A casa estava silenciosa quando ouvi o barulho da porta se abrindo. Lucas havia chegado, mas seu passo parecia mais arrastado do que o normal. Eu estava subindo as escadas em direção ao meu quarto no final do corredor quando ouvi o toque do celular dele.
“Francine,” ele atendeu, e automaticamente meu corpo parou. Eu já sabia que aquela conversa não seria boa.
Ele colocou o celular no viva-voz, talvez sem perceber que eu ainda estava ali, parada no topo da escada, escutando involuntariamente. A voz de Francine logo encheu o ar, carregada de um drama quase ensaiado.
“Lucas...” Ela chorava do outro lado da linha. “Eu não sei o que fazer. O médico disse que estou com uma úlcera. Não posso passar por estresse, não posso me abalar...”
Lucas suspirou. “Calma, Francine. Você já está se estressando só de falar sobre isso. O que está acontecendo?”
“Eu te amo, Lucas,” ela disse, a voz embargada. “Mas perdi você. Perdi para aquela manipuladora da Lívia. Ela sempre foi assim, sempre aprontando, mas ninguém vê porque ela é uma pilantra! Você acha que ela vai lavar, passar, cozinhar? Não, Lucas! Ela vai exigir empregadas, governantas, vai dar ordens em todo mundo, porque é isso que ela faz! Ela nunca fez nada na vida, não sabe fazer nada além de exigir e mandar.”
Meus olhos se fecharam com força. Cada palavra dela era uma mentira, ela não me conhecia verdadeiramente, nós duas apesar de primas nunca tivemos uma convivência, mas o pior era que Lucas não a interrompia, somente ouvia.
“E tem mais,” Francine continuou, em um tom quase conspiratório. “Ela está de caso com o chefe do hospital! É claro que está. Lívia quer passe livre para chegar ao topo, e sabe como fazer isso. Acha mesmo que ela é essa mulher perfeita que você vê?”
Houve um silêncio do lado de Lucas, e eu esperei ansiosamente pela resposta dele.
“Francine,” ele começou, sua voz baixa e pensativa, “essas são acusações sérias. Você realmente tem certeza do que está falando?”
“Tenho! Mas você não enxerga, Lucas. Você está cego por essa mulher, mas um dia vai ver quem ela realmente é.”
Eu sabia que deveria ir embora, entrar no meu quarto e esquecer tudo aquilo, mas não consegui. A dúvida na voz de Lucas me cortou mais profundamente do que as mentiras de Francine ele sabia que ela estava mentindo e não disse nada.
Depois de um longo suspiro, Lucas encerrou a ligação. Eu ouvi seus passos subindo as escadas, e corri para o quarto, fechando a porta antes que ele me visse ali.
Mais tarde naquela noite, enquanto organizava minhas roupas, e me preparava para estudar, ouvi Lucas entrando no meu quarto. Ele estava quieto, mas seu olhar pesava em mim como se quisesse dizer algo.
“Lívia,” ele chamou meu nome, hesitante.
“Sim?” Respondi sem olhar diretamente, temendo o que viria a seguir.
“Posso te perguntar uma coisa?”
Fechei a gaveta lentamente antes de me virar para ele. “Claro.”
Ele parecia desconfortável, quase perdido. “Você já pensou em ter alguém para ajudar com a casa? Uma empregada ou algo assim?”
Franzi o cenho. “Não. Por quê?”
Ele balançou a cabeça, como se tentasse organizar os pensamentos. “É que você faz tudo sozinha. Nunca reclamou, nunca pediu ajuda... Não parece o tipo de pessoa que precisa de empregadas, mas—”
“Mas o quê, Lucas?”
Ele desviou o olhar. “Alguém comentou que talvez você tivesse outras intenções. Sobre o hospital, o chefe...”
Senti o sangue ferver. “Lucas, quem está colocando essas ideias na sua cabeça? Francine?”
