ALGUNS MESES DEPOIS...
A noite era densa quando Alex, finalmente livre do cativeiro, avançou pelos corredores escuros da Sombra Alquímica. Com habilidade afiada e determinação férrea, ela driblou guardas, câmeras e armadilhas. Seu escape, alimentado por anos de treinamento e o desejo inquebrantável de liberdade, a conduziu para fora daquele labirinto sombrio.
A caminho do hospital, onde sua mãe lutava contra a doença misteriosa, as lembranças tumultuavam a mente de Alex. O reencontro, que ela antecipara por tanto tempo, estava prestes a se transformar em uma despedida dolorosa.
Ao chegar ao hospital, a atmosfera era pesada, carregada de uma tristeza que pairava no ar. A notícia da morte da mãe de Alex a atingiu como um golpe devastador. A mulher que enfrentara sua própria tragédia estava irremediavelmente perdida.
O lamento silencioso tomou conta de Alex, mas uma faísca ardente de determinação permaneceu. Com a imunidade que a definia e o conhecimento sombrio adquirido nos confins da Sombra Alquímica, ela estava pronta para desvendar os mistérios do apocalipse e enfrentar o destino que se desenrolava diante dela.
"Dr. Kane, o nome ecoa em minha mente como um pesadelo interminável. Fui capturada, uma marionete em suas mãos. Os corredores sombrios do laboratório, onde minha existência foi dissecada. Experimentos, agulhas, e o constante zumbido de máquinas..."
Madeline engole em seco, mergulhando mais fundo nos relatos.
"Descobriram minha imunidade. Eu era um quebra-cabeça a ser resolvido. O Dr. Kane, com sua obsessão pela alquimia viral, buscava entender meu corpo, minha resistência única contra o apocalipse que se desdobrava. Experimentos desumanos, testes incansáveis..."
O coração de Madeline aperta ao perceber a brutalidade que Alex enfrentou.
"A imunidade, uma dádiva e uma maldição. Kane buscava a chave para uma nova ordem mundial, e eu era sua cobaia, sua peça fundamental. O vínculo entre meu passado sangrento como assassina e o futuro sombrio que ele buscava criar. A dor e a luta marcaram cada página deste diário, cada linha conta uma história de sobrevivência e perda."
Madeline dobra as páginas do diário por um momento, olhando para o nada enquanto processa as revelações. O passado de Alex, antes do apocalipse zumbi, emerge como um labirinto de tormentos.
Madeline continua a leitura, absorvendo as palavras que descrevem o treinamento brutal que moldou Alex.
"Minha vida anterior, um borrão de sangue e sombras. Uma assassina, uma marionete para interesses obscuros. Cada missão, uma dança com a morte. O treinamento radical, uma metamorfose da minha essência. Lutas mortais, técnicas letais, e uma frieza que se tornou minha aliada."
Madeline sente um arrepio ao imaginar a intensidade do passado de Alex.
"Regali, meu antigo empregador, orquestrou minha existência. Na escuridão, fui esculpida como uma arma afiada. Cada contrato, uma sentença. Cada vitória, uma cicatriz na minha alma. A linha tênue entre o certo e o errado, dissipada pelas sombras que me controlavam."
O olhar de Madeline se fixa nas páginas, compreendendo a complexidade da mulher que agora luta pela sobrevivência.
"O treinamento radical tornou-me uma máquina de eliminar, mas também semeou a semente da minha rebelião. A Sombra Alquímica, com seus tentáculos sinistros, não podia conter minha natureza indomável. Cada assassinato, uma revolta silenciosa contra o destino que me impuseram."
Madeline fecha os olhos por um momento, imaginando o turbilhão de emoções que Alex enfrentou.
"A imunidade que carrego, uma ironia cruel. A mesma habilidade que me permitiu sobreviver nas sombras agora me coloca no epicentro do apocalipse. Meus dias como assassina podem ter terminado, mas as cicatrizes e as lembranças persistem, uma sombra constante em minha jornada pelo caos que se desenrola."
