Aquela tarde estava particularmente abafada, com o sol pesado e denso sobre a academia, fazendo o ar parecer mais espesso do que o normal. Eu havia terminado mais uma sessão de treinamento exaustiva e dolorosa com Lucian, e tudo o que eu queria era um momento de paz para organizar meus pensamentos e tentar entender o que estava acontecendo comigo.
Encontrei Ayla em nosso lugar habitual, um canto tranquilo da biblioteca que poucos alunos frequentavam. Ela estava sentada em uma das grandes poltronas de couro, folheando um livro antigo de feitiços com uma expressão distraída. Quando me viu se aproximando, ela sorriu, mas havia uma preocupação em seus olhos que me dizia que ela tinha percebido algo errado.
— Finalmente decidiu dar um tempo? — ela provocou, fechando o livro e cruzando as pernas de maneira descontraída. — Parecia que Lucian estava te colocando à prova hoje.
Eu forcei um sorriso e me joguei na poltrona em frente a ela, soltando um suspiro cansado.
— Você nem imagina — murmurei, massageando meu pescoço onde a coleira estava apertada demais. — Foi mais do que apenas um teste físico. Parece que ele quer me quebrar de todas as formas possíveis.
Ayla arqueou uma sobrancelha, seu olhar se fixando na coleira ao redor do meu pescoço.
— Essa coisa... — ela começou, mas hesitou antes de continuar. — Não acha que isso pode estar afetando sua magia de alguma forma? Sabe, ajudando você a liberar mais poder, mas ao mesmo tempo, tornando as coisas instáveis?
Eu mordi o lábio, ponderando sobre o que ela havia dito. Nos últimos dias, eu havia sentido algo estranho em relação à minha magia. Ela parecia mais intensa, mais fácil de acessar, mas também estava fora de controle. Havia momentos em que eu conseguia canalizar um poder que nunca tinha experimentado antes, mas em outros, a magia explodia de forma errática, quase me ferindo no processo.
— É exatamente isso que eu tenho sentido — confessei, meu tom sério. — Desde que Lucian colocou essa coleira em mim, minha magia tem se manifestado de formas que eu não consigo controlar. Parece que a coleira está... alimentando minha magia, amplificando-a. Mas também está impedindo que eu a controle completamente. Como se fosse uma faca de dois gumes.
Ayla franziu o cenho, inclinando-se para frente, genuinamente interessada. Ela sempre foi boa em escutar, e em momentos como este, eu precisava desesperadamente de alguém que pudesse me ajudar a entender o que estava acontecendo.
— Você acha que isso é intencional? — ela perguntou, sua voz baixa, quase como se estivesse com medo da resposta.
— Eu não sei... — respondi, passando a mão pelo cabelo enquanto tentava organizar meus pensamentos. — Mas conhecendo Lucian, eu não duvidaria. Ele gosta de jogar com as pessoas, de manipulá-las, e se isso significa usar minha própria magia contra mim, então ele faria isso sem pensar duas vezes.
— Mas por que faria isso? — Ayla questionou, sua frustração evidente. — Não faz sentido. Se ele quer que você aprenda a usar sua magia, por que dificultaria as coisas?
— Talvez ele queira testar meus limites — sugeri, embora a resposta me deixasse com um gosto amargo na boca. — Ou talvez... ele queira me quebrar, como eu disse antes. Para que eu dependa ainda mais dele, para que minha magia só responda a ele.
Houve um silêncio pesado entre nós. Ayla mordeu o lábio, claramente pensando em algo.
— E se você tentasse se libertar disso? — ela perguntou, sua voz hesitante, como se soubesse que a sugestão era perigosa. — Tipo, tentar controlar sua magia sem a interferência da coleira?
Eu balancei a cabeça, resignada.
— Não é tão simples assim, Ayla. — O desespero começava a se infiltrar na minha voz. — A coleira está conectada a mim de uma forma que eu não entendo. Quando eu tento usar minha magia sem segui-la, a dor é insuportável. É como se ela estivesse me punindo, me forçando a me submeter.
— Mas você não pode continuar assim, Mariybel — ela insistiu, seu tom agora mais urgente. — Você está se tornando uma bomba-relógio. Se a magia está crescendo dentro de você e você não consegue controlá-la... o que vai acontecer quando ela explodir de vez?
Eu não tinha uma resposta para isso, e o medo que vinha com essa incerteza estava começando a me consumir. O pensamento de perder o controle completamente, de minha magia se manifestar de maneiras destrutivas, era aterrorizante. E saber que Lucian tinha poder sobre essa situação, que ele era o único que poderia realmente me ajudar ou me condenar, me deixava ainda mais perdida.
