Cap. 2

Cadê a minha menina? Perguntou Aurora fazendo careta para Luna que começou a rir sem parar. Sabia que você está cada dia mais linda! Disse beijando a bochecha da filha enquanto terminava de arrumá-la. Luna, que estava com seis meses de idade, tinha  consulta de rotina com a pediatra naquela manhã. Era segunda-feira e Aurora sabia como o trânsito era horrível no início do dia.

Aurora, que estava com vinte e quatro anos, sempre foi uma mulher determinada. Desde pequena sabia que queria seguir a carreira na área da saúde. Seus pais, ambos médicos renomados, sempre a incentivaram a trilhar o mesmo caminho, esperando que ela se tornasse uma médica de prestígio como eles. No entanto, Aurora tinha outra visão para o seu futuro. Ela admirava profundamente a profissão de seus pais, mas seu coração se inclinava para algo diferente dentro da área da saúde: a enfermagem.

Lembrava-se claramente do dia em que revelou sua decisão à família de deixar o quarto período de medicina para estudar enfermagem.

Passado…

_ Você quer ser Enfermeira? Questionou sua mãe, surpresa, ao ouvir as palavras da filha. _Mas você tem tanto potencial, conversei com um dos seus professores e ele disse que você é a melhor aluna da classe, filha! Pode ser uma médica brilhante!

_Eu sei, mãe, e agradeço todo o apoio que vocês sempre me deram. Mas sinto que a enfermagem é onde realmente posso fazer a diferença. Quero estar ao lado dos pacientes, cuidando deles de forma mais próxima, entendendo suas necessidades no dia a dia. É isso que me apaixona. Respondeu Aurora sabia que sua escolha não seria fácil de aceitar.

Seu pai, que sempre foi mais silencioso, no inicio apenas a observava. Aurora podia sentir a desaprovação no ar, embora ele não dissesse nada. Ela sabia que o pai também estava decepcionado, mas estava determinada a seguir seu próprio caminho.

Aurora entrou no curso de enfermagem com uma dedicação que logo chamou a atenção de seus professores e colegas, e todos os elogios e as palavras de incentivo faziam ela perceber que fez a escolha certa.  A rotina nos hospitais, o contato direto com os pacientes, as histórias de vida que encontrava a cada dia, tudo isso a encantava profundamente.

No entanto, apesar do amor pela profissão, Aurora enfrentava constantes pressões de sua família. Ela se recordava das conversas difíceis em casa, quando seus pais tentavam fazê-la mudar de ideia.

_Aurora, você sabe que a medicina oferece mais oportunidades, tanto financeiras quanto de reconhecimento … sempre dizia seu pai, numa tentativa de fazê-la reconsiderar.

_Pai, eu entendo o que vocês estão dizendo, mas para mim, não se trata de dinheiro ou status. Eu quero fazer o que amo, o que me faz feliz. Aurora sempre respondia, com respeito, mas também com a firmeza de quem já tinha feito sua escolha.

Apesar das tensões, Aurora seguiu em frente. Ela sabia que precisava ser fiel a si mesma, mesmo que isso significasse enfrentar a desaprovação dos pais. Por isso se dedicava intensamente aos estudos, aos estágios e ao trabalho voluntário, sempre buscando aprimorar suas habilidades e expandir seus conhecimentos.

Mas a vida parecia que tinha outros planos para ela. No meio do curso, Aurora se apaixonou por  Miguel, que estudava  jornalismo no mesmo campus que ela.  Eles pareciam apaixonados e compartilhavam sonhos e planos, mas essa relação trouxe uma consequência inesperada. Aurora descobriu que estava grávida e, ao dar notícia para o namorado, ele mudou, incapaz de assumir a responsabilidade. O impacto dessa revelação foi devastador para ela.

As lembranças das palavras frias de seu namorado ainda a assombravam.

_Eu não estou preparado para isso, Aurora. Não posso assumir essa responsabilidade. Você deveria ter se protegido, a culpa é sua, eu não quero e não vou cuidar dessa criança, você pode fazer o que quiser com ela. Disse no último encontro que tiveram antes dele antes de desaparecer da faculdade e de sua vida.