Madeline abaixa suavemente as páginas do diário arrancadas, reflexiva diante da dualidade que Alex carrega consigo.
A garota pálida acordou abruptamente, seus olhos se abriram de repente, e um grito escapou de seus lábios antes que ela pudesse controlá-lo. Seu corpo estava coberto de suor frio, e seu coração batia descontroladamente. Ela olhou ao redor, tentando entender onde estava.
Aos poucos, a consciência retornou e a garota percebeu que estava em uma cama. Ela havia tido um outro pesadelo horrível que a assombrava. As imagens assustadoras do sonho ainda estavam vivas em sua mente, e a sensação de terror parecia tão real como se ainda estivesse acontecendo.
Ofegante e com lágrimas nos olhos, tentou acalmar sua respiração acelerada. Ela sabia que o pesadelo não era real, mas a intensidade das emoções que ele havia evocado a deixou perturbada. Ela se agarrou ao cobertor como se fosse a única âncora de segurança em um mar de pesadelos, esperando que a luz do dia e a realidade pudessem dissipar os horrores da noite.
Ela espera o dia amanhecer antes de levantar da cama, respira fundo examinando o lugar onde ela ver no fundo do quarto, uma cadeira onde há uma muda de roupa, uma pequena bacia com água para lavar o seu rosto, e uma par de tênis surrados parecendo ser de seu número.
Ela respira lentamente antes de colocar os seus pés no chão cobertos com ataduras sentindo os mesmos doer um pouco, pois os mesmos estão machucados de tanto que ela havia caminhado até chegar naquele posto de gasolina, e ser encontrada por Lucas e Daniel.
Que ela acaba se recordando que os mesmos não eram os seus parentes como ela acordará no dia anterior confusa imaginando que estava participando de alguma pegadinha de mal gosto, e que todos ao seu redor eram os seus parentes, pois estava com a sua mente muito confusa, mas agora ela sabe disso.
Ela se levanta com cautela, o quarto é simples, mas oferece um certo conforto em comparação com a dura realidade lá fora.
Vestindo um par de meia que ela pega em cima dos tênis surrados, ela se dirige à pequena bacia com água, deixando que a frescura do líquido desperte seus sentidos.
Ao se olhar no espelho próximo, a garota pálida confronta seu reflexo. O rosto exibe uma pequena cicatriz na lateral direita do seu rosto, e vestígios de cansaço, mas também uma determinação resiliente.
Ela observa as ataduras em seus pés, braços e mãos, e o curativo em sua testa remanescentes da jornada que a trouxe até aqui, e se pergunta sobre a extensão de suas cicatrizes emocionais.
— Quem é você?
Ela pergunta em um fio de voz pra si mesma esperando por uma resposta que não vem, apenas um imenso vazio em sua mente, algo que começa a lhe incomodar bastante não saber quem é, de onde vem, qual a sua história, e principalmente algo simples como por exemplo qual é o seu nome.
Ela começa observar em seu pulso esquerdo, uma tatuagem de um recipiente de vidro estilizado com uma planta misteriosa crescendo dentro.
O recipiente é meticulosamente detalhado, mostrando a planta se enroscando delicadamente. Essa tatuagem representa o "Extrato de Erva Rara".
No pulso direito, ela tem uma tatuagem que retrata um frasco de soro com folhas de clorofila que se fundem elegantemente. Essa tatuagem simboliza o "Soro de Clorofilina".
Entre as duas tatuagens nos pulsos, há uma representação de uma gota de água pura, realçando a importância da água na fórmula.
As tatuagens são artísticas e, à primeira vista, parecem meramente decorativas. No entanto, cada detalhe é estrategicamente colocado para simbolizar os componentes da fórmula que ajudam a controlar a doença cardíaca dela.
Essas tatuagens funcionam como um lembrete constante das fontes e dos elementos necessários para o remédio que mantém Alex viva e relativamente saudável no mundo pós-apocalíptico. Ela cuida para manter essas tatuagens bem visíveis, pois são a chave para sua sobrevivência.
