As coisas começaram a desmoronar assim que entrei em casa. Meu corpo estava exausto, mas minha mente, em um turbilhão, à noite não saia da minha cabeça. Ao receber o abraço da minha mãe foi o único momento de conforto que senti naquele dia.
— Graças a Deus, Lívia! Você está bem? Ficamos tão preocupados! — Ela me apertava como se eu pudesse desaparecer a qualquer instante.
— Estou bem, mãe. Só cansada... foi uma noite longa.
Minha voz saiu fraca, como se carregasse o peso de algo que eu não estava pronta para dizer. Subi para o meu quarto sem olhar para trás, tomei um banho demorado com as lembranças da noite vindo em flash em minha mente, mas sabia que não poderia escapar das perguntas da minha mãe por muito tempo.
No jantar, enquanto eu cortava o pedaço de bife no prato, a inevitável conversa começou.
— Lívia, você está diferente. O que aconteceu?
O tom curioso da minha mãe era mais uma tentativa de me fazer falar. Suspirei fundo, deixando o garfo cair no prato com um leve barulho metálico, olhei para meu pai, que me olhava de volta com carinho me incentivando a responder.
— Mãe, aconteceu na festa.
Seus olhos ficaram arregalados, a preocupação evidente.
— O que aconteceu?
— Lucas e eu... — tentei, mas minha voz falhou por um instante. — Nós passamos a noite juntos.
A confusão, misturada com decepção, cruzou o rosto dela por um longo tempo.
— Lívia, você sabe o que isso significa? Vocês se preveniram?
Confusa com a pergunta, balancei a cabeça em negativa sentindo as lágrimas ameaçando escapar.
— Não foi como você está pensando, mãe. Simplesmente aconteceu, foi um momento lindo entre nós dois, mas Francine, descobriu quando me viu saindo do quarto apressada e me seguiu até a sala dos Montenegro e foi falando mentiras, dizendo que eu droguei Lucas para... para que eu dormisse com ele...
— Francine? — Sua voz carregava indignação. — Essa garota sempre foi venenosa! E não presta — Ela bateu a mão na mesa, furiosa. — Mas, Lívia, o que realmente aconteceu?
Respirei fundo e contei a verdade, ou pelo menos o que conseguia lembrar daquela noite. Minha mãe suspirou, agora com uma expressão mais preocupada do que zangada.
— Você sabe que isso não vai parar por aqui, não é? A família dele vai querer explicações. Talvez até algo mais. Você está preparada para enfrentar a avalanche que virá?
Engoli em seco. As palavras dela ecoaram na minha mente durante a noite. Eu mal consegui pregar os olhos.
Enquanto isso, na mansão dos Montenegro, o clima não era diferente. Dona Ester, a matriarca da família, havia reunido os pais de Lucas na sala de estar. A seriedade em sua expressão mostrava que não era um assunto comum.
— Precisamos falar sobre Lucas e Lívia — começou ela, com sua voz firme e autoritária. — O que aconteceu na festa não foi um escândalo porque somente Francine notou a falta de Lucas. Não o que aconteceu, não podemos ignorar.
A mãe de Lucas, visivelmente aflita, questionou:
— Mas isso não foi apenas um mal-entendido?
— Não há mal-entendido algum — cortou Dona Ester. — Lívia, além de educada e linda, estava se sentindo mal, eu sei um remédio a ela e pedi o Lucas para lhe fazer companhia, a garota era pura. Agora não é mais. Isso precisa ser resolvido imediatamente, sei que eles são maiores, mas me sinto responsável pelo que aconteceu.
O pai de Lucas, um homem de poucas palavras, levantou-se.
— Eu mesmo vou resolver isso e falar com ele.
No escritório, o pai de Lucas o chamou para uma conversa que ele já esperava ser difícil.
— Pai, o que está acontecendo? — ele perguntou, nervoso.
— Sente-se, Lucas — respondeu o pai, apontando para a cadeira. — Precisamos falar sobre sua responsabilidade e respeito.
Lucas franziu o cenho, mas obedeceu.
— O que você fez foi irresponsável. Você colocou a honra de Lívia e nossa reputação está em risco. Tem noção da dimensão de tudo que aconteceu?
— Pai, eu nem me lembro direito do que aconteceu! — protestou Lucas, a frustração clara em sua voz. E ela é maior e responsável pelos seus atos, porque somente eu estou sendo julgado.
— Isso não importa! — A voz do pai ficou mais firme. — O que importa é que agora você terá que se casar com ela. Sem objeções. Espero de você o mínimo de responsabilidade.
— Casar? Isso é demais, é injusto!
— Injusto? — O pai inclinou-se para frente, encarando Lucas. — Injusto seria deixar Lívia com a honra arruinada. Você vai arcar com as consequências.
Na manhã seguinte, enquanto eu estava no hospital, recebi uma ligação de Dona Ester.
— Lívia, gostaria que você viesse à mansão para uma conversa.
Meu estômago revirou. Algo no tom dela me deixou desconfortável.
— Hoje não posso, Dona Ester. Tenho aula prática e plantão.
— Então amanhã pela manhã — respondeu ela, em um tom que não admitia recusas. E desligou.
Concordei, embora relutante, sem saber se deu tempo dela ouvir.
No dia seguinte, com o coração pesado, dirigi até a mansão. Ao chegar cada passo parecia me levar a uma sentença que eu não queria enfrentar. Entrei e a casa estava silenciosa demais, como se esperasse pelo momento exato para explodir.
A empregada me conduziu até a sala, onde Lucas, seus pais e Dona Ester estavam sentados. O clima era sufocante, e meus passos ecoaram no chão de mármore.
— Bom dia — murmurei, sentindo a tensão no ar.
Eles responderam com acenos breves. O pai de Lucas não perdeu tempo.
— Lívia, discutimos sobre o que aconteceu na noite da festa. Para proteger sua honra e a nossa reputação, você e Lucas irão se casar.
Fiquei paralisada.
— O quê? Não, eu...
— Não há espaço para discussões — interrompeu ele, erguendo a mão para me silenciar. — Pense em sua família. Pense no constrangimento que isso causaria se essa história vazasse. É o mínimo que podemos fazer.
Minha mente girava. Tentei buscar algum apoio em Lucas, mas quando olhei para ele, seu rosto estava sério, era puro ódio. Ele me olhava como se eu fosse o motivo de todo o caos em sua vida. Meu coração partiu naquele momento.
— Mas eu... — comecei, mas as palavras não saíram.
— Basta! — A voz dele cortou como uma faca. — Esta decisão já foi tomada.
Engoli em seco, sentindo o peso das palavras. O olhar de Dona Ester era impassível, mas firme.
— Está decidido, então — disse ela, com um tom que parecia selar meu destino. E eu não pude opinar.
Senti como se estivesse sendo condenada sem julgamento. Meu coração estava em frangalhos, mas sabia que qualquer tentativa de resistência seria inútil. Sem forças, assenti lentamente, aceitando o que parecia ser uma sentença inevitável.
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Atualizado até capítulo 49
Comments
Euridice Neta
Coitada foi julgada e condenada por ele e vai sofrer co. esse casamento e as artimanhas maldosas de Francine...
2025-03-09
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Aline Souza
vai ter atualização?
2024-12-13
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