A luz da manhã filtrava-se pelas cortinas do quarto, tocando minha pele como um lembrete do que havia acontecido horas antes. Minha mente ainda estava um pouco turva, e o corpo dolorido denunciava a intensidade de tudo que tinha vivido. Tentei afastar as lembranças, mas elas eram insistentes. Cada toque, cada sussurro, cada instante com Lucas parecia gravado em mim.
Lembro-me de como a entrega foi intensa, carregada de uma emoção que não conseguia nomear. O olhar dele enquanto seus dedos acariciavam meu rosto, a maneira como ele pronuncia meu nome, como se fosse uma prece. Seus beijos eram suaves, mas ao mesmo tempo urgentes, como se aquele momento , o tempo fosse nosso maior inimigo. Naquele momento, nada mais existia além de nós dois. Foi lindo, foi tudo o que eu nunca imaginei que teria.
Mas a realidade logo me atingiu com força. Acordei atordoada, minha cabeça parecia pesada, e o peso no meu peito era ainda maior. Olhei ao redor, reconhecendo o quarto como sendo de Lucas. Ele ainda dormia, parecendo tão tranquilo, tão alheio ao turbilhão de sentimentos que tomava conta de mim.
Levantei-me com cuidado, sentindo um incômodo no corpo que me fez lembrar de tudo. A vergonha tomou conta de mim. O que eu fiz? Como permitir que algo assim acontecesse? Peguei minhas roupas rapidamente e me vesti, evitando olhar para ele mais uma vez. Ao sair do quarto, tentei não fazer barulho, mas minha sorte pareceu me abandonar quando me deparei com Dona Ester no corredor.
Ela estava parada, com um olhar que misturava surpresa e felicidade.
— Bom dia, minha querida — disse ela, a voz firme, mas sem perder a delicadeza.
— Bom dia, Dona Ester... eu preciso ir — respondi, tentando evitar seu olhar.
— Você está bem, Lívia? Parece um pouco abalada.
Estou bem, assenti rapidamente, incapaz de sustentar aquele olhar penetrante. A vergonha me consumia, e eu sabia que qualquer palavra que eu dissesse poderia entregar ainda mais o que havia acontecido.
— Estou bem, sim. Só preciso ir para casa. Repeti e fui em direção as escadas
Dona Ester franziu levemente a testa, mas não insistiu. Apenas me observou enquanto eu descia as escadas com pressa, torcendo para não encontrar mais ninguém pelo caminho. Assim que cruzei a porta da saída, senti o ar fresco da manhã invadir meus pulmões, mas o alívio foi passageiro. A culpa, o constrangimento e a confusão eram como uma nuvem negra sobre mim, voltei e sentei no sofá da grande sala pois precisava me recuperar para ir para casa eu estava nervosa e tensão naquele momento.
No quarto, Lucas despertava lentamente. Sua cabeça latejava, e a luz do dia parecia ferir seus olhos. Ele se sentou na cama, esfregando as têmporas, tentando organizar as memórias da noite anterior. Tudo parecia um borrão. Ele lembrava-se da festa, das risadas, de Francine sendo insistente... mas depois? Depois, tudo ficou nebuloso.
Olhou ao redor e percebeu algo diferente. O cheiro suave de Lívia parecia ainda pairar no ar. Olhou para o lençol e viu a mancha de sangue, um lembrete silencioso do que havia acontecido. O coração dele acelerou.
Antes que pudesse processar, a porta se abriu, e Dona Ester entrou, trazendo consigo a calma e a autoridade que sempre.
— Bom dia, meu querido. — Ela se aproximou e beijou a testa dele.
— Bom dia, vó... — Lucas respondeu, ainda confuso.
Ela parou por um momento, seu olhar pousou na cama, nas evidências que não podiam ser ignoradas. Seu rosto endureceu, mas sua voz permaneceu firme.
— Lucas... o que aconteceu aqui?
Ele passou a mão pelos cabelos, tentando encontrar uma explicação.
— Eu... não sei, vó. Sinto que algo aconteceu, mas minha cabeça está confusa.
