Na manhã seguinte, o campus da academia estava envolto em uma atmosfera de expectativa. Havia uma agitação incomum entre os alunos, especialmente porque todos sabiam que a aula especial de luta corporal combinada com magia estava para começar. Era uma aula que desafiava todos os limites, física e mentalmente, e apenas os mais fortes se destacavam.
Eu me preparava no meu quarto, observando meu reflexo no espelho. A coleira prateada com as runas negras ainda estava ali, brilhando sutilmente com uma energia sombria. O metal frio ao redor do meu pescoço me lembrava constantemente de minha nova realidade, de que eu pertencia a Lucian. Mas naquela manhã, havia algo mais no ar. Uma mistura de nervosismo e antecipação que me deixava inquieta.
Vesti minha roupa de treino, uma túnica escura ajustada ao corpo, que permitia movimentos rápidos e fluidos. Por mais que eu tentasse ignorar, a sensação da coleira apertando levemente contra minha pele era constante, um lembrete da presença invisível de Lucian.
Ao sair do meu quarto, encontrei Ayla esperando por mim no corredor. Seu olhar era avaliador, mas também havia uma ponta de preocupação em seus olhos.
— Pronta para a aula? — ela perguntou, tentando soar casual, mas não conseguindo esconder totalmente a apreensão em sua voz.
Eu apenas assenti, tentando disfarçar meu próprio nervosismo. Juntas, seguimos para o campo de treinamento, onde a aula seria realizada. O sol estava alto no céu, lançando sombras longas sobre o gramado e as estruturas de pedra que cercavam o local. A brisa leve agitava as folhas das árvores, criando uma melodia suave que contrastava com a tensão crescente entre os alunos reunidos.
Quando chegamos ao campo, vi que Lucian já estava lá. Ele estava no centro, conversando com o professor Demétrio, mas seus olhos estavam fixos em mim. Um olhar intenso, cheio de promessas silenciosas e advertências. Meu coração acelerou, e senti um calor subir pelo meu corpo, como se seu olhar tivesse o poder de incendiar minha pele.
— Parece que alguém está ansioso para te ver, Beel — Ayla murmurou ao meu lado, com um sorriso malicioso. — E não sou só eu que percebo isso.
Tentei ignorar seu comentário, mas não pude evitar o arrepio que percorreu minha espinha. Lucian tinha esse efeito sobre mim, uma mistura de medo e desejo que me deixava completamente vulnerável. E ele sabia disso, usava isso contra mim de maneiras que eu não conseguia prever.
Aula começou com uma introdução do professor Demétrio, explicando como a luta corporal, quando combinada com a magia, poderia ser uma arma devastadora. Ele mencionou como a força física e o controle mágico deveriam estar em perfeita harmonia para alcançar a eficácia máxima. Enquanto ele falava, os alunos ao redor murmuravam, alguns excitados, outros claramente nervosos.
— Hoje, vocês terão a oportunidade de testar seus limites — Demétrio anunciou, sua voz ecoando pelo campo. — Vocês lutarão contra seus colegas, e cada golpe, cada feitiço, deve ser executado com precisão. Sem hesitação.
Os olhares começaram a se cruzar, e logo eu percebi que todos estavam escolhendo seus oponentes. Eu sabia que, em algum momento, teria que enfrentar alguém, mas quem seria? Meu estômago se revirou ao pensar nisso. Estava mais preocupada em evitar Lucian do que em vencer qualquer combate.
— Beel, acho que você está com sorte hoje — Ayla sussurrou, dando uma cotovelada em minhas costelas. — Parece que Lucian não tirou os olhos de você desde que chegamos.
Olhei para ela, tentando disfarçar a inquietação que crescia dentro de mim. — Não seja ridícula. Ele está apenas... observando todos.
Ela riu, mas não disse mais nada. Seu olhar, no entanto, me disse tudo o que precisava saber: ela tinha notado o interesse de Lucian em mim, e não era algo que passaria despercebido por muito tempo.
Quando os combates começaram, o campo de treinamento foi tomado pelo som de golpes, feitiços sendo lançados e gritos de esforço. A energia era palpável, uma mistura de adrenalina e magia que fazia o ar vibrar. Fiquei em silêncio, observando os outros lutarem, tentando me preparar mentalmente para o que estava por vir.
Foi então que o professor Demétrio chamou meu nome.
— Mariybel, você será a próxima a lutar. — Ele disse, seu olhar severo. — E Lucian será seu oponente.
Meu coração quase parou ao ouvir aquelas palavras. Olhei para Lucian, que já estava se movendo em minha direção, um sorriso frio curvando seus lábios. Havia algo nos seus olhos que me fez estremecer, uma combinação de predador e prazer sádico.