Ela tem uma tatuagem adicional no interior do pulso esquerdo, abaixo da tatuagem do "Extrato de Erva Rara". Ela consiste em uma pequena seringa estilizada, com uma gota de líquido caindo da agulha.
A seringa na tatuagem está ajustada para medir exatamente 20 ml, que é a dosagem correta do remédio que ela precisa tomar duas vezes ao dia. A gota de líquido caindo é uma representação simbólica da aplicação do remédio.
A tatuagem serve como um lembrete constante para Alex sobre a dosagem correta do remédio. Ela verifica regularmente a tatuagem para garantir que está tomando a quantidade certa do remédio essencial.
Que por enquanto ela não sabe os seus significados, pois ainda não se lembra de nada, mas ela sente que essas tatuagens tem um significado muito importante para a sua vida.
A garota pálida sente a sua mente fervilhar com essas informações sem significados pra ela, então ela se senta em sua cama respirando fundo confusa com essas tatuagens que aparentemente parecem ter um significado muito importante para ela. Mas ela não consegue se lembrar de nada, algo que a deixa muito frustrada não saber de nada, sendo matinda no escuro por sua própria mente.
Ela sacode a sua cabeça afastando tais pensamentos que não vão levar ela a lugar algum além de frustrações.
Vestida com a muda de roupa disponível, ela se sente um pouco mais humana. Os tons monótonos do pesadelo começam a desaparecer, substituídos pela luz tênue que atravessa a janela. A garota respira fundo, decidida a enfrentar o novo dia.
Ao sair do quarto, ela encontra com Lucas, Ethan e Amélia que havia chegado junto com Alycia e Carlos na noite anterior.
Alycia a mulher cuja ela deve a sua vida, por ter sido salva por ela da criatura horrenda que estava prestes a atacá-la.
Neste momento a sua mente a leva para a noite anterior antes de desmaiar devido ao imenso susto que teve ao se lembrar da criatura.
Os belos olhos verdes que ela não sabia definir a sua tonalidade de verde, pois existe algumas tonalidades na cor verde como verde oliva, claro, escuro entre outras tonalidades.
Ela sente o seu coração bater de um jeito estranho, mas não incomodo como geralmente sente devido a sua doença até então misteriosa, quando os seus olhares se cruzam pela primeira vez, mesmo que por um milésimos de segundos.
Ao se lembrar dos belos olhos grandes, expressivos e cativantes de Alycia ao acordar aos gritos angustiantes do pesadelo que havia tido na noite anterior, chamando a atenção dos outros ela imagina, pela forma que Alycia adentrou o quarto segurando o pequeno machado pronto para ser usado contra qualquer ameaça.
Mas como ela estava paralisada de medo devido o sonho horrível que teve, que agora não se recordará mais, ela lembra nitidamente a forma que a jovem olhava para ela, confusa, sem entender o que estava acontecendo, mas ao mesmo tempo assustada e preocupada com ela, algo que a deixou emocionada, mas devido ao seu estado ela não conseguia reagir para tranquilizar a jovem de que ela estava bem, e que apenas havia tido um pesadelo assustador.
Não foi o doutor Carson e muito menos Madeline que conseguiu acalma-lá, e sim os belos olhos de Alycia, a forma que ela olhava preocupada, e tinha algo a mais em seu olhar que ela não sabia explicar em palavras, ela apenas podia sentir uma profundidade emocional.
A garota estava imersa em seus pensamentos com relação a sua salvadora, que havia esquecido por um instante todos ao seu redor, tanto que ela toma um susto quando Lucas toca em seu braço, puxando ela de seus pensamentos profundos.
— Está se sentindo bem?
Pergunta Lucas, olhando confuso para a garota pálida assim como Ethan e Amélia que olham para ela confusos só que diferente de Lucas.
Os dois reconhecem as roupas que ela está usando como sendo as roupas da ex-namorada de Alycia, Joan, que a mesma guardava como a única lembrança dela, na esperança de um dia ela voltar.
