A noite estava longe de terminar, e meu coração ainda batia acelerado por causa de tudo o que havia acontecido na festa de Dona Ester. O luxo, as pessoas influentes, as conversas... Tudo parecia tão distante do que eu era, mas também fazia parte do mundo que minha família compartilhava por causa de nossas conexões profissionais e amizade de anos. Ainda assim, nada disso me prepararia para o que estava por vir.
Eu estava no quarto de hóspedes, repousando após um mal-estar. A avó de Lucas, sempre atenciosa, me trouxe até lá e insistiu para que eu descansasse. Ainda sob efeito do remédio que ela me deu, ouvia o burburinho abafado da festa lá embaixo quando a porta se abriu. Como estudante de medicina, estava preocupada com a medicação da Dona Ester, mas fiquei sem ação devido ao seu tratamento carinhoso comigo. Eu disse o que estava sentindo e ela me deu água e o remédio e tomei pois minha cabeça latejava.
Dona Ester entrou, trazendo consigo aquele ar de autoridade misturado com uma doçura ímpar.
— Lívia, minha querida, preciso da sua ajuda.
Sentei-me lentamente, preocupada e um pouco tonta.
— O que aconteceu, Dona Ester?
— É Lucas. Ele não está bem. Algo está errado, e eu não sei o que fazer. Você é a única pessoa em quem confio agora.
Meu estômago revirou com a menção de Lucas. Era difícil esconder o que eu sentia por ele, mas me concentrei no pedido. Eu estava no oitavo período de Medicina; poderia ajudá-lo.
— Claro, leve-me até ele.
Quando chegamos ao quarto de Lucas, ele estava sentado na beira da cama, com o olhar perdido, as mãos tremendo levemente. O rosto dele estava pálido, e sua respiração, irregular.
— Lucas? — chamei, tentando não demonstrar a apreensão que crescia dentro de mim.
Ele levantou os olhos para mim, confuso.
— Lívia...? O que você está fazendo aqui?
— Sua avó me pediu para cuidar de você. Você não parece bem.
Ajoelhei-me diante dele e comecei a examiná-lo, checando sua pulsação e perguntando sobre os sintomas. Seus olhos estavam levemente vidrados, a fala arrastada. Algo não estava certo.
— Lucas, você tomou alguma coisa? Alguma bebida?
Ele piscou, tentando focar.
— Só um copo... Francine me deu... — Sua voz sumiu, e eu congelei ao ouvir o nome dela.
Francine. Minha prima. Algo estava errado com essa história.
— Acho que você foi dopado, Lucas. Vou ajudá-lo, mas preciso que você confie em mim, tudo bem?
Ele assentiu levemente, e eu me levantei, pedindo a Dona Ester que trouxesse água e algumas coisas do kit de primeiros socorros da casa.
Enquanto administrava o que podia para estabilizá-lo, senti um peso esmagador de preocupação. Lucas era sempre tão seguro de si, tão confiante. Vê-lo assim, vulnerável, mexia comigo de uma forma que eu não sabia explicar.
Dona Ester voltou rapidamente com tudo o que pedi. Expliquei o que estava fazendo e, com paciência, administrei um antídoto leve para aliviar os efeitos da substância que provavelmente estava em seu sistema.
— Você acha que ele vai ficar bem, Lívia? — a voz da matriarca soava mais preocupada do que nunca.
— Vai sim, Dona Ester. Felizmente, a substância parece ser algo que podemos reverter. Mas ele precisa descansar e se hidratar.
Quando Lucas finalmente começou a reagir, seus olhos claros encontraram os meus novamente. Ainda havia confusão neles, mas algo mais parecia brilhar ali, como se uma fagulha se acendesse.
— Lívia, o que aconteceu? — ele perguntou com a voz rouca, tentando se levantar.
— Não se esforce, Lucas. Você foi drogado. Não sei exatamente como ou por quem, mas estou aqui para ajudar.
Ele passou a mão pelos cabelos, visivelmente desconcertado.
— Isso explica por que tudo está tão confuso... A última coisa que lembro é Francine me dando uma bebida.
Meu coração apertou. Francine. Eu já suspeitava que ela fosse capaz de coisas terríveis, mas isso? Era revoltante.