Ele não respondeu, mas o silêncio dizia tudo.
“Olha, Lucas, eu não sei o que ela te disse, mas você está me conhece. Eu sempre fiz tudo por conta própria, sem exigir nada de ninguém. Se você vai acreditar em mentiras, é uma escolha sua, mas não vou ficar me justificando por algo que eu não fiz ou faço.”
Ele assentiu lentamente, mas a dúvida ainda estava no ar. Isso me machucou e me irritou mais do que eu queria admitir.
Algumas horas depois, Lucas saiu de casa sem me dar explicações. Quando voltei à sala, vi que ele havia levado as chaves do carro.
Mais tarde, descobri onde ele estava. Francine o havia chamado para a encontrar na cobertura, e ele foi.
“Eu sabia que você viria,” ela disse assim que ele entrou, com aquele sorriso vitorioso que só ela conseguia fazer.
“Você parecia precisar,” respondeu ele, seco.
“Eu estou tão perdida, Lucas,” ela continuou, sua voz doce e frágil. “Minha saúde está frágil, tudo isso... Não sei como lidar sozinha.”
Ela se aproximou, colocando as mãos delicadamente sobre o braço dele. “Fique comigo esta noite. Por favor. Eu só preciso de um pouco do seu carinho, da sua atenção.”
Lucas hesitou, mas acabou concordando. "Tudo bem amor".
Enquanto isso, em outra parte da cidade, Dona Ester estava reunida com um homem em um café discreto.
Ele chegou pontualmente, com uma pasta debaixo do braço. Cumprimentou-a com um leve aceno antes de se sentar.
“Está tudo aqui,” disse ele, colocando a pasta sobre a mesa.
Dona Ester a pegou, mas não a abriu de imediato. “Tem certeza de que isso é tudo o que pedi?”
“Sim, senhora. O que a senhora precisa saber sobre Francine e sua família está nesse dossiê. São informações completas.”
Um sorriso discreto surgiu nos lábios de Dona Ester. “Muito bom. Era exatamente isso que eu precisava.”
O homem levantou-se e saiu, deixando-a sozinha com seus pensamentos e a pasta misteriosa.
Ela abriu lentamente, lendo as primeiras páginas. O sorriso em seu rosto se alargou. “Agora as coisas vão começar a mudar,” disse ela, fechando a pasta com um ar de determinação.
Quando Lucas voltou para casa na manhã seguinte, ele parecia exausto. Eu estava na cozinha preparando o café da manhã e percebi o olhar dele me seguindo enquanto eu me movia pela cozinha.
“Você quer café?” perguntei casualmente, sem olhar diretamente.
“Quero, sim.”
Ele se sentou à mesa, mas não tocou na xícara que coloquei à sua frente. Parecia perdido em pensamentos, como se estivesse tentando juntar peças de um quebra-cabeça. Enquanto eu fazia o café da manhã feliz, a sua amada Francine pedia para tomar café fora ou pedia café em algum local famoso e caro. E depois eu era manipuladora e pilantra.
Eu sabia que Francine tinha plantado uma semente de dúvida em sua mente, mas também sabia que as mentiras dela não resistiriam por muito tempo, estava claro como água, Lucas estava era com vergonha de admitir. Eu continuaria sendo eu mesma, e a verdade eventualmente prevalece.
Enquanto arrumava a mesa, tomei uma decisão silenciosa. Se Lucas quisesse me julgar pelas palavras de outra pessoa, ele era livre para isso. Mas eu não permitiria que as manipulações de Francine me destruísse.
Afinal, eu sempre acreditei que a verdade, por mais demorada que fosse, sempre encontraria seu caminho.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 49
Comments
Marlene Chico Paupitz
Parabéns autora .história maravilhosa .
2025-03-08
1
Suely Oliveira
amando também, parabéns!
2025-03-24
0
Tininha Vaz
Apaixonada pela história!
2025-03-17
0