Ao perceber que foi abandonada, Aurora não teve tempo de processar a dor da separação, ainda precisa contar para os pais que estava gravida. Quando finalmente tomou coragem e revelou a verdade aos seus pais, a reação deles foi ainda mais devastadora. Em vez de apoio, Aurora encontrou críticas e o julgamento implacável de quem deveria acolhê-la. Eles não conseguiam aceitar que a filha tivesse engravidado antes de concluir a faculdade, e ainda por cima, de um homem que a abandonou.

Como você pôde ser tão irresponsável? Gritou a mãe indignada. Esse é o exemplo que está dando para os seus irmãos.

Aurora tentou manter a compostura, mas cada palavra da mãe era como uma facada em seu coração. Ela sabia que seus pais ficariam desapontados, mas não esperava tanto desprezo.

Eu esperava mais de você, Aurora . Completou o pai com um tom gélido que fez Aurora sentir-se ainda mais sozinha. Não sei se posso mais olhar para a sua cara.

_ Pai… eu… ela tentava encontrar palavras para se defender.

_ O que você pretende fazer quando essa criança nascer? Vai entregá-la para adoção? Perguntou o pai sem emoção.

_Não, é o meu filho… eu jamais faria isso. Respondeu Aurora, com a voz embargada.

Seu filho é apenas um bastardo! Gritou o pai cortando o coração de Aurora com uma frieza que ela nunca tinha visto nele. O que os nosso amigos vão pensar de você, uma mãe solteira!

_O que? Pai, em que mundo o senhor vive para pensar dessa forma? Aurora percebeu que o pai estava preocupada mais com as aparências do que com ela.

_Vou te dar duas opções... Quando esse bastardo nascer, entregue-o para a adoção e volte a estudar medicina e esquecemos o que aconteceu, ou você pode ir embora agora. Disse encarando Aurora que sentiu medo.

_ Eu não farei isso com o meu filho.

_Então, saia da minha casa. Cortou o pai, sem qualquer sinal de compaixão.

_ Mãe, por favor, fale com o papai...

_  O seu pai já tomou a decisão dele. Respondeu a mãe, sem olhar para a Aurora, apoiando a decisão do marido.

Aurora sentiu como se o chão se abrisse sob seus pés. A rejeição dos pais era mais dolorosa do que qualquer outra coisa que ela já havia enfrentado.  Chorando, correu para o quarto e começou a arrumar suas coisas.

_Eu vou seguir meu caminho, mesmo que seja difícil. Disse a si mesma enquanto arrumava suas coisas para sair da casa dos pais. _Vou criar meu filho…  Eu sei que posso fazer isso.

Quando Aurora foi embora, ela não viu mais os pais, e que mais doeu naquele dia foi ir embora sem se despedir dos dois irmãos mais novos que estavam na escola.

Depois de deixar a casa dos pais, Aurora se viu em um mundo completamente diferente. Com o dinheiro que tinha em conta, ela passou uma semana em um hotel ate conseguir alugar um pequeno apartamento para morar, modesto e simples, nada parecido com a casa luxuosa onde havia crescido. O carro que seus pais lhe deram de presente no aniversário ficou para trás, assim como todo o conforto que ela conhecia.

A ruptura com os pais e com a família foi completa, e nem os avós atenderam mais  as suas ligações. Seus pais imediatamente cortaram qualquer apoio financeiro, incluindo o pagamento da faculdade. Aurora estava no sexto período de enfermagem, mas com as novas despesas que teria com o nascimento do bebê, e com o dinheiro que tinha quase no fim, ela percebeu que seria impossível continuar. No final do semestre, com o coração pesado, ela sabia que teria que trancar a faculdade no inicio do próximo período.

Naquela época, Aurora também finalizava o estágio que estava fazendo em uma maternidade. A experiência a ajudou a perceber o quanto era apaixonada por cuidar dos pequenos. Uma colega de classe, sabendo de sua situação, sugeriu que Aurora poderia trabalhar como babá temporariamente, a noite  aos finais de semana, já que grávida ela não conseguiria um emprego fixo.

Não é o que você sonhava, Aurora, mas você leva jeito com crianças, e a sua formação em enfermagem conta bastante. Disse colega, tentando oferecer uma solução. Eu posso te indicar para algumas famílias para quem eu já trabalhei,

_ Obrigada, eu realmente preciso trabalhar… Disse aceitando a oferta da amiga. Realmente não era o futuro que ela havia imaginado, mas Aurora estava determinada a dar o melhor para o filho que esperava.

