rosto e falsidade

— Sua falta de apetite está me deixando com um péssimo humor — Ayla diz entre dentes enquanto perfura o franco em seu prato diversas vezes sem parar.

— Nada parece descer pela minha garganta agora. Estou ansiosa e triste.

— Bla bla bla, que coisa estúpida de se fazer... — Escuto uma outra bandeja se chocar com a mesa e o banco ao meu lado fazer um barulho enquanto é arrastado levemente pelo chão.

É Abeli, faz bastante tempo que não vejo ela por aqui.

— Que foi? Não me olha assim. Se eu tivesse a oportunidade de me sentar em outro lugar, eu me sentaria. Não me rebaixaria tanto pra me sentar com vocês duas... — ela enfia o garfo com comida na boca após comer.

— Claro, porque você já se rebaixa o suficiente pelo seu irmãozinho. — Ayla provoca.

— Não mais que você quando abre as pernas para ele... — rebate com um sorriso maldoso.

Ayla ao meu lado fica completamente vermelha de raiva.

Pelo que eu me lembre Osric é o irmão de Abeli... Então quer dizer que Ayla se relaciona com ele?

— Você nunca me falou que se relaciona com Osric... — me viro para ela confusa.

— E eu não me relaciono — diz entre dentes enquanto levanta da mesa. — E você... — Se vira para Abeli — Você deveria parar de ser tão enxerida. Vadias com boca grande demais acabam perdendo utilidade até para os moscas...

A tensão na mesa é palpável, e eu me encolho um pouco, tentando me afastar do conflito iminente. Ayla e Abeli trocam olhares hostis, e por um momento, parece que uma briga vai começar ali mesmo.

— Calma, Ayla. — digo suavemente, tentando apaziguar a situação. — Não vale a pena.

— Ouça sua amiguinha, Ayla. — Abeli diz com desdém, mas seus olhos ainda estão cheios de desafio. — Talvez ela seja a única com um pouco de bom senso aqui.

Ayla cerra os punhos, mas finalmente se vira, pegando sua bandeja. — Vamos, Bel. Não precisamos ficar aqui e ouvir essa porcaria.

Eu a sigo rapidamente, deixando Abeli para trás. Saímos do refeitório e nos dirigimos para o jardim da escola, onde a atmosfera é mais tranquila e podemos respirar um pouco.

— Ayla, você está bem? — pergunto, preocupada com a raiva ainda evidente em seu rosto.

— Não, não estou bem. — ela responde, sua voz trêmula de frustração. — Odeio quando ela aparece e começa a mexer com a gente. E essa história de Osric... eu não preciso disso.

— Eu entendo. — digo, tentando ser solidária. — Mas não deixe que ela te afete tanto. Ela só quer nos provocar.

Ver Ayla desse jeito, tão frágil, era uma visão estranha e desconcertante. Desde o dia em que a conheci, ela sempre foi a amiga louca, a menos racional, a que enfrentava tudo com uma determinação quase imprudente. Ayla era a força bruta e a energia desenfreada, uma tempestade em forma de pessoa. Mas agora, ali sentada no banco do jardim, ela parecia uma versão diferente de si mesma, vulnerável e abatida.

— Não consigo acreditar que Abeli tenha coragem de falar aquelas coisas! — Ayla explode, sua voz cheia de fúria. — Quem ela pensa que é para me acusar desse jeito? Para me diminuir na frente de todo mundo?

Eu a observo, tentando encontrar as palavras certas. — Ayla, ela só queria te provocar. Não deixe que ela te afete tanto.

— É fácil para você dizer! — Ayla retruca, os olhos brilhando de raiva. — Você não entende! Eu sempre tenho que estar pronta para lutar, para me defender de todos esses idiotas! Não posso me dar ao luxo de ser fraca!

— Você não é fraca, Ayla. — digo, tentando tranquilizá-la. — Você é a pessoa mais forte que eu conheço.

— Forte? — ela ri, mas é um som amargo. — Se eu fosse tão forte assim, não me deixaria afetar por uma vadia como Abeli. Não deixaria ninguém ver que estou abalada!

— Todo mundo tem momentos de fraqueza. — tento argumentar. — Isso não te faz menos forte. Faz de você humana.

— Eu não posso ser humana aqui, Bel! — ela grita, se levantando do banco e começando a andar de um lado para o outro. — Este lugar não permite fraquezas! Eles vão me devorar se perceberem qualquer sinal de vulnerabilidade!

— Então não deixe que vejam. — digo, levantando-me para ficar ao lado dela. — Mas comigo, você pode ser quem você é. Você pode baixar a guarda.

Ayla para, olhando para mim com uma mistura de raiva e dor. — Você não entende... Eu não sei como fazer isso. Eu não sei como ser vulnerável sem sentir que estou me condenando.

— Você não precisa fazer isso sozinha. — digo suavemente. — Eu estou aqui com você, e vamos encontrar uma maneira de lidar com tudo isso. Juntas.

Ela me olha por um longo momento, e finalmente, a raiva em seus olhos começa a diminuir, substituída por uma tristeza profunda. — Obrigada, Bel. — ela murmura, sua voz finalmente quebrando. — Eu só espero que você esteja certa.

— Eu estou. — digo com convicção, abraçando-a.

O caminho até o banheiro esbarrando consequentemente em Osric, que não parece nada feliz e que por sinal, não consegue parar de olhar para Ayla. Isso me trás uma sensação estranha, uma sensação em que não sei exatamente no que realmente se trata ou funciona, pois nada em Ayla parece certo ainda que esteja tão deprimida ao meu lado.

— Então nos encontramos de novo, Mariybel — ele diz soletrando enquanto as mãos estão enterradas em seus bolsos e um sorriso cretino desenha seus lábios.

— Osric, nos deixe em paz, esse não é o melhor momento pra você nos infernizar.

— Você sabe, o inferno é bom demais para eu me negar a ir. — Ele se aproxima de nós. — Não há momento bom aqui, Ayla, não há momento bom para nenhum de nós. Aceite o princípio ou morra tentando negar.

Há definitivamente uma tensão entre eles, algo que ela não me contou e que aparentemente não é a intenção me contar. Ele sai como se nada tivesse acontecido e Ayla se vira para mim sorrindo levemente.

— Bel, você pode me esperar no lado de fora do banheiro?

— Ah... Claro — ainda que estranhasse confirmei, e ela entrou sozinha.

Vou até a frente do espelho e começo a puxar a pele do meu rosto calmamente, puxando a pele morta e flácida e deixando outra, a verdadeira em seu devido lugar.

— Como eu odeio fingir chorar... — jogo o rosto inútil na privada. — Mas faço tudo pelo meu plano de Osric e Lucian.

— Mas, confessem... Eu sou uma ótima atriz, não sou?

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Comments

Williane Paiva

Williane Paiva

Vou escrever isso na minha camiseta

2024-10-02

1

Carla Santos

Carla Santos

Essa Ayla não presta e a broca Maribel só ver bondade nos outros e nunca maldade ainda bem quer esse hospedeiro vai ser sua perdição rendições acorda mulher

2024-08-24

2

Maria Aparecida de Carvalho

Maria Aparecida de Carvalho

cadela

2024-08-09

0

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