Capítulo 3

Os dias seguiam passando e, como era costume, o bullying fazia parte da vida de Gianna. Mais encontros com seu amor platônico haviam acontecido, já que ela ia com muita frequência ver os treinos.

Ao vê-lo, Gianna saía da fila e decidia caminhar em direção ao outro campo, pelo menos até que o alfa fosse embora.

A jovem começou a caminhar e olhou para o céu; ao longe, vários dragões cruzavam o céu. Era certo que algum confronto estava acontecendo novamente; agora ela entendia a presença constante do alfa.

A jovem observava impactada o espetáculo no céu, eram bestas perigosas e eram propriedade do reino do fogo; o governante de lá era muito respeitado e temido, seus dragões eram treinados e obedeciam aos seus regentes muito bem; às vezes ela os via com cavaleiros, outras vezes estavam sozinhos.

Gianna imaginava quanto caráter tinham aquele rei e seus guerreiros para serem capazes de domar feras tão enormes.

Enquanto a jovem estava distraída observando o espetáculo, uma voz a interrompeu.

—Ora, ora, agora você se dedica a vadiar. Disse com desprezo Jackson, o alfa da matilha, ele era bonito: cabelo preto, olhos verdes, olhar intenso, lábios finos, uma barba rala e um corpo forte digno de um alfa.

A simples presença dele fazia Gianna tremer. Ele era imponente e dominante.

—Alfa... Este é um lugar longe dos treinos onde você me proibiu de estar. Disse ela, recebendo um olhar de desprezo.

—Por que você veio para o ensino médio? Depois vem a faculdade e lá é algo mais forte; você é uma Ômega, apenas fique em casa e espere para satisfazer alguém. Disse ele, partindo o coração da jovem.

—Com todo o respeito, Alfa, ser uma Ômega não me impede de aprender, a menos que seja uma nova lei e eu não saiba. O rei negou com a cabeça.

—Se eu não a tiro daqui é por respeito ao meu beta, que é seu pai e amigo do meu, mas não se atreva a passar dos limites. Disse ele, e ela desviou o olhar.

—Pessoas da sua classe não deveriam sair de casa ou, bem, acho que vou considerar criar escolas só para vocês, para que não incomodem os outros. — A raiva em seu olhar era grande.

—Se é o que você pensa, então deve estar certo; agora vou me retirar para não incomodá-lo, alteza. Disse ela, saindo da presença do rei alfa apenas para chorar; ela passou o resto dos treinos no antigo estande de tiro; lá ela descontou sua raiva treinando.

Quando ela saiu de lá, era hora de ir para casa, então depois de pegar suas coisas, ela foi para casa. A vida de Gianna era a mesma todos os dias, embora agora um novo valentão tivesse se juntado a ela, o homem que ela amava. Gianna chegou em casa e viu todo mundo em movimento. Ela apenas cumprimentou seu pai rapidamente e saiu de vista.

Mariana e Lucrecia estavam animadas olhando vestidos; ela apenas foi para o seu quarto e seus avós foram vê-la um pouco mais tarde.

—Minha pequena, como você está? —Perguntou seu avô.

—Triste, vovô, a cada dia suporto menos os insultos. Seu avô a abraçou e acariciou sua cabeça.

—Calma, pequeno brilho, um dia isso vai acabar. Disse ele, e ela suspirou resignada; isso nunca acabaria. Sua avó lhe entregou um bolo e disse.

—Veja, você pensou que ninguém se lembraria, mas nós lembramos. Disse ela sorrindo.

—Obrigada, Vovó... Pensei que ninguém tinha se lembrado, embora meu pai com certeza se lembre e hoje me odeie mais, por isso o cumprimentei rapidamente. Disse ela triste.

—Não deixe que isso estrague seu dia, hoje é um dia ótimo, há 18 anos nasceu a bebê mais linda do mundo inteiro —disse seu avô sorrindo.

—Parabéns, estrelinha, hoje você se tornará uma linda loba, eu sei, eu sinto. Disse sua avó.