— Lucas, você precisa descansar. — Falei firme, mas com ternura. — Vamos descobrir o que aconteceu, mas agora o mais importante é você se recuperar.
Com Dona Ester nos deixando a sós para verificar a festa, fiquei ali com Lucas, certificando-me de que ele estava estável. Ficou uma tensão no quarto quase palpável, mas também havia algo mais. Algo que eu não conseguia nomear.
— Lívia... — ele começou, depois de alguns minutos em silêncio. — Obrigado por isso. Eu não sei como vou te agradecer.
Sorri, tentando parecer tranquila.
— Não precisa me agradecer, Lucas. Você faria o mesmo por mim.
Ele me encarou, como se tentasse decifrar algo.
— Eu não te via há anos... E agora, de repente, você está aqui, me ajudando... É estranho, mas parece certo.
Meu coração deu um salto. Lucas sempre teve esse efeito sobre mim, mesmo quando éramos adolescentes. E agora, tão perto, com ele falando comigo de forma tão genuína, era difícil ignorar os sentimentos que sempre guardei.
— A vida é engraçada assim, não é? — respondi, tentando desviar a conversa para algo mais leve.
Mas ele não deixou.
— Lívia, eu nunca percebi antes, mas você é incrível. — Sua mão tocou a minha de forma hesitante, e senti um calor subir pelo meu corpo. — Acho que nunca olhei o suficiente para você que sempre esta por perto, mesmo quando éramos mais jovens.
Engoli em seco, tentando manter a compostura.
— Lucas, você não está no seu melhor agora. Você está confuso e falando coisas sem nexo.
Ele balançou a cabeça, com um pequeno sorriso.
— Talvez, mas algo me diz que não.
O olhar dele parecia penetrar minha alma. Era como se todo o tempo e a distância entre nós desaparecessem naquele instante. Senti uma onda de emoção tomar conta de mim, mas tentei me concentrar no momento, não nos meus sentimentos.
Com o passar das horas, Lucas começou a se sentir melhor, mas a conexão entre nós só se intensificava. Ele contou sobre seus desafios no trabalho, as expectativas de sua família, e até mesmo as dúvidas que tinha sobre Francine, sobre sua fragilidade, insegurança e sua saúde.
— Eu sei que todos desconfiam dela, Lívia. Mas eu sou apaixonado por ela, é tão difícil aceitar que eu talvez tenha me enganado sobre quem ela realmente é.
— Lucas, às vezes é preciso coragem para enxergar a verdade. — Falei suavemente, sentindo a dor em sua voz. — E isso não te faz fraco. Pelo contrário.
Ele segurou minha mão novamente, dessa vez com mais firmeza.
— Você sempre sabe o que dizer na hora certa, não é?
Sorri, embora meu coração estivesse acelerado.
— Eu só estou aqui para ajudar.
— Mais do que ajudar... Você está aqui para me lembrar de quem eu realmente sou. — A intensidade no olhar dele me fez prender a respiração. — E, talvez, do que eu realmente quero nesse momento.
O quarto parecia mais quente, mais próximo. Estávamos presos em uma bolha onde nada mais importava além daquele momento. E foi ali, naquela noite inesperada, que percebi que o destino tinha seus próprios planos para nós.
Lucas e eu compartilhamos algo que mudou tudo. Algo que, mesmo sem palavras, nos ligou de uma maneira que nunca poderia ser desfeita. E, embora o futuro ainda fosse incerto, naquele instante, eu soube que nada mais seria como antes. Eu tive minha primeira noite com o homem que eu amo.
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Atualizado até capítulo 49
Comments
Euridice Neta
Verdade, um pouco fuso mais o que importa é que parececque ele tá abrindo os olhos e que ficaram juntos pode não ter sido o melhor momento mais agora já foi e as coisas vão ficar tensas quando Francine descobrir...
2025-03-09
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Alciony lISBOA
MUITA CONFUSÃO!!! TAVA NO QUARTO C ELA.. DEPOIS ELA Q FOI NO DELE.. AFFFFFF
2025-03-03
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Débora
muito confuso eu acho que a autora se perdeu
2025-03-08
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