Osric

Eu e Ayla caminhávamos em direção ao ponto onde vendem o famoso cigarro infernal. A fama desse cigarro era lendária, dizia-se que era feito pelas prostitutas mais habilidosas do inferno, um cigarro que não só aumentava sua magia, mas também deixava você anestesiada, quase flutuando.

— Você tem certeza que quer fazer isso, Ayla? — perguntei, um pouco nervosa. — Esse cigarro é coisa séria.

— Claro que quero! — Ela respondeu com um brilho nos olhos. — Além do mais, já ouviu dizer que quem não arrisca, não petisca?

Ela tinha aquele sorriso travesso que sempre conseguia me convencer a ir junto com seus planos malucos. Estávamos nos dirigindo para um canto isolado da academia, onde os alunos mais ousados e perigosos se encontravam para negócios ilegais. A atmosfera ali era pesada, cheia de tensão e segredos sussurrados.

Ayla e eu nos aproximamos de uma figura encapuzada que estava encostada em uma parede suja. Ele levantou os olhos para nos encarar, um sorriso sinistro curvando seus lábios.

— Então, você está interessada no cigarro, hein? — ele perguntou, sua voz soando como um chiado.

— Sim, quero experimentar. — Ayla respondeu sem hesitar.

Ele entregou a ela um pequeno pacote. Ayla rapidamente abriu e pegou um dos cigarros, acendendo-o com um isqueiro que tirou do bolso. Ela deu uma longa tragada, seus olhos fechando de prazer enquanto a fumaça enchia seus pulmões.

— Uau, isso é incrível... — ela murmurou, um sorriso de êxtase se formando em seu rosto.

Foi nesse momento que tudo mudou. Um som de passos pesados ecoou pelo corredor e, de repente, Osric apareceu. Seus olhos estavam cheios de fúria e ele não parecia nada feliz em nos ver ali.

— Ayla! — Ele rugiu, atravessando o espaço entre nós em um piscar de olhos. — Que diabos você está fazendo?

Antes que eu pudesse reagir, ele agarrou Ayla pelos cabelos, puxando-a para trás com força. Ela gritou de dor, seus olhos arregalados de surpresa e medo.

— Osric, pare! — eu gritei, tentando intervir, mas ele apenas me empurrou para o lado, sem se importar com minha presença.

— Você é uma idiota, Ayla. — Ele rosnou, apertando mais forte. — O que te faz pensar que pode brincar com coisas como essas?

— Eu só queria... — Ela começou, mas ele a interrompeu, jogando-a no chão.

— Você só queria o quê? — Ele se agachou ao lado dela, seus olhos brilhando de raiva. — Se destruir? Destruir todos ao seu redor? Você sabe o que esse cigarro faz com você?

Ayla estava tremendo, suas mãos tentando se proteger enquanto lágrimas escorriam por seu rosto. Eu nunca a tinha visto tão vulnerável antes, e isso me encheu de uma sensação de impotência.

— Osric, por favor... — Eu tentei novamente, mas ele me cortou com um olhar que poderia matar.

— Fique fora disso, Mariybel. — Ele se levantou, puxando Ayla de volta para seus pés. — Isso é entre eu e ela.

Ele a segurou pelo braço, arrastando-a para longe. Eu não sabia o que fazer. Ayla era minha amiga, mas Osric era aterrorizante. Seu temperamento explosivo e sua tendência a resolver tudo com violência me faziam temer por ela.

Enquanto eles se afastavam, eu podia ouvir os gritos abafados de Ayla e os sussurros das pessoas ao redor, testemunhando a cena. Meu coração batia acelerado e minha mente estava uma confusão. Precisava fazer algo, mas o quê?

Decidi segui-los à distância, mantendo-me nas sombras. Osric levou Ayla até um canto mais isolado, longe dos olhares curiosos. Ele a empurrou contra a parede, seus olhos ardendo de fúria.

— Você tem ideia do que fez? — Ele perguntou, sua voz baixa e ameaçadora.

— Eu só queria... sentir algo. — Ayla respondeu, sua voz tremendo.

— Sentir algo? — Ele riu, mas não havia humor em seu riso. — Você quase se destruiu. E você sabe o que isso faria comigo?

— Eu não queria... — Ela começou, mas ele a interrompeu novamente.

— Não queria? — Ele pressionou, aproximando seu rosto do dela. — Você sabe o que significa para mim, Ayla? Significa mais do que você imagina. E eu não vou deixar você se destruir por um cigarro idiota.

Ele soltou seu braço e deu um passo para trás, respirando pesadamente. A tensão entre eles era palpável, quase sufocante. Eu não conseguia me mover, não conseguia fazer nada além de observar.

— Isso precisa parar. — Ele disse finalmente, sua voz um pouco mais calma, mas ainda cheia de raiva. — Você precisa parar.

Ayla olhou para ele, seus olhos cheios de lágrimas. Ela parecia tão pequena e frágil, diferente da garota confiante e destemida que eu conhecia.

— Eu vou parar. — Ela disse, sua voz um sussurro. — Eu prometo.

Osric a observou por um longo momento antes de suspirar e passar a mão pelos cabelos. Ele parecia exausto, como se a raiva o tivesse drenado.

— Você me deixou louco hoje, Ayla. — Ele disse, sua voz mais suave. — Não faça isso de novo.

Ela assentiu, ainda tremendo, e ele a puxou para um abraço apertado. Foi estranho ver essa demonstração de afeto vinda de alguém tão agressivo, mas também havia algo de protetor na maneira como ele a segurava.

Decidi que era hora de sair dali, dar a eles algum espaço. Voltei pelo caminho que vim, meus pensamentos uma tempestade de emoções e perguntas. Não sabia o que aquilo significava para Ayla e Osric, mas sabia que mudaria alguma coisa entre nós.

Enquanto caminhava de volta para o meu dormitório, meus pensamentos voltaram a Lucian. O quão diferentes eram os dois. Lucian, com sua presença imponente e perigosa, sempre parecia estar no controle. E agora, com Ayla e Osric, percebi o quão complexo poderia ser um relacionamento nesse mundo de demônios. Nada era simples, nada era preto e branco. Tudo era uma mistura de sombras e luzes, e eu estava bem no meio disso.

Ao chegar no meu quarto, me joguei na cama, exausta. A imagem de Osric puxando Ayla pelos cabelos ainda estava gravada na minha mente. Eu sabia que Ayla era forte e podia lidar com muita coisa, mas aquilo parecia demais até para ela. E Lucian... ele continuava sendo um enigma para mim, uma presença constante nos meus pensamentos, mesmo quando eu tentava não pensar nele.

Fechei os olhos e tentei acalmar minha mente. A noite tinha sido intensa, e eu precisava de um momento para processar tudo. Mas sabia que, no fundo, aquilo era apenas o começo de algo muito maior. Algo que eu ainda não conseguia entender completamente, mas que estava lá, esperando para ser desvendado.

E enquanto o sono finalmente me vencia, uma última imagem passou pela minha mente: os olhos de Lucian, penetrantes e cheios de segredos, me observando da escuridão.

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Comments

Carla Santos

Carla Santos

eita porra é complicado será mesmo que aconteceu com Ayla e Osric foi verdade da parte deles ou foi mas uma insenação deles amando de Lucian

2024-08-24

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