Meu coração estava pesado, mas minha mente parecia adormecida desde o momento em que Dona Ester anunciou que tínhamos apenas um mês para o casamento. Um mês. Como se fosse um evento trivial, algo que você marca na agenda e resolve rapidamente. Fiquei ali, parada, enquanto ela e a mãe de Lucas já planejavam detalhes.
Dona Ester ainda disse que nos daria uma casa como presente e saiu para ligar para uma amiga designer de interiores. Lucas e eu trocamos olhares breves. Ele parecia tão perdido quanto eu, mas antes que pudéssemos falar algo, ele me chamou para conversar.
"Precisamos falar sobre isso, Lívia," ele disse com firmeza.
Eu estava tensa, mas respondi prontamente: "Agora não dá. Preciso ir para a faculdade."
Lucas insistiu, oferecendo carona. Eu recusei com a desculpa de estar de carro, embora minha verdadeira intenção fosse adiar aquela conversa. Combinamos de falar mais tarde.
Naquele mesmo dia, Lucas foi abordado por Francine na entrada da empresa. Ela parecia desesperada. "Precisamos conversar, é urgente", disse ela, puxando-o para um café do outro lado da rua.
"Meu pai me deu um ultimato", começou Francine, os olhos cheios de expectativa.
Lucas permaneceu em silêncio, o que claramente a irritou. Quando ela insistiu, ele disse com frieza: "Vou me casar com Lívia em um mês."
Francine ficou imóvel por um momento. Então, aos poucos, o choque deu lugar a um ódio fervente.
"Isso é um absurdo, Lucas!" ela explodiu. "Você não entende o que Lívia é capaz de fazer? Ela sempre me humilhou! Colocou comprimidos na sua bebida, Lucas! Ela sempre quis te roubar de mim!"
Francine continuou vomitando mentiras, misturando ressentimento e inveja com uma naturalidade impressionante. Lucas ouviu tudo em silêncio, mas parecia começar a acreditar em cada palavra.
"Vou me casar por respeito à minha família", disse ele finalmente. "Será um casamento de fachada. Em um ano, pedirei o divórcio. Não se preocupe, Francine, você é a única mulher que importa."
Ela fingiu desespero, até pediu ajuda médica, mas conseguiu o que queria: atenção, dinheiro e a promessa de que, no final, Lucas ainda seria dela.
À noite, nos encontramos em um restaurante. O ambiente era sofisticado, mas nada naquele lugar conseguia mascarar a tensão entre nós.
Lucas me olhou com uma expressão que eu nunca tinha visto antes: raiva pura.
"Como você teve coragem de planejar tudo isso, Lívia?" ele disparou, nem ao menos se preocupando em introduzir o assunto.
"Eu não..." tentei começar, mas ele me interrompeu.
"Vou me casar por causa da minha família, mas será um casamento de fachada. Em um ano, nos divorciamos. Não me dirija a palavra, não tente nada. Dormiremos em quartos separados, e você não terá o que planejou. Isso é tudo culpa sua!"
A cada palavra, meu coração se partia mais. O homem que eu amo estava me acusando de algo que eu nunca faria. Permaneci em silêncio, ouvindo-o me condenar sem provas. Quando ele terminou, balancei a cabeça em aceitação e me levantei.
"Com licença," disse, minha voz quase inaudível. Saí dali antes que as lágrimas caíssem.
Lucas ficou sem ação. Depois me disse que esperava alguma cena dramática ou confissão de amor. Mas ele recebeu apenas silêncio.
Quando cheguei em casa, desabei nos braços da minha mãe. Contei tudo, desde as acusações de Lucas até o peso daquele casamento que eu nunca havia imaginado desse jeito. Queria sim, Lucas na minha vida, sendo meu marido, mas não desse jeito a dor era insuportável naquele momento.
"Eu só queria ser feliz, mãe", confessei entre soluços.
Meu pai ouviu tudo da sala ao lado. Ele conhecia bem minha tia Margareth e Francine, e seu olhar pesado refletia um misto de frustração e resignação.
"Minha filha, você é forte", disse minha mãe, acariciando meu cabelo.
No dia seguinte, ela tentou me animar, falando sobre os preparativos para o casamento. Mas eu fui firme: "Será no cartório, mãe. Sem festa, sem vestido, sem igreja. Isso não é um casamento de verdade."
Ela não disse nada, mas vi a tristeza em seus olhos. Ela sabia o quanto eu amava Lucas, mesmo que nunca tivesse dito isso em voz alta.
Um mês depois, lá estávamos nós, em um cartório, em uma cerimônia simples, com poucas pessoas. Lucas estava impecável, mas seu rosto carregava um misto de desconforto e frieza. Eu vestia um terninho creme feito sob medida, algo discreto e elegante, mas longe do que se esperava de uma noiva.
Quando o juiz perguntou sobre o nome, mantive o meu de solteira. Lucas ficou visivelmente desconcertado. De acordo com Francine, eu teria exigido um casamento grandioso, mas o que fiz foi o oposto.
Dona Ester, sempre tão assertiva, anunciou que iríamos comemorar na mansão. "Não posso, tenho plantão", respondi, sorrindo com gentileza.
"Vocês precisam tirar uns dias de folga", insistiu ela, vocês tem que ter uma lua de mel, viajar, criar história para contar para seus filhos.
"Quando me formar, em dois anos", retruquei, mantendo a calma.
Lucas parecia cada vez mais confuso. Nada do que Francine dissera estava se confirmando.
Após a cerimônia, o juiz entregou a certidão de casamento. Dei-a à minha mãe, pedindo que guardasse.
Peguei minha bolsa, procurei as chaves do carro e, antes que Lucas pudesse dizer algo, me despedi com um beijo no ar. Saí deixando todos em silêncio.
A família saiu sem saber o que dizer, e Dona Ester apenas observou Lucas, que estava claramente desconfortável. Naquele momento, percebi que ele começava a questionar tudo o que achava que sabia sobre mim.
Enquanto dirigia para a faculdade, pensei em como minha vida mudou em tão pouco tempo. Agora, eu era uma esposa sem marido, acusada de coisas que não fiz, amando alguém que não me conhecia de verdade. Estava cego de amor, enfeitiçado por mentiras mas, eu ia esperar e pagar para ver a verdade vindo à tona, não ia dar o gostinho a eles. Estava sofrendo sim, mas não ia deixar ser humilhada mais do que já estava.
Mas prometi a mim mesma que não deixaria aquilo destruir-me. Talvez um dia Lucas enxergasse quem realmente era a mentirosa nessa história. Até lá, eu faria o possível para seguir em frente.
E iria vencer.
Afinal a verdade sempre prevalece, pode demorar mais a verdade sairá a luz
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 49
Comments
Euridice Neta
Ela está calma diante de tudo isso,eu já teria dado na cara de Francine que tá se achando, mais como diz os mais velhos mentiras tem pernas curta...
2025-03-10
0
Denis
Nesta mansão não tem câmeras não?
2025-03-23
0
Miguel Aquino
continuar vai.ivone
2024-12-13
0