável para mim pessoalmente – tudo seguia seu curso habitual até chegar ao momento decisivo:
— Se alguém tiver algo contra este casamento… fale agora ou cale-se para sempre — declarou o padre solenemente enquanto olhava ao redor buscando alguma voz discordante entre os presentes na celebração matrimonial.
Francine fez menção clara de se levantar naquele instante mas Dona Ester foi rápida em sua ação protetora: aproximou-se dela sorrindo discretamente enquanto murmurava palavras ameaçadoras:
— Tente! Diga algo… E você e sua mãe sairão daqui algemadas! Pilantras!
Francine congelou no lugar diante daquela ameaça velada enquanto todos os olhares se voltavam novamente para frente sem interrupções adicionais à cerimônia religiosa programada daquele dia fatídico...
Quando finalmente o padre declarou que Lucas podia me beijar na cerimônia… ele inclinou-se em direção para tocar levemente meus lábios, mas eu abaixei a cabeça e ele beijou minha testa – gesto simbólico mais do que qualquer outra coisa significativa entre nós naquele momento – recebendo aplausos entusiásticos dos convidados reunidos ao redor enquanto caminhávamos juntos em direção à saída… cada um perdido profundamente dentro dos próprios pensamentos solitários…
Eu sabia muito bem naquele instante crucial: aquele casamento não significava amor ou felicidade verdadeira alguma… Era apenas um acordo formal estabelecido entre nossas famílias respeitáveis num palco montado exclusivamente para agradar aos interesses sociais deles! Enquanto cruzávamos a igreja decorada exageradamente… não consegui evitar pensar: será que algum dia isso poderia mudar? Ou estávamos condenados eternamente à viver uma vida repleta apenas das aparências enganosas construídas ao longo. E se eu estiver grávida, como será nossas vidas?
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Atualizado até capítulo 49
Comments
Nilza Calioni
Lívia devia sumir da vida do idiota do Lucas e ir viver uma vida de paz com seu filho
2025-01-18
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Maria Luísa de Almeida franca Almeida franca
também acho que ela deveria ir embora para outro lugar bem longe desse crápula
2025-02-23
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Janete Ribeiro
nossa que cara idiota manipulado por está mulher aí que raiva
2025-01-20
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