6 - Juriciel

Lúcifer estava à frente do caído o olhando com atenção. O arcanjo sombrio estava todo vestido de preto com um terno, sapatos, camiseta, gravatas e luvas da mesma cor.

- Já disse que não quero te ouvir vá embora Lúcifer! – Disse o caído enquanto encarava o arcanjo sombrio.

- Mas nem sabe o que eu tenho a lhe dizer Flecha Divina.

- Eu não tenho mais esse título!

- E por que não? É o seu título.

- Ele se foi junto com as minhas asas e ponto!

- Eu posso traze-lo para você novamente sabe que eu tenho esse poder.

- Eu sei e a resposta ainda é não!

- Por que não? E o seu orgulho de Querubim?

- Ele continua o mesmo e não faço acordo com demônios.

- Suas palavras me ofendem Flecha Divina.

- Juriciel! Apenas Juriciel! E não estou nem ai se ela tem ofendem.

- Sabe que eu posso matar com um único movimento não sabe?

- Sim eu sei disso.

- Mesmo assim ainda fala comigo nesse tom?

- Sim! – Disse o caído com confiança e esse ato deixou Lúcifer furioso. – Posso ter perdido minhas asas, mas nunca irei me aliar a você, prefiro morrer a ser um dos seus subordinados estrela do amanhecer!

- Se deseja tanto morrer então vou conceder o seu desejo.

- Que assim seja, mas não irei morrer sem lutar.

- Lutar? – Perguntou Lúcifer e logo começou a rir. – Hahaha meu caro Juriciel acha mesmo que pode me enfrentar?

- Você perguntou do meu orgulho de querubim e eu lhe disse que continua o mesmo. Mesmo que eu tenha perdido as minhas asas nunca irei me aliar a um demônio, e essa é a mesma resposta que eu dei ao seu capanga.

- Meu capanga?

- "O Carrasco Infernal"!

- Ah... – A expressão de Lúcifer mudou a fúria em seu rosto havia desaparecido mudando para um olhar curioso. – Então foi você quem matou "Dereky"? Quem diria um caído matou um dos meus melhores subordinados, eu sempre pensei que o responsável fosse Miguel, a morte dele era um mistério até hoje, a maneira como foi morto sem deixar rastros apenas ele pode fazer isso.

- Sim, mas não foi ele e sim eu! E ainda duvida que eu tenha coragem de te enfrentar Lúcifer?

- Não sei que não, mas é uma pena ouvir isso.

- Pena? Pena do que?

- Pensa que não sei o que está tramando Juriciel?

- Eu tramando? O que estou tramando?

- Para que servir aos arcanjos? Para eles você é apenas um caído, é apenas dessa maneira que eles veem você, e mesmo assim você os serve.

O querubim ficou em silêncio ao ouvir as palavras de Lúcifer, o arcanjo sombrio aproveitou a deixa e continuo falando tentando atingir a mente do caído.

- Acha mesmo que eles te darão as suas asas de volta quando essa missão for concluída? Acha que eles pretendem mesmo fazer você retornar para o céu?

- Não... – Disse o caído com a voz baixa.

- E então por que serve a ele? Por que protege aquelas freiras ou aquele Nefilin a mando dos arcanjos?

- Por que eu...

- Por que no fundo você tem a esperança de voltar para o céu, tem a esperança de mostrar o quanto ainda é fiel a Deus, mas os arcanjos não iram permitir isso você sabe muito bem meu caro Juriciel! – Lúcifer se aproximou alguns passos após perceber a confusão no rosto do caído. – Lembre-se do que os arcanjos já fizeram até hoje com anjos que perderam suas asas, o quanto eles viveram e ainda vivem nesse mundo sozinhos, isolados, com a vergonha estampada em seus rostos! Você sempre foi fiel a causa celeste, sempre lutou pelo que era certo e agora aonde está? Está aqui embaixo vivendo e servindo a um grupo de humanos, a que ponto você foi rebaixado soldado? O seu lugar não é aqui embaixo servido a freiras. O seu lugar é no campo de batalha é para isso que você nasceu para lutar. – Lúcifer agora estava próximo a Juriciel. – Lutar é para isso que você nasceu meu caro.

- É... para isso que eu nasci... – Repetiu Juriciel devagar.

- Isso mesmo.

- Não nasci para ficar aqui embaixo.

- Não mesmo não nasceu.

- Eu nasci para lutar.

- Sim para lutar.