Rapidamente Amélia e Ethan se entre olham sem saber o que fazer, pois se a Alycia vê-la vestida com essas roupas da Joan, ela pode se irritar não só com a jovem, mas também com a sua própria mãe Madeline, por ter pego as roupas sem sua permissão e dado para a garota, mesmo Madeline tendo boa intenção de ajudar ela, já que a mesma não tinha nada para vestir ao se juntar ao grupo.
Para evitar mais uma discussão desnecessária entre Madeline e Alycia já que a relação das duas vivem em conflitos desde o suposto sumiço da Joan, que foi embora sem se comunicar com ninguém do grupo, apenas deixando uma carta dizendo que não aguentava mais viver assim, se mudando de lugar para lugar, pois ela queria ficar apenas em um lugar que ela se sentisse segura, e com certeza não era mais nesse grupo.
É claro que Amélia nunca acreditou nessa história diferente de todos do grupo, inclusive Alycia, pois ela suspeita que Victoria esteja por trás do sumiço da jovem, já que Victoria antes mesmo do apocalipse zumbi, na época da faculdade, já mostrava interesse amoroso por Alycia, mas a mesma só tinha olhos para a sua namorada Joan.
Com o susto a garota se afasta bruscamente de Lucas e responde a sua pergunta.
— Sim, estou bem, obrigada.
Enquanto Amélia pensa no que fazer para evitar mais uma discussão desnecessária entre mãe e filha, ela olha para Ethan que não sabe o que fazer, e neste instante um silêncio se faz entre eles quatro que se entrem olham em silêncio por longos segundos até que a garota se vira para Ethan e fala.
— Ethan será que a gente pode conversar?
— Sobre?
Ethan curioso pergunta olhando para jovem assim como Lucas e Amélia, e nesse momento ela fala.
— Em particular, se você não se importa?
— Claro que não me importo, podemos conversar.
Ethan fala olhando para Amélia dando a deixa para a mesma pensar em algo rápido para não deixar Alycia vê-la vestida assim, pelo menos não agora.
— Então tá, a gente se vê lá embaixo.
Lucas fala olhando para a garota de olhos verdes, os mais belos que ele já viu, é claro que o Lucas está tendo uma quedinha pela garota, mas que logo ele vai tirar o seu time de campo ao perceber o clima tenso que vai rolar entre Alycia e ela ao perceber as trocas de olhares intensas entre elas.
Mas antes dos dois deixarem Ethan e a garota misteriosa conversar em particular Lucas se lembra que a Amélia não foi apresentada a jovem.
— A propósito essa é a Amélia.
— Ah, oi Amélia.
— Muito prazer em conhecer-lá.
A jovem fala esticando a sua mão direita para cumprimentar Amélia que de bom agrado aperta a sua mão com ela dizendo.
— O prazer é todo meu... você não me disse o seu nome.
— Eu até que diria, mas eu não sei.
— Pra falar a verdade eu não me lembro.
— Ahã, como assim você não se lembra?
Amélia pergunta curiosa, e confusa ao mesmo tempo, já que ela não sabia sobre o estado da jovem, que o doutor Carson e Madeline iriam explicar a todos quando eles estivessem todos reunidos pela amanhã.
Neste momento Lucas fala olhando para Amélia.
— Ela tem amnésia.
— Amnésia? Como assim, o que aconteceu com ela?
— Não sabemos, pra falar a verdade ninguém sabe.
— É permanente o estado dela?
— Não sei dizer, mas o doutor Carson acha que pode ser temporário o estado dela.
— Entendo, isso explica o que aconteceu ontem quando havíamos chegado, e se não fosse pela Alycia aquele zumbi tinha atacado ela.
— Pois é.
— Imagino que sim.
Amélia fala descendo as escadas com Lucas em seu encalço explicando como ele e o seu irmão Daniel encontraram ela, enquanto Amélia pensa em uma forma de distrair Alycia, e tentar preparar ela quando a mesma ver a garota pálida usando as roupas da Joan.
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Atualizado até capítulo 25
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