Assim que tenho forças me levanto do chão, corro para fora daquelas escadas enquanto abaixo a saia mais e mais para que ninguém visse nada que eu não desejava que vissem.
Agora que não estou mais naquela situação eu realmente estou com medo, eu estou realmente acelerada demais, uma adrenalina, um sabor estranho em minha boca, e não, definitivamente não tem nada a ver com o que fiz com aquele homem. É um sabor amargo vindo de um sentimento ruim, e que faz cada parte do meu corpo arrepiar.
Viro o corredor e dou de frente com um grupo de homens fumando, eles me encaram com malícia sorrindo em minha direção de forma maldosa.
— Olha só que gracinha que acabei encontrando... — um deles fala, vindo em minha direção.
— Fique longe de mim!
— Não seja tão tímida. Você não é muito diferente das outras meninas do colégio, você é pior, consegue ainda ser pior e deprimente com essa magia que não sabemos nem se possui uma.
Como conseguiu ser expulsa na sua primeira aula? — outro gargalha, se aproximando
— Fique longe de mim! — grito, empurrando-o.
— Essa vadia! — ele levanta sua mão para me bater, mas alguém a segura a tempo.
— Vocês realmente perderam o medo de morrer não é seus filhos de uma puta?! — Ayla agarra um pela camisa, jogando-o contra a parede com uma força incrível. — O que foi? Esse seu pau sujo não tá conseguindo mais conquistar nenhuma mulher e agora está indo pelo caminho de forçar uma a ficar com você?
— A-ayla... — seguro ela quando vejo uma lâmina negra surgir ao seu lado quando aquela enorme sombra escura apareceu ao seu lado, entregando para ela a arma.
— Você não está matando, Bel. Você está de vingando, então pegue isso e faça por si mesma — ela me entrega.
— E-eu não vou matar ninguém, n-nem me vingar de ninguém. Isso é um absurdo!
— Absurdo é o que fariam com você se eu não tivesse aparecido. O que acha que faria não conseguindo despertar sua magia para autodefesa? Acha que só um chute no saco dos 5 resolveria alguma coisa?!
— Você é uma nobre, Ayla. Não deveria estar descendo tanto para defender uma plebeia. — ele diz entre dentes.
— Você que não deveria estar descendo tanto. Acho que vou ter que te lembrar da posição que você está já que não parece claro o suficiente para você. — ela vai até ele, sussurrando algo em seu ouvido. O homem arregala os olhos, se tremendo todo enquanto corre para longe junto com os outros.
— O que você disse? — olho para a direção que eles foram, mas não há mais nada.
— Nada que deva se importar. — ela me leva até a porta do meu quarto.
— Obrigada por ter... sabe... me ajudado. Acho que o dia poderia ter sido bem pior se eu não tivesse te conhecido...
— Aah, é claro... — ela revira o olhos sorrindo, e em seguida abre a porta para que eu entre. — Eu costumo tornar a vida das pessoas alguma coisa assim que entro em seus caminhos. Se é bom ou ruim, isso depende muito da pessoa, e eu posso garantir com todas as palavras que apesar de ser sua amiga não deveria achar que sou o melhor acontecimento da sua vida.
— O que quer dizer com isso?
— Quer dizer que não deve se enganar com o que ver aqui. Você é inocente demais, boba demais, sem escrúpulos, sem modos. Uma plebeia com todas as letras. Vão querer pisar em você, vão querer te prejudicar, e você vai ter que acordar pra vida antes que tudo desmorone.
— Não gosto de passar por cima de outras pessoas...
— Então não deixe eles passarem por cima de você. Você ainda parece ter energia, quer ir pra uma festa comigo ? É uma festa para comemorar o início do ano letivo. Tem tudo do bom e do melhor, e somente convidados podem entrar, e como eu estou te convidando você definitivamente pode entrar comigo.
— Aah, não sei não... — nego com a cabeça. Aquela ideia não parece nada boa.
— Ah, vamos lá! — Ayla insiste, puxando meu braço gentilmente. — Você precisa relaxar depois de tudo isso. Vamos, só por um tempo.
Relutante, acabo cedendo. Ayla parece determinada a me distrair, e talvez ela tenha razão. Não posso viver com medo o tempo todo. Seguimos por corredores mal iluminados até chegarmos ao salão principal, onde a festa já está acontecendo.
O lugar é deslumbrante. As paredes de pedra são adornadas com tapeçarias antigas, e luzes flutuantes criam uma atmosfera quase mágica. Demônios de todas as formas e tamanhos estão espalhados pelo salão, alguns dançando, outros conversando animadamente.
Mas é ele quem chama minha atenção. Sentado em um canto reservado, afastado da agitação, está Lucian. Ele segura um copo de bebida com desdém, sua expressão é de total indiferença. Sua beleza é arrebatadora, com cabelos negros e olhos de um vermelho profundo, emanando um poder que faz todos ao seu redor parecerem insignificantes.
— Quem é aquele exatamente? — pergunto a Ayla, tentando não parecer muito interessada.
— Aquele é Lucian, o futuro rei do inferno. — Ela responde em um tom que mistura admiração e cautela. — Ninguém fala com ele a menos que ele mande.
— Ele parece tão... distante.
— E é. Ele não se importa com ninguém aqui. Todos sabem que é melhor manter distância.
Mesmo sabendo disso, sinto uma curiosidade insuportável crescer dentro de mim. Algo sobre Lucian me intriga, talvez seja a sua aura de mistério, ou talvez seja apenas o desejo de entender o que o faz tão diferente.
— Não vá até ele. — Ayla adverte, percebendo meu olhar. — Lucian não é alguém com quem se deve brincar.
Aceno, mas não consigo tirar os olhos dele. Lucian não olha diretamente para mim, mas sinto como se estivesse ciente da minha presença, como se ele pudesse sentir meu olhar. É uma sensação estranha, como se uma corrente invisível nos ligasse.
— Por que somente aquele homem pode falar com ele? — pergunto curiosa quando o mesmo homem que me feriu se aproxima e fala algo sorrindo para ele.
— Por que ele será o homem que vai se encarregar do que o rei mandar assim que ele assumir o trono. É a sua mão e seu fiel amigo. — Ela suspira enquanto o encara. — Osric é um filha da puta de um gostoso.
Finalmente, depois do que parece ser uma eternidade, ele levanta os olhos e nossos olhares se encontram. Meu coração dispara, e por um momento, o mundo ao nosso redor parece desaparecer. Ele não sorri, mas há algo em seu olhar que me faz sentir exposta, como se ele pudesse ver através de mim, além das aparências e das máscaras.
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Atualizado até capítulo 54
Comments
Angela Valentim Amv
Será que foi ele mesmo quem pegou ela ?
2025-01-29
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Carla Santos
eu saí pra lá coisa ruim crus credo
2024-08-24
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