- Para lutar. – Juriciel fechou firme sua mão direita e fez um ato que surpreendeu a Lúcifer. O caído desferiu um golpe acertando em cheio a face do arcanjo sombrio.

Juriciel colocou tudo nesse soco. Sua raiva, medo, sua ira, seu orgulho de guerreiro, as irmãs, Rafael e sua amada.

Lúcifer pode sentir tudo isso ao receber esse soco. O corpo do arcanjo sombrio voou alguns metros e o mesmo parou ao abrir suas asas. Pousando no chão ele levou a mão até o local que foi acertado. A dor era imensa e a irá de Lúcifer voltou a aparecer em seu rosto e tudo a sua volta começou a tremer.

- MALDITO CAÍDO AGORA VOCÊ VAI REALMENTE MORRER! – Disse o arcanjo sombrio com fúria.

- Morrer em combate é uma honra para um querubim. Não dou a mínima se os arcanjos não derem minhas asas novamente. Não estou lutando por eles, mas sim pelas irmãs.

Quando eu precisei elas estavam do meu lado me apoiando e não me deixaram desistir. Realmente os arcanjos não estavam comigo nessas horas e sim as irmãs, e é por elas que eu luto. Como Miguel disse a decisão de cair foi minha, eu escolhi isso e sei que eu posso escolher voltar. Não nego, mas no fundo eu tenho um desejo enorme de voltar para o céu, e voltar para as batalhas, mas assim como tenho esse desejo eu também tenho o desejo e ficar e proteger as irmãs portanto. – As mãos de Juriciel começaram a brilhar intensamente e o querubim se preparava para o combate. – Mesmo que eu morra aqui e agora morrerei lutando estrela do amanhecer. Você não me dá medo. Eu sei que não posso enfrentar você, mas nunca irei fugir e juro que irei dar lhe dar outro soco na sua cara!

- BASTA MALDITO! – Lúcifer voou como um raio na direção do caído. Juriciel se preparava para o combate, mas algo fez Lúcifer parar e olhar mais raiva na direção do caído.

- Agora entendeu o por que eu confio nele Lúcifer? – Disse Miguel surpreendendo a Juriciel.

O caído estava tão concentrando na luta que não percebeu que Miguel havia chegado.

- Essa determinação é o que me faz confiar nele. Suas palavras venenosas não fizeram efeito contra ele. Mesmo ele não sendo mais um de nós. Eu o conheço desde a sua criação, sei que ele é fiel à sua causa não importa qual seja. Um exemplo disso é a sua queda, mesmo perdendo suas asas ele continuou fiel aos céus.

- E por isso. – Gabriel começou a falar surpreendendo novamente o caído que assim como Miguel não havia percebido a sua chegada. – Com asas ou não ele continua sendo um guerreiro dos céus não só dos céus mas sim o Guerreiro de Deus!

Juriciel ficou sem palavras. Ele não sabia o que dizer e nem mais como reagir. Uma forte luz vinda do céu encobriu o caído. Ele sentiu um forte calor que o acolhia e lhe dava forças.

- Juriciel meu filho... – Disse uma voz surpreendo mais ainda o caído.

 - Pa...Pai?

- Sim meu filho eu sempre estive e sempre estarei com você e com os seus irmãos que vivem na terra. Eu nunca me esqueci e nem me esquecerei dos meus filhos que partiram. Sempre estaremos juntos sempre!

- Eu sempre serei fiel ao senhor pai sempre!

- Eu sei meu filho e obrigado por cuidar dos meus outros filhos.

- Sempre cuidarei delas nem que morra para isso.

- Obrigado meu filho!

- Obrigado pai.

A luz se dissipou e Lúcifer continuava a olhar com fúria para Juriciel.

- Isso não ficará assim é uma promessa!

- Eu lhe darei outro soco na cara, também é uma promessa!

Lúcifer lançou uma poderosa bola negra na direção do caído. Gabriel e Miguel o protegeram interceptando a energia lançada e ao perceberem Lúcifer havia sumido.

- Você está bem Juriciel? – Perguntou Gabriel preocupado.

- Sim eu estou e muito obrigado Gabriel.

- Não há de que.

- E obrigado a você também Miguel.

O Arcanjo assentiu e começou a sorrir e Juriciel sorrio em resposta.

- Vamos voltar agora para o convento e bom trabalho.

Agora era Juriciel quem assentiu e os três retornaram para o convento.

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