Capítulo 17: O Noticiário

Pov Narradora

— Estou preocupada. — disse Luísa, sentando-se ao lado de Atos no sofá. Ela apertava as mãos, os dedos entrelaçados, como se quisesse acalmar a crescente ansiedade. — Já era pra sua irmã ter ligado.

— Relaxa, mãezinha, Mihan deve estar aproveitando a vida de casada. — respondeu Atos em um tom brincalhão, tentando aliviar a tensão. Ele beijou a mão da mãe, oferecendo um sorriso confortador.

— Não seja palhaço. — Luísa tentou sorrir, mas a preocupação ainda pairava em seus olhos.

Os dois continuaram a conversar, tentando ignorar a inquietação que se acumulava no ar. A televisão estava ligada, mas era apenas um ruído de fundo enquanto eles discutiam trivialidades. No entanto, suas atenções foram subitamente capturadas quando o som característico de um plantão urgente ecoou pela sala.

 “A aeronáutica acaba de informar que mais um avião desapareceu,” anunciou a voz grave do apresentador. Luísa e Atos trocaram olhares preocupados. “Dessa vez, uma aeronave que decolava das Filipinas com destino à Jamaica está desaparecida. No avião estavam aproximadamente sete pessoas. Ainda não foi divulgada a lista com todos os nomes, mas já foi confirmado que, dentre essas sete pessoas, estavam o empresário Gabriel Castillo e sua esposa Amihan Castillo.”

— Ai meu Deus, é a sua irmã, Atos... — Luísa sussurrou, sua voz falhando enquanto o pânico tomava conta de seu rosto. As mãos trêmulas cobriram a boca enquanto lágrimas silenciosas escorriam por suas bochechas.

Atos sentiu o chão desaparecer sob seus pés. A mente tentava processar a informação enquanto um turbilhão de emoções o invadia. Medo, incredulidade e uma sensação de impotência assolavam seu ser. Ele abraçou a mãe, sentindo-a tremer em seus braços.

— Vamos descobrir mais informações, mãe. — disse Atos, tentando manter a voz firme, mas o desespero era evidente. Ele pegou o celular e começou a fazer ligações frenéticas para amigos e conhecidos, buscando qualquer notícia, qualquer detalhe que pudesse trazer alguma clareza ou esperança.

Enquanto isso, na mansão dos Castillo, Don Alejandro estava sentado em seu escritório, analisando documentos importantes. O brilho da luz da mesa refletia nas folhas espalhadas, criando um contraste com a sombra crescente de preocupação em seu rosto. Sofia, a governanta, entrou apressada, segurando o telefone com uma expressão de pânico.

— Don Alejandro, você precisa ouvir isso... — disse ela, a voz tremendo.

Don Alejandro olhou para ela com preocupação, pegando o telefone.

— Alô? — sua voz era firme, mas havia uma tensão palpável.

— Don Alejandro, aqui é o oficial de resgate Marcos da aeronáutica. — a voz do outro lado era grave e controlada. — Lamento informar, mas o avião em que seu filho e nora estavam desapareceu. Estamos mobilizando equipes de busca e resgate neste momento.

A notícia atingiu Don Alejandro como um golpe. Ele se levantou abruptamente, derrubando os papéis da mesa.

— O quê? Não pode ser... — ele murmurou, a incredulidade evidente em sua voz. — Faça tudo o que puder para encontrá-los, por favor.

Sofia aproximou-se, colocando uma mão reconfortante no ombro de Don Alejandro. Ele sentiu as pernas fraquejarem e se deixou cair de volta na cadeira, as mãos tremendo.

— Gabriel... meu filho... — disse ele, a voz falhando.

Don Alejandro ainda estava tentando processar a terrível notícia. Ele sentia uma mistura de raiva e impotência, emoções que não podia controlar. Sofia, a governanta, tentou confortá-lo, trazendo uma xícara de chá que ele não conseguia beber.

— Precisamos de todas as informações possíveis, Sofia. Ligue para as autoridades, mantenha-se informada sobre os esforços de busca. — Don Alejandro instruiu, sua voz rouca.

Sofia assentiu, saindo rapidamente para cumprir as ordens. Alejandro se levantou e caminhou até a janela, olhando para o horizonte escuro. Ele se lembrava de Gabriel quando era apenas um menino, de todas as esperanças e sonhos que tinha para seu filho. Agora, tudo parecia pender por um fio.

Horas pareciam se arrastar enquanto todos aguardavam notícias. O telefone tocou novamente na casa de Luísa e Atos, trazendo um som que misturava esperança e medo.

— Alô? — Atos atendeu, o coração batendo forte.

— Atos, aqui é o Capitão Ortega da força aérea. — disse a voz do outro lado. — Estamos coordenando as buscas, mas as condições climáticas estão difíceis. Vamos manter vocês informados conforme tivermos novidades.

— Capitão, por favor, faça tudo o que puder. — pediu Atos, a voz embargada. — Minha mãe está arrasada, não sei quanto tempo mais ela aguenta sem notícias.

— Faremos o possível, Atos. Prometo. — respondeu o capitão antes de desligar.

Atos contou à mãe o que o capitão disse, mas as palavras de pouco consolo eram. Luísa simplesmente assentiu, os olhos ainda cheios de lágrimas.

Naquela noite longa e escura, tanto os Castillo quanto os Salazar lutaram para encontrar forças e esperança. A notícia do desaparecimento do avião abalou profundamente as famílias, mas, unidos pelo amor e pelo desespero, eles se preparavam para enfrentar o que viesse pela frente.

Don Alejandro, incapaz de se manter sentado, começou a andar de um lado para o outro na biblioteca da mansão. Ele pegou o telefone várias vezes, considerando ligar para autoridades e amigos influentes, mas sempre acabava colocando-o de volta na mesa, frustrado com a falta de ação imediata que qualquer ligação poderia trazer.

Tudo era muito recente, e não havia nada que pudesse fazer a não ser esperar.

Sofia, observando seu empregador, decidiu tomar a iniciativa. Ela se dirigiu ao escritório e começou a fazer chamadas para contatos antigos que poderiam ajudar, pessoas que tinham experiência em resgates e operações de emergência. Sua determinação era visível; ela estava disposta a fazer tudo ao seu alcance para ajudar a encontrar Gabriel e Amihan.

— Sofia? — chamou Don Alejandro.

— Sim, senhor? — respondeu ela, interrompendo suas ligações.

— Ligue para os Salazar, acredito que nesse momento Atos e Luísa já estão cientes do ocorrido, precisamos unir forças. Gabriel e Amihan serão nossas prioridades!

Sofia apenas assentiu enquanto observava seu patrão se isolar em seu quarto.

O senhor Castillo sempre fora um homem muito sério de poucas palavras e emoções, mas naquele instante, deitado em sua cama em posição fetal abraçado a uma foto de Gabriel ainda menino, chorou feito uma criança. O medo de perder o filho sem nunca ter dito que o amava, o aterrorizava.

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