—É verdade, é por isso que há tanta comoção na casa, uma festa para mim. Disse ela, e sua avó negou rindo.

—Não, querida, amanhã tem festa na casa do Alfa e todos nesta casa devem ir. Disse ela, e Gianna negou.

—Ele me detesta, eu não vou. Disse ela, mas seu avô a mordeu com carinho. —Você tem que ir, pequena, é algo importante para a matilha e a família do beta deve estar presente.

Ela assentiu e soprou as velas com seus avós. —Faça um pedido, querida. Disse sua avó e ela fechou os olhos. *Desejo poder ser feliz algum dia* Pensou ela e soprou as velas.

O bolo estava delicioso; eles passaram uma tarde muito tranquila; ela finalmente sorriu calorosamente pela primeira vez em muito tempo. A jovem se despediu dos avós e foi se deitar.

Ela olhou para a bolsa com roupas que sua avó havia preparado para ela trocar e suspirou. Hoje ela conheceria sua loba, mas estava com medo; agora outros teriam poder sobre ela e isso a assustava. A noite fria soprava vento e este entrava por sua janela.

Ela olhou para o céu e lá estava a lua brilhando como sempre. Ela olhou para o relógio e eram 11h30; em meia hora a mudança aconteceria. Outros lobos tinham grandes festas que terminavam com o desaparecimento do aniversariante no meio da noite, mas ela não teria isso.

A festa de sua irmã foi magnífica; ela ainda se lembrava. A loba de sua irmã é marrom e seus olhos são cor de mel; ela é linda. Seu pai e sua madrasta esperaram por Mariana com uma muda de roupa e a abraçaram em plena transformação; eles lhe deram palavras de encorajamento, mas não haveria nada disso para ela.

Ela nasceu diferente das outras e isso costumava ser um problema; as diferenças fazem com que os outros a critiquem, apontem e até se afastem; eles a discriminam por coisas que não dependem dela. Gianna pegou sua bolsa e saiu para a floresta.

Ela se embrenhou cada vez mais fundo e olhou para a lua; ela estava linda. Ela fechou os olhos e imaginou sua mãe olhando para ela, com um sorriso orgulhoso e com muita vontade de abraçá-la e dizer que tudo ficaria bem.

Uma dor intensa percorreu seu corpo; ela sentiu cada osso de seu corpo se partir; a dor era muito intensa; ela caiu no chão dando um grito de dor. Seu corpo estava queimando e tremendo e ela tentou gritar novamente, mas em vez de um grito, um uivo saiu.

Ela olhou para baixo e viu patas cobertas de pelo branco. Quando ela pensou em falar, uma voz invadiu sua mente; ela ficou surpresa e animada ao mesmo tempo; era sua loba. —Olá Gianna, sou sua loba, meu nome é Xena e nós somos lindas. Disse ela que correu para onde havia um lago e se aproximou da água e depois de beber se viu no reflexo.

Linda não era exatamente o que ela era; a loba no reflexo era majestosa: uma pelagem branca imaculada e seus olhos dourados pareciam fogo.

Xena.

A loba correu muito naquela noite e conversou sobre muitas coisas com sua humana. Ela não estaria mais sozinha; agora elas se tinham uma à outra.

No final do passeio, ela voltou à sua forma humana, pegou a mochila com as roupas e, depois de se trocar, voltou para seu quarto, mas alguém a viu voltar e sabia o porquê.

Mariana, amanhã inventaria algo mais sobre ela, porque era certo que ela conheceria seu companheiro e não queria vê-la tranquila e apaixonada antes dela.

Mais populares

Comments

mandinha

mandinha

Só espero que ela tenha uma segunda chance, e com outro é claro 😚

2025-02-16

0

sandra helena barbosa

sandra helena barbosa

Quem te um pai e uma irmã dessa , não precisa de inimigos 😤😤😤😤

2025-02-17

0

Virginia Assis

Virginia Assis

que delicia de história me emocionei nos primeiros capítulos parabéns autora ❤

2025-01-21

6

Ver todos

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!