— Eu preciso encontrar uma maneira de controlar isso — murmurei, mais para mim mesma do que para Ayla. — Preciso descobrir como usar minha magia sem que ela se vire contra mim... e sem depender da coleira.
Ayla assentiu, seus olhos cheios de determinação.
— Vamos encontrar uma maneira, Bel. — Ela se levantou da poltrona e veio até mim, segurando minhas mãos nas suas. — Eu estou com você nessa. Não vou deixar que Lucian ou essa coleira te destruam.
Seu apoio era reconfortante, mas ao mesmo tempo, eu sabia que isso era algo que eu teria que enfrentar sozinha, no fundo. Ayla podia me ajudar, mas no final, seria eu contra a magia, contra Lucian, contra tudo o que estava me prendendo.
— Obrigada, Ayla — murmurei, apertando suas mãos com gratidão. — Eu só... não sei como ainda. Mas preciso tentar. Preciso recuperar o controle, ou então...
Não completei a frase, mas nós duas sabíamos o que estava em jogo. Se eu não encontrasse uma maneira de controlar minha magia, de me libertar do controle de Lucian, não haveria futuro para mim além da submissão total ou, pior, da destruição completa.
Ayla soltou minhas mãos e voltou a se sentar, o olhar pensativo enquanto tentava imaginar uma solução. Eu sabia que ela estava tão envolvida quanto eu, mas a situação era complicada demais para ser resolvida com uma simples conversa.
— Talvez... — ela começou, hesitante. — Talvez possamos pesquisar sobre essas runas. Descobrir como elas funcionam, como estão ligadas à coleira e à sua magia. Pode haver uma maneira de enfraquecê-las, de neutralizar o efeito delas.
A ideia fez meu coração acelerar um pouco. Era uma pista, algo que eu poderia agarrar em meio ao caos que minha vida havia se tornado.
— Você acha que isso pode funcionar? — perguntei, um fio de esperança começando a surgir.
— Eu não sei — Ayla admitiu, mas havia uma determinação em seus olhos. — Mas é melhor do que ficar parada esperando que Lucian tenha piedade de você. Se entendermos como a coleira funciona, podemos encontrar uma maneira de contornar o efeito dela, talvez até remover as runas ou torná-las inativas.
Eu assenti, sentindo um pouco de energia voltar ao meu corpo. Era um plano, um começo. E mais importante, era algo que eu podia fazer para retomar o controle da minha vida.
— Então, vamos fazer isso — declarei, minha voz firme. — Vamos descobrir o que essas runas significam e como elas funcionam. E então, vamos encontrar uma maneira de libertar minha magia do controle de Lucian.
Ayla sorriu, e pela primeira vez em muito tempo, senti que havia uma luz no fim do túnel. Sabia que a jornada seria longa e cheia de perigos, mas com Ayla ao meu lado, sentia que poderia enfrentar qualquer coisa. O que eu não podia permitir era que Lucian continuasse a me manipular, a me usar como uma ferramenta para seus próprios propósitos sombrios.
Aquela tarde na biblioteca marcou o início de uma nova fase na minha luta contra a coleira e o controle que Lucian exercia sobre mim. Havia muito trabalho a ser feito, muitos segredos a serem descobertos. Mas pela primeira vez, eu sentia que havia uma chance — uma pequena, mas real chance — de retomar o controle da minha vida e da minha magia.
Enquanto Ayla começava a puxar livros das estantes, eu a observei, grata por sua amizade e pelo apoio incondicional. Sabia que não poderia enfrentar Lucian sozinha, mas com Ayla ao meu lado, talvez, apenas talvez, eu tivesse uma chance de vencer essa batalha.
meu celular apita e o nome que ascende na tela faz cada parte do corpo tremer.
" — não sei o que pensa que está fazendo nessa biblioteca, garota... Mas eu juro por todos os demônios que vai preferir que eu castigue você caso saia agora do que quando decidir continuar e me desobedecer."
Eu paraliso, meu corpo todo tremendo em choque, não dá coleira, mas do medo e calafrio que ele causava em mim.
" — Mariybel... Saia daí antes que eu foda você mais do que desejo, e mais do que você desejaria. Agora!"
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Atualizado até capítulo 54
Comments
Angela Valentim Amv
caramba ele sabe constantemente onde ela está ui .
2025-01-30
0
Rayssa
chocada
2024-10-12
0
Carla Santos
Maribel para de ser submissa a ela mulher vc consegue não caia sobre as ameaças dele seja mas determinada mesmo que isso custa a sua dor vc consegue o medo de sentir dor é a que de força para vencer qualquer magia seja desafiadora custa o que custa até a última gota
2024-08-24
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