Dona Ester suspirou profundamente, cruzando os braços.
— Aquilo é sangue, Lucas. Não me diga que não sabe o que isso significa.
O silêncio dele foi uma resposta suficiente para ela.
— Se você foi o responsável por isso, então precisa tomar a atitude correta. Lívia é uma moça de família, e o que aconteceu aqui mudou tudo.
Lucas arregalou os olhos, começando a entender a gravidade da situação.
— Lívia... — Ele murmurou, como se o nome dela fosse uma âncora para seus pensamentos.
— Não há espaço para dúvidas, Lucas. Você precisa reparar o que fez.
Dona Ester saiu do quarto, deixando Lucas sozinho com seus pensamentos e a pressão de suas palavras. Ele fechou os olhos, tentando juntar as peças, mas a dor de cabeça e a confusão não o deixavam pensar com clareza.
Enquanto isso, Francine estava à espreita. Ela havia ouvido a conversa do lado de fora, e o ódio que sentia por Lívia parecia crescer como um fogo incontrolável. Aquela garota, com sua aparência simples e jeito inocente, havia destruído tudo o que Francine vinha planejando por anos.
Assim que Dona Ester desceu, Francine viu sua chance. Ela ajustou o rosto para parecer abatida, respirou fundo e entrou no quarto de Lucas.
— Lucas! — disse ela, correndo até ele e o abraçando de repente.
Lucas se afastou levemente, surpreso com a presença dela.
— Francine? O que você está fazendo aqui?
Ela fez uma expressão de dor, como se estivesse prestes a chorar.
— Eu estava tão preocupada com você... Ontem à noite foi horrível. Lívia... — Francine parou, fingindo que as palavras lhe faltavam.
Lucas franziu o cenho.
— Lívia? O que tem ela?
Francine suspirou, fingindo hesitação.
— Eu vi ela colocar algo na sua bebida, Lucas. Ela estava estranha, nervosa... E depois, quando eu tentei subir para falar com você, sua avó me impediu. Disse que eu não era bem-vinda e me expulsou da festa.
Lucas balançou a cabeça, ainda tentando processar tudo.
— Francine, do que você está falando?
— Eu só estou preocupada com você! — disse ela, as lágrimas começando a escorrer. — Fiquei tão mal que ninguém quis me ajudar. Eu voltei porque te amo, Lucas. Mas estou com medo... medo do que Lívia pode ter feito com você.
As palavras dela foram como veneno, infiltrando-se nas dúvidas e confusões de Lucas. Ele se levantou da cama, a dor de cabeça latejando ainda mais forte.
— Isso não faz sentido. Lívia nunca faria algo assim...
Francine se aproximou novamente, tocando o braço dele de maneira delicada.
— Eu sei que é difícil acreditar, mas você precisa pensar no que está acontecendo ao seu redor. Essa garota sempre esteve por perto, como se estivesse esperando algo.
Lucas sentiu o sangue ferver. Ele não sabia o que era verdade, mas o caos em sua mente parecia apontar para uma conclusão.
— Francine, eu preciso de tempo para entender tudo isso.
Ela assentiu, aparentemente compreensiva, mas internamente comemorava.
— Claro, meu amor. Só quero que você fique bem.
Ela se levantou, deixando o quarto com um sorriso discreto. Sua determinação de destruir qualquer possibilidade entre Lucas e Lívia estava mais forte do que nunca. Francine sabia que tinha as cartas certas para jogar e não hesitaria em usá-las para garantir que Lucas continuasse em suas mãos, mesmo que isso significasse destruir completamente a reputação de Lívia.
Enquanto Lucas tentava reorganizar seus pensamentos, o estrago já estava feito. E o que começou como uma manhã de confusão estava se transformando no início de uma tempestade que mudaria suas vidas para sempre.
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Atualizado até capítulo 49
Comments
Euridice Neta
Caramba ele vai acreditar n vagaranha interesseira mais dona Ester sabe o que aconteceu e o que fez, só resta saber como vão ficar situação entre eles...
2025-03-09
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Maria Luísa de Almeida franca Almeida franca
que escória os dois se merece
2025-02-23
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