Capítulo 14

No lago, encontrava-se Gianna furiosa. Dela, começou a emanar uma vibração estranha; não, a aura branca curativa agora era negra e escura.

A jovem sentia essa energia obscura, e em sua mente vinham à tona as rejeições, as humilhações, as mentiras de Jackson, o casamento que ela tanto odiava e a recusa daquele dragão. As amarras que a prendiam a incomodavam.

A água começou a se agitar e um redemoinho se formou; sua raiva se concentrava enquanto ela fixava o olhar em um ponto, e foi então que a fúria explodiu. Uma fonte de energia emanou de Gianna, desintegrando uma rocha. Ela se assustou e tudo se acalmou. A ficha do ocorrido caiu, e ela negou o que havia acontecido.

— Que é isso, aura boazinha e doce que cura quando estou sendo bondosa e agora, que não tenho bondade, causa destruição? — disse a si mesma.

Chutou a água e respirou fundo enquanto tentava se acalmar.

Um rugido pesado soou atrás dela, e ela se virou para observar a enorme besta negra. Nossa, como ele era grande! Seus olhos eram dourados e todo o resto de seu corpo era negro como a noite.

— É... acho que vou indo nessa — disse ela, irritada. O animal bufou em resposta.

— A mim você não assopra, tá? Não estou no clima — retrucou Gianna. A fera se aproximou, soltando fumaça pelas narinas, e adentrou o lago. A água também começou a subir ao redor de Gianna enquanto ela se aproximava.

— Sai... Shu... Vai embora. Quer saber? Vou eu então! — disse ela, tentando sair, mas ele a impediu com sua longa cauda. Era um animal colossal; se o lago não fosse tão grande, ele nem caberia ali.

— O que deu em você, dragão doido? Seu dono com certeza é o Marcus. Você é tão maluco quanto ele: bipolar, enorme e forte... Tá bom, já chega! Me deixa ir! — disse ela, sem saber mais o que dizer.

O dragão inclinou a cabeça, como se estivesse tentando entendê-la, ou talvez a achasse louca.

— Já sei! Já que você não quer que eu suba nesses outros dragões... que tal me deixar montar em você? — perguntou Gianna. O dragão moveu a cabeça e bufou.

— Não. Então me deixa ir. Perdi o interesse em montar em dragões — respondeu ela, de braços cruzados.

O dragão abaixou o pescoço até a altura de Gianna. Ela se sentia minúscula diante de tal criatura. O dragão bufou, soltando fumaça suficiente para afogá-la.

Gianna começou a tossir e tentava afastar a fumaça com as mãos. Tossia sem parar e cruzou os braços, irritada.

Ela poderia jurar que o dragão estava rindo, pois seu corpo tremia em pequenos espasmos enquanto soltava fumaça aos poucos.

— Seu réptil feio! Não importa se você não me deixa montar em você... Você é uma salamandra! — provocou Gianna e caminhou lago adentro, mas foi interrompida por uma voz no topo da cachoeira.

— Finalmente te encontrei, minha lobinha... — disse o vampiro de antes. Gianna se virou para olhá-lo. Ele era bonito, alto, com um corpo forte, cabelos castanhos levemente compridos presos em um rabo de cavalo e grandes olhos azul-acinzentados. Após analisá-lo, ela respondeu.

— Ah, é? E por que tanto me procurar? — perguntou ela, em tom arrogante. Nas costas, ela trazia seu arco pronto, além de adagas, estacas e até bombas.

— Eu estava procurando por você porque te vi há um tempo e te achei uma beldade — respondeu ele, e ela sorriu.

— Sou uma beldade, mas não sua. E aqui não é seu território, então é melhor ir embora — respondeu Gianna.

— Não estou fazendo nada de errado. Aqui no topo da cachoeira é território neutro, a menos que você queira se sentar comigo — disse ele com um sorriso ladino. Antes que ela pudesse responder, o rugido do dragão ecoou pelo local.

Gianna se virou para olhá-lo, e o dragão fez um sinal para que ela se escondesse atrás dele.