Ayla me deu um tapinha no ombro, tentando me encorajar. — Boa sorte, Beel. Tente não se machucar muito.
Eu forcei um sorriso, mas minha mente estava a mil. Enquanto caminhava até o centro do campo, tudo ao meu redor parecia se dissolver em uma névoa. Lucian estava diante de mim, sua presença dominadora preenchendo o espaço entre nós. Cada passo que ele dava parecia carregar uma promessa silenciosa de dor e desejo.
— Não pense que vou pegar leve com você só porque está usando essa coleira — ele murmurou, a voz baixa o suficiente para que apenas eu ouvisse. — Isso aqui é uma aula, e eu vou te ensinar o que significa lutar de verdade.
Eu engoli em seco, tentando me concentrar. Havia uma parte de mim que sabia que ele estava certo. Eu precisava aprender a lutar, a me defender, mas o fato de que seria ele a me ensinar tornava tudo mais complicado.
A coleira ao redor do meu pescoço parecia apertar um pouco mais, como se respondesse ao seu comando, lembrando-me de que eu estava completamente sob seu controle. Mas havia algo mais, algo que eu não queria admitir: a excitação de ser desafiada por ele, de testar meus limites contra alguém tão poderoso.
Quando o professor deu o sinal, Lucian não perdeu tempo. Ele avançou em minha direção com uma velocidade que me pegou de surpresa, seus punhos envoltos em sombras enquanto ele preparava o primeiro ataque. Eu mal tive tempo de reagir antes de sentir o impacto, um golpe forte que me fez cambalear para trás.
Os risos ao redor do campo foram imediatos, e eu soube que a coleira tinha algo a ver com isso. Eles riam de mim, da situação humilhante em que me encontrava. Mas, acima de tudo, riam porque sabiam que eu estava à mercê de Lucian, que cada erro meu seria punido não só pela dor física, mas também pela coleira que me prendia a ele.
— Concentre-se, Mariybel — Lucian rosnou, sua voz dura. — Se continuar assim, vou acabar te quebrando antes que o professor termine de falar.
Eu cerrei os dentes, ignorando o calor que subia pelas minhas bochechas. Havia uma parte de mim que queria desistir, que sabia que não poderia vencê-lo, mas a outra parte, aquela que ele tinha despertado, se recusava a ceder. Eu precisava lutar, mesmo que isso significasse enfrentar a dor.
Reuni toda a energia mágica que consegui e lancei um feitiço de sombras, tentando usar a técnica que ele havia demonstrado antes. As sombras ao meu redor começaram a se mover, mas estavam instáveis, quase fora de controle. Lucian observou com um olhar crítico, e eu sabia que ele estava avaliando cada movimento meu, procurando falhas.
— É assim que você faz? — Ele zombou, desviando-se do meu ataque com uma facilidade que me deixou frustrada. — Você pode fazer melhor que isso, Mariybel. Eu sei que pode.
Suas palavras, apesar de cruéis, tinham um fundo de verdade. Eu podia sentir o poder dentro de mim, mas ainda era algo novo, algo que eu não sabia como controlar completamente. E ele estava explorando isso, me forçando a enfrentar minhas fraquezas.
Nosso confronto continuou, e a cada ataque que eu falhava, a coleira respondia com choques de dor, me lembrando de minha submissão. Mas havia algo na maneira como ele me olhava, como se estivesse esperando por algo mais, algo que eu ainda não havia mostrado.
Eu sabia que estava em desvantagem, mas também sabia que precisava tentar. Reuni todas as minhas forças, usando cada fragmento de poder que tinha, e lancei um ataque final. As sombras ao meu redor se condensaram em uma forma mais sólida, avançando em sua direção com uma intensidade renovada.
Lucian finalmente parou de se mover, permitindo que as sombras o envolvessem. Por um momento, pensei que tinha conseguido, que o havia atingido. Mas então, ele sorriu, e em um movimento rápido, as sombras se dissiparam, caindo ao chão como fumaça.
Ele estava diante de mim novamente, ileso, mas seus olhos brilhavam com algo mais do que apenas triunfo. Havia uma aprovação silenciosa ali, um reconhecimento de que eu tinha pelo menos tentado.
— Bom — ele murmurou, sua voz baixa o suficiente para que só eu ouvisse. — Você está aprendendo. Mas precisa aprender mais que isso.
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Atualizado até capítulo 54
Comments
Angela Valentim Amv
Eu acho que sei o que ele está fazendo , mesmo sendo cruel está tentando ajudar , para que ele não vai embora derrotada .
2025-01-30
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Rayssa
ele é ruim viu aff
2024-10-12
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Rayssa
que poder é esseeee,que não faz nada
2024-10-12
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