A gravidez foi difícil, tanto física quanto emocionalmente, mas ela nunca desistiu. Aurora descobriu que estava gravida de uma menina, e cada pequeno movimento de sua filha dentro de seu ventre lhe dava a força para continuar.

Quando Luna nasceu, Aurora sentiu um amor tão grande e profundo que todas as dificuldades pareciam valer a pena. Luna era uma bebê linda, com olhos brilhantes e um sorriso que derretia o coração de Aurora. Embora os primeiros meses tenham sido cheios de desafios, como noites sem dormir e preocupações financeiras, Aurora nunca se sentiu tão determinada. Ela sabia que sua filha dependia dela, e isso lhe dava uma razão para continuar.

Presente...

Aurora balançou a cabeça olhando as horas novamente ao escutar a filha dar um gritinho. Ainda não tinha conseguido voltar a estudar, e sabia que o caminho seria árduo, mas Luna era sua maior motivação.

Luna olhava para a mãe com os seus olhos curiosos.

_Você é minha força, minha pequena Luna. Sussurrou Aurora, beijando as bochechas da filha. _Às vezes eu me sinto tão perdida, mas quando olho para você, tudo faz sentido.

Luna soltou um risinho, como se entendesse as palavras da mãe. Aurora sorriu de volta para a filha.

_Eu queria que as coisas fossem diferentes. Continuou Aurora, agora falando mais para si mesma do que para a filha. _Queria que seus avós estivessem aqui, que eles pudessem te ver crescer. Mas, se não querem estar presentes, tudo bem... Eu vou fazer o possível e o impossível por você.

Ela olhou ao redor do apartamento modesto, suspirando. Não era a vida que tinha planejado, mas era a vida que tinha agora, e faria o melhor que podia.

_Um dia, princesa, eu vou voltar para a faculdade, terminar meus estudos e fazer o que sempre sonhei. Era uma promessa para si mesma e para a filha. _E vou fazer isso por nós, para que você tenha orgulho da mãe que tem... ainda da tempo! Disse Aurora pegando a filha no colo para sair senão chegaria atrasada na consulta da filha.

Aurora chegou ao hospital com Luna nos braços, sentindo um leve alívio por ter conseguido chegar a tempo para a consulta da filha. Ela caminhou em direção à entrada do setor de pediatria, que ficava próximo à maternidade, e enquanto passava pelo atendimento, uma cena chamou sua atenção. Um pouco mais adiante, na saída da maternidade, ela avistou um homem segurando um bebê conforto nos braços. Ele estava com os olhos marejados,  mas seu sorriso era inconfundível: um sorriso de puro amor e emoção.

Aurora não conseguiu desviar o olhar. Ela observou enquanto ele embalava o filho com todo o cuidado do mundo, inclinando-se para sussurrar palavras que ela não podia ouvir, mas que, pela expressão dele, transmitiam apenas amor. A forma como ele olhava para o bebe, fez o coração de Aurora apertar, e ela gravou cada expressão daquele homem, sentindo uma conexão inexplicável com aquela cena.

Sem perceber, Aurora acariciou os cabelos da filha. Como ela gostaria que Luna pudesse receber esse tipo de amor, aquele carinho incondicional de um pai. Aurora sentiu os olhos se enchendo de lágrimas, que rapidamente piscou para afastar, ainda hipnotizada com a cena.

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Comments

Denis

Denis

Poxa, mas essa foi ruim de ler. Sei que nenhum método contraceptivo é 100% seguro, mas para uma mulher adulta e já com muito conhecimento de medicina e enfermagem, cair nessa.

2024-12-22

0

Maria Aparecida Nascimento

Maria Aparecida Nascimento

Coitada da Aurora que situação difícil dela os familiares dela os avós dela tinham que dar apoio todos eles recusaram ajuda ela

2025-02-05

0

엘리 케이로스

엘리 케이로스

SE EU TIVE NO LUGAR DELA NAO PERDOARIA OS PAIS DELA.
ELES FICAM COM SURPRESO QUANDO ENCONTRA A AUTORA CASADA COM O RODRIGO.

2025-01-04

1

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