— Calma, está tudo bem. Ele está lá em cima — disse ela, e o dragão bufou novamente. Pareciam um casal brigando.

— Escute, minha bela, você não faz ideia da vontade que estou de provar seu doce pescoço e outras partes do seu corpo — disse o vampiro, e o dragão soltou fogo, sem ultrapassar os limites do território.

— Não, gosto do meu sangue onde ele está, obrigada. Mas agradeço o elogio. Além disso, sou uma loba, e nós comemos coração de vampiro como sobremesa — respondeu ela. O vampiro piscou para ela.

— Você está solteira, foi rejeitada... é, eu fiz meu dever de casa. E você, sem um parceiro, e eu, em busca de uma rainha... Você é perfeita. O dragão se abaixou para que ela subisse, e Gianna hesitou. O dragão bufou, impaciente.

— Qual é o problema? — perguntou ela ao dragão. Ele se aproximou novamente, abaixando o corpo, e então ela cedeu e subiu. Normalmente, eles usavam uma sela com estribos e alças para se segurar, mas ele não tinha, já que ninguém montava nele.

Assim que ela se acomodou em suas costas, o dragão alçou voo rapidamente, subindo o mais alto que podia. Ela se agarrava às suas escamas; haviam lhe ensinado a fazer isso caso perdesse a sela.

O vampiro foi embora, irritado, e o dragão continuou a subir, cada vez mais alto, voando em círculos.

— Nossa, como tudo é lindo! — exclamou Gianna, maravilhada. O dragão voava em zigue-zague, descendo abruptamente de tempos em tempos. Ele queria assustá-la, mas ela parecia ter nascido para isso.

Ele tentou fazê-la cair, e conseguiu, jogando-a do ponto mais alto. Mas ela não gritou nem o chamou; sabia que ele não a deixaria cair. Todos assistiram à queda, apavorados. O dragão vermelho, um cinza, um marrom e aquele que ela havia salvado decolaram, mas ela permaneceu em silêncio, apenas caindo de braços abertos. Então, como ela suspeitava, ele a pegou de volta, e ela se acomodou em suas costas.

— Você não vai me assustar, sua salamandra — disse ela, e ele começou a voar por diversos lugares. Gianna abria os braços, sentindo o vento em seu rosto. Quando o dragão voava próximo à água, ela podia sentir as gotas em sua pele. Era maravilhoso estar lá em cima.

Depois de um tempo, a fera pousou na floresta.

— Nossa, isso foi incrível! — disse Gianna, rindo. Sim, pela primeira vez desde o casamento ela estava realmente sorrindo. O dragão a observava atentamente, e ela perguntou, confusa:

— O que foi, salamandra? Por que está me olhando assim? O dragão rugiu em resposta.

— O quê? Não entendi. Eu não falo "dragônico"! — disse ela, rindo.

— Você já pensou em fazer terapia? Sério, você tem duas personalidades: essa, o dragão gente boa, e a outra, a personalidade do Marcus — disse ela, e ele bufou.

— Tá, tá, eu sei que ele é o futuro rei, mas ele não vai ficar sabendo que eu disse isso. Vocês não contam, né? — perguntou Gianna, arregalando os olhos.

— Não... Acho que meu avô teria me contado... Bom, é melhor não contar para ele mesmo. Você é incrível, sabia? Sei que você parece um monte de animais misturados em um réptil, mas é impressionante — disse ela e o abraçou. Ele abaixou a cabeça para que ela pudesse fazer isso.

Algum tempo depois, lá estava Gianna, montada no dragão negro como uma verdadeira cavaleira. Todos estavam em choque. Aquele dragão não aceitava ser montado e era o maior, o mais perigoso e o líder de todos. Os outros tremiam diante daquela cena.

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Comments

Zulma Oliveira

Zulma Oliveira

amei autora gosto de mulheres assim fortes.

2025-02-11

1

Julia Santos

Julia Santos

kkkkkk mal sabe ela que o dragão è marcos

2025-03-09

0

Marlucy Nascimento

Marlucy Nascimento

Ja pensou sendo ele e ela falando mal dele

2025-